sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Heresias dentro das Igrejas Evangélicas.



A Paz do Senhor Jesus, hoje na chamada Igreja moderna, vemos muitas coisas contraria a Verdadeira doutrina Bíblica. Que são chamadas de heresias. Primeiro vamos entender o que é heresia.

Heresias: Doutrina religiosa sustentada por um líder de Igreja e condenada por esta como contrária aos seus dogmas.

Dogmas: Ponto fundamental de doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível.

Então heresia é doutrina religiosa que é contraria ao principio fundamental da verdadeira Doutrina Bíblica que é certa e indiscutível.

Hoje a maioria das Igrejas, principalmente Igrejas grandes tem usado de variados tipos de heresias. Os motivos mais comuns é aumentar a coleta, e para levar pessoas para a Igreja.

Vamos entender melhor: As Igrejas de hoje, as que não prega, o verdadeiro Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo,  manipulando seus membros e visitantes através de objetos. Veja talvez até você já tenha pego alguns destes: Rosa, cajadinho(pra abrir o mar vermelho), lenço(pra colocar na enfermidade), chavinha(pra abrir as portas), uma portinha(portas abertas), uma arca, uma pedra (pra atirar no Golias), uma corrente de papel(quebrando as correntes), um travesseirinho(pra colocar na sua cama), uma flechinha(pra vida sentimental), anel, fitinha(pra amarrar no braço, imitando a de aparecida), pãozinho(pra levar e comer em casa), copo com Água (pra tomar), sal grosso (pra jogar no vizinho, em casa etc.), martelo, corneta (pra tocar e receber a vitoria), cruzinha, óleo ungido (pra ungir onde você que tomar posse), Sabonete (pra tomar banho), Água e arruda (fazer descarrego),  sal e enxofre, isso e muito mais que suas mentes demoníacas puder inventar.

Vamos ver o a Bíblia nos diz sobre isso:

2 Pedro 2:01

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

Efésios:04:13,24

até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, 

para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. 

Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, 

de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.     

Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, 

obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, 

os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza.                                                           

Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, 

se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, 

no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, 

e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, 

e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

Como vocês podem ver não precisa dizer mais nada, e agora você vai continuar pegando esses objetos? Sua Igreja te dado todos esses objetos? Bom agora você conhece a verdade você continua nesse erro se você quiser, afinal você tem o livre arbítrio, porem medite nos versículos abaixo:

Gálatas:05:19,21

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia,
idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,

invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus.

Abra o seu entendimento, não caia em heresias destruidoras, já pensou um objeto tomando o lugar daquele que morreu na Cruz por mim e por você, você pode dizer que sua fé não está no objeto, então por que você pega? Se você pega é por que você acredita!

Abra os seus olhos, ... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertara. João:08,32

ADEC
Associação de Divulgação do Evangelho de Cristo

 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O nosso socorro está em Deus


A palavra de Deus nos garante que existe uma diferença, entre o justo e o injusto, entre aqueles que serve a Deus daqueles que não servem. Portanto todos nós estamos sujeitos aos mesmos problemas ou males desta vida.
Deus permite que seus servos passe as mesmas situações que um infiel passa, mas Ele nos garante a vitória.

Muitas vezes o crente diante de dificuldades diz em seu coração: E dirás no teu coração: Quem me gerou estes? Pois eu estava desfilhada e solitária; entrara em cativeiro e me retirara; quem, então, me criou estes? Eis que eu fui deixada sozinha; e estes onde estavam? Isaías 49.21  

Leia o que Deus responde logo a seguir: Assim diz o SENHOR:
Eis que levantarei a mão para as nações e, ante os povos, arvorarei a minha bandeira; então, trarão os teus filhos nos braços, e as tuas filhas serão levadas sobre os ombros.
E os reis serão os teus aios, e as suas princesas, as tuas amas; diante de ti, se inclinarão com o rosto em terra e lamberão o pó dos teus pés, e saberás que eu sou o SENHOR e que os que confiam em mim não serão confundidos.
Tirar-se-ia a presa ao valente? Ou os presos justamente escapariam?
Mas assim diz o SENHOR: Por certo que os presos se tirarão ao valente, e a presa do tirano escapará; porque eu contenderei com os que contendem contigo e os teus filhos eu remirei.
E sustentarei os teus opressores com a sua própria carne, e com o seu próprio sangue se embriagarão, como com mosto; e toda carne saberá que eu sou o SENHOR, o teu Salvador e o teu Redentor, o Forte de Jacó. Isaías: 49:22,26

Deus nos garante remir a nós e nossos filhos.
E todos aqueles que viram sua luta na dificuldade, também verão O Senhor te abençoando, dando a cura o livramento e a restauração, naquilo que esta pedindo ao Senhor.

E diz mais, quanto aqueles que durante sua prova deixaram ser usados por satanás para se levantar e zombar dos servos do Senhor. “... contenderei os que contendem contigo”
Isaías: 49:25

Se aplicarmos esta verdade de Deus em nossas vidas todos os dias, jamais seremos confundidos ou abalados pois: Os que confiam no SENHOR serão como o monte Sião, que não se abala, mas permanece para sempre. Salmos 125.1  

Que Deus Abençoe a todos! Amém.


Por: C. O. Santos

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A BÍBLIA É AUTENTICADA PELO ESPÍRITO

Portanto, que se tome isto por estabelecido: aqueles a quem o Espírito Santo interiormente ensinou aquiescem firmemente à Escritura, e esta é indubitavelmente auvto,piston [^%T(P]sT(n – autenticada por si mesma]; nem é justo que ela se sujeite a demonstração e arrazoados, porquanto a certeza que ela merece de nossa parte a obtemos do testemunho do Espírito. Pois, ainda que, de sua própria majestade, evoque espontaneamente reverência para si, todavia por fim nos afeta seriamente, visto que nos foi selada no coração através do Espírito. Portanto, iluminados por seu poder, já não cremos que a Escritura procede de Deus por nosso próprio juízo, ou pelo juízo de outros; ao contrário, com a máxima certeza, não menos se contemplássemos nela a majestade do próprio Deus, concluímos, acima do juízo humano, que ela nos emanou diretamente da boca de Deus, através do ministério humano.

Não buscamos argumentos, nem evidências comprobatórias, sobre os quais se firme nosso critério. Pelo contrário, sujeitamos-lhe nosso juízo e entendimento como algo que está além do processo aleatório do juízo. Isto certamente o fazemos, não da maneira como às vezes alguns costumam sofregamente agarrar uma coisa desconhecida,
a qual, tão logo examinada a fundo, acaba lhes desagradando, mas porque somos plenamente cônscios de que estamos diante da verdade inexpugnável. Nem tampouco à maneira como certos homens dignos de lástima costumam fazer à mente cativa de superstições; ao contrário, porque sentimos que aí medra e respira o
poder indubitável da divina majestade, pelo qual somos atraídos e inflamados a obedecer, na verdade, cônscia e deliberadamente, contudo mais vívida e efetivamente que por força, seja da vontade, seja do saber humano.

E assim, com mui procedente razão Deus proclama, pela instrumentalidade de Isaías [43.10], que os profetas, juntamente com todo o povo, eram suas testemunhas, porque, instruídos por predições, sustentavam com plena certeza que, sem engano ou ambigüidade, Deus havia falado.
Portanto, aqui está uma convicção que não requer razões; um conhecimento ao qual assiste a mais sublimada razão; na verdade, no qual a mente descansa mais firme e constantemente que em quaisquer razões; enfim, um sentimento que não pode nascer senão de revelação celestial. Não estou falando de outra coisa senão do que em si experimenta cada um dos fiéis, exceto que as palavras ficam muito abaixo de uma justa explicação da matéria.
Deixo, por ora, de mencionar mais coisas, porquanto em outra parte se oferecerá lugar para tratar-se novamente deste assunto. Por ora saibamos apenas que, afinal, fé verdadeira é aquela que o Espírito de Deus sela em nosso coração. Simplesmente com esta razão, entretanto, o leitor despretensioso e dócil se contentará: Isaías
[54.13] promete que discípulos de Deus haverão de ser todos filhos da Igreja renovada.

Nisto, Deus julga dignos de privilégio singular unicamente os eleitos, aos quais assim distingue da humanidade como um todo.
Com efeito, qual é o princípio da verdadeira doutrina senão a pronta disposição de ouvir a voz de Deus? Assim é que, pela boca de Moisés, Deus requer ser ouvido, segundo foi escrito: “Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu?, ou: Quem descerá ao abismo? Eis que a palavra está em tua boca” [Dt 30.12, 14; Sl 107.26].
Se Deus quis que fosse reservado a seus filhos este rico tesouro de conhecimento, não é de admirar nem é absurdo se no comum dos homens se manifesta tão grande ignorância e obtusidade. Chamo de comum dos homens até mesmo alguns vultos destacados, enquanto não forem inseridos no corpo da Igreja.
Acrescenta que Isaías, advertindo que não só aos estranhos, mas até mesmo aos judeus que querem ser considerados os membros da família, o ensino profético haveria de ser desacreditado, adiciona ao mesmo tempo a causa: porque o braço de Deus não se revelará a todos [Is 53.1].
Portanto, sempre que a exigüidade do número dos que crêem nos conturbe, em contraste nos venha à mente que ninguém pode compreender os mistérios de Deus senão aqueles a quem foi dado entendê-los.

Institutas de João Calvino

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O TESTEMUNHO INTERIOR DO ESPÍRITO É SUPERIOR A TODA PROVA

É necessário reafirmar o que referi pouco atrás: a credibilidade da doutrina não se firma antes que ela nos persuada além de toda dúvida de que seu autor é Deus.
Daí, a suprema prova da Escritura se estabelece reiteradamente da pessoa de Deus falando nela. Os profetas e os apóstolos não alardeiam, seja sua habilidade, sejam quaisquer elementos que granjeiam credibilidade aos que falam, nem insistem em razões, mas invocam o sagrado nome de Deus, mediante o qual todo mundo seja
compelido à obediência. Cumpre, pois, agora ver como se poderá discernir, e não por uma opinião aparente, mas pela verdade, que o nome de Deus não seja usurpado temerariamente, nem com astúcia e engano.

Ora, se almejamos o que seja melhor para as consciências, para que não venha a ser perpetuamente levadas em derredor pela dúvida instável, ou cedam à vacilação, para que nem ainda hesitem diante de quaisquer questiúnculas de somenos importância, deve-se buscar esta convicção para além das razões, dos juízos, ou das conjeturas humanas, ou, seja, do testemunho íntimo do Espírito.
É sem dúvida verdadeiro que, se quiséssemos continuar à base de argumentos, muitas coisas poderiam ser trazidas à consideração, aquelas que evidenciam facilmente que, se há algum Deus no céu, a lei, as profecias e o evangelho dimanaram dele. Ademais, ainda que se insurjam contra homens doutos e possuídos de profundíssimo discernimento e nesta disputa apliquem e ostentem todos os poderes da inteligência, contudo, a não ser que se endureçam despudorada e extremamente, esta confissão lhes será arrancada: que sinais de Deus se verão manifestados na Escritura, a falarem nela, dos quais se patenteia que a doutrina aí contida é de teor celestial.

E, pouco adiante, veremos que todos os livros da Sagrada Escritura em muito excedem a quaisquer outros escritos. Logo, se volvermos para eles olhos puros e sentidos íntegros, a majestade de Deus prontamente nos será manifesta, à qual, subjugada nossa ousadia de contraditá-la, somos compelidos à obediência.
Entretanto, às avessas agem quantos porfiam por firmar a sólida credibilidade da Escritura através de discussões. De minha parte, já que não me destaco nem pela sublimada aptidão, nem pela eloqüência, entretanto, se houvesse de travar luta com os mais ardilosos desprezadores de Deus, um a um, os quais anseiam por mostrar se solertes e refinados em sua depreciação da Escritura, confio que não me seria difícil calar-lhes as vozes estridentes. E, se fosse proveitoso o trabalho de refutar suas vãs cavilações, não haveria grande dificuldade em lhes pulverizar as jactanciosas expostulações que em surdina murmuram pelos cantos. Contudo, se alguém desvencilha a Sagrada Palavra de Deus das depreciações dos homens, nem ainda assim lhes será infundida, imediatamente no coração, a certeza que a piedade busca.

Uma vez que aos homens profanos a religião parece firmar-se apenas na opinião, para que estulta ou levianamente não creiam em algo, desejam e requerem que lhes seja provado pela razão que Moisés e os profetas falaram movidos por Deus.
Não obstante respondo que o testemunho do Espírito é superior a toda razão. Ora, assim como só Deus é idônea testemunha de si mesmo em sua Palavra, também assim a Palavra não logrará fé nos corações humanos antes que seja neles selada pelo testemunho interior do Espírito. Portanto, é necessário que o mesmo Espírito
que falou pela boca dos profetas penetre em nosso coração, para que nos persuada de que eles proclamaram fielmente o que lhes fora divinamente ordenado. E esta correlação é expressa com muita propriedade por Isaías, nestas palavras: “Meu Espírito que está em ti e as palavras que pus em tua boca e na de tua progênie jamais falharão” [Is 59.21].

Certos espíritos nobres se deixam apoquentar de que não há à mão comprovação clara, enquanto os ímpios vociferarem impunemente contra a Palavra de Deus. Na verdade, é como se o Espírito não fosse chamado, respectivamente, selo e penhor [1Co 1.22] para com isso confirmar a fé aos piedosos; porquanto, até que ele ilumine as mentes, elas sempre flutuam em meio a muitas incertezas!


As Institutas de João Calvino

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

AGOSTINHO NÃO CONTRARIA ESTA TESE


Sei suficientemente bem ser comumente citada a declaração de Agostinho na qual ele só creria no evangelho se a autoridade da Igreja o movesse isso. Entretanto,é fácil de depreender, pelo próprio contexto, quão errônea e cavilosamente é ele citado neste sentido. O fato é que ele estava envolvido com os maniqueus, os quais
desejavam ser cridos sem controvérsia, quando protestavam, sem que o comprovasse, que tinham a verdade. De fato, visto que, para fomentarem confiança em seu Mani, apelavam para o evangelho, pergunta Agostinho: que haveriam eles de fazer se porventura se defrontassem com um homem que realmente não cresse no evangelho?
Com que gênero de argumentação haveriam de conduzi-lo a seu ponto de vista?
Acrescenta, a seguir: “Eu, na verdade, não creria no evangelho” etc., querendo com isso dizer que, enquanto era estranho à fé, não poderia ser levado de outra maneira a abraçar o evangelho como a verdade infalível de Deus se não fosse compelido pela autoridade da Igreja. E porventura surpreende se alguém, quando ainda
não conhece a Cristo, se deixa levar pelo respeito humano?
Portanto, Agostinho não está aqui ensinando que a fé dos piedosos está fundada na autoridade da Igreja, nem entende que daí dependa a certeza do evangelho. Mas está simplesmente ensinando que para os infiéis não haveria nenhuma certeza do evangelho, para que sejam daí ganhos para Cristo, a não ser que o consenso da
Igreja os force. E isto ele confirma um pouco antes não de forma obscura, falando assim: “Quando eu tiver louvado o que creio e tiver escarnecido o que crês, o que pensas que devamos julgar, ou que devamos fazer, senão desertarmos àqueles que nos convidam a conhecer coisas seguras, e depois ordenam que creiamos coisas
incertas e sigamos aqueles que antes nos convidam a crer o que ainda não somos capacitados a ver, de sorte que, feitos mais ousados pela própria fé, façamos jus a entender o que cremos, estando a firmar e iluminar-nos interiormente não mais o
espírito dos homens, mas o próprio Deus?”
São estas, textualmente, as palavras de Agostinho, das quais qualquer um pode concluir prontamente que o santo varão não tivera esta intenção: que fizesse pendente da autoridade ou do arbítrio da Igreja a fé que temos nas Escrituras; ao contrário, que apenas indicasse, o que também confessamos ser verdadeiro, que aqueles
que ainda não foram iluminados pelo Espírito de Deus são induzidos à docilidade pela reverência à Igreja, para que porfiem em aprender do evangelho a fé em Cristo.
E assim é que, desse modo, a autoridade da Igreja é, a seu ver, a preparação pela qual somos predispostos para a fé do evangelho. Portanto, como estamos vendo, ele quer que a certeza dos piedosos se assente em fundamento bem diverso.
Por outro lado, não estou negando que, não raro, no empenho de afirmar a autoridade da Escritura, a qual esses tais repudiavam, pressiona aos maniqueus com o consenso da Igreja inteira. Donde aquela sua exprobração contra Fausto, visto que ele não se submetia à verdade do evangelho, que era tão firme, tão sólida, celebrada com glória tão imensa e recomendada por sólidas sucessões desde o tempo dos apóstolos. Mas, em lugar algum ele pretendia ensinar que a autoridade que deferimos às Escrituras deva depender da definição ou do decreto de homens. Apenas traz
à baila o parecer universal da Igreja, em que levava manifesta vantagem sobre os adversários, porque no caso muito lhe valia.
Se alguém deseja uma comprovação mais plena disto, leia seu livreto A Utilidade do Crer, onde verificarás que ele não recomenda nenhuma outra disposição de crer, senão unicamente aquela que nos faculte acesso e seja oportuno começo da investigação, como ele próprio o diz, contudo, que não se deve aquiescer à mera opinião, mas arrimar-se na segura e sólida verdade.

João Calvino


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A IGREJA ESTÁ FUNDAMENTADA NA BÍBLIA




Mas, palradores desse gênero se refutam sobejamente com apenas uma palavra do Apóstolo. Categoriza ele [Ef 2.20] que a Igreja se sustém no fundamento dos profetas e dos apóstolos. Se o fundamento da Igreja é a doutrina profética e apostólica,
é necessário que esta doutrina tenha sua inteira infalibilidade antes que a Igreja começasse a existir.25 Nem procede o que sofisticamente arrazoam, a saber, ainda que daqui derive a Igreja sua origem e começo, a não ser que se interponha o arbítrio da
própria Igreja, permanece em dúvida quais coisas se devam atribuir aos profetas e aos apóstolos. Ora, se de início a Igreja Cristã foi fundada nos escritos dos profetas e na pregação dos apóstolos, onde quer que esta doutrina se encontre, sua aceitação, sem a
qual a própria Igreja jamais teria existido, indubitavelmente precedeu à Igreja.
Portanto, mui fútil é a ficção de que o poder de julgar a Escritura está na alçada da Igreja, de sorte que se deva entender que do arbítrio desta, a Igreja, depende a certeza daquela, a Escritura. Conseqüentemente, enquanto a recebe e com sua aprovação
a sela, a Igreja não a converte de duvidosa em autêntica, ou de outro modo seria controvertida; ao contrário, visto que a reconhece como sendo a verdade de seu Deus, por injunção da piedade, a venera sem qualquer restrição.
Quanto, porém, ao que perguntam: Como seremos persuadidos de que as Escrituras provieram de Deus, a não ser que nos refugiemos no decreto da Igreja? É exatamente como se alguém perguntasse: de onde aprenderemos a distinguir a luz das trevas, o branco do preto, o doce do amargo? Pois a Escritura manifesta plenamente
evidência não menos diáfana de sua veracidade, que de sua cor as coisas brancas e pretas, de seu sabor, as doces e amargas.

João Calvino

A AUTORIDADE DA BÍBLIA PROVÉM DE DEUS, NÃO DA IGREJA

Antes, porém, que se avance mais, é conveniente inserir certas considerações quanto à autoridade da Escritura, considerações que não só preparem os espíritos à sua reverência, mas também que dissipem toda dúvida. Ora, quando o que se propõe é a Palavra de Deus, é evidente que ninguém demonstrará petulância tão deplorável que ouse abolir a fé naquele que nela fala, salvo se, talvez, for destituído não só de bom senso, mas até mesmo da própria humanidade.
Como, porém, não se outorguem oráculos dos céus quotidianamente, e só subsistem as Escrituras, na qual aprouve ao Senhor consagrar sua verdade e perpétua lembrança, elas granjeiam entre os fiéis plena autoridade, não por outro direito senão
aquele que emana do céu onde foram promulgadas, e, como sendo vivas, nelas se ouvem as próprias palavras de Deus.
Certamente que esta é matéria mui digna não só que seja tratada mais a fundo, mas que seja ponderada ainda mais precisamente. Que me perdoem, porém, os leitores, se atento mais para o que dita o propósito da obra encetada do que para o que requer a amplitude deste assunto.
Entre a maioria, entretanto, tem prevalecido o erro perniciosíssimo de que o valor que assiste à Escritura é apenas até onde os alvitres da Igreja concedem. Como se de fato a eterna e inviolável verdade de Deus se apoiasse no arbítrio dos homens!
Pois, com grande escárnio do Espírito Santo, assim indagam: “Quem porventura nos pode fazer crer que essas coisas provieram de Deus?” Quem, por acaso, nos pode atestar que elas chegaram até nossos dias inteiras e intatas? Quem, afinal, nos pode persuadir de que este livro deve ser recebido reverentemente, excluindo um
outro de seu número, a não ser que a Igreja prescrevesse a norma infalível de todas essas coisas?”
Depende, portanto, da determinação da Igreja, dizem, não só que se deve reverência à Escritura, como também que livros devam ser arrolados em seu cânon. E assim, homens sacrílegos, enquanto, sob o pretexto da Igreja, visam a implantar desenfreada tirania, não fazem caso dos absurdos em que se enredam a si próprios e
aos demais com tal poder de fazer crer às pessoas simples que a Igreja tudo pode.
Ora, se assim é, que acontecerá às pobres consciências que buscam sólida certeza da vida eterna, se todas e quaisquer promessas que existem a seu respeito subsistam embasadas unicamente no julgamento dos homens? Porventura, recebida uma resposta como essa, deixarão elas de vacilar e tremer? Em contrapartida, que ocasião damos aos infiéis de fazer troça e escárnio de nossa fé, e quantos a têm por suspeita caso se cresse que tem sua autoridade como prestada pelo favor dos homens!
João Calvino



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A SUPERIORIDADE REVELACIONAL DA BÍBLIA SOBRE A CRIAÇÃO



Por isso, o mesmo Profeta, onde trouxe à lembrança que a glória de Deus é proclamada pelos céus, que as obras de suas mãos são anunciadas pelo firmamento, que sua majestade é apregoada pela seqüência regular dos dias e das noites [Sl 19.1,2], em seguida desce à menção da Palavra: “A lei do Senhor” diz ele, “é sem defeito, reanimando as almas; o testemunho do Senhor é fiel, dando sabedoria aos pequeninos; os atos de justiça do Senhor são retos, alegrando os corações; o preceito do Senhor é límpido, iluminando os olhos” [Sl 19.7, 8]. Ora, embora ele inclua ainda outros usos da lei, contudo assinala, de modo geral, porquanto em vão Deus convida a si a todos os povos pela contemplação do céu e da terra, afirmando que esta é a escola especial dos filhos de Deus: a Escritura.
Idêntica é a perspectiva do Salmo 29, no qual o Profeta, após discursar a respeito da voz terrível de Deus, a qual sacode a terra com trovões, ventanias, chuvas, furacões e tempestades, faz tremer as montanhas, despedaça os cedros, contudo no final acrescenta que seus louvores são entoados no santuário, porquanto os incrédulos são surdos a todas as vozes de Deus que ressoam nos ares. De igual modo, assim ele conclui em outro dos Salmos, onde descreveu as ondas espantosas do mar: “Mui fiéis são teus testemunhos; a santidade convém a tua casa, para sempre” [Sl 93.5]
Daqui também promana aquilo que Cristo dizia à mulher samaritana [Jo 4.22]: que seu povo e todos os demais povos adoravam o que desconheciam; e que somente os judeus exibiam o culto verdadeiro de Deus.
Ora, já que, em razão de sua obtusidade, de modo algum a mente humana pode chegar a Deus, salvo se for assistida e sustentada por sua Santa Palavra, então todos os mortais – excetuados os judeus –visto que buscavam a Deus sem a Palavra, lhes foi inevitável que vagassem na futilidade e no erro.


João Calvino

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Bizarro: mulher teria dado à luz um potro


Benin-City, Nigéria - Circulam pela internet notícias e foto sobre o ocorrido em culto na cidade de Benin-City, Nigéria, onde o pastor de uma igreja evangélica afirma que mulher teria dado à luz a um potro durante o culto. Verdade ou não, o fato circula a internet e foi publicado em diversos sites. A igreja nigeriana não emitiu nenhuma nota confirmando ou desmentindo a notícia.

A notícia
Fiéis da igreja evangélica World Liberation Ministry (Ministério de Libertação Mundial), de Benin-City, na Nigéria, afirmam ter visto uma mulher dando à luz um potro, informou o jornal "The Nation".

A Igreja fica em Benin-City, capital do Estado de Edo, centro sul da Nigéria, no continente africano. 
(postagem comentada)


O potro, porém, já estava morto quando os jornalistas chegaram ao templo.

Foto publicada pelo jornal teria sido tirada pelo repórter fotográfico Osagie Otabor.

A mulher, cuja identidade não foi revelada,  começou a gritar durante a oração e a sangrar pela vagina antes do parto.

Segundo informou aos jornalistas o administrador-geral da igreja, Evangelist Silva, durante as orações foi informado de que havia uma mulher com um problema e que algo estranho estava acontecendo.

Silva disse que as orações se intensificaram enquanto a mulher começou gritava, sangrando, quando o potro saiu. Disse, na ocasião, que não poderia confirmar se o animal estava vivo ou morto, porque não chegou perto dele.

Evangelist declarou não estar totalmente surpreso, porque "Temos visto pessoas que vomitaram várias coisas durante o nosso culto, mas não esse tipo de coisa. Deus tem abençoado nosso ministério com profecias e milagres", concluiu.

As pessoas correram para a igreja para ver o animal quando a notícia se espalhou pela cidade.

COMENTÁRIO BÍBLICO: A Palavra de Deus define como bestialidade as relações sexuais entre humanos e animais. A prática da bestialidade ainda é praticada entre inúmeros povos pagãos e na sociedade dita moderna. A prática foi proibida em Israel, conforme Levítico 20:15:16.
 Pr. Wagner Cipriano
Fonte:noticiario-evangelico

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Inimigos da Cruz

Muitos dos que creem piamente em Jesus Cristo estão à beira do abismo do engano e nada perceberam ainda.
Doutrinas de Cristo deixadas para despertamento da Igreja nos últimos dias, para que escape à apostasia, à corrupção doutrinária e adormecimento espiritual, que precedem o Arrebatamento, estão esquecidas. O preço por esse desprezo será alto e custará a corôa que faz deles "filhos de Deus".
Não acordaram para a corrupção doutrinária que destrói os fundamentos do verdadeiro Evangelho e leva as almas à apostasia e adormecimento espiritual. Nesse estágio, se Cristo volta, eles não o verão. Acordarão tardiamente para a triste realidade que Cristo tanto alertou: acautelai-vos dos homens que enganam fraudulentamente. Examinem as Escrituras, pois são elas que testificam de mim.
Crendo cegamente em suas lideranças, deixam-se reduzir a fonte de renda para a ganância de lobos devoradores, ficam expostos às heresias e falsas doutrinas teologicamente compostas para escravizar o rebanho. Jesus não ordenou esse comportamento de avidez por riquezas que marca as lideranças denominacionais no século 21. Jesus está às portas e, com Ele, a recompensa a cada um de nós.
A visão do apóstolo Paulo fala sobre dois tipos de crentes na igreja, sob a ótica do "tipo de vida" que querem viver e do "tipo de Evangelho" que querem seguir.
O primeiro tipo de crentes são dignos representantes da verdadeira igreja de Cristo. Esses zelam por uma vida santa, casta, na presença de Deus, sempre zelando pelo cumprimento das doutrinas neotestamentárias. São os renascidos.

O segundo tipo rejeita uma vida voltada à santidade e não se importam com a prática do Evangelho. Tudo que almejam pode ser encontrado nos modernos modelos de novos evangelhos, como o Evangelho Social, o Evangelho da Prosperidade, etc. Isso se explica, pois tais "novos evangelhos", foram moldados exatamente com o fim de agradar às massas, não havendo neles o compromisso com a obediência à vontade de Deus. A vontade de Deus tem sido colocada de lado. A igreja agora busca fazer a vontade de seus membros, para conservá-los, nunca espantando-os com a dura Palavra de Deus. Não lhes interessa mais fazer a vontade de Deus, mas a dos homens. Colocaram Jesus Cristo para fora, como Laodicéia o fez em Apocalipse 3:20. A Espada do Espírito tornou-se elástica, como que de plástico ou borracha, nas mãos das novas lideranças, profissionais diplomados por homens, despidos do Espírito Santo de Deus. Para esses, a negrura das trevas se faz presente, cegando-lhes os olhos e impedindo-os de ver que caminham para o precipício. Satisfazem-se sempre com seus deleites e anseios mundanos.

E assim, enquanto a primeira classe se alinha às doutrinas de Cristo, a segunda é fruto da somatória de todas as corrupções doutrinárias acumuladas através dos séculos e aperfeiçoadas no século 21 para direcionar os rebanhos incautos a um "deus" que proporcione vida farta, repleta de glórias terrenas, prosperidade financeira e uma vida de aparências, sem qualquer valor espiritual. Buscam um "deus de recompensas", comportamento materialista ensinado por pastores descompromissados com a verdade bíblica. Já não se importam de ver o pecado elamear suas ovelhas, que vivem em pecado sem as rédeas das verdadeiras doutrinas. Vitória, para esses crentes, não é e santificar ainda mais, mas realizar sonhos materialistas para satisfação de suas almas inconstantes.

Não há nesses qualquer crescimento ou aprendizado do verdadeiro Evangelho. São os evangélicos do tipo "nicodemos", que ainda necessitam nascer de novo.
O "deus" deste século

O modo pelo qual buscamos "deus" também revela a qual "deus" servimos. Quanto tratamos Deus como a fonte para realização de nossos desejos, transformamos o Deus bíblico em uma espécie de simulacro do gênio da lâmpada mágica. Deus passa a ser útil unicamente para as ambições pessoais. Esquecem-se que, ao se constituírem "amantes do mundo", se tornaram "inimigos de Deus" e "inimigos da Cruz". Contrariam o ensino de Jesus, que ordena a buscar o reino de Deus e sua Justiça, para que, somente então, Ele nos acrescente aquilo que nos é necessário. Ninguém quer se aperfeiçoar na fé e esperar pelas bênçãos. Deus é sabedor das necessidades de todas as criaturas, e não necessita de que estejamos a lembrá-lo de suas obrigações. Toda essa geração do século 21 quer bênçãos em primeiro lugar, mas não querem a verdade bíblica nem em segundo lugar.

Inconformados com a Verdade
Jesus sempre referenciava que a Verdade tem o poder de libertar as almas do engano. Mas vemos agora crentes que não querem libertação alguma, pois se acostumaram a rejeitar a Verdade e servir a evangelhos torcidos, enganadores. Amam qualquer outro tipo de evangelho, menos o Verdadeiro. Ao reprovarem o método divino, incorrem em pecados como avareza, ganância, amor aos deleites. A estes, Cristo aconselha:

Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói. Lucas 12:33
Sinal do fim dos tempos: O Evangelho "fingido"
Mesmo avisadas pela Palavra de Deus de que os últimos dias seriam marcados pela presença de lobos em pele de cordeiro, ocupando cargos de liderança e ávidos por riqueza fácil, que tratariam os rebanhos de Cristo como "comércio" com "palavras fingidas" (2º Pedro 2:1), e seriam enganadas e conduzidas à apostasia e à corrupção doutrinária, as ovelhas permanecem inertes à beira do abismo espiritual. Não acordam, não despertam para o perigo iminente.

Cristo voltará a qualquer momento, e milhões de almas ainda estão cegas e anestesiadas pelos falsos evangelhos, idolatrando seitas, denominações, falsos mestres, que jamais terão o poder de salvar qualquer pessoa. A salvação é e será sempre por Jesus Cristo. Homens falam do Salvador, mas não podem salvar. Mas podem desviar o rebanho da verdade. E o inimigo aplaude tudo isso, enquanto o Espírito de Deus entristece... E o conselho bíblico é para não entristercemos o Espírito Santo com o qual fomos santificados!

Examinai as Escrituras
Quando Jesus deixou a ordenança de "examinar" as Escrituras, queria, com isso, habilitar suas ovelhas na distinção entre o verdadeiro e o falso evangelho. Mas prevaleceu o comportamento de seguir cegamente um líder que, com sua voz suave e suas lisonjas, encantam as plateias evangélicas.

Tanto Cristo alertou e poucos tem compreendido o perigo real que corremos nos últimos dias da Igreja de Cristo na terra:

Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens.1 Coríntios 7:23
Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; Colossenses 2:8
Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Mateus 7:15
E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. 2 Pedro 2:3
acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus. Mateus 16:6
Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. Lucas 12:15
Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações, porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação. Lucas 16:15
Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens - Marcos 7:8
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Mateus 24:4
Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus.1 Pedro 4:2
Enfim, quem tem ouvidos, ouça o que a Palavra de Deus nos fala em suas últimas mensagens à sua Noiva Prudente. Seja prudente, não seja um crente louco e insensato. Guarda o que tu tens, que ninguém tome a tua corôa. Amém? 

Pr. Wagner Cipriano 
fonte:culturaevangelica

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A BÍBLIA É O ÚNICO ESCUDO A PROTEGER DO ERRO



Com efeito, se refletirmos bem quão acentuada é a tendência da mente humana para com o esquecimento de Deus; quão grande sua inclinação para com toda sorte de erro; quão pronunciado o gosto de a cada instante forjar novas e fantasiosas religiões, poder-se-á perceber quão necessária foi tal autenticação escrita da doutrina
celestial, para que não desvanecesse pelo ouvido, ou se dissipasse pelo erro, ou fosse corrompida pela petulância dos homens.
Como sobejamente assim se evidencia, Deus proveu o subsídio da Palavra a todos aqueles a quem quis, a qualquer tempo, instruir eficientemente, porque antevia ser pouco eficaz sua efígie impressa na formosíssima estrutura do universo.
Portanto, necessário se nos faz trilhar por esta reta vereda, caso aspiremos, com seriedade, à genuína contemplação de Deus.
Afirmo que importa achegar-se à Palavra onde, de modo real e ao vivo, Deus nos é descrito em função de suas obras, enquanto essas próprias obras se apreciam, não conforme a depravação de nosso julgar, mas segundo a norma da verdade eterna. Se dela nos desviamos, como há pouco frisei, ainda que nos esforcemos com
extrema celeridade, entretanto, uma vez que a corrida será fora da pista, jamais conseguirá ela atingir a meta. Pois assim se deve pensar: o resplendor da face divina, o qual o Apóstolo proclama ser inacessível [1Tm 6.16], nos é inextricável labirinto, a não ser que pelo Senhor sejamos dirigidos através dele pelo fio da Palavra,
visto ser preferível claudicar ao longo desta vereda a correr a toda brida fora dela.

Assim é que, não poucas vezes [Sl 93, 96, 97, 99 e afins], ensinando que importa alijar do mundo as superstições para que floresça a religião pura, Davi representa Deus a reinar, significando pelo termo reinar não o poder do qual Deus se acha investido e o qual exerce no governo universal da natureza, mas a doutrina pela qual para si reivindica soberania legítima, porquanto os erros jamais podem ser arrancados do coração humano, enquanto não for nele implantado o verdadeiro conhecimento de Deus.


João Calvino

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A BÍBLIA, A PALAVRA DE DEUS ESCRITA

Contudo, seja porque Deus se fez conhecido aos patriarcas através de oráculos e visões, seja porque, mediante a obra e ministério de homens, ele deu a conhecer o que depois, pelas próprias mãos, houvessem de transmitir aos pósteros, porém está fora de dúvida que a firme certeza da doutrina foi gravada em seu coração, de sorte que fossem persuadidos e compreendessem que o que haviam aprendido procedera de Deus. Pois, através de sua Palavra, Deus fez para sempre com que a fé não fosse dúbia, fé esta que houvesse de ser superior a toda mera opinião. Por fim, para que em perpétua continuidade de doutrina, a sobreviver por todos os séculos, a verdade permanecesse no mundo, esses mesmos oráculos que depositara com os patriarcas ele quis que fossem registrados como que em instrumentos públicos. Neste propósito, a lei foi promulgada, a qual mais tarde os profetas foram acrescentados como intérpretes.
Ora, visto que o uso da lei foi múltiplo, como se verá melhor no devido lugar, na verdade foi especialmente outorgada a Moisés e a todos os profetas a incumbência de ensinar o modo de reconciliação entre Deus e os homens, donde também Paulo chama Cristo o fim da lei (Rm 10.4). Contudo, outra vez o reitero, além da doutrina
apropriada da fé e do arrependimento, que apresenta Cristo como o Mediador, a Escritura adorna de marcas e sinais inconfundíveis ao Deus único e verdadeiro, porquanto criou o mundo e o governa, para que ele não se misture com a espúria multidão de divindades.

Portanto, por mais que ao homem, com sério propósito, convenha volver os olhos a considerar as obras de Deus, uma vez que foi colocado neste esplendíssimo teatro para que fosse seu espectador, todavia, para que fruísse maior proveito, convém-lhe, sobretudo, inclinar os ouvidos à Palavra. E por isso não é de admirar que, mais e mais, em sua insensibilidade se façam empedernidos aqueles que nasceram nas trevas, porquanto pouquíssimos se curvam dóceis à Palavra de Deus, de sorte que se contenham dentro de seus limites; ao contrário, antes exultam em sua futilidade.
Mas, para que nos reluza a verdadeira religião, é preciso considerar isto: que ela tenha a doutrina celeste como seu ponto de partida; nem pode alguém provar sequer o mais leve gosto da reta e sã doutrina, a não ser aquele que se faz discípulo da Escritura.

Donde também provém o princípio do verdadeiro entendimento: quando abraçamos reverentemente o que Deus quis testificar nela acerca de si mesmo. Ora, não só a fé consumada, ou completada em todos os seus aspectos, mas ainda todo reto conhecimento de Deus nascem da obediência à Palavra. E, fora de toda dúvida,
neste aspecto, com singular providência, Deus em todos os tempos teve em consideração os mortais.

João Calvino

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O VERDADEIRO CONHECIMENTO DE DEUS NA BÍBLIA



Portanto, ainda que esse fulgor, que aos olhos de todos se projeta no céu e na terra, mais que suficientemente despoje de todo fundamento a ingratidão dos homens, serve também para envolver o gênero humano na mesma incriminação. Deus a todos, sem exceção, exibe sua divina majestade debuxada nas criaturas, contudo é necessário adicionar outro e melhor recurso que nos dirija retamente ao próprio Criador do universo. Portanto, Deus não acrescenta em vão a luz de sua Palavra para que a salvação se fizesse conhecida. E considerou dignos deste privilégio aqueles
a quem quis atrair para mais perto e mais íntimo.

Ora, visto que ele via a mente de todos ser arrastada para cá e para lá em agitação errática e instável, depois que elegeu os judeus para si por povo peculiar, cercou-os de sebes, de todos os lados, para que não se extraviassem à maneira dos demais. Nem em vão nos retém ele, mediante o mesmo remédio, no puro conhecimento
de si mesmo; pois, de outra sorte, bem depressa se diluiriam até mesmo aqueles que, acima dos demais, parecem manter-se firmes. Exatamente como se dá com pessoas idosas, ou enfermas dos olhos, e tantos quantos sofram de visão embaçada, se puseres diante delas mesmo um vistoso volume, ainda que reconheçam ser
algo escrito, contudo mal poderão ajuntar duas palavras; ajudadas, porém, pela interposição de lentes, começarão a ler de forma distinta. Assim a Escritura, coletando-nos na mente conhecimento de Deus que de outra sorte seria confuso, dissipada a escuridão, nos mostra em diáfana clareza o Deus verdadeiro.
É esta, portanto, uma dádiva singular, quando, para instruir a Igreja, Deus não apenas se serve de mestres mudos, mas ainda abre seus sacrossantos lábios, não simplesmente para proclamar que se deve adorar a um Deus, mas ao mesmo tempo declara ser esse Aquele a quem se deve adorar; nem meramente ensina aos eleitos a atentarem para Deus, mas ainda se mostra como Aquele para quem devem atentar.
Ele tem mantido esse proceder para com sua Igreja desde o princípio, para que, afora essas evidências comuns, também aplicasse a Palavra, a qual é a mais direta e segura marca para reconhecê-lo.
Não carece de dúvida que Adão, Noé, Abraão e os demais patriarcas tenham, mercê deste recurso, atingido íntimo conhecimento dele, o qual, de certo modo, os distinguia dos incrédulos. Não estou ainda falando da doutrina apropriada pela fé
pela qual foram iluminados para a esperança da vida eterna. Ora, para que passassem da morte para a vida, foi-lhes necessário conhecer a Deus não apenas como Criador, mas ainda como Redentor, de sorte que chegaram seguramente a um e outro desses dois conceitos à base da Palavra.
Ora, na ordem, veio primeiro aquela modalidade de conhecimento mediante o qual fora dado alcançar quem é esse Deus por quem o mundo foi criado e é governado.
Acrescentou-se depois a outra, interior, a única que vivifica as almas mortais, por meio da qual se conhece a Deus não apenas como Criador do universo e único Autor e Árbitro de todas as coisas que existem, mas ainda, na pessoa do Mediador, como Redentor. Entretanto, visto que ainda não chegamos à queda do mundo e à
corrupção da natureza, deixo também de tratar de seu remédio.
Portanto, os leitores se lembrarão de que ainda não irei fazer considerações a respeito daquele pacto mediante o qual Deus adotou para si os filhos de Abraão, bem como daquela parte da doutrina por meio da qual os fiéis sempre foram devidamente
separados das pessoas profanas, pois que ele se fundamentou em Cristo, doutrina essa que será abordada na seção cristológica, mas somente enfocarei como se deve aprender da Escritura que Deus, que é o Criador do mundo, se distingue, por marcas seguras, de toda a multidão forjada de deuses. Oportunamente, mais adiante, a
própria seqüência nos conduzirá à Redenção. Mas, embora tenhamos de derivar do Novo Testamento muitos testemunhos, outros também da lei e dos profetas, onde se faz expressa menção de Cristo, contudo todos tendem a este fim: que Deus, o Artífice
do universo, se nos patenteia na Escritura; e o que dele se deva pensar, nela se expõe, para que não busquemos por veredas ambíguas alguma deidade incerta.


João Calvino

INESCUSABILIDADE FINAL DO HOMEM



Mas, embora careçamos de capacidade natural para podermos chegar ao puro e líquido conhecimento de Deus, entretanto, porque o defeito dessa obtusidade está dentro de nós, somos impedidos de toda e qualquer escusa. Pois não temos direito a tergiversação, nem justificativa alguma, porque não podemos pretender tal ignorância
sem que nossa própria consciência nos convença de negligência e ingratidão.
Uma defesa sem dúvida digna de admitir-se seria esta: se o homem alega que lhe faltaram ouvidos para ouvir a verdade, quando para declará-la às criaturas mudas sobejam vozes mais do que canoras; se pleiteia que com os olhos não pode ver o que lhe mostram as criaturas não dotadas de visão; se como escusa evoca a deficiência
do entendimento, quando o ensinam todas as criaturas destituídas de razão!
Daí com razão sermos sumariamente excluídos de toda escusa, visto que, sem rumo e desgarrados, nos extraviamos, quando todas as coisas nos apontam a trilha certa. Entretanto, por mais que se deva imputar à depravação dos homens o fato de que depressa corrompem a semente do conhecimento de Deus instilada em sua mente pela admirável operação da natureza, de sorte que não alcance ela a boa e pura frutificação, contudo é mui verdadeiro que, de modo algum, somos nós suficientemente instruídos por essa testificação clara e singela que é magnificantemente atribuída
pelas criaturas à glória de Deus. Pois, no mesmo instante em que, da contemplação do universo, degustamos ligeiro sorvo da Deidade, preterindo o Deus verdadeiro, erigimos-lhe em lugar os sonhos e fantasias de nosso cérebro, e da própria fonte transferimos para alguém ou para algo o louvor da justiça, da sabedoria, da bondade, do poder. Ademais, seus feitos diários de tal modo os obscurecemos ou os invertemos mediante juízo pervertido, que não só lhes arrebatamos a glória que é dele, mas ainda o louvor que se deve a seu autor.

João Calvino