Nº 6
UM SERMÃO
PREGADO NA MANHÃ DE DOMINGO, 4 DE FEVEREIRO DE 1855
PELO REV. C. H. SPURGEON
NO TABERNÁCULO DE NEW PARK STREET, SOUTHWARK
“Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega, até que faça triunfar o juízo.”
Mateus 12:20
A fama tagarela sempre gosta de falar de um homem ou de outro. Há alguns cuja glória ela alardeia e cuja honra ela exalta acima dos céus. Alguns são seus favoritos, e seus nomes são esculpidos no mármore e ouvidos em todas as terras e em todos os climas. A fama não é um juiz imparcial, ela tem seus favoritos. A alguns homens ela extasia, exalta e quase deifica — a outros, cujas virtudes são muito maiores e cujos caracteres são mais dignos de louvor, ela passa despercebida e põe o dedo do silêncio sobre os lábios.
Você descobrirá, em geral, que essas pessoas amadas pela fama são homens feitos de bronze ou ferro e moldados em uma forma rústica. A fama acaricia César, porque ele governou a terra com vara de ferro. A fama ama Lutero, porque ele desafiou audaz e virilmente o Papa de Roma, e de testa franzida ousou rir dos trovões do Vaticano.
A fama admira Knox, pois ele era severo e provou ser o mais bravo dos bravos. Em geral, você a verá escolhendo homens de fogo e fibra, que se puseram diante de suas criaturas semelhantes sem temê-las — homens que foram feitos de coragem, que eram blocos consolidados de destemor e nunca souberam o que é a timidez.
Mas você sabe que há outra classe de pessoas igualmente virtuosas e igualmente dignas de estima — talvez até mais — das quais a fama se esquece completamente. Você não a ouve falar do suave Melanchthon — ela diz muito pouco sobre ele —, no entanto, ele fez tanto, talvez, na Reforma, quanto o próprio e poderoso Lutero.
Você não ouve a fama falar muito do doce e abençoado Rutherford, e das palavras celestiais que destilavam de seus lábios. Ou do Arcebispo Leighton, de quem se dizia que nunca perdeu a paciência na vida. Ela ama os picos de granito bruto que desafiam a nuvem de tempestade. Ela não se importa com a pedra mais humilde do vale, sobre a qual o viajante cansado descansa. Ela quer algo arrojado e proeminente, algo que busque a popularidade, algo que se destaque diante do mundo. Ela não se importa com aqueles que se retiram para a sombra.
Por isso, meus irmãos, o abençoado Jesus, nosso adorável Mestre, escapou da fama. Ninguém diz muito sobre Jesus, exceto Seus seguidores. Não encontramos Seu nome escrito entre os grandes e poderosos — embora, na verdade, Ele seja o maior, o mais poderoso, o mais santo, o mais puro e o melhor homem que já viveu. Mas porque Ele era "o Doce Jesus, manso e humilde", e era enfaticamente o homem cujo reino não é deste mundo — porque Ele não tinha nada de rude em Si, mas era todo amor — porque Suas palavras eram mais macias que a manteiga, Seus pronunciamentos mais suaves em seu fluxo do que o azeite — porque nunca homem algum falou tão suavemente quanto este homem, por isso Ele é negligenciado e esquecido.
Ele não veio para ser um conquistador com Sua espada, nem um Maomé com sua eloquência inflamada, mas veio para falar com uma "voz mansa e delicada", que derrete o coração de pedra, que cura os quebrantados de espírito e que continuamente diz: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos". "Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas." Jesus Cristo era todo mansidão, e é por isso que Ele não foi exaltado entre os homens como de outra forma teria sido.
Amados! Nosso texto está cheio de mansidão. Parece ter sido embebido em amor, e espero ser capaz de mostrar-lhes algo da imensa compaixão e da poderosa ternura de Jesus ao tentar pregar a partir dele. Há três coisas a notar: primeiro, a fragilidade mortal; segundo, a compaixão divina; e terceiro, o triunfo certo — "até que faça triunfar o juízo".
I. Fragilidade Mortal
Em primeiro lugar, temos diante de nós uma visão da FRAGILIDADE MORTAL — a cana quebrada e a torcida que fumega —, duas metáforas muito sugestivas e cheias de significado.
Se não fosse fantasioso demais — e se for, sei que vocês me desculparão —, eu diria que a cana quebrada é o emblema de um pecador no primeiro estágio de sua convicção. A obra do Espírito Santo de Deus começa com o quebrantamento. Para ser salvo, o campo lavrado deve ser arado, o coração duro deve ser quebrado, a rocha deve ser fendida ao meio.
Um antigo teólogo diz que não se vai ao céu sem passar bem perto das portas do inferno — sem uma grande quantidade de aflição de alma e exercício de coração. Entendo, então, que a cana quebrada é uma pintura do pobre pecador quando Deus começa Sua operação na alma. Ele é uma cana quebrada, quase inteiramente esmagada e consumida. Há pouca força nele.
A torcida que fumega, concebo ser o cristão desviado, alguém que foi uma luz ardente e brilhante em seus dias, mas que pela negligência dos meios de graça, pela retirada do Espírito de Deus e pelo cair no pecado, sua luz quase se apagou — não totalmente —, nunca pode se apagar, pois Cristo diz: "Não a apagarei", mas torna-se como uma lâmpada mal provida de azeite — quase inútil.
Não está completamente extinta — fumega —; já foi uma lâmpada útil, mas agora se tornou como a torcida que fumega. Assim, penso que estas metáforas muito provavelmente descrevem o pecador contrito como uma cana quebrada, e o cristão desviado como a torcida que fumega. No entanto, não optarei por fazer tal divisão; antes, colocarei ambas as metáforas juntas, e espero que possamos extrair alguns pensamentos delas.
E, em primeiro lugar, o encorajamento oferecido em nosso texto aplica-se aos fracos. O que no mundo é mais fraco do que a cana quebrada ou a torcida que fumega? Uma cana que cresce no pântano ou no brejo, basta que o pato selvagem pouse sobre ela para que se quebre. Basta que o pé do homem passe por ela para que fique machucada e quebrada. Cada vento que vem uivando pelo rio a faz balançar de um lado para o outro e quase a arranca pelas raízes. Você não consegue conceber nada mais frágil ou quebradiço, ou cuja existência dependa mais das circunstâncias do que uma cana quebrada.
Depois, olhe para a torcida que fumega — o que é? Tem uma faísca dentro de si, é verdade, mas está quase sufocada — o sopro de um bebê poderia apagá-la ou as lágrimas de uma jovem poderiam extingui-la em um momento. Nada tem uma existência mais precária do que a pequenina faísca escondida na torcida que fumega. Coisas fracas, como vocês veem, são descritas aqui. Pois bem, Cristo diz delas: "A torcida que fumega não apagará; a cana quebrada não esmagará". Deixem-me ir em busca dos fracos. Ah! Não terei que ir longe. Há muitos nesta casa de oração esta manhã que são de fato fracos.
Alguns dos filhos de Deus, bendito seja o Seu nome, são fortalecidos para fazer obras poderosas para Ele. Deus tem Seus Sansões aqui e ali que podem arrancar os portões de Gaza e levá-los até o topo da colina. Ele tem aqui e ali Seus poderosos Gideões, que podem ir ao acampamento dos midianitas e derrotar seus exércitos. Ele tem Seus homens valentes, que podem descer ao poço no inverno e matar leões.
Mas a maioria do Seu povo é uma raça tímida e fraca. São como os estorninhos que se assustam com qualquer transeunte, um pequeno rebanho temeroso. Se a tentação vem, eles caem diante dela. Se a provação vem, são sobrecarregados por ela. Sua frágil embarcação é sacudida para cima e para baixo por cada vaga, e quando o vento vem, são levados como uma ave marinha na crista das ondas — coisas fracas, sem força, sem vigor, sem poder.
Ah! Queridos amigos, sei que segurei algumas de suas mãos agora, e seus corações também, pois vocês estão dizendo: "Fraco! Ah, isso eu sou. Com muita frequência sou forçado a dizer: Eu queria, mas não posso cantar. Eu queria, mas não posso orar. Eu queria, mas não posso crer". Vocês estão dizendo que não podem fazer nada — suas melhores resoluções são fracas e vãs, e quando clamam: "Renova as minhas forças", sentem-se mais fracos do que antes.
Vocês são fracos, são? Canas quebradas e torcidas que fumegam? Bendito seja Deus, este texto é para vocês então. Estão felizes por se enquadrarem na denominação de fracos, pois aqui está uma promessa de que Ele nunca os quebrará nem os apagará, mas os sustentará e os manterá de pé.
Sei que há algumas pessoas muito fortes aqui — quero dizer, fortes em suas próprias ideias. Muitas vezes me encontro com pessoas que não confessariam tal fraqueza. São mentes fortes. Dizem: "O senhor acha que nós caímos em pecado, senhor? O senhor nos diz que nossos corações são corruptos? Nós não cremos em tal coisa. Somos bons, puros e retos. Temos força e poder".
A vocês não estou pregando esta manhã, a vocês nada estou dizendo, mas acautelem-se — sua força é vaidade, seu poder é uma ilusão, seu vigor é uma mentira —, pois por mais que vocês se gabem do que podem fazer, isso passará. Quando chegarem ao verdadeiro combate com a morte, descobrirão que não têm força para lutar contra ela.
Quando um destes dias de forte tentação chegar, ele se apoderará de você, homem moral, e você cairá, e a gloriosa libré de sua moralidade ficará tão manchada que, embora você lave as mãos com água de neve e se purifique ao máximo, ficará tão poluído que suas próprias roupas o abominarão. Penso que é uma coisa abençoada ser fraco. O fraco é uma coisa sagrada — o Espírito Santo o fez assim. Você pode dizer: "Não tenho força alguma"? Então este texto é para você.
Em segundo lugar, as coisas mencionadas em nosso texto não são apenas fracas, mas coisas sem valor. Já ouvi falar de um homem que recolhia um alfinete enquanto caminhava pela rua, pelo princípio da economia. Mas nunca ouvi falar de um homem que parasse para recolher canas quebradas. Não vale a pena tê-las. Quem se importaria em ter uma cana quebrada — um pedaço de junco caído no chão? Todos nós a desprezamos como inútil.
E a torcida que fumega, qual é o valor dela? É algo ofensivo e nocivo, mas seu valor é nulo. Ninguém daria um estalar de dedos nem pela cana quebrada nem pela torcida que fumega. Pois bem, amados, em nossa estimativa, há muitos de nós que somos coisas sem valor. Há alguns aqui que, se pudessem se pesar nas balanças do santuário e colocar seus próprios corações na balança da consciência, pareceriam não servir para nada — sem valor, inúteis.
Houve um tempo em que vocês se julgavam as melhores pessoas do mundo — em que, se alguém dissesse que vocês tinham mais do que mereciam, vocês teriam se revoltado e dito: "Acredito que sou tão bom quanto os outros". Vocês se achavam algo maravilhoso — extremamente dignos do amor e da atenção de Deus —, mas agora se sentem sem valor.
Às vezes vocês imaginam que Deus dificilmente pode saber onde vocês estão, de tão desprezíveis que são — tão sem valor —, não valendo a consideração dEle. Vocês conseguem entender como Ele pode olhar para um animalculo em uma gota d'água, ou para um grão de poeira no raio de sol, ou para o inseto da tarde de verão, mas mal conseguem explicar como Ele pode pensar em vocês, pois parecem tão sem valor — um espaço em branco no mundo, uma coisa inútil.
Vocês dizem: "De que sirvo eu? Não estou fazendo nada. Quanto a um ministro do Evangelho, ele tem alguma utilidade. Quanto a um diácono da igreja, ele tem alguma serventia. Quanto a um professor da escola dominical, ele está fazendo algum bem, mas de que serviço sou eu?". Mas você poderia fazer a mesma pergunta aqui. Qual é a utilidade de uma cana quebrada? Pode um homem apoiar-se nela? Pode um homem fortalecer-se com ela? Será ela uma coluna na minha casa? Você pode ligá-la aos tubos da flauta de Pã e fazer sair música de uma cana quebrada? Ah! Não, não tem utilidade alguma.
E para que serve a torcida que fumega? O viajante da meia-noite não pode ser iluminado por ela. O estudante não pode ler pela sua chama. Não tem utilidade, os homens a lançam no fogo e a consomem. Ah! É assim que vocês falam de si mesmos. Vocês não servem para nada, e estas coisas também não. Mas Cristo não jogará vocês fora porque não têm valor. Vocês não sabem de que utilidade podem ser e não podem imaginar como Jesus Cristo os valoriza, apesar de tudo.
Há uma boa mulher ali, uma mãe, talvez. Ela diz: "Bem, eu não saio muito — cuido da casa e dos meus filhos, e parece que não estou fazendo nada de bom". Mãe, não diga isso; sua posição é elevada, nobre e de grande responsabilidade, e ao criar filhos para o Senhor, você está fazendo tanto pelo Seu nome quanto aquele eloquente Apolo, que tão valentemente pregou a Palavra.
E você, homem pobre, tudo o que pode fazer é mourejar da manhã à noite e ganhar apenas o suficiente para permitir que viva dia a dia; você não tem nada para doar e, quando vai à escola dominical, mal consegue ler, não pode ensinar muito — bem, mas àquele a quem pouco é dado, pouco é exigido. Você não sabe que existe algo como glorificar a Deus varrendo o cruzamento da rua?
Se dois anjos fossem enviados à terra, um para governar um império e o outro para varrer uma rua, eles não teriam escolha na matéria, desde que Deus lhes ordenasse. Assim Deus, em Sua providência, chamou você para trabalhar duro pelo pão diário; faça-o para a glória dEle. "Quer comais, quer bebeis, fazei tudo para a honra dEle."
Mas, ah! Sei que há alguns de vocês aqui que parecem inúteis para a igreja. Vocês fazem tudo o que podem, mas quando terminam, não é nada — não podem nos ajudar com dinheiro, nem com talentos, nem com tempo e, portanto, pensam que Deus deve lançá-los fora. Pensam que se fossem como Paulo ou Pedro poderiam estar salvos. Ah! Amados, não falem assim; Jesus Cristo diz que não apagará o mecha inútil, nem quebrará a cana quebrada sem valor. Ele tem algo para os inúteis e para os sem valor.
Mas reparem, não digo isto para desculpar a preguiça — para desculpar aqueles que podem fazer, mas não fazem —, isso é uma coisa muito diferente. Há um chicote para o jumento, um açoite para os homens ociosos, e eles devem tê-lo às vezes. Estou falando agora daqueles que não podem fazer — não de Issacar, que é como um jumento forte, deitado entre dois rebanhos e preguiçoso demais para se levantar com eles. Nada digo para o preguiçoso, que não lavra por causa do frio, mas para os homens e mulheres que realmente sentem que podem ser de pouca utilidade — que não podem fazer mais, e a estes, as palavras do texto são aplicáveis.
Agora faremos outra observação. As duas coisas aqui mencionadas são coisas ofensivas. Uma cana quebrada é ofensiva, pois creio que há aqui uma alusão às flautas de Pã, que todos vocês sabem ser canas colocadas juntas, ao longo das quais o homem move a boca, causando assim algum tipo de música. Este é o órgão, creio eu, que Jubal inventou e que Davi menciona, pois é certo que o órgão que usamos não estava em uso então.
A cana quebrada, então, é claro que estragaria a melodia de todos os tubos; um tubo defeituoso deixaria o ar sair de tal forma que produziria um som dissonante, ou som nenhum, de modo que o impulso de alguém seria tirar o tubo e colocar um novo. E quanto à torcida que fumega, o pavio de uma vela ou qualquer coisa desse tipo, não preciso informar-lhes que a fumaça é ofensiva. Para mim, nenhum odor em todo o mundo é tão abominavelmente ofensivo quanto a torcida que fumega.
Mas alguns dizem: "Como você pode falar de forma tão humilde?". Não desci mais do que eu mesmo poderia ir, nem mais do que vocês podem ir comigo, pois tenho certeza de que vocês são, se Deus, o Espírito Santo, realmente os humilhou, tão ofensivos para suas próprias almas e tão ofensivos para Deus quanto uma cana quebrada seria entre os tubos, ou como a torcida que fumega para os olhos e o nariz.
Muitas vezes penso no querido e velho John Bunyan, quando disse que desejava que Deus o tivesse feito um sapo, ou uma rã, ou uma cobra, ou qualquer outra coisa a um homem, pois sentia que era muito ofensivo. Oh! Posso conceber um ninho de víboras, e penso que são odiosas. Posso imaginar um poço de todo tipo de criaturas repugnantes, gerando corrupção, mas não há nada nem metade tão digno de abominação quanto o coração humano.
Deus poupa de todos os olhos, exceto dos Seus, essa visão terrível — o coração humano —, e se você e eu pudéssemos ver nosso coração uma única vez, seríamos levados à loucura, de tão horrível que seria a visão. Você se sente assim? Sente que deve ser ofensivo aos olhos de Deus — que se rebelou tanto contra Ele, que se desviou tanto dos Seus mandamentos, que certamente deve ser odioso para Ele? Se sim, meu texto é seu.
Agora, posso imaginar alguma mulher aqui esta manhã que se desviou dos caminhos da virtude e, enquanto está na multidão ali em cima, ou sentada, sente como se não tivesse o direito de pisar estes pátios sagrados e estar entre o povo de Deus. Ela pensa que Deus poderia quase fazer a capela desabar sobre ela para destruí-la, de tão grande pecadora que é.
Não importa, cana quebrada e torcida que fumega! Embora você seja o escárnio dos homens e repugnante para si mesma, ainda assim Jesus lhe diz: "Nem eu te condeno; vai e não peques mais, para que não te suceda algo pior".
Há algum homem aqui que tem algo em seu coração que eu não sei — que pode ter cometido crimes em segredo que não mencionaremos em público; seus pecados grudam como uma sanguessuga nele e o roubam de todo conforto. Aqui está você, jovem, tremendo e estremecendo, temendo que seu crime seja divulgado diante do alto céu. Você está abatido, esmagado como uma cana, fumegando como a torcida. Ah! Tenho uma palavra para você também. Consolo! Consolo! Consolo! Não desespere, pois Jesus diz que não apagará a torcida que fumega, não quebrará a cana quebrada.
E contudo, meus queridos amigos, há um pensamento antes de me afastar deste ponto. Ambos os artigos, por mais insignificantes que sejam, podem ainda ser de algum serviço. Quando Deus põe Sua mão sobre um homem, se ele era inútil e sem valor antes, Ele pode torná-lo muito valioso. Vocês sabem que o preço de um artigo não depende tanto do valor da matéria-prima, mas do trabalho nele empregado.
Aqui há uma matéria-prima muito ruim para começar — canas quebradas e torcidas que fumegam —, mas pelo trabalho divino ambas as coisas se tornam de valor admirável. Você me diz que a cana quebrada não serve para nada; eu lhe digo que Cristo pegará essa cana quebrada, irá consertá-la e ajustá-la nos tubos do céu. Então, quando a grande orquestra emitir sua música, quando os órgãos dos céus ecoarem seus sons graves, perguntaremos: "Qual foi aquela nota doce ouvida ali, misturando-se com as outras?". E alguém dirá: "Foi uma cana quebrada".
Ah! A voz de Maria Madalena no céu, imagino eu, soa mais doce e lípida do que qualquer outra, e a voz daquele pobre ladrão, que disse: "Senhor, lembra-te de mim", se é uma voz de baixo profundo, é mais suave e mais doce do que a voz de qualquer outro, porque ele muito amou, pois muito lhe foi perdoado. Esta cana ainda pode ser de uso. Não diga que você não serve para nada, você ainda cantará no céu. Não diga que não tem valor, por fim você estará diante do trono entre a multidão lavada pelo sangue e cantará o louvor de Deus.
Sim! E a torcida que fumega também, que bem pode fazer isso? Logo lhe direi. Há uma faísca nessa torcida em algum lugar; está quase apagada, mas ainda resta uma faísca. Veja a pradaria em fogo! Veja as chamas vindo em rolos! Veja riacho após riacho de fogo quente inundando a planície até que todo o continente esteja queimado e crestado — até que o céu fique avermelhado com a chama? A face negra da velha noite está cicatrizada pela queimadura, e as estrelas parecem aterrorizadas com o incêndio. Como essa massa foi inflamada? Por um pedaço de torcida que fumegava deixado cair por algum viajante, abanado pelo vento suave, até que toda a pradaria pegou fogo.
Assim, um homem pobre, um homem ignorante, um homem fraco, até mesmo um homem desviado, pode ser o meio de conversão de uma nação inteira. Quem sabe se você, que não é nada agora, não possa ser de mais uso do que aqueles de nós que parecem estar melhor diante de Deus, porque temos mais dons e talentos? Deus pode fazer uma faísca incendiar o mundo — Ele pode iluminar uma nação inteira com a faísca de uma pobre alma que ora.
Você pode ser útil ainda, portanto, mude de ânimo. O musgo cresce sobre as lápides, a hera apega-se à ruína que se desfaz, o visco cresce no galho morto e, da mesma forma, a graça, a piedade, a virtude, a santidade e a bondade virão da torcida que fumega e das canas quebradas.
II. Compaixão Divina
Assim, pois, meus queridos amigos, tentei encontrar as partes a quem este texto se destina e mostrei-lhes algo da fragilidade mortal. Agora subo um degrau mais alto — para a COMPAIXÃO DIVINA. "A cana quebrada não esmagará, a torcida que fumega não apagará."
Observem o que é dito em primeiro lugar, e depois deixem-me dizer-lhes que Jesus Cristo quer dizer muito mais do que diz. Em primeiro lugar, o que Ele diz? Ele diz claramente que não quebrará a cana quebrada. Há uma cana quebrada diante de mim — um pobre filho de Deus sob um profundo sentimento de pecado. Parece que o chicote da lei nunca vai parar. Continua, chibatada, chibatada, chibatada, e embora você diga: "Senhor, para com isso e dá-me um pouco de descanso", ainda desce a correia cruel, chibatada, chibatada, chibatada.
Você sente seus pecados. Ah! Sei o que você está dizendo esta manhã: "Se Deus continuar com isso mais um pouco, meu coração vai quebrar. Perirei em desespero, estou quase louco por causa do meu pecado. Se me deito à noite não consigo dormir, parece que há fantasmas no quarto — fantasmas dos meus pecados — e quando me acordo à meia-noite, vejo a forma negra da morte olhando para mim e dizendo: 'Você é minha presa, eu o terei', enquanto o inferno atrás parece arder".
Ah! Pobre cana quebrada, Ele não vai quebrar você. A convicção será forte demais, será grande o suficiente para derreter você e fazer você ir aos pés de Jesus, mas por ela não será forte o suficiente para quebrar seu coração completamente, de modo que você venha a morrer. Você nunca será levado ao desespero, mas será liberto, sairá do fogo, pobre cana quebrada, e não será quebrada.
Assim há um desviado aqui esta manhã; ele é como a torcida que fumega. Anos atrás você encontrou tanta felicidade nos caminhos do Senhor, e tanto deleite no Seu serviço, que disse: "Ali eu ficaria para sempre.
'Que horas de paz eu desfrutava então;
Quão doce é sua memória ainda!
Mas elas deixaram um vazio doloroso,
Que o mundo nunca poderá preencher.'"
Você está fumegando e pensa que Deus vai apagá-lo. Se eu fosse um arminiano, diria a você que Ele o faria, mas sendo um crente na Bíblia, e nada mais, digo-lhe que Ele não o apagará. Embora você esteja fumegando, não morrerá. Seja qual for o seu crime, o Senhor diz: "Voltai, ó filhos rebeldes, pois terei misericórdia de vós". Ele não o lançará fora, pobre Efraim, apenas volte para Ele — Ele não o desprezará, embora você tenha se mergulhado na lama e na sujeira, embora esteja coberto da cabeça aos pés com imundícia. Volte, pobre pródigo, volte, volte! Seu Pai o chama. Escute, pobre desviado! Venha imediatamente para Aquele cujos braços estão prontos para recebê-lo.
Diz que Ele não apagará — Ele não quebrará. Mas há mais sob disfarce do que vemos à primeira vista. Quando Jesus diz que não quebrará, Ele quer dizer mais do que isso. Ele quer dizer: "Pegarei aquela pobre cana quebrada, a plantarei junto às correntes de águas e (milagre dos milagres) a farei crescer em uma árvore cuja folha não murchará. Eu a regarei a cada momento. Eu a vigiarei. Haverá frutos celestiais nela. Manterei as aves de rapina longe dela, mas as aves do céu, os doces cantores do paraíso farão suas moradas em seus ramos".
Quando Ele diz que não quebrará a cana quebrada, quer dizer mais. Ele quer dizer que vai nutrir, que vai ajudar, fortalecer, apoiar e glorificar — que executará Sua comissão nela e a fará gloriosa para sempre. E quando Ele diz ao desviado que não o apagará, quer dizer mais do que isso — quer dizer que vai abaná-lo até virar chama.
Alguns de vocês, ouso dizer, foram para casa depois do culto e descobriram que o fogo quase se apagou. Sei como vocês lidam com isso — sopram suavemente a única faísca, se houver uma, e para não soprar com muita força, colocam os dedos diante dela, e se estivessem sozinhos e tivessem apenas um fósforo, ou uma faísca na mecha, quão suavemente a soprariam.
Assim, desviado, Jesus Cristo lida com você. Ele não o apaga, Ele sopra suavemente, Ele diz: "Não o apagarei". Ele quer dizer: "Serei muito terno, muito cauteloso, muito cuidadoso". Ele colocará material seco, de modo que, aos poucos, uma pequena faísca virará uma chama e brilhará em direção ao céu, e grande será o fogo dela.
Agora quero dizer uma ou duas coisas aos de Pouca-Fé esta manhã. Os filhinhos de Deus que são aqui mencionados como sendo canas quebradas ou torcidas que fumegam estão tão seguros quanto os grandes santos de Deus. Desejo por um momento expandir este pensamento e depois terminarei com o outro ponto.
Estes santos de Deus que são chamados de canas quebradas e torcidas que fumegam estão tão seguros quanto aqueles que são poderosos para o seu Mestre e grandes em força, por várias razões. Em primeiro lugar, o pequeno santo é tão eleito de Deus quanto o grande santo. Quando Deus escolheu Seu povo, Ele os escolheu todos de uma vez e juntos, e elegeu um tanto quanto o outro. Se eu escolher um certo número de coisas, uma pode ser menor do que o resto, mas uma é tão escolhida quanto a outra. E assim a Sra. Temerosa e a Sra. Desânimo são tão eleitas quanto o Grande-Coração ou o Velho Pai Honesto.
Novamente, os pequeninos são remidos igualmente com os grandes! Os santos fracos custaram a Cristo tanto sofrimento quanto os fortes; o menor filho de Deus não poderia ter sido comprado por menos do que o precioso sangue de Jesus, e o maior filho de Deus não Lhe custou mais. Paulo não custou mais do que Benjamim — tenho certeza de que não —, pois leio na Bíblia que "não há diferença".
Além disso, quando antigamente vinham pagar o dinheiro da redenção, cada pessoa trazia um siclo. O pobre não trazia menos e o rico não trazia mais do que exatamente um siclo. O mesmo preço foi pago por um e por outro. Agora, então, pequeno filho de Deus, leve esse pensamento para sua alma. Você vê alguns homens muito proeminentes na causa de Cristo — e é muito bom que sejam —, mas eles não custaram a Jesus um tostão a mais do que você. Ele pagou o mesmo preço por você que pagou por eles.
Lembre-se novamente: você é tão filho de Deus quanto o maior santo. Alguns de vocês têm cinco ou seis filhos. Há um filho seu, talvez, que é muito alto e bonito e tem, além disso, dons de mente. E você tem outro filho que é o menor da família, tal
Mas qual é mais seu filho? "Mais!", diz você, "Ambos são meus filhos igualmente, certamente, um tanto quanto o outro". E assim, queridos amigos, vocês podem ter muito pouco aprendizado, podem ser muito obscuros sobre as coisas divinas, podem apenas "ver homens como árvores que andam", mas são tão filhos de Deus quanto aqueles que cresceram à estatura de homens em Cristo Jesus.
Então lembre-se, pobre santo provado, que você é tão justificado quanto qualquer outro filho de Deus. Sei que estou completamente justificado.
"Seu sangue e justiça
São minha beleza, meu traje glorioso."
Não quero outros vestidos, a não ser os feitos de Jesus e Sua justiça imputada.
O filho mais arrojado de Deus não quer mais, e eu, que sou "o menor de todos os santos", posso me contentar com nada menos, e não terei nada menos. Ó Pronto-para-Mancar, você é tão justificado quanto Paulo, Pedro, João Batista ou o mais elevado santo no céu. Não há diferença nessa matéria. Oh! Crie coragem e regozije-se.
Então mais uma coisa. Se você se perdesse, a honra de Deus ficaria tão manchada quanto se o maior se perdesse. Uma coisa estranha li uma vez em um livro antigo sobre os filhos e o povo de Deus serem parte de Cristo e estarem em união com Ele. O escritor diz: "Um pai está sentado em sua sala, e entra um estranho. O estranho pega um filho no colo e o filho tem um dedo doente, então ele diz: 'Meu filho, você tem um dedo doente.' 'Sim!' 'Bem, deixe-me tirá-lo e dar-lhe um de ouro!' O filho olha para ele e diz: 'Não vou mais até aquele homem, pois ele fala em tirar meu dedo. Eu amo meu próprio dedo e não terei um de ouro em vez dele'".
Assim o santo diz: "Sou um dos membros de Cristo, mas sou como um dedo doente, e Ele vai me tirar e colocar um de ouro". "Não", disse Cristo, "Não, não, não posso ter nenhum dos Meus membros cortado. Se o dedo está doente, eu o atarei. Eu o fortalecerei". Cristo não pode permitir uma palavra sobre cortar Seus membros.
Se Cristo perdesse um do Seu povo, Ele não seria mais um Cristo completo. Se o menor dos Seus filhos pudesse ser lançado fora, faltaria a Cristo uma parte de Sua plenitude. Sim, Cristo estaria incompleto sem a Sua igreja. Se um dos Seus filhos tivesse que se perder, seria melhor que fosse um grande do que um pequeno.
Se um pequenino se perdesse, Satanás diria: "Ah! Tu salvas os grandes, porque eles tinham força e podiam se ajudar, mas o pequenino que não tem força, Tu não pudeste salvá-lo". Vocês sabem o que Satanás diria, mas Deus fecharia a boca de Satanás, proclamando: "Estão todos aqui, Satanás, apesar da tua malícia, estão todos aqui. Cada um está a salvo; agora deita-te na tua toca para sempre e sê acorrentado eternamente em cadeias, e fumega no fogo!". Assim sofrerá ele o tormento eterno, mas nenhum filho de Deus jamais sofrerá.
Mais um pensamento e terei terminado este ponto. A salvação dos grandes santos muitas vezes depende da salvação dos pequenos. Vocês entendem isso? Vocês sabem que a minha salvação, ou a salvação de qualquer filho de Deus, olhando para as causas secundárias, depende muito da conversão de outra pessoa. Suponha que sua mãe seja o meio de sua conversão; você, falando à maneira dos homens, diria que sua conversão dependeu da dela — pois o fato de ela ter sido convertida fez dela o instrumento para trazer você.
Suponha que este ou aquele ministro seja o meio do seu chamamento. Então sua conversão, em certo sentido, embora não absolutamente, depende da dele. Assimcontece muitas vezes que a salvação dos servos mais poderosos de Deus depende da conversão dos pequeninos. Há uma pobre mãe, ninguém jamais sabe nada sobre ela. Ela vai à casa de Deus, seu nome não está nos jornais, nem em lugar nenhum. Ela ensina seu filho e o cria no temor de Deus.
Ela ora por aquele menino, ela luta com Deus, e suas lágrimas e orações se misturam. O menino cresce. O que ele é? Um missionário — um William Knibb — um Moff
III. Vitória Certa
Agora, para terminar, há uma VITÓRIA CERTA. "Até que faça triunfar o juízo."
Vitória! Há algo belo nessa palavra. A morte de Sir John Moore, na Guerra Peninsular, foi muito comovente. Ele caiu nos braços do triunfo e, por mais triste que tenha sido o seu destino, não duvido de que seu olho se iluminou de brilho pelo brado de vitória.
Da mesma forma, suponho que Wolfe disse uma verdade quando afirmou: "Morro feliz", tendo pouco antes ouvido o brado: "Eles correm, eles correm". Sei que a vitória, mesmo nesse sentido ruim — pois não considero as vitórias terrenas de valor algum —, deve ter animado o guerreiro.
Mas oh! Quão animado fica o santo quando sabe que a vitória é sua! Lutarei durante toda a minha vida, mas escreverei "Venci" em meu escudo. Serei "mais que vencedor por meio daquele que me amou". Cada santo fraco vencerá o dia, cada homem em suas muletas, cada um que é coxo, cada um cheio de enfermidade, tristeza, doença e fraqueza obterá a vitória.
"Eles virão a Sião com cantos"


