Sermão nº 27 — C. H. Spurgeon
Sermão pregado na noite de domingo, 27 de maio de 1855
Por C. H. Spurgeon
Local: Exeter Hall, Strand, Londres
Texto bíblico:
“O seu nome permanecerá eternamente.”
Salmo 72:17
Introdução: O nome que permanecerá para sempre
Ninguém aqui precisa ser informado de que este é o nome de Jesus Cristo, que “permanecerá eternamente”.
Os homens disseram a respeito de muitas de suas obras: “Elas durarão para sempre”, mas quão profundamente se decepcionaram! Na época que se seguiu ao dilúvio, fabricaram tijolos, ajuntaram betume e, depois de erguerem a antiga torre de Babel, disseram: “Esta permanecerá para sempre”. Mas Deus confundiu a linguagem deles. Não conseguiram terminá-la. Por meio de seus raios, Deus a destruiu, deixando-a como um monumento à insensatez humana.
O antigo faraó e os monarcas egípcios acumularam riquezas e ergueram suas pirâmides, dizendo: “Elas permanecerão para sempre”. E, de fato, ainda permanecem de pé, mas aproxima-se o tempo em que até mesmo a idade consumirá essas construções. Assim aconteceu com as mais orgulhosas obras humanas, fossem elas templos ou monumentos de seus monarcas: os homens escreveram sobre elas a palavra “eternidade”. Contudo, Deus determinou o seu fim, e elas passaram.
As coisas aparentemente mais estáveis mostraram-se tão passageiras quanto sombras e bolhas que duram apenas uma hora, sendo rapidamente destruídas quando Deus assim determina.
Onde está Nínive? E onde está Babilônia? Onde estão as cidades da Pérsia? Onde estão os lugares altos de Edom? Onde estão Moabe e os príncipes de Amom? Onde estão os templos e os heróis da Grécia? Onde estão os milhões de pessoas que atravessaram os portões de Tebas? Onde estão os exércitos de Xerxes e as imensas tropas dos imperadores romanos? Acaso não desapareceram?
E, embora em seu orgulho os homens tenham declarado: “Esta monarquia é eterna; esta rainha das sete colinas será chamada de cidade eterna”, seu orgulho foi obscurecido. Aquela que se sentava sozinha e dizia: “Jamais ficarei viúva; serei rainha para sempre”, caiu, caiu! E, dentro de pouco tempo, afundará como uma pedra de moinho nas profundezas das águas. Seu nome se tornará maldição e motivo de desprezo, e seu território, morada de criaturas selvagens e corujas.
O homem chama suas obras de eternas; Deus as chama de passageiras. O homem imagina que foram construídas sobre rocha; Deus diz: “Não, sobre areia — ou, pior ainda, sobre o ar”.
O homem declara que as ergueu para a eternidade. Deus sopra por um instante, e onde estão elas? Como construções sem fundamento, nascidas de uma visão, desapareceram e se foram para sempre.
É agradável, portanto, descobrir que existe algo que permanecerá eternamente. É sobre essa realidade que espero falar nesta noite, se Deus me capacitar a pregar e a vocês a ouvir: “O seu nome permanecerá eternamente”.
Primeiro, a religião consagrada por esse nome permanecerá para sempre.
Segundo, a honra desse nome permanecerá para sempre.
Terceiro, o poder salvador e consolador desse nome permanecerá para sempre.
I. A religião do nome de Jesus permanecerá para sempre
Quando os impostores inventaram suas ilusões, esperavam que, talvez em alguma época distante, conseguissem conquistar o mundo. E, quando viam alguns seguidores reunidos ao redor de sua bandeira, oferecendo incenso diante de seus altares, sorriam e diziam: “Minha religião brilhará mais do que as estrelas e durará por toda a eternidade”.
Mas quão enganados estavam! Quantos sistemas falsos surgiram e desapareceram!
Alguns de nós, mesmo durante o breve período de nossa vida, já vimos seitas surgirem como a planta de Jonas, crescendo em uma única noite, e desaparecerem com a mesma rapidez. Também vimos profetas se levantarem, desfrutarem de seu momento de fama — sim, tiveram seu dia, como todos os cães têm o seu —, mas, assim como acontece com os cães, seu dia passou. E onde está agora o impostor?
E onde está o grande enganador? Foi-se; desapareceu.
Eu poderia dizer o mesmo, especialmente, a respeito dos diversos sistemas de incredulidade. Em apenas cento e cinquenta anos, quanto mudou o tão exaltado poder da razão! Ela construiu uma coisa e, no dia seguinte, riu da própria obra, demoliu seu próprio castelo e construiu outro; depois, no dia seguinte, levantou um terceiro.
A incredulidade tem mil disfarces. Em certa ocasião, apresentou-se como um tolo enfeitado de guizos, anunciado por Voltaire. Depois, apareceu como um fanfarrão arrogante, semelhante a Thomas Paine. Em seguida, mudou de direção e assumiu outra forma, até que, finalmente, chegamos ao secularismo grosseiro e bestial dos nossos dias, que nada procura além das coisas terrenas, mantém o nariz voltado para o chão e, como um animal, considera este mundo suficiente ou procura outro apenas por meio da busca pelas coisas deste.
Ora, antes que um único fio de cabelo desta minha cabeça fique grisalho, o último secularista terá desaparecido. Antes que muitos de nós completem cinquenta anos, surgirá uma nova forma de incredulidade. E, quando seus adeptos perguntarem: “Onde estarão os santos?”, poderemos nos voltar para eles e perguntar: “E vocês, onde estarão?”. Eles responderão: “Mudamos nossos nomes”.
Terão mudado de nome, assumido uma nova aparência e vestido uma nova forma de maldade, mas sua natureza continuará a mesma: opor-se a Cristo e procurar blasfemar contra suas verdades.
Sobre todos esses sistemas religiosos — ou irreligiosos, pois a irreligião também constitui um sistema — poderia ser escrita a seguinte sentença: “Efêmeros: desvanecem-se como a flor, passam como o meteoro e são frágeis e irreais como o vapor”.
Mas, a respeito da religião de Cristo, será dito: “O seu nome permanecerá eternamente”.
Permitam-me apresentar algumas considerações — não para provar essa verdade, pois não é esse o meu propósito imediato, mas para oferecer algumas sugestões que talvez um dia me ajudem a demonstrá-la a outras pessoas. A religião de Jesus Cristo necessariamente permanecerá para sempre.
1. A religião de Cristo existe desde os primórdios da história humana
Primeiramente, perguntamos àqueles que acreditam que ela desaparecerá: quando houve uma época em que ela não existia?
Perguntamos se conseguem apontar para algum período em que a religião de Jesus fosse algo completamente desconhecido.
“Sim”, responderão, “antes dos dias de Cristo e de seus apóstolos”.
Mas nós respondemos: “Não! Belém não foi o lugar onde o evangelho nasceu, embora Jesus tenha nascido ali. O evangelho já existia muito antes do nascimento de Jesus, e também era anunciado, ainda que não fosse pregado com toda a simplicidade e clareza com que o ouvimos hoje”.
Havia um evangelho no deserto do Sinai. Talvez estivesse envolto na fumaça do incenso e só pudesse ser contemplado por meio das vítimas sacrificadas, mas ali havia um evangelho.
Mais ainda: levamos nossos interlocutores de volta às belas árvores do Éden, onde os frutos amadureciam continuamente e o verão parecia nunca terminar. Em meio àqueles jardins, mostramos que também havia um evangelho.
Fazemos com que ouçam a voz de Deus falando ao homem rebelde:
“Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
Gênesis 3:15
E, depois de levá-los tão longe no passado, perguntamos: onde nasceram as falsas religiões? Onde foi seu berço?
Eles apontam para Meca, voltam-se para Roma, mencionam Confúcio ou falam dos ensinamentos de Buda.
Mas nós respondemos: vocês estão voltando apenas a um passado distante e obscuro. Nós os levamos à época primordial, aos dias de pureza. Levamo-los ao tempo em que Adão pisou pela primeira vez sobre a terra e, então, perguntamos: se esta religião foi a primeira a surgir, não seria razoável esperar que também fosse a última a desaparecer?
Ela nasceu tão cedo e ainda existe, enquanto mil coisas passageiras já foram extintas. Não parece, portanto, muito provável que, quando todas as outras tiverem perecido como bolhas sobre as ondas, somente ela continue a flutuar como um bom navio no oceano, conduzindo suas incontáveis almas não à terra das sombras, mas através do rio da morte até as planícies celestiais?
2. Nada pode substituir o evangelho de Cristo
Em seguida, perguntamos: suponhamos que o evangelho de Cristo desaparecesse. Que religião ocuparia seu lugar?
Dirigimo-nos ao homem sábio que afirma que o cristianismo está prestes a morrer e perguntamos:
“Por favor, senhor, que religião teremos em seu lugar? Teremos as ilusões dos pagãos, que se curvam diante de seus deuses e adoram imagens de madeira e pedra? Desejaria que voltássemos às orgias de Baco ou às obscenidades de Vênus? Gostaria de ver novamente suas filhas curvando-se diante de Tamuz ou participando dos ritos obscenos de antigamente?”
Não! Vocês não suportariam tais coisas. Dirão: “Isso não seria tolerado por homens civilizados”.
“Então, o que desejariam? Gostariam de voltar ao romanismo e às suas superstições?”
Vocês responderão: “Não! Deus nos livre! Jamais!”.
A Inglaterra poderá fazer o que quiser, mas, enquanto Smithfield permanecer como testemunha dos mártires, ela será sábia demais para receber novamente o antigo papismo.
Sim, enquanto houver um homem que se considere livre e jure lealdade à Constituição da velha Inglaterra, não poderemos aceitar novamente o papismo.
Ele poderá florescer com suas superstições e seu domínio sacerdotal, mas todos vocês responderão unanimemente: “Não queremos o papismo”.
Então, o que escolherão?
Será o islamismo? Escolherão esse sistema com suas fábulas, sua maldade e sua lascívia? Não falarei mais sobre isso. Tampouco mencionarei a impostura amaldiçoada do Ocidente que surgiu recentemente.
Não aceitaremos a poligamia enquanto houver homens que amem a vida familiar e não queiram vê-la invadida. Não desejaríamos que, tendo Deus dado ao homem uma esposa, ele trouxesse outras vinte para acompanhá-la. Não podemos preferir o mormonismo. Não o faremos, nem o aceitaremos.
Então, o que colocaremos no lugar do cristianismo?
“Incredulidade!”, vocês respondem. E desejariam isso?
Quais seriam as consequências? O que muitos de seus defensores promovem? Ideias comunistas e a verdadeira desintegração da sociedade tal como está organizada atualmente.
Vocês desejariam que os períodos de terror que ocorreram na França se repetissem aqui? Gostariam de ver toda a sociedade despedaçada, com os homens vagando como enormes icebergs no mar, chocando-se uns contra os outros até serem completamente destruídos?
Que Deus nos livre da incredulidade!
O que, então, vocês poderiam colocar no lugar do cristianismo? Nada. Não há nada capaz de substituí-lo. Que religião poderia vencê-lo? Não existe nenhuma que possa ser comparada a ele.
Se percorrermos o mundo inteiro, da Inglaterra ao Japão, não encontraremos religião alguma que seja tão justa para com Deus e tão segura para o homem.
3. A perseguição não conseguirá destruir o nome de Jesus
Perguntamos novamente ao inimigo: suponhamos que existisse uma religião preferível àquela que amamos. Por quais meios vocês destruiriam a nossa? Como se livrariam da religião de Jesus? Como extinguiriam o seu nome?
Certamente, senhores, vocês não pensariam em recorrer novamente à antiga prática da perseguição, não é mesmo?
Tentariam mais uma vez a eficácia das estacas e das fogueiras para queimar o nome de Jesus? Usariam instrumentos de tortura, como o cavalete e os parafusos de esmagamento dos polegares? Recorreriam às botas de tortura e a outros instrumentos cruéis?
Tentem, senhores, e vocês não conseguirão apagar o cristianismo.
Cada mártir, mergulhando o dedo em seu próprio sangue, escreveria as honras de Cristo nos céus ao morrer. E as próprias chamas que subissem em direção ao céu anunciariam o nome de Jesus sobre o firmamento.
A perseguição já foi experimentada.
Voltem-se para os Alpes. Que os vales do Piemonte falem! Que a Suíça dê testemunho! Que a França fale de São Bartolomeu! Que a Inglaterra conte a história de todos os seus massacres!
Se vocês ainda não conseguiram esmagar o cristianismo, por que esperariam conseguir agora?
Conseguiriam? Não! Mil pessoas poderiam ser encontradas, e dez mil, se necessário, dispostas a caminhar amanhã para a fogueira. E, quando fossem queimadas, se vocês pudessem examinar seus corações, veriam o nome de Jesus gravado em cada um deles.
“O seu nome permanecerá eternamente.”
Pois como poderiam destruir o nosso amor por esse nome?
“Ah!”, vocês dizem, “tentaremos meios mais brandos”.
Muito bem. O que tentariam? Inventariam uma religião melhor? Nós os desafiamos a fazê-lo. Apresentem-na para que possamos ouvi-la. Até agora, nem sequer acreditamos que vocês sejam capazes de realizar tal descoberta.
O que fariam, então? Despertariam algum sistema enganador para nos desviar do caminho?
Tentem, pois não é possível enganar os eleitos de Deus de maneira definitiva. Vocês podem enganar a multidão, mas os eleitos do Senhor não serão conduzidos para longe da verdade.
Já tentaram nos conquistar, não foi?
Não nos ofereceram o papismo? Não nos atacaram com o puseísmo? Não estão tentando nos atrair em massa para o arminianismo?
E, por causa disso, renunciaremos à verdade de Deus? Não!
Adotamos este lema e permaneceremos firmes nele:
“A Bíblia, toda a Bíblia e nada além da Bíblia”.
Essa continua sendo a religião dos protestantes. A mesma verdade que moveu os lábios de Crisóstomo, a antiga doutrina que arrebatou o coração de Agostinho, a antiga fé proclamada por Atanásio e a boa e antiga doutrina pregada por Calvino constituem o nosso evangelho hoje. E, com a ajuda de Deus, permaneceremos firmes nele até a morte.
Como vocês conseguirão apagá-lo? Se desejam fazê-lo, onde encontrarão os meios? Isso não está ao alcance de vocês.
Ah! Ah! Ah! Nós rimos de suas pretensões.
Mas vocês conseguirão apagá-lo, não é? É o que dizem que tentarão fazer? Esperam alcançar seu propósito?
Sim, eu sei quando conseguirão: quando tiverem aniquilado o sol, quando tiverem apagado a lua com gotas de suas lágrimas e secado o mar bebendo suas águas. Então conseguirão!
E, ainda assim, vocês dizem que conseguirão fazê-lo.
4. O mundo não pode perder o evangelho
Em seguida, pergunto: suponhamos que vocês conseguissem. O que aconteceria com o mundo?
Ah! Se eu tivesse eloquência nesta noite, talvez pudesse lhes dizer. Se pudesse tomar emprestada a linguagem de Robert Hall, faria o mundo vestir roupas de luto.
Transformaria o mar no grande enlutado, com seus ventos uivantes entoando uma lamentação e suas ondas desordenadas marchando como em um funeral.
Vestiria toda a natureza, não com mantos verdes, mas com trajes de uma escuridão sombria. Ordenaria aos furacões que soltassem seu lamento solene, o grito de morte de um mundo.
Pois o que seria de nós se perdêssemos o evangelho?
Quanto a mim, digo-lhes com toda a sinceridade: eu clamaria: “Deixem-me partir!”.
Eu não desejaria permanecer aqui sem o meu Senhor. E, se o evangelho não fosse verdadeiro, eu bendiria a Deus se me aniquilasse neste mesmo instante, pois não desejaria viver se vocês pudessem destruir o nome de Jesus Cristo.
Mas não seria apenas um homem que ficaria miserável. Existem milhares e milhares que poderiam falar como eu.
Além disso, o que aconteceria com a civilização se vocês retirassem o cristianismo?
Onde estaria a esperança de uma paz duradoura? Onde estariam os governos? Onde estariam suas escolas dominicais? Onde estariam todas as suas sociedades? Onde estaria tudo aquilo que melhora a condição humana, reforma os costumes e contribui para a formação moral do caráter?
Onde?
Que o eco responda: “Onde?”.
Tudo isso desapareceria, e não restaria sequer um fragmento.
E onde, ó homens, estaria sua esperança do céu? Onde estaria o conhecimento da eternidade? Onde estaria o auxílio para atravessar o rio da morte? Onde estaria o céu? E onde estaria a bem-aventurança eterna?
Tudo isso estaria perdido se o nome de Jesus não permanecesse para sempre.
Mas estamos certos disso! Nós o sabemos, afirmamos e declaramos. Cremos, e sempre creremos, que “o seu nome permanecerá eternamente” — sim, para sempre!
Que tentem impedi-lo aqueles que assim desejarem.
Este é o meu primeiro ponto. Terei de falar com um pouco mais de cautela sobre o segundo, embora me sinta tão aquecido por dentro e por fora que desejaria, se Deus permitisse, falar com toda a força de que disponho.
II. A honra do nome de Jesus permanecerá para sempre
Voltaire disse que vivia no crepúsculo do cristianismo. Pretendia dizer uma mentira, mas acabou dizendo a verdade.
De fato, ele vivia em seu crepúsculo, mas era o crepúsculo que antecede a manhã, não o crepúsculo do entardecer, como desejava sugerir. Pois a manhã está chegando, quando a luz do sol romperá sobre nós em sua verdadeira glória.
Os escarnecedores disseram que logo nos esqueceríamos de honrar a Cristo e que chegaria o dia em que ninguém mais o reconheceria.
Mais uma vez, afirmamos, nas palavras do meu texto: “O seu nome permanecerá eternamente”, também no que diz respeito à honra que lhe é devida.
Sim, direi por quanto tempo essa honra permanecerá.
Enquanto houver nesta terra um pecador resgatado pela graça onipotente, o nome de Cristo permanecerá.
Enquanto houver uma Maria disposta a lavar seus pés com lágrimas e enxugá-los com os cabelos de sua cabeça.
Enquanto respirar um grande pecador que tenha se lavado na fonte aberta para o pecado e para a impureza.
Enquanto existir um cristão que tenha depositado sua fé em Jesus e o encontrado como seu deleite, refúgio, sustento, escudo, cântico e alegria, não haverá motivo para temer que o nome de Jesus deixe de ser ouvido.
Jamais poderemos abandonar esse nome.
Que o unitarista fique com seu evangelho sem a divindade de Cristo. Que negue Jesus Cristo, se assim desejar. Mas, enquanto os cristãos verdadeiros viverem, enquanto experimentarmos que o Senhor é bondoso, enquanto recebermos manifestações de seu amor, contemplarmos seu rosto, ouvirmos os sussurros de sua misericórdia, tivermos a certeza de sua afeição, conhecermos as promessas de sua graça e nutrirmos esperanças de suas bênçãos, não poderemos deixar de honrar seu nome.
Mas, se tudo isso desaparecesse, se deixássemos de cantar seus louvores, o nome de Jesus Cristo seria então esquecido?
Não!
As pedras cantariam. As colinas formariam uma orquestra. As montanhas saltariam como carneiros, e os pequenos montes, como cordeiros.
Acaso ele não é o Criador de todas essas coisas?
E, se os lábios de todos os mortais ficassem mudos de uma só vez, ainda haveria criaturas suficientes neste vasto mundo para proclamar sua glória.
Ora, o sol conduziria o coro. A lua tocaria sua harpa de prata e cantaria docemente ao som de sua música. As estrelas dançariam em suas órbitas ordenadas. As profundezas sem margens do espaço se tornariam a morada dos cânticos, e a imensidão do universo irromperia em um grande clamor:
“Tu és o glorioso Filho de Deus! Grande é a tua majestade, e infinito é o teu poder!”.
Poderia o nome de Cristo ser esquecido?
Não! Ele está pintado nos céus e escrito sobre as águas. Os ventos o sussurram. As tempestades o proclamam com seus uivos. Os mares o entoam. As estrelas o anunciam com seu brilho. Os animais o proclamam com seus sons. Os trovões o declaram. A terra o anuncia em alta voz, e o céu faz ecoar sua glória.
Mas, se tudo isso desaparecesse — se este grande universo se dissolvesse em Deus, assim como a espuma de um instante desaparece na onda que a carrega e se perde para sempre —, seu nome seria então esquecido?
Não!
Levantem os olhos para o alto. Contemplem a firme realidade celestial. Quem são aqueles vestidos de branco? De onde vieram?
“Estes são os que vieram da grande tribulação, lavaram suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu templo”.
E, se também esses desaparecessem; se a última harpa dos glorificados fosse tocada pelos últimos dedos; se o último louvor dos santos cessasse; se o último aleluia ecoasse pelas abóbadas então desertas do céu — que se tornariam sombrias —; se o último imortal fosse sepultado em sua própria tumba, caso existissem túmulos para os imortais, será que seu louvor cessaria?
Não! Pelo céu, não!
Pois ali estão os anjos. Eles também cantam sua glória. Os querubins e serafins clamam incessantemente diante dele, proclamando seu nome naquele cântico três vezes santo:
“Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos!”.
Mas, se até mesmo esses desaparecessem; se os anjos fossem varridos da existência; se as asas dos serafins jamais voltassem a agitar o espaço; se a voz dos querubins deixasse de entoar seus cânticos flamejantes; se os seres viventes cessassem seu coro eterno; se as harmonias ordenadas da glória fossem extintas no silêncio, será que seu nome se perderia?
Ah, não!
Pois Deus está assentado no trono, o Eterno, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
E, mesmo que o universo inteiro fosse aniquilado, seu nome ainda seria ouvido, pois o Pai o ouviria, e o Espírito também o ouviria. Gravado profundamente em mármore imortal, nas rochas das eras, permaneceria para sempre:
Jesus, o Filho de Deus, coigual ao Pai.
“O seu nome permanecerá eternamente”.
III. O poder do nome de Jesus permanecerá para sempre
E assim também permanecerá o poder de seu nome.
Vocês perguntam qual é esse poder? Permitam-me explicar.
1. O poder de Jesus para salvar o pecador
Vejam aquele ladrão pendurado na cruz.
Contemplem os demônios ao pé dela, com as bocas abertas, deleitando-se com o pensamento de que mais uma alma lhes servirá de alimento no inferno.
Observem a ave da morte, batendo as asas sobre a cabeça daquele miserável. A vingança passa por ali e o marca como propriedade sua.
Em seu peito está gravada profundamente a sentença: “Pecador condenado”.
Sobre sua fronte escorre o suor frio, arrancado pela agonia e pela morte.
Olhem para dentro de seu coração: está sujo, coberto pela crosta acumulada ao longo de anos de pecado. A fumaça da luxúria paira em seu interior, formando guirlandas negras de escuridão. Seu coração inteiro parece um inferno concentrado.
Agora, olhem para ele. Está morrendo. Um de seus pés parece já estar no inferno, enquanto o outro ainda se agarra, trêmulo, à vida — sustentado apenas por um prego.
Mas existe poder no olhar de Jesus.
O ladrão olha para ele e sussurra:
“Senhor, lembra-te de mim!”.
Olhem novamente para aquele homem. Vocês o veem?
Onde está o suor frio? Já não está ali.
Onde está aquela angústia terrível? Não está mais ali.
Há, de fato, um sorriso em seus lábios.
Onde estão os demônios do inferno? Desapareceram!
Em seu lugar, está presente um serafim resplandecente, com as asas abertas e as mãos prontas para receber aquela alma, agora uma joia preciosa, e levá-la para o palácio do grande Rei.
Olhem para dentro de seu coração: agora está branco de pureza.
Olhem para seu peito: já não está escrito “condenado”, mas “justificado”.
Olhem para o Livro da Vida: seu nome está gravado ali.
Olhem para o coração de Jesus: em uma das pedras preciosas que ele carrega, está inscrito o nome daquele pobre ladrão.
Sim, olhem mais uma vez!
Estão vendo aquele ser glorificado em meio aos redimidos, mais brilhante que o sol e belo como a lua?
Aquele é o ladrão!
Esse é o poder de Jesus, e esse poder permanecerá para sempre.
Aquele que salvou o ladrão pode salvar o último homem que vier a viver sobre a terra.
Pois ainda existe:
Há uma fonte cheia de sangue,
Que das veias de Emanuel fluiu;
E os pecadores nela mergulhados
Perdem toda a mancha de culpa.O ladrão moribundo alegrou-se ao ver
Essa fonte em seus dias;
Oh, que eu também, por mais vil que seja,
Lave nela todos os meus pecados!Querido Cordeiro que morreste por nós!
Teu precioso sangue jamais perderá seu poder,
Até que toda a Igreja resgatada de Deus
Seja salva para nunca mais pecar.
O nome poderoso de Jesus permanecerá para sempre.
2. O poder de Jesus para consolar o cristão diante da morte
Mas esse não é o único poder de seu nome.
Permitam-me levá-los a outra cena, e vocês testemunharão algo diferente.
Ali, sobre o leito de morte, encontra-se um santo.
Não há tristeza profunda em sua fronte, nem terror em seu rosto. Fraco, mas sereno, ele sorri.
Talvez gema, mas também canta. De vez em quando suspira, mas, com maior frequência, ergue a voz em júbilo.
Fiquem ao seu lado.
“Meu irmão, o que faz você olhar para a morte com tanta alegria?”
“Jesus”, ele sussurra.
“O que o faz permanecer tão sereno e tranquilo?”
“O nome de Jesus.”
Vejam! Ele se esquece de tudo!
Façam-lhe uma pergunta. Ele não consegue responder; não compreende o que vocês dizem. Mesmo assim, continua sorrindo.
Sua esposa se aproxima e pergunta:
“Você sabe o meu nome?”.
Ele responde:
“Não”.
Seu amigo mais querido pede que ele se lembre da amizade que compartilharam.
“Não o conheço”, responde ele.
Sussurrem em seu ouvido:
“Você conhece o nome de Jesus?”.
Seus olhos brilham com a glória, seu rosto resplandece como o céu, seus lábios pronunciam cânticos, e seu coração se enche da eternidade.
Por quê?
Porque ele ouviu o nome de Jesus, e esse nome permanecerá para sempre.
Aquele que conduziu um homem ao céu também me conduzirá para lá.
Venha, morte! Eu mencionarei ali o nome de Cristo.
Ó sepultura! Esta será a minha glória: o nome de Jesus!
Ó inimigo infernal! Esta será a tua derrota, pois o aguilhão da morte foi removido por Cristo, nosso Senhor.
“O seu nome permanecerá eternamente”.
Conclusão: Que o nome de Cristo permaneça para sempre!
Eu tinha uma centena de outras considerações para apresentar, mas minha voz está falhando. É melhor parar.
Vocês não exigirão mais de mim nesta noite, pois percebem a dificuldade que sinto ao pronunciar cada palavra.
Que Deus faça esta mensagem penetrar em suas almas!
Não estou particularmente preocupado com a permanência do meu próprio nome, desde que ele esteja registrado no livro do meu Mestre.
George Whitefield, quando lhe perguntaram se pretendia fundar uma denominação, respondeu:
“Não. O irmão John Wesley pode fazer o que quiser, mas deixem meu nome perecer. Que o nome de Cristo permaneça para sempre”.
Amém!
Que o meu nome pereça, mas que o nome de Cristo permaneça para sempre.
Ficarei perfeitamente satisfeito se vocês forem embora e se esquecerem de mim. Imagino que jamais voltarei a ver metade de seus rostos.
Talvez vocês nunca sejam convencidos a entrar novamente pelas portas de uma congregação. Talvez pensem que não é suficientemente respeitável frequentar uma reunião batista.
Bem, não afirmo que sejamos um povo muito respeitável. Nem sequer fazemos essa pretensão. Mas há uma coisa que professamos: amamos nossas Bíblias. E, se isso não for considerado respeitável, pouco nos importa deixar de receber a estima dos homens.
Contudo, não sabemos se somos assim tão desprezíveis, afinal.
Pois acredito — se me permitem expressar minha opinião — que, se todo o cristianismo protestante fosse contado e comparado, não apenas cada cristão verdadeiro, mas todos os que professam a fé, os pedobatistas não teriam uma maioria tão expressiva da qual se orgulhar.
Afinal, não somos uma seita tão pequena ou desprezível. Talvez sejamos vistos dessa maneira na Inglaterra, mas, se considerarmos a América, a Jamaica e as Índias Ocidentais, incluindo aqueles que seguem os princípios batistas, embora não se declarem publicamente batistas, não ficamos atrás de ninguém em número, nem mesmo da Igreja oficial deste país.
Entretanto, isso nos importa muito pouco.
Pois digo a respeito do nome batista: que ele pereça, mas que o nome de Cristo permaneça para sempre!
Aguardo com alegria o dia em que não haverá mais nenhum batista vivo. Espero que desapareçam em breve.
Vocês perguntarão: “Por quê?”.
Porque, quando todos os demais reconhecerem o batismo por imersão, estaremos tão integrados a todas as denominações que nossa própria denominação deixará de existir.
Quando nossos princípios forem amplamente aceitos, deixaremos de ser uma seita. Um homem poderá pertencer à Igreja Anglicana, ser wesleyano ou independente e, ainda assim, ser batista em suas convicções.
Por isso, espero que o nome batista desapareça em breve, mas que o nome de Cristo permaneça para sempre!
Sim, mais uma vez: por mais que eu ame a querida e antiga Inglaterra, não acredito que ela venha a desaparecer.
Não, Grã-Bretanha! Você não perecerá, pois a bandeira da velha Inglaterra está firmemente presa ao mastro pelas orações dos cristãos, pelos esforços das escolas dominicais e pela dedicação de seus homens piedosos.
Mas digo: que até mesmo o nome da Inglaterra desapareça, se for necessário! Que ela se integre a uma grande fraternidade.
Que não existam mais Inglaterra, França, Rússia ou Turquia, mas que exista a cristandade.
E digo, de todo o coração e com toda a sinceridade de minha alma: que desapareçam as nações e as distinções nacionais, mas que o nome de Cristo permaneça para sempre!
Talvez exista apenas uma coisa na terra que eu ame mais do que aquilo que acabei de mencionar: a pura doutrina do calvinismo, sem adulterações.
Mas, se essa doutrina estiver errada — se houver nela qualquer coisa falsa —, eu mesmo digo: que ela também desapareça, mas que o nome de Cristo permaneça para sempre!
Jesus! Jesus! Jesus! Jesus!
“Coroai-o Senhor de todos!”
Vocês não me ouvirão dizer outra coisa.
Estas são minhas últimas palavras no Exeter Hall, por enquanto:
Jesus! Jesus! Jesus! Coroai-o Senhor de todos!
Reflexão final
A grande mensagem deste sermão é que todas as realizações humanas passam, os sistemas deste mundo mudam e até os nomes mais celebrados acabam esquecidos. Contudo, o nome de Jesus Cristo permanece para sempre.
Sua religião não será destruída. Sua honra não será esquecida. E seu poder salvador jamais perderá a eficácia.
O mesmo Cristo que salvou o ladrão na cruz continua poderoso para salvar pecadores. O mesmo nome que trouxe esperança ao moribundo continua sendo o consolo daqueles que enfrentam a morte.
Por isso, Spurgeon nos conduz a uma conclusão que ultrapassa qualquer interesse pessoal, denominacional ou nacional: o que realmente importa não é a permanência do nosso nome, mas a glória eterna do nome de Jesus.
Que nosso nome desapareça, se necessário. Que nossas obras passem. Que nossas glórias humanas se apaguem. Mas que o nome de Jesus Cristo seja exaltado de geração em geração, por toda a eternidade!
“O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de pais a filhos, enquanto o sol durar; e os homens serão abençoados nele; todas as nações lhe chamarão bem-aventurado.”
Salmo 72:17
Fonte: The New Park Street Pulpit, Volume 1 — Sermão nº 27, “The Eternal Name”, pregado por C. H. Spurgeon em 27 de maio de 1855.


