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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Visibilidade da Sabedoria Divina

Inumeráveis são, tanto no céu quanto na terra, as evidências que lhe atestam a mirífica sabedoria. Não apenas aquelas coisas mais recônditas, a cuja penetrante observação se destinam a astronomia, a medicina e toda a ciência natural, senão também aquelas que saltam à vista a qualquer um, ainda o mais inculto e ignorante,
de sorte que nem mesmo podem abrir os olhos e já se vêem forçados a ser-lhes testemunhas.

De fato, quantos nessas artes liberais à farta se abeberaram, ou mesmo apenas de leve as experimentaram, ajudados por sua contribuição, são levados muito mais longe na penetração dos segredos da divina sabedoria. Todavia, ninguém, ao ignorá-
las, é impedido de ver nas obras de Deus bastante – e mais do que bastante! – de arte donde se possa arrojar-se à admiração do Artífice.
Sem dúvida que para investigar os movimentos dos astros, determinar-lhes as posições, medir as distâncias, notar as propriedades, requer-se arte e a mais rigorosa aplicação. Como, ao serem essas coisas perscrutadas, mais explicitamente se projeta
a providência divina, assim, para contemplar-lhe a glória, impõe-se à alma que se eleve um tanto mais alto. Quando, porém, nem mesmo a pessoa mais simples e as de cultura mais elementar, que foram ensinadas só pelo recurso dos olhos, não podem ignorar a excelência da divina arte a revelar-se profusamente nesta incontável e, além do mais, particularmente distinta e harmoniosa variedade da milícia celestial, salta à vista que não existe ninguém a quem o Senhor não manifeste sobejamente sua sabedoria.
De igual modo, perscrutar na estrutura do corpo humano, com essa perspicácia que Galeno aplica, a correlação, a simetria, a beleza, o funcionamento, é tarefa de exímia habilidade. E todavia, confessam-no todos, o corpo humano revela composição tão engenhosa que, à sua vista, com razão, quão admirável se julgará ser o Artífice.

João Calvino

Cristo não recusou as aflições e voce ?

Deram-lhe a beber vinho com mirra; ele, porém, não tomou. (Marcos 15.23)

U ma verdade preciosa se revela no fato de que nosso Senhor recusou-se a beber vinho com mirra. Antecipadamente, o Filho de Deus havia voltado seu olhar para nosso mundo e avaliado a imensa descida às profundezas da miséria dos homens. Ele somou as agonias que a expiação exigiria e não recusou nenhuma delas. Solenemente, o Filho de Deus determinou oferecer ao Pai um sacrifício expiatório suficiente.

Ele tinha de seguir todo aquele caminho, desde o trono de glória até à cruz da mais profunda aflição. Esse cálice de mirra, com sua influência anestésica, teria aliviado um pouco do sofrimento de nosso Senhor; mas Ele o recusou.

O Senhor Jesus não amenizaria todo o sofrimento que determinara suportar em favor de seu povo. Muitos de nós temos lamentado depois de livramentos de aflições que nos teriam causados muitos danos! Você sempre ora com ansiedade petulante e obstinada, suplicando alívio de um trabalho árduo e de sofrimento? Suponha que lhe tenha sido dito: "Se você deseja, pode conservar consigo aquilo que você ama, mas Deus será desonrado por meio disso".

Você poderia abandonar essa tentação e dizer: "Seja feita a tua vontade"? É agradável ser capaz de afirmar: "Meu Senhor, eu preferiria não sofrer; todavia, se posso te honrar mais por meio do sofrimento e se a perda de todas as minhas coisas terrenas trará glória para Ti, então, que o sofrer seja a minha porção. Recuso a consolação, se esta se coloca à frente de tua honra". Oh! Que abandonemos disposta e espontaneamente o pensamento de egoísmo e de consolação quando ele interfere na concretização da obra que Deus nos deu para realizarmos!

 http://www.charleshaddonspurgeon.com

domingo, 7 de setembro de 2014

Oremos


OCASIONALMENTE ATÉ OS FARISEUS ESTAVAM CERTOS!


Ocasionalmente estavam. Eis o grande problema!

Hoje os fariseus, vamos admitir, tem uma péssima reputação e isso é bem merecido. No entanto, pensemos neles por alguns minutos. Olhe para algumas coisas que eles acreditavam:

# Há um só Deus.
# Ele é o Criador do mundo (Não sendo este um acidente)
# Há uma ressurreição dos mortos.
# Acreditavam na revelação de Deus no Velho Testamento.
# Acreditavam que havia um céu e um inferno,
# Acreditavam na autoridade das Escrituras.
# Acreditavam na santidade de Deus.
# Gostavam de Orar.
# Atravessavam mares para pregar ( eram missionais )
# Acreditavam num Deus santo.
# Gastavam tempo estudando as Escrituras.
# Tinham um zelo ( mas sem conhecimento )

Ei, seja sincero, não é ruim. É melhor do que a maioria dos cristãos dessa geração mergulhada na mais profunda futilidade. O que mostra o fato de que por eles acreditarem em muitas coisas verdadeiras e certas não significava que eles tinham de fato a verdade.

A lição que os fariseus nos ensinam é que parte da verdade e coisas boas não basta. Ter parte da verdade apenas ainda é estar no erro.

Isso é importante – hoje temos erros absurdos, o que leva as pessoas pensarem que ter parte da verdade já está bom. Por exemplo, temos o horror da “teologia da prosperidade”, e muitas pessoas que a condenam já são vistas como algo bom em nossos dias, mesmo que neguem também aspectos essenciais da verdade de Deus, de sua graça, de sua soberania... Quando na verdade, apesar de condenar a “teologia da prosperidade”,ensinam algo que afasta as pessoas de toda a verdade de Deus. (Só negar e odiar a teologia da prosperidade não colocam um homem, pregador, ministério... entre aqueles que ensinam toda a verdade de Deus – 1 Timóteo 4.2).

Outros bradam algo que parece a proclamação de santidade, quando na verdade nada mais é que a velha moralidade dos fariseus, já que esta santidade não flui da cadeia de operação que tem Deus como o centro, como diz Paulo: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou...” – Romanos 8.29,30. Brados inflamados de santificação que não fluem de todo o processo que Deus está realizando por graça nos que ele chamou eficazmente e que não pode falhar em seu propósito final de conformar a imagem de Seu Filho, nada mais é que moralismo. É o homem tentando e achando ser possível se fazer aceitável diante de Deus... E não se tornando santo pela transformação de glória em glória na mesma imagem de Cristo pela operação do Espírito no querer e efetuar, fazendo então o homem operar sua salvação com temor e tremor como diz Paulo em Filipenses 2.13.

Outros completamente mergulhados no liberalismo passam parte do tempo condenando a “teologia da prosperidade”, o que em nada faz de seu ensino geral algo que vai além do diabólico.

O que aprendemos com os Fariseus é que parte da Verdade não é suficiente. Condenar a “teologia da prosperidade” não faz de alguém ortodoxo. Muitos que condenam isso ainda espalham muitos outros ensinos tóxicos.

Isso é algo que precisa estar claro em nossos dias. Muitas pessoas parecem que têm a verdade, mas se você o ouvir por um tempo, logo será capaz de discernir quando da verdade eles tem.

Os Fariseus acreditavam que as Escrituras eram sua autoridade, contanto que pudessem definir “Escritura” como “minha partes favoritas da Bíblia”.  Doutrinas que ofendem a mim, meu orgulho, meus desejos, a sociedade... eu rejeito ou finjo que elas não estão lá, e  então vivo e prego como se realmente não estivessem. Esta é a mentalidade que se infiltrou na fé moderna como tinha se infiltrado na geração de Jesus.

Satanás é enganador e uma técnica clássica dele é usar trechos e partes da verdade. Se para fazer avançar outros erros ele tiver que condenar algumas vezes a diabólica “teologia da prosperidade”, ele o fará. Ele não tem um compromisso com um erro, ele está comprometido com todos.

Ter só parte da verdade fez Jesus dizer daquela geração: “Vós tendes por pai o diabo...”  - João 8.44. Abraçar parte da verdade é tão mortal quanto abraçar completamente o erro.

fonte:http://www.fidesreformata.com/

domingo, 31 de agosto de 2014

Você já orou de verdade?


Há uma idéia popular de que a oração é uma coisa muito fácil, uma espécie de atividade comum que pode ser feita de qualquer forma, sem nenhum cuidado ou esforço. Alguns pensam que somente é necessário pegar um livro, utilizar certo número de palavras atraen­tes, e assim terá orado, podendo então guardá-lo novamente. Outros supõem que usar um livro é coisa supersticiosa, e aquilo que se deveria fazer é repetir uma série de frases improvisadas, frases essas que viriam à mente de súbito como uma manada de porcos ou uma matilha de cães, e uma vez tendo-as pronunciado com certa atenção, pronto, a oração foi feita.


Ora, nenhum desses modos de orar foi adotado pelos santos do passado. Parece que eles pensaram muito mais seriamente sobre oração do que muitos pensam em nossos dias. Parece ter sido algo impor­tantíssimo para eles - um exercício constantemente praticado, no qual alguns deles atingiram grande eminência e foram, dessa forma, singularmente abençoados. Ceifaram grandes colheitas no campo da oração e descobriram que o propiciatório é uma mina de tesouros inimagináveis.


Os santos do passado tiveram o costume de colocarem em ordem, como Jó, sua causa diante de Deus. Assim como um peticionário não vai a uma corte impulsivamente, sem antes pensar no que vai dizer, mas entra na sala de audiências com seu processo bem preparado, tendo também aprendido como deve se comportar diante da grande autoridade a quem vai apelar, da mesma forma é bom que nos aproximemos do trono do Rei dos reis, tanto quanto possível, com premeditação e preparação, sabendo o que fazemos, qual a nossa posição e o que desejamos obter. Em tempos de perigo e aflição podemos correr para Deus da forma como estamos, assim como a pomba voa para uma fenda na rocha, mesmo que suas penas estejam arrepiadas; mas em tempos normais não deveríamos nos aproximar dEle com espírito despreparado, assim como uma criança não se aproxima do seu pai pela manhã sem antes ter lavado o rosto.


Veja ali o sacerdote; ele tem um sacrifício para oferecer, porém não se apressa para o pátio dos sacerdotes a fim de picar o novilho com o primeiro machado em que puder pôr a mão. Pelo contrário quando se levanta lava seus pés na bacia de bronze, coloca suas vestimentas e se enfeita com seus trajes sacerdotais. Então ele se achega ao altar com sua vítima adequadamente dividida de acordo com a lei. Sendo cuidadoso em fazer de conformidade com o manda­mento, mesmo em coisas simples tais como onde colocar a gordura, o fígado e os rins. Ele põe o sangue numa bacia, derrama-o num lugar apropriado aos pés do altar, não o jogando de forma que mais lhe agrade, e acende o fogo, não com chama comum, e sim com o fogo sagrado retirado do altar. Atualmente todo este ritual foi superado, mas a verdade que ele ensinava permanece a mesma; nossos sacrifícios espirituais devem ser ofe­recidos com santo cuidado. Deus nos livre de que nossa oração seja somente saltar da cama, ajoelhar-nos e dizer qualquer coisa que venha à mente. Pelo contrário, que possamos esperar no Senhor com santo temor e reverência.


Veja como Davi orou quando Deus o abençoou - ele entrou na presença do Senhor. Compreenda isso. Ele não ficou de fora a uma certa distância, porém entrou na presença do Senhor e sentou-se (pois sentar-se não é posição errada para orar, ainda que critiquem contra isso) e uma vez sentado, calma e tranqüilamente diante do Senhor, começou a orar. Todavia, ele não fez isso sem antes pensar na bondade divina. Dessa maneira chegou ao espírito de oração. Daí, pela assistência do Espírito Santo, abriu sua boca. Oxalá buscássemos mais freqüentemente o Senhor desse modo!
Davi se expressa da seguinte forma: "Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor; pela manhã me apre­sentarei a ti, e vigiarei" (Salmo 5:3). Sempre lhes tenho explicado isso como significando pôr em ordem de batalha seus pensamentos tais quais homens de guerra, ou apontar suas orações como se fossem flechas. Davi não apanhava uma flecha para colocá-la na corda do arco e atirá-la em qualquer direção, mas tendo apanhado a flecha escolhida e a colocado na corda, ele se fixava no alvo. Olhava - olhava bem - para o círculo branco do alvo; mantinha seu olho fixo no mesmo, dirigia sua oração, então puxava o arco com toda sua força e deixava a flecha voar. Uma vez em pleno vôo, tendo ela deixado suas mãos, o que diz ele? "Olharei para cima." Olhava para cima a fim de ver aonde a flecha foi e saber que efeito havia causado, pois esperava resposta as suas orações e não era como muitos que raramente pensam em suas orações depois de as haverem profe­rido. Davi sabia que tinha diante de si uma obrigação que requeria toda a sua capacidade mental; ele punha em ordem de batalha suas faculdades e partia para a obra de maneira esmerada, como alguém que cria na mesma e desejava obter sucesso. Deveríamos tanto arar cuida­dosamente como orar cuidadosamente. Quanto melhoro trabalho mais atenção ele merece. Ser diligente na sua loja e negligente no lugar de oração, é nada menos do que blasfêmia, pois é uma insinuação de que qualquer coisa servirá para Deus, enquanto que o mundo deve ter o melhor de nós.


Se alguém me perguntar qual a ordem a ser observada em oração, eu não darei um esquema como muitos têm feito, no qual a adoração, confissão, petição, intercessão e louvor estão arranjados numa sucessão. Não estou convencido de que uma ordem desse tipo tenha autoridade divina. Não é à ordem mecânica que estou me referindo, pois nossas orações serão igual­mente aceitáveis, e talvez igualmente apropriadas, em quaisquer formas, posto que existem, exemplos de orações, de todos os tipos, tanto no Velho como no Novo Testamento.


A verdadeira ordem espiritual da oração parece-me consistir em algo mais do que um mero arranjo. É muito apropriado para nós sentirmos que agora estamos fazendo algo real; sentirmos que estamos nos dirigindo a Deus, a Quem não podemos ver, porém que está realmente presente; a Quem não podemos tocar ou ouvir, nem por meio de nossos sentidos perceber, a Quem, entretanto, está conosco tão realmente como se estivéssemos falando com um amigo de carne e osso. Sentindo a realidade da presença de Deus, nossa mente será conduzida pela graça divina a um estado de humildade; sentir-nos-emos como Abraão quando disse: "Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza". Assim sendo, não faremos nossas orações como garotos que repetem suas lições de forma roti­neira, muito menos falaremos como se fôssemos rabinos instruindo nossos alunos, ou como alguns fazem, com a aspereza de um assaltante parando alguém na estrada e obrigando-o a entregar-lhe sua bolsa; mas seremos humildes suplicantes, embora ousados, humildemente importunando a misericórdia mediante o sangue do Salvador. Não teremos a reserva de um escravo, mas a cândida reverência de uma criança, contudo não uma criança impudente, impertinente, e sim uma criança obediente e dócil, honrando seu Pai, e portanto rogando sinceramente, com respeitosa submissão à vontade de seu Pai. Quando sinto que estou na presença de Deus e tomo o meu devido lugar ali, a próxima coisa que faço é reconhecer que não tenho direito algum àquilo que estou buscando e não posso recebê-lo, exceto como um dom da graça. Devo reconhecer também que Deus limita o canal através do qual me concede misericórdia - Ele o fará por meio do Seu amado Filho. Portanto, quero me colocar sob a proteção do grande Redentor. Quero sentir que agora não sou mais eu que falo, mas Cristo fala comigo e que, enquanto suplico, faço-o através de Suas chagas, Sua vida, Sua morte, Seu sangue e Seu ser. É dessa maneira que realmente alcançamos uma ordem na oração.
O que devo pedir? É muito apropriado que, na oração, objetivemos uma grande clareza nas súplicas. Há muitos motivos para deplorar sobre certas orações feitas em público, pois aqueles que as fazem realmente não pedem nada a Deus. Preciso admitir que eu mesmo tenho orado assim, e certamente tenho escutado muitas orações desse tipo, nas quais tive a impressão que nada foi pedido a Deus. Muito de excelentes assuntos dou­trinários e experimentais foi enunciado, mas bem poucas súplicas e esse pouco de um modo nebuloso, caótico e disforme. Todavia, parece-me que a oração deve ser clara, o pedir por alguma coisa definida e claramente, pois a mente percebe sua necessidade premente de tal coisa, e portanto deve suplicar por ela. Não é bom usar de rodeios na oração, mas ir direto ao assunto. Eu gosto daquela oração de Abraão: "Oxalá viva Ismael diante de ti!" Ele menciona o nome e a pessoa pela qual está orando e a bênção desejada, tudo isso em poucas palavras - "Ismael viva diante de ti!" Muitas pessoas teriam usado uma expressão cheia de rodeios, tal como esta: "Oh que nossa prole possa ser agraciada com o favor que Tu dispensas para aqueles que..." etc. Diga "Ismael", se você quiser dizer "Ismael"; coloque isso em palavras simples diante do Senhor. Algumas pessoas não podem sequer orar pelo pastor sem usar certos adjetivos de tal forma que pensaríamos ser o bedel da paróquia ou alguém que não poderia ser mencionado tão particularmente.


Porque não sermos claros e dizermos o que pen­samos, e pensarmos o que queremos dizer? Ordenar nossa causa nos levaria a uma maior clareza de pensamento. Quando em particular, não é necessário pedir todos os bens possíveis e imagináveis; não é necessário recitar o catálogo de todos os desejos que você tem, teve, pode ter ou terá. Peça o que precisa no momento e, como regra, atenha-se à tua necessidade da hora; peça pelo pão de cada dia - o que deseja no momento - peça isso. Peça-o sem rodeios, diante de Deus, que não repara em tuas expressões rebuscadas, para Quem tua eloqüência e oratória não serão mais do que puro vaidade. Você está diante do Senhor; sejam poucas as tuas palavras, mas seja cheio de fervor teu coração.


Você ainda não terá posto as coisas em ordem quando ti ver pedido o que deseja através de Jesus Cristo. É preciso examinar a bênção que deseja para saber se ela é algo apropriado a ser pedido, pois algumas orações jamais seriam feitas se os homens apenas refletissem. Uma pequena reflexão nos faria ver que seria melhor se certas coisas que desejamos fossem postas de lado. Além disso, podemos terem nosso íntimo um motivo que não vem de Cristo - motivo egoísta - que esquece da glória de Deus e só se preocupa com nosso próprio alívio e conforto. Ora, embora possamos pedir coisas que sejam para nosso proveito, não devemos permitir que nosso proveito interfira, de maneira alguma, com a glória de Deus. Deve haver junto com a oração aceitável o santo sal da submissão à vontade divina. Gosto destas palavras de Lutero: "Senhor, terei aquilo que quero de Ti". "Como você gosta de uma expressão como essa"? -você me pergunta. Gosto por causa do que se segue: "Terei o que desejo, pois sei que a minha vontade é a Tua vontade". Lutero se expressou muito bem, mas sem as últimas palavras teria sido uma ímpia presunção. Quando estamos certos de que aquilo que pedimos é para a glória de Deus, então, se tivermos poder na oração, podemos dizer: "Não te deixarei ir se não me abençoares". É possível chegar a um tal relacionamento íntimo com Deus, e como Jacó com o anjo, podemos lutar e tentar vencer o anjo para não sermos mandados embora vazios, sem recebermos a bênção desejada. Mas antes de chegarmos a essa intimidade, devemos ter a certeza de que aquilo que estamos buscando é realmente para a honra do Mestre.


Ponha estas três coisas juntas: 1) profunda espi­ritualidade que reconhece a oração como sendo conversa real com o Deus invisível - clareza que evidencia realidade na oração, pedindo por aquilo que sabemos necessitar; 2) muito fervor, crendo que é realmente necessário aquilo que desejamos, estando dispostos a obtê-lo pela oração, desde que seja possível tê-lo por meio da mesma; 3) acima de tudo isso, completa submissão, deixando-o ainda com a vontade do Mestre. Tudo isso deve ser amalgamado e então terá uma idéia clara do que é ordenar sua causa diante de Deus.


Ainda mais, a oração em si mesma é uma arte que somente o Espírito Santo pode nos ensinar. Ele é o doador de todas as orações. Rogue pela oração - ore até que consiga orar, ore para ser ajudado a orar e não abandone a oração porque não consegue orar, pois nos momentos em que você acha que não pode orar, é que realmente está fazendo as melhores orações. As vezes quando você não sente nenhum tipo de conforto em suas súplicas e seu coração está quebrantado e abatido, é que realmente está lutando e prevalecendo com o Altíssimo.
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A Palavra de Deus é realmente teu Deleite?


Deleitar-me-ei em teus mandamentos, os quais eu amo.
(Salmo 119.47)

Em companhia da liberdade e da coragem vem o deleite. Quando tivermos cumprido nosso dever, acharemos uma grande recompensa nele. Se Davi não houvera falado por seu Senhor diante dos reis, teria tido medo de meditar na lei que negligenciara; mas depois de falar por seu Senhor ele sentia a suave serenidade de coração, quando pondera sobre a Palavra. Obedeça ao mandamento, e então você o amará; suporte o jugo, e ele será suave e o descanso procederá dele. Depois de falar da lei, o salmista não se cansava de seu tema, mas retirou-se para meditar nele. Depois de discursar, ele se deleitava; depois de pregar, ele recorria a seu estudo para renovar sua força, nutrindo-se uma vez mais da preciosa verdade. Quer deleitasse outros quer não, quando falava, nunca deixava de deleitar-se enquanto ponderava sobre a Palavra do Senhor. Ele declara que amava os mandamentos do Senhor; e através de sua confissão ele revelava a razão de deleitar-se neles — onde nosso amor está, aí está nosso deleite. Davi não se deleitava nas cortes dos reis, pois ali encontrava ocasiões de tentação para envergonhar-se; nas Escrituras, porém, era como estar em casa; seu coração estava nelas, elas eram seu supremo prazer. Não surpreende que falasse de guardar a lei, a qual amava. Disse Jesus:

"Se alguém me ama, guardará minhas palavras." Não surpreende que falasse de andar em liberdade e falar ousadamente, pois o genuíno amor é sempre livre e destemido. O amor é o cumprimento da lei; onde o amor pela lei de Deus reina no coração, a vida se enche de bem-aventuranca. Senhor, que tuas misericórdias nos encontrem, para que possamos amar tua Palavra e teu caminho, e para que encontremos neles todo nosso deleite.

O versículo está no tempo futuro, e daí ele expressa, não só o que Davi fizera, mas o que ele pretendia fazer; ele queria oportunamente deleitar-se nos mandamentos de seu Senhor. Ele sabia que eles não podem ser alterados, nem deixar de produzir nele alegria. Ele sabia também que a graça o guardaria na mesma condição de seu coração amar os preceitos do Senhor, de modo que, ao longo de toda sua vida, desfrutaria de supremo deleite na santidade. Seu coração estava tão fixo no amor para com a vontade de Deus, que tinha certeza de que a graça sempre o sustentaria sob sua deleitosa influência.

Todo o Salmo é uma constante expressão de amor pela Palavra; aqui, porém, pela primeira vez, ele é verbalmente expresso. Ele aqui se acha associado ao deleite; e no versículo 165, à "grande paz". Todos os versículos em que o amor se expressa em tantas palavras são dignos de nota. Veja os versículos 47, 97, 113, 119, 127, 140, 159, 163, 167.

Levantarei minhas mãos para teus mandamentos, que amo, e meditarei em teus estatutos. (V.48)

Levantarei minhas mãos para teus mandamentos, que amo.

Ele estende os braços para a perfeição até onde pode, esperando um dia poder alcançá-la. Quando suas mãos penderem, ele recuperar-se-á do langor pela visão prospectiva de glorificar a Deus através da obediência; e dará solene sinal de seu cordial assentimento e consentimento quanto a tudo o que seu Deus ordena. A frase, "levantarei minhas mãos", é muito significativa, e sem dúvida o terno cantor tinha em mente tudo quanto podia ver nela e mais uma grande medida. Uma vez mais ele declara seu amor; pois um coração sincero ama para expressar-se; é um gênero de fogo que espalharia suas chamas. Era natural que ele tivesse a seu alcance uma lei na qual se deleitava, como se fosse uma criança que estende sua mão para receber um presente muito desejável. Quando um objeto tão amável, como a santidade, é posto diante de nós, somos impulsionados em direção a ele empenhando toda nossa natureza, e enquanto não for plenamente concretizado, no mínimo estenderemos nossas mãos em oração para recebê-lo. Aonde mãos santas e corações santos vão, o homem todo, um dia, também irá.

E meditarei em teus estatutos. É possível que nunca tenha meditação bastante. Os súditos zelosos desejam familiarizar-se com os estatutos de seus soberanos para não ofendê-los em decorrên¬cia da ignorância. Oração com mãos erguidas, e meditação com olhos direcionados para o alto, numa ditosa união, produzirão os melhores resultados interiores. A oração do versículo 41 já se cumpriu na pessoa que luta olhando para cima e estuda visando às profundezas de seu coração. A totalidade deste versículo está no tempo futuro, e pode ser vista não só como uma determinação da mente de Davi, mas como um resultado que ele sabia se seguiria de enviar-lhe o Senhor suas misericórdias e sua salvação. Quando a misericórdia desce até nós, nossas mãos se erguem; quando desfrutamos a consciência de que Deus pensa em nós com um amor especial, nos asseguramos de pensar também nele.
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domingo, 24 de agosto de 2014

Deus jamais muda seus planos !


Aquele homem começou a construir, mas não foi capaz de terminar e então mudou de plano como qualquer homem sábio faria nesse caso; ele construiu num alicerce menor e come­çou novamente. Contudo, teria dito sobre Deus que Ele começou a construir e não pôde terminar? Não. Quando Ele tinha recursos ilimitados ao Seu comando, quando Sua própria destra pôde criar os mundos tão numerosos quanto as gotas de orvalho matutino, teria sido necessário .para Ele Se deter a fim de recobrar forças? Inverteria, ou alteraria, ou modificaria Seu plano porque não poderia levá-lo a cabo? "Mas", dizem alguns, "talvez Deus nunca tivesse um plano". Então, o senhor pensa que Deus é mais tolo que você? Você trabalharia sem um plano? "Não", diria você, "eu sempre tenho um esquema". Deus também tem.

Qualquer homem tem seus planos e Deus tem um plano também. Deus é um Arquiteto todo-sábio ; Ele organizou tudo em Seu imenso intelecto bem antes de realizá-lo; e tendo estabelecido de uma vez por todas, tenha certeza, Ele nunca alterará isso. "Isso será feito", diz Ele, e a mão forte do destino marca isso e o faz cumprir. "Este é o Meu propósito" e isto posto, nem terra ou inferno podem alterá-lo. "Este é o Meu decreto", diz Ele, promulgue-o anjos; sejam expulsos das portas do céu os demônios, mas vocês não podem alterar o decreto; ele será cumprido.

Deus não alterou Seus planos; por que faria isso? Ele é todo-poderoso e por conseguinte pode executar tudo, segundo o Seu prazer. Por que faria isso? Ele é o onisciente, e, dessa forma, não poderia ter planejado erra­damente. Por que faria isso? Ele é o Deus sempiterno e, sendo assim, não pode morrer antes que Seu plano seja realizado. Por que Ele deveria mudar? Vocês, átomos desprezíveis de existência, efêmeros do dia! Rastejantes insetos nesse jardim da existência! Vocês podem mudar seus planos, porém Ele nunca muda, nunca muda o Seu plano. Ele teria dito que Seu plano é me salvar? Se for assim, estou seguro.


Meu nome está nas palmas das Suas mãos,
A eternidade não apagará;
Impresso permanece em Seu coração,
Em marcas de indelével graça.
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