Total de visualizações de página

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Deus, o Pai, agente de nossa salvação


De que maneira foi Deus, o Pai, o agente de nossa salvação? Minha resposta para essa pergunta é a seguinte: por duas maneiras, isto é, foi Deus, o Pai, que enviou o Filho para morrer, e foi o Pai que puniu Cristo por causa dos nossos pecados. Podemos examinar estas duas coisas em maiores detalhes.

1.       É claro, a partir de muitos versículos bíblicos, que o Pai enviou o Filho ao mundo. Por exemplo: "vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, afim de recebermos a adoção de filhos." (Gálatas 4:4-5). O fato de enviar o Filho envolveu Deus, o Pai, em três coisas:
a)       houve o propósito original que sempre estivera em Sua mente (I Pedro 1:20);
b)      houve o Seu ato de dar ao Filho todas as habilidades que Ele necessitava, a fim de fazer a obra para a qual fora enviado (João 3:34-35)
c)       houve o Seu ato de prometer a Seu Filho toda a ajuda necessária quanto ao sucesso na obra (Atos 4: 10-11).

2.  É claro, a partir de muitos versículos bíblicos, que o Pai puniu Jesus Cristo por causa dos nossos pecados. Por exemplo: "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." (II Coríntios 5:21). Pode-se dizer que Cristo sofreu e morreu em nosso lugar. Sendo assim, não seria estranha a idéia de que Cristo deveria sofrer em lugar daqueles que também irão sofrer por causa dos seus próprios pecados?
Colocamos o assunto da seguinte maneira: Cristo sofreu... ...
... pelos pecados de todos os homens, ou... ...
... pelos pecados de alguns homens, ou... ...
... por alguns dos pecados de todos os homens.
Se a última afirmativa é verdadeira, então todos os homens ainda têm alguns pecados, e, portanto, ninguém pode ser redimido.

Se a primeira afirmativa é verdadeira, então porque não estão todos os homens livres do pecado? Você poderá dizer: "Por causa da incredulidade deles. "Mas eu pergunto: "A incredulidade é um pecado?" Se não é, por que todos os homens são punidos por causa dela? Se é um pecado, então deve estar incluída entre os pecados pelos quais Cristo morreu. Portanto, a primeira afirmativa não pode ser verdadeira!
Assim, é claro que a única possibilidade restante é que Cristo levou sobre Si todos os pecados de alguns homens, os eleitos, somente. Creio que este é o ensino da Bíblia.
(A Quarta Parte deste livro trata das passagens das Escrituras que empregam as palavras "mundo" e "todos").

Deus, o Filho, agente de nossa salvação

Devido ao fato de Deus, o Filho, haver voluntariamente concordado em fazer o que o Pai tinha planejado, podemos dizer que Ele também era um agente de nossa salvação. Jesus disse: "A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra." (João 4:34). Há três maneiras pelas quais Cristo mostrou Sua prontidão para ser um agente:

1. Ele se dispôs a deixar de lado a glória de Sua natureza divina e fazer-Se homem. "E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas... ". (Hebreus 2: 14). Note que é afirmado que Ele fez isto não porque toda a raça humana era composta de carne e sangue, mas porque os filhos que Deus lhe dera eram humanos. (Hebreus 2: 13). Sua prontidão estava relacionada àqueles filhos, não a toda a raça humana.

2. Ele Se dispôs a dar-Se a Si mesmo como oferta. É verdade que Ele sofreu muitas coisas passivamente. Contudo, é verdade que Ele deu-Se a Si mesmo para aqueles sofrimentos, ativa e prontamente. Sem tal consentimento voluntário, os sofrimentos não teriam qualquer valor. Assim Ele pode verdadeiramente dizer: "Por isto o Pai me ama, porque dou minha vida... Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou". (João 10: 17-18).

3. Suas orações no presente em favor de Seus filhos mostram Sua prontidão em ser um agente em nossa salvação. Agora Cristo entrou no santuário. (Hebreus 9: 11-12). Sua obra ali é a intercessão (oração). Veja que Ele não ora pelo mundo (João 17:9), mas por aqueles pelos quais Ele morreu (Romanos 8:34). Ele pede que aqueles que Lhe foram dados possam ir para onde Ele está, para ver a Sua glória (João 17 :24). Portanto, é claro que Ele não poderia ter morri do por todos os homens!

 Deus, o Espírito, agente de nossa salvação

A Bíblia fala de três coisas nas quais o Espírito Santo opera com o Pai e o Filho para nos redimir. E estas atividades mostram que Ele também é um agente de nossa salvação.

1. O corpo humano que o Filho tomou, quando Se tornou homem, foi criado pelo Espírito Santo, em Maria. " ... achou-se ter concebido do Espírito Santo." (Mateus 1: 18).

 2. A Bíblia diz que quando o Filho Se ofereceu a Si mesmo como sacrifício, Ele o fez pelo Espírito. " ... que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus ... " (Hebreus 9: 14). Disso fica claro que o Espírito Santo foi, de certa forma, o instrumento que tornou possível o oferecimento.

3. Há declarações claras na Bíblia mostrando que a obra de levantar Cristo dentre os mortos, foi operação do Espírito Santo. “....mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito." (I Pedro 3:18).

Sem dúvida alguma, o Espírito Santo teve importantes coisas para fazer, unindo-Se ao Pai e ao Filho no propósito de nos redimir.


 Temos visto que cada pessoa da Trindade pode ser chamada de agente de nossa salvação. 

Mas é importante lembrar que, embora para o propósito de nosso estudo, tenhamos feito uma distinção quanto à operação de cada uma das pessoas divinas, não há, de fato, três agentes de nossa salvação, mas apenas um, pois Deus é Um. Portanto, podemos dizer que toda a Trindade é um agente para a nossa redenção.

  John Owen (1616-1683)


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Culto ou Show por Spurgeon


Os  homens parecem nos dizer: “Não há qualquer utilidade em seguirmos o velho método, arrebatando um aqui e outro ali da grande multidão. Queremos um método mais eficaz.  Esperar até que as pessoas sejam nascidas de novo e se tornem seguidores de Cristo é um processo demorado. Vamos abolir a separação que existe entre os regenerados e os não regenerados. Venham à igreja, todos vocês, convertidos ou não-convertidos. Vocês têm bons desejos e boas resoluções: isto é suficiente; não se preocupem com mais nada. É verdade que vocês não creem no evangelho, mas nós também não cremos nele. Se vocês creem em alguma coisa, venham. Se vocês não creem em nada, não se preocupem; a (duvida sincera) de vocês é muito melhor do que a fé”.

Talvez o leitor diga: “ Mas ninguém fala desta maneira”.

É provável que eles não usem esta linguagem, porem este é o verdadeiro significado do cristianismo de nossos  dias. Esta é a tendência de nossa época. Posso justificar a afirmação abrangente que acabei de fazer, utilizando a atitude de certos pastores que estão traindo astuciosamente nosso sagrado evangelho sob o pretexto de adaptá-lo a esta época progressista. O novo método consiste em incorporar o mundo à igreja e, deste modo, incluir grandes áreas em seus limites. Por meio de apresentações dramatizadas, os pastores fazem com que as casas de oração se assemelhem a  teatros: transformam o culto em shows musicais e os sermões, em arengas politicas ou ensaios filosóficos. Na verdade eles transformam o templo em teatro e os servos de Deus, em atores cujo objetivo é entreter os homens.

Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus?  Ai de mim.

Os limites estão destruídos, e as paredes, arrasadas: e para muitas pessoas não existe igreja nenhuma, exceto aquela que é uma parte do mundo; e nenhum Deus, exceto aquela força desconhecida por meio da qual operam as forças da natureza.
Não me demorarei mais falando a respeito desta proposta tão deplorável.

Por: Charles Haddon Spurgeon  1834 – 1892.