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sábado, 19 de abril de 2014

Examinai as Escrituras


(Sermão Nº 172)
Um Sermão Pregado na manhã de Sabbath do dia 17 de janeiro de 1858
por C. H. Spurgeon,
no Music Hall, Royal Surrey Gardens.
“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra,
é porque não há luz neles.” (Isaías 8:20)

QUANDO os homens não aprendem de Deus, quão enormemente a sua loucura cresce! Se eles desprezam a sabedoria que vem do alto, quão dolorosamente Deus lhes permite provar sua própria ignorância! Quando um homem não se curva diante de Deus, o Altíssimo, imediatamente ele constrói para si um ídolo. Ele faz uma imagem de madeira ou de pedra e ele se degrada curvando-se perante a obra das suas próprias mãos. Quando os homens não receberem o testemunho das Escrituras a respeito da criação de Deus, logo eles começam a formular teorias que são mil vezes mais ridículas do que eles já se esforçaram para fazer o relato bíblico da mesma! Deus os deixa, se eles não aceitam Sua solução do problema, a tatear para outro – e sua própria solução é tão absurda que todo o mundo, exceto eles mesmos têm bom senso suficiente para rir! E quando os homens deixam o Livro Sagrado da Revelação ah, meus amigos, aonde eles vão? Nós achamos que, no tempo de Isaías foram para lugares estranhos, pois ele diz no verso 19 que eles buscavam espíritos familiares aos feiticeiros que chilreavam e mur-muravam. Sim, eles procuraram coisas sobre a vida entre os mortos e se tornaram os ludibriados da feitiçaria! É maravilhoso que os homens que mormente de todos os trilhos da fé são notáveis pela credulidade. Um dos maiores incrédulos no mundo que chamou a si mesmo um livre-pensador de seu nascimento, encontra-se agora cambaleante em seu túmulo, acreditando no mínimo [em um] absurdo que uma criança pode refutar! Não se importando de ter Deus em seus corações, abandonando a fonte viva, eles têm cavado para si mesmos cisternas que estão quebrados que não retêm as águas. Oh, que possamos, cada um de nós, sermos mais sábios! Para que não abandonemos o bom caminho antigo, nem deixemos o caminho que Deus tem preparado para nós. Que assombro se nós viajássemos entre os espinhos e abrolhos e rasgando nossa própria carne ou, pior do que isso – cairmos entre montanhas escuras e nos perdermos entre os abismos das mesmas, se nós desprezássemos a orientação de um Pai inerrante! Procure na Palavra de Deus e leia! Examinai as Escrituras, porque nelas cuidais vós ter a vida eterna e são elas que dão testemunho de Jesus Cristo!

Sinto-me neste momento de particular crise dos assuntos religiosos que é imperativo sobre o ministro cristão exortar o seu povo a manter firme as Doutrinas da Verdade de Deus – as Palavras de Deus. Esta parece provável que se torne a idade de pregação, ao invés de a idade de oração. Agora vemos em todos os lugares grandes congregações assembleias em salões e abadias para ouvir a Palavra pregada. E é um mau sinal dos tempos que esses sermões agora não são somente defendidos pelos ortodoxos, mas, mesmo por aqueles a quem nós consideramos ser pelo menos um tanto heréticos da antiga fé da Igreja Protestante. Torna-se, portanto, uma coisa grave séria. É mais provável – e não pode cada homem sábio vê-lo? – que todo aquele que pode agora levantar-se que tenha alguns poderes de oratória e algumas graças da eloquência serão susceptíveis de atrair a multidão, pregando aquilo que ele pode – embora a palavra que ele irá proferir seja tão falsa como a Palavra de Deus é verdadeira e tão contrária ao Evangelho como o inferno se opõe ao Céu! Não lhes parece provável que nesta época ele iria atrair uma multidão de seguidores? E não é também muito provável que, por meio da caridade espúria que agora está crescendo entre nós – o que iria amordaçar a boca dos reprovadores honestos – iremos achar que é difícil repreender o impostor quando ele surge e difícil de expor as mentiras, mesmo que elas possam ser evidentes para nós?

Estamos agora felizmente tão bem misturados conjuntamente – O dissidente e o clérigo agora se tornaram muito amigáveis uns com os outros – que temos menos a temer os efeitos do dogmatismo do que os efeitos do latitudinarismo! Nós temos agora alguma razão para estar em cima da torre de vigia para que não suceda que alguém surja em nosso meio – a prole espúria desses momentos felizes da aliança evangélica – que reivindicará a nossa caridade, enquanto eles estão pregando aquilo que em nossos corações faz-se totalmente condenável! E qual é o melhor conselho que o ministro pode dar em tempos como estes? Para que livro deve ele encomendar seus ouvintes? Como ele deve mantê-los firmes? Onde está a âncora que ele deve dar-lhes para lançar nas rochas? Ou onde estão as rochas em que deve lançar sua âncora? Nosso texto é uma solução para essa questão. Estamos aqui equipados com uma grande resposta para a pergunta – “À lei e ao testemunho. Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles”.

Em primeiro lugar, me esforçarei nesta manhã para exortá-los a levar certas coisas das quais estamos receosos, de que uma importância supersticiosa possa ser ligada, “À lei e ao testemunho”. Em segundo lugar, vou tentar mostrar os bons efeitos que se seguirão, se cada um de vocês rigorosamente trouxer tudo o que vocês ouvem e crerem, “a Lei e ao testemunho”. E, em terceiro lugar, vou dar-lhe algumas razões poderosas pelas quais você deve submeter tudo a essa pedra de toque sagrado. E eu vou encerrar, oferecendo-lhe alguns poucos conselhos sobre como você pode fazer isso verdadeira e proveitosamente.

I. Permitam-me exortar-lhes sobre os que trazem certas coisas “À Lei e ao Testemunho”. 

1. Em primeiro lugar, eu teria de trazer as ideias engendradas em você pelo seu primeiro treinamento para o teste do Livro de Deus. É muito mais o costume das pessoas dizer: “Não fui eu nascido na Igreja da Inglaterra? Não deveria, por isso, continuar nela?” Ou, por outro lado “não foi a minha avó uma Imersionista? Porventura não convinha que eu, por isso, continue na denominação Batista?” Deus não permita que eu diga alguma coisa contra seus parentes veneráveis e piedosos – ou que vocês devem pagar qualquer desrespeito ao seu ensino! Nós sempre respeitamos os seus conselhos, mesmo quando não podemos recebê-los, para o bem da pessoa que o oferece a nós – conhecendo a sua formação, eles devem mesmo ter-se enganado, no entanto, foram bem intencionados. Mas reivindicamos para nós, como homens, que não devemos ser alimentados com doutrinas como fomos alimentados em nossa infância indefesa, com comida escolhida para nós. Afirmamos que devemos ter o direito de julgar se as coisas que temos recebido e ouvido são de acordo com este Livro Sagrado. E se descobrirmos que em nada a nossa formação tem sido errônea, não consideremos que estamos violando qualquer princípio de afeto se ousarmos vir diante de nossas famílias e participarmos de uma denominação que sustenta princípios muito diferentes daqueles que nossos pais haviam defendido! Vamos cada um de nós lembrarmos que como Deus deu a cada homem uma cabeça sobre seus ombros, todo o homem é obrigado a usar sua própria cabeça e não a de seu pai. Deus deu juízo a seu pai. Bem e bom. Ele julgou por si mesmo. Ele deu-lhe um julgamento – julgar por si mesmo, também! Diga a respeito de tudo que você recebeu em sua infância: “Bem, eu não vou ligeiramente comungar com isso, pois pode ser de ouro esterlino, mas, ao mesmo tempo, eu não vou guardá-lo cegamente, pois pode ser moeda falsa. Vou sentar-me para estudar o Livro Sagrado e eu vou me esforçar, tanto quanto eu puder, comigo mesmo para fazê-lo sem preconceitos. Vou ler a Bíblia como se eu nunca tivesse ouvido falar qualquer pregador, ou nunca houvesse sido ensinado por um dos pais. E eu, então, esforçar-me-ei para descobrir o que de Deus se diz e o que Deus diz, seja o que for, eu vou acreditar e abraçar, esperando que por Sua Graça eu também possa sentir o poder disto em minha própria alma”.

2. Lembre-se, também, de trazer os pregadores do Evangelho a este padrão. Uma grande maioria de vocês conhece apenas muito pouco sobre o que é Evangelho. A noção geral das massas é que somos, cada um de nós, corretos – que, apesar de hoje eu possa contradizer alguém e outra pessoa possa me contradizer – ainda todos nós estamos certos! E embora seja traição ao senso comum acreditar em tal coisa, todavia isso é uma ideia comum! Alguns homens sempre acreditam como o último orador. Se eles ouvem o mais hiper dos hiper-calvinistas, eles creem com todo seu ser na doutrina da reprovação. Eles irão ouvir, no dia seguinte o menor dos arminianos, e eles acreditam com ele no mais universal dos resgates e no mais poderoso livre-arbítrio. Eles irão, em seguida, ouvir o verdadeiro calvinista, que prega que o homem destruiu a si mesmo, mas em Deus sua  ajuda é encontrada, talvez, então eles acham que este homem se contradiz e pela primeira vez eles se rebelam contra seus professores! Mas é provável que eles ouviriam essa pessoa novamente, eles seriam facilmente reconciliados com aparentes contradições – para eles, basta a aparência do homem, basta apenas a maneira como o homem diz a coisa e eles gostam e não o que ele diz! Assim como eu tenho do ouvido santo Sr. Durham¹, o escritor daquele doce livro sobre o Cântico de Salomão.

Se eu tivesse vivido no seu tempo, eu nunca deveria, penso eu, ter querido ouvir qualquer outro pregador. Eu teria sentado, como de noite e de dia, para receber o doce gotejar de seus lábios de mel. Mas, em sua época, havia um jovem pregador cujo nome é totalmente esquecido, cuja igreja estava lotada até a porta e a casa de reunião do Sr. Durham duramente abandonada. A razão disso é porque as massas de pessoas não aderiram, ao que era dito, mas à forma como era dito! E se é dito de forma inteligente, dito belamente e dito forçosamente, isso é o suficiente para eles – embora seja uma mentira. Mas, se a Verdade de Deus é falada – eles não vão receber a menos que seja com a presença de algumas graças da oratória e eloquência. Agora, o cristão que passou de sua meninice não se preocupa com a forma como o homem diz. É com coisa que é dita que ele se importa. Tudo o que ele pergunta é: “Será que ele fala a verdade?” Ele só se apodera do essencial. Para ele, a palha não é nada e menos ainda o joio. Ele não se importa com a decoração da festa, nem como o requintado acabamento do prato. Ele só se preocupa com o que é alimento sólido para si mesmo.

Agora, meus queridos amigos, eu reivindico para mim, quando eu entro neste púlpito, o direito de ser ouvido. Mas eu não reivindico o direito de ser acreditado, a menos que as palavras que eu vos falar estejam de acordo com este Sagrado Livro. Eu desejo que vocês me sirvam como eu gostaria que vocês servissem a toda a gente – trazem-nos cada um “À lei e ao testemunho”. Agradeço a Deus pela minha Bíblia eu não tenho necessidade de estar envergonhado. Eu às vezes me envergonho desta tradução dela, quando vejo como, em alguns pontos importantes, não é fiel à Palavra de Deus. Mas é a própria Palavra de Deus, eu posso dizer que é o homem da minha mão direita, a minha meditação de dia e de noite, e se há alguma coisa que eu pregue que seja contrário a esta Palavra, atropele-o na lama, e cuspindo o despreze!
A verdade de Deus está aqui. Não é o que eu digo, mas o que o meu Deus diz que é exigido que você receba! Ponho-me e coloco todos os meus Irmãos na peneira. Lança-nos cada um no fogo. Coloque-nos no cadinho da verdade. E o que não está de acordo com a Palavra de Deus deve ser consumido como escória!

3. Há outra classe de homens bem ao contrário daqueles que me referi. Estes homens são os seus próprios pregadores. Eles não acreditam em ninguém senão em si próprios e sem precisar sabê-lo, há toda razão para que eles odeiem o Papa, porque “dois de um ofício nunca concordam”, sendo eles papas, deles mesmos! Essas pessoas, se ouvem uma Verdade de Deus pregada, julgam não pela Bíblia, mas pelo que eles acham que a verdade de Deus deve ser! Eu ouvi uma pessoa, dizer, por exemplo, quando ouviu a doutrina da eleição ou da redenção particular: “Bem, agora, a Doutrina não me agrada, eu não gosto dela”. E então ele começa a instar [com] alguma objeção que ele forjou sobre a sua bigorna, mas nunca tentou citar um texto da Escritura para refutá-lo, se ele pode – nunca se voltando para algum antigo ditado dos Profetas e esforçando-se para descobrir se a Doutrina foi um erro, mas apenas julgando-a por sua própria opinião, por seus desejos, quanto ao que a Verdade deveria ser! O que você pensaria de um homem que diria a um astrônomo, “Agora, não é de nenhuma utilidade você me dizer que a constelação de Escorpião é de tal e tal forma. Eu te digo [que], eu não gosto da aparência dela. Meu caro amigo, eu não acho que a constelação de Escorpião deveria ter sido feita desta forma. E eu acho que esta estrela deveria ter sido colocada apenas aqui, em vez de lá – e então tudo estaria bem.” O astrônomo simplesmente sorriria para ele e diria: “A sua opinião não faz diferença, porque não altera os fatos. Se você acha que eu estou errado, o caminho certo para me contestar não é dizer o que você acha que as estrelas deveriam ser, mas apenas vir e dar uma olhada no meu telescópio e ver onde as estrelas estão”. Pois bem, é a mesma coisa com a Verdade de Deus! As pessoas dizem: “Eu não gosto de tal Verdade.” Isso não é refutação dela. A pergunta é – isto está na Bíblia? Porque, se ela está lá, gostemos ou não, é um fato e tudo o que ministro tem a fazer é comunicar os fatos que ele encontra lá. Pois, o astrônomo não pode colocar as estrelas em uma linha, como uma fileira de luzes de gás, para agradá-lo – e o ministro não pode colocar as Doutrinas em uma forma em que você gostaria de tê-las elencadas.

O que todo Astrônomo faz é mapear [os astros] e dizer: “É assim que eles estão no céu.” Você deve, então, olhar para o céu e ver se isto é assim. Tudo o que tenho a fazer é dizer o que eu encontro na Bíblia. Se você não gosta disso, lembre-se, que não há refutação disso, nem eu me importo se você gosta disso ou não – a única coisa que [importa] é, isto está na Bíblia? Se ele estiver lá não vou parar para provar isso. Eu não vim aqui para provar uma doutrina. Se ela está na Bíblia, é verdade – é isto. Digo-o abertamente. Rejeite isto e você o faz para a sua própria condenação, pois você, você mesmo, acredita que a Bíblia é verdadeira e eu provo que isto estar lá e, portanto, deve ser verdade. 

Deveria isto estar de acordo com a sua mente? Gostaria de ter uma Bíblia feita para os dispositivos de seu próprio coração? Se fosse, seria uma coisa inútil! Você deseja ter um Evangelho de acordo com seus desejos? Nesse caso, com alguns de vocês isto seria um Evangelho que permitiria lascívia! Você deseja ter uma Revelação feita que deva mimá-lo em suas concupiscências e satisfaça-o em seu orgulho? Se assim for, sei disso, Deus nunca vai se inclinar para alimentar sua arrogância ou libertinagem! A Bíblia é um livro Divino. Ele exige a sua fé nela. E mesmo que você esperneie contra ela, esta pedra nunca poderá ser quebrada. Mas, preste atenção, você pode ser quebrado sobre dela! Sim, ela poderá cair sobre você e reduzi-lo a pó. Traga, então, peço-vos, seus próprios pensamentos e seus próprios sentimentos para a pedra de toque da verdade de Deus, porque “se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles.”

4. E faça o mesmo com todos os livros que você lê. Esta é a idade da fabricação e escrita de livros. Hoje em dia, quais periódicos e livros estão sobre nossas estantes, nossas Bíblias não são muito lidas. Vou lhe contar uma história verídica, como se houvesse sido contada para mim ontem. Havia um jovem que é agora um estudante para o ministério. Tão extraordinariamente ignorante ele era de sua própria Bíblia que, ao ouvir um jovem ministro mencionar a história de Nabucodonosor sendo tirado dentre os homens até que suas unhas cresceram como garras de aves e seu cabelo como as penas da águia, disse o ministro no final do sermão, “Bem, isso foi uma história estranha para que você contasse ao povo. Onde você pescou isso?” “Como”, disse o ministro, “você nunca leu sua Bíblia? Você não pode encontrá-la no livro de Daniel?”.

O jovem tinha lido muitas outras coisas, mas nunca leu a Bíblia pela metade – e ainda assim ia ser um professor dela! Agora, temo que a mesma a ignorância seja muito atual em muitas pessoas. Eles não sabem o que está na Bíblia. Eles podem dizer o que está na Churchman’s Penny, ou a Christian’s Penny, ou a Churchman’s Magazine, ou a Wesleyan Magazine, ou a Baptist Magazine, ou a Evangelical Magazine e tudo isso. Mas há uma revista velha, uma revista de armas, uma revista de riquezas, a qual eles se esquecem de ler – o livro à moda antiga chamado Bíblia. “Ah”, disse um deles, quando ele veio a morrer – que havia sido um grande leitor clássico “Eu iria a Deus se eu tivesse gasto tanto tempo lendo a Bíblia como eu passei lendo Lívio!2

[2] Tito Lívio (em latim: Titus Livius; Pádua, c. 59 a.C. — Pádua, 17), conhecido simplesmente como Lívio, nasceu em Patavium, hoje Pádua cidade do Vêneto na Itália atual, provavelmente em 59 a. C. e faleceu em 17 da era cristã. Foi um dos grandes historiadores romanos, assim como Salústio e Tácito, e escreveu suas obras em latim. Estudou retórica e filosofia, teve uma boa ascensão profissional devido sua competência como escritor. 

Eu iria a Deus se eu houvesse sido exato em minhas críticas da Sagrada Escritura como eu era nas críticas sobre Horácio! Oh, que sejamos sábios para dar à Bíblia a maior parte do nosso tempo e para continuar sempre a lê-la, tanto de dia quanto de noite, para que possamos ser como as árvores plantadas junto a ribeiros de água que produzamos nossos frutos em nossa temporada! Vamos lembrar, de ministros do Evangelho, quais M’Cheyne  maravilhosamente disse. “Dependa dela”, ele disse: “É a Palavra de Deus, não o comentário do homem sobre Palavra de Deus, que salva almas.” E tenho notado que se algum dia nós tivemos uma conversão a qualquer tempo, em 99 casos em cem, a conversão é mormente feita com base no texto, ou em certa Escritura citada no sermão, do que todo o dizer banal ou original do pregador! É a Palavra de Deus que quebra os grilhões e põe o prisioneiro livre – é a Palavra de Deus que salva as almas por instrumentos e, por isso, vamos trazer tudo para a pedra de toque – “À lei e ao testemunho. Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles”.

II. Agora eu passo para o meu segundo ponto. Irmãos e Irmãs, permitam-me mostrar-lhes alguns dos bons efeitos que irão derivar de cada minuto e cuidadoso estudo da lei e do testemunho de Deus.
1. Em primeiro lugar, lembre-se que, a menos que você estude a Palavra de Deus, não será competente para detectar erros. Um homem pode, na sua audição, pregar pura mentira, mas você não estará qualificado para julgar a respeito do que são falsidades, a menos que você tenha estudado a Palavra de Deus. Você e eu não iríamos gostar de sentar no banco de julgamento de alguns dos tribunais superiores de nossa terra, porque não estamos familiarizados com os meandros da lei. Nós não poderíamos citar precedentes, pois não fomos ensinados neles. E assim, nenhum homem é capaz de julgar a respeito daquilo que ele ouve a não ser que ele seja capaz de citar as Escrituras – a menos que ele entenda a Palavra de Deus, e seja capaz de perceber e saber o que significa. Mas eu ouço alguém dizer que a Bíblia e um livro tão difícil que ele tem certeza que nunca poderia compreendê-la.

Atente você, homem, a Bíblia é um livro tão claro que aquele que está disposto a entendê-lo pode fazê-lo.
É tão simples que aquele que corre pode ler e ler enquanto ele corre! Sim, é tão clara que quanto mais simples um homem é, mais facilmente ele poderá compreendê-la. Todo o aprendizado que o homem já recebeu antes é mais um obstáculo do que um benefício, quando ele vem pela primeira vez para ler a Palavra. A aprendizagem pode desatar muitos nós depois; pode desvendar muitos mistérios nos últimos tempos, mas temos ouvido mentes profundamente críticas dizerem que no início eles teriam dado todo o mundo se eles pudessem ter jogado a sua aprendizagem de lado só para ler a Bíblia como o camponês humilde a lê e acredita como Palavra de Deus, sem quaisquer sofismas da crítica! Você sabe como a senhora Beecher Stowe representa seu Tio Tom lendo-a. Ele não podia lê-la rápido. Então ele apenas a soletrava, letra por letra e palavra por palavra. E a Bíblia é o único dos livros, diz ela, que sempre ganha por aquela forma de leitura. Lembrem como ele a lia. “Não – deixem – seus – corações – estarem -” (KJV) E então ele parou na palavra comprida e ele se atrapalhou no passado que era “conturbados. Crede em Deus, crede também em mim”. Por que, ela fica mais doce por ser lida em um longo período de tempo! E longe de que sua falta de aprendizado o desqualificasse para entender a Bíblia, o conteúdo dela é tanto mais compreensível a partir da simplicidade de seu coração!

Venha e examine as Escrituras! Elas não são tais misteriosas fábulas ou volumes aprendidos de palavras difíceis, como alguns homens dizem. Este não é um livro fechado como o sacerdote nos diria. É um volume que a criança da escola dominical pode entender se o Espírito de Deus repousar sobre o seu coração! É um livro que o trabalhador de mãos calejadas pode compreendê-las bem como o teólogo e muitos dos que aprenderam se tornaram extremamente sábios nela. Volto a dizer, leiam as suas Bíblias e vocês poderão estar qualificados para detectar o erro!

2. Mas, novamente, eu não gosto de um homem que está sempre olhando para o erro. Esse homem tem algum erro no seu próprio coração, depende disso! Eles dizem: “Coloque um ladrão para pegar um ladrão.” E é muito provável que haja um pouco de amor ao erro em seu coração, ou então você não estaria tão pronto a suspeitar de outras pessoas. Mas deixe-me dar mais um motivo para examinar suas Bíblias. Quando você estiver em uma questão de disputa, você será capaz de falar muito confiadamente. Não há nada que dá a um homem tanto poder entre seus companheiros como confiança. Se em uma conversa eu sou contradito quanto a qualquer sentimento que eu propor – se eu tenho a Escritura na ponta dos dedos – por isso eu rio de meu adversário ainda que seja sempre tão sábio e tenha lido dez vezes mais livros do que eu já vi – se posso citar as Escrituras, eu apenas sorrio para ele, pois então estou confiante. Tenho a certeza. Estou  certo sobre o assunto, pois “assim diz o Senhor”, é um argumento que ninguém pode responder! Isto faz um homem parecer muito tolo quando ele tem que falar de uma maneira tímida. Eu sempre acho que certos ministros elegantes que têm medo de serem chamados dogmáticos e que, por isso, propõem o Evangelho como se não quase não gostassem de dizer que eles tinham certeza de que era verdade – como se eles pensassem assim, eles quase pensavam assim – ainda eles não pensam assim bastante o suficiente para dizer que eles sabiam – mas deixam isto para seus ouvintes – Eu sempre penso que eles mostram a pequenez de suas mentes ao fazê-lo! Pode ser uma grande coisa duvidar, mas é uma grande coisa segurar sua língua, enquanto você está duvidando! E não abra sua boca até que você acredita e então, quando você abrir a boca, diga a coisa que você sabe que é verdadeiro e atenha-se a isso – não como uma opinião –, mas como um fato incontestável!

Nenhum homem jamais vai fazer muito entre seus companheiros até que ele possa falar com confiança o que ele sabe estar revelado. Agora, leitores da Bíblia, vocês podem alcançar esta confiança, mas você não pode obtê-la em nenhum outro lugar senão ao pé da Escritura. Ouça apenas ministros e você será levado à dúvida – pois um deles deve confundir o que seu irmão tentou provar. Mas leiam as suas Bíblias e quando vocês chegarem à Palavra legível por sua própria luz, gravada sobre vossos próprios corações pelo Espírito Santo, então –

“Se todas as formas que os homens concebem, assaltam a sua fé com arte traiçoeira, você vai chamá-los de vaidade e mentiras, e unir o Evangelho ao seu coração.”

3. Além disso, examine as Escrituras e traga tudo que vocês ouve a este grande teste, porque ao fazê-lo você vai ter uma rica colheita de bênçãos para sua própria alma. Acho que não há praticamente um texto na Sagrada Escritura, que não tem sido o instrumento da salvação de uma alma. Agora, aquele que caminha entre os sábios será sábio. E aquele que anda no meio dos sábios que escreveram a Sagrada Escritura fica pelo menos com maior probabilidade de ser feito sábio para a salvação! Se eu desejasse me colocar no lugar mais provável onde o Senhor se encontraria comigo, eu preferiria a Casa de Oração, pois é na pregação que a Palavra é mais abençoada. Mas ainda assim, eu acho que eu deveria desejar igualmente a leitura das Escrituras, para que eu possa fazer uma pausa sobre cada versículo e dizer: “Esse versículo foi abençoado a tantas almas – então, por que não [será] para mim? Estou finalmente no tanque de Betesda! Eu estou andando entre os seus alpendres e quem pode dizer, senão que o anjo vai agitar as águas da Palavra enquanto eu deito, impotente, ao lado delas, esperando a bênção?” Sim, a verdade de Deus é tão grande que Deus abençoou toda a Palavra da Escritura! Lembro-me de uma anedota marcante da conversão de um homem por uma passagem da Escritura que não parecia adaptada para tal finalidade. Você sabe que o capítulo do Gênesis, que é um Capítulo muito aborrecido, onde lemos: “e Matusalém viveu 969 anos e morreu”, e tal pessoa viveu tantos anos e ele morreu? Temos ouvido falar de ela ter sido lida uma vez em público, e um homem que estava lá quando ele ouviu as palavras repetidas vezes “e ele morreu”, pensou, “Ah, e eu irei morrer!” E foi a primeira nota de advertência que já tinha atingido sua consciência cauterizada e este foi o meio, abaixo de Deus, de trazê-lo a Jesus Cristo!

Agora, leia as Escrituras por este motivo. Se você deseja a salvação e se você estiver suspirando por misericórdia, se você sentir seu pecado e quiser a salvação, venha a este mar de amor, a este tesouro de luz, a este guarda-roupa de rico vestuário, a esta fonte de bem-aventurança! Venha e tenha as suas necessidades supridas pela plenitude das riquezas de Jesus, que estão “evidentemente estabelecidas” nesta Palavra, “crucificado entre vocês”.

III. E agora permitam que eu me esforce, tão brevemente quanto eu puder, para insistir com você mais uma vez à leitura constante e perpétua da Palavra de Deus – não só pelas razões que eu já propus – mas por outras mais importantes. Muitos falsos profetas têm saído pelo mundo – Rogo-vos, então, se vocês não desejam ser desencaminhados – sejam diligentes no estudo da Palavra de Deus! Em certas partes das viagens de Dr. Livingston ele nos diz que seus guias ou eram tão ignorantes ou tão determinados a enganá-lo que ele poderia ter feito muito melhor sem eles do que com eles. Ele teve constantemente que se orientar por sua bússola, para que não fosse desviado. Agora, eu não diria uma coisa difícil se eu não acreditar que é verdade.

Mas eu solenemente penso que há alguns professos mestres da Palavra que são ou tão ignorante das coisas espirituais em seus próprios corações, ou então tão determinados a pregar qualquer coisa além de Cristo, que você pode fazer melhor sem eles do que com eles. E, portanto, você tem absoluta necessidade de voltar-se perpetuamente a esta grande Bússola, em que somente você pode orientar o seu caminho. Eu desprezo uma instituição de caridade que, afinal, não é caridade. Devo dizer-lhe o que eu acredito! Alguns poderiam ter ficado de pé aqui, e me falado: “Todos os que são pregadores eminentes são certamente verdadeiros pregadores”.

Agora eu não posso dizer isso! Se em algum momento eu ouvi um homem pregar a doutrina da justificação pela fé, através dos méritos de Cristo, dou-lhe a minha mão e o chamo meu Irmão, porque ele está certo no principal. Mas quando eu faço isso, estou muito longe de endossar muitos outros de seus sentimentos! Pode ser que ele negue o poder eficaz do Espírito na conversão. Pode ser que ele não sustente a Doutrina da depravação total da raça humana – não insista na livre Graça Soberana – não sustente adiante e ensine a Doutrina da substituição e satisfação através de Cristo.

Agora, eu não vou assim me enganar quanto a dizer-lhe que esse homem que difere da Palavra de Deus, que ele é verdadeiro. Não há dúvida de que o homem possa ser abençoado para a sua salvação, mas pode haver uma maldição sobre o seu ministério, não obstante – de modo que, enquanto você pode ser salvo por ele – você pode ser por toda a sua vida sujeito à escravidão através dele! E você pode ir gemendo, onde você deveria ter ido cantando – chorando, onde você poderia ter tido numa explosão de alegria sagrada. Você senta-se sob um tal-e-tal homem que foi feito o meio de sua conversão. Mas ele diz que sua salvação depende de si mesmo e não do poder de Cristo. Ele insiste em que você pode, afinal, cair da Graça e ser reprovado. Ele diz-lhe que, apesar de que você está salvo, Deus não te ama mais do que Ele amou Judas – que não existe essa coisa de amor tão especial, não existe tal coisa, de fato, como eleição. Ele diz que outros podem ter chegado a Cristo, como por si mesmo – que não havia nenhum poder extraordinário manifestado no seu caso mais do que em qualquer outro. Bem, se ele não o levar para a vanglória do homem, para magnificar a carne e, por vezes, a confiar em si mesmo – ou então levá-lo a angustiar-se, onde não há necessidade de angústia – devo maravilhar-me, de fato, na medida em que sua doutrina é falsa e o engane! Ele pode ser o meio de sua salvação, mas ele pode falhar em muitos pontos para ministrar a sua edifica-ção e conforto. Portanto, se você não deseja ser assim, enganado, examine as Escrituras!

Mas ah, existe o perigo solene de ser absolutamente enganado! Você pode ouvir tudo o que o ministro diz, mas ele pode esquecer de dizer a parte vital da Verdade de Deus. Ele pode ser aquele que se deleita em cerimônias, mas não insiste na Graça Divina nelas. Ele pode pregar-lhe a rubrica e sacramento e dizer-lhe que há eficácia em obediência a um e atenção ao outro. E ele pode esquecer-se de dizer-lhe que, “se alguém não nascer de novo do Espírito, não pode ver o reino de Deus.” Agora, sob tal ministério não só poderás ser enganado, mas, infelizmente, poderá ser destruído por completo! Ele pode ser aquele que insiste muito sobre a moralidade da vida. Ele pode dizer-lhe para ser honesto, justo e sóbrio. Mas talvez ele pode esquecer-se de dizer-lhe que há uma obra mais profunda que a mera moralidade exigida. Poderá filmar a superfície repetidamente e nunca enviar a lanceta na profunda úlcera de corrupção do seu coração! Ele pode dar-lhe alguma dose amenizadora, alguns medicamentos que podem imobilizar sua consciência. Ele nunca pode dizer a você: “Não há paz, diz o meu Deus, para os ímpios”. Ele pode ser um daqueles que profetizam coisas agradáveis - que não gostam de incomodar. E oh, lembre-se de que o seu ministro pode ser o instrumento nas mãos de Satanás para vendar-lhe os olhos e leva-lo para o inferno, enquanto o tempo todo você pensava que estava indo para o céu! Ah, e ouça-me ainda – não me excluo da minha própria censura.

Pode ser possível – Peço a Deus que não possa ser assim – que eu mesmo tenha me equivocado na leitura da Sagrada Escritura. Que eu possa ter pregado a você, “outro evangelho, que não é outro”, e, portanto, eu exijo de vocês que meu próprio ensino e o ensino de todos os outros homens seja pela pena ou lábios devam ser sempre trazidos “à Lei e ao Testemunho”, para que nós não vos iludamos e os levemos a extraviarem-se! Ah, meus ouvintes, seria uma coisa horrível se eu fosse o meio de levar qualquer um de vocês para o abismo do Inferno! Apesar de que, em alguma medida o seu sangue estará sobre minha cabeça se eu te enganar – ainda assim, eu te suplico, lembre-se que eu não sou mais responsável por suas almas do que o meu poder pode me levar. Se você está enganado por mim, após esta minha declaração solene, você será tão verdadeiramente culpado, como se eu não tivesse desencaminhado você! Conjuro-vos, como você ama a vossa própria alma, como você irá se certificar de que trabalha para a eternidade, não coloque mais confiança em mim do que você faria em qualquer outro homem, mas somente até onde eu puder provar, pelo testemunho infalível da Palavra de Deus, que o que eu disse é verdade. Fique sempre como este – “À lei e ao testemunho. Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles”.

Eu ouvi uma história, uma vez que eu me lembro de ter dito antes, de algum jovem saindo do lugar e dizendo: “Bem, eu não gosto do Sr. Spurgeon em tudo. Ele é tão elevado em Doutrina – ele disse tal e tal”. E, em seguida, o jovem citou um texto da Bíblia como uma coisa muito perversa que eu tinha dito – algo sobre o oleiro ter poder sobre o barro. Então, o amigo que estava com ele disse: “Foi Paulo que disse, não o Sr. Spurgeon”. “Ah”, disse ele, “e eu acho que o apóstolo Paulo foi um grande muito alto, também!” Bem, nós estamos muito contentes de incorrer em censura desse tipo e não objetamos de em tudo ir com Paulo onde quer que vá! Mas nós imploramos que você nunca em qualquer momento tome o nosso ditado nu para uma coisa, mas sempre volte-se para a sua Bíblia e veja se isto é assim! Isso é um bom hábito que alguns pais cristãos têm. Quando os meninos e meninas voltam para casa eles dizem: “Bem, agora, qual foi o texto?” E então o pai quer que eles expliquem o que o ministro disse. E mesmo o garoto saiba algo e diga uma coisa ou outra que disse o ministro no púlpito. Então o pai vira-se para a Bíblia para ver se estas coisas são assim. Em seguida, ele se esforça para explicar as coisas difíceis. É assim que eles se tornam como os nobres Bereanos, que eram mais nobres que os de Tessalônica, porque eles examinaram as Escrituras se estas coisas eram assim.
E agora eu posso apenas sugerir uma ou duas peculiaridades no que eu já vos preguei, que peculiaridades eu desejo que você mais anseie para investigar. Agora não leve nada de segunda mão de mim, mas experimente tudo isso pela Palavra escrita. Eu acredito e eu ensino que todos os homens, por natureza, estão perdidos pela queda de Adão. Veja se isso é verdade ou não.

Eu sustento que os homens estão tão desgarrados que nenhum homem deseja ou pode vir a Cristo se o Pai não o trouxer. Se eu estiver errado, exponha-me! Creio que Deus, antes de todos os mundos, escolheu para Si um povo que nenhum homem pode contar, para quem o Salvador morreu, a quem o Espírito Santo é dado e que, inevitavelmente serão salvos. Você pode não gostar desta Doutrina – eu não me importo – veja se não está na Bíblia! Veja se não há a declaração de que somos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai”, e assim por diante. Eu acredito que cada filho eleito de Deus deve certamente ser trazido através da conversão de graça a partir das ruínas da queda e deve certamente ser “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação”, fora do perigo de nunca cair totalmente! Se eu estiver errado aí, pegue sua Bíblia e refute-me em suas próprias casas. Eu sustento ser um fato que todo o homem que se converte vai levar uma vida santa e ainda ao mesmo tempo não irá colocar nenhuma dependência em sua vida santa, mas confiará apenas no sangue e justiça de Jesus Cristo. E eu defendo que todo o homem que acredita que tem o dever de ser imerso. Eu tenho o batismo de crianças como sendo uma mentira e uma heresia! Eu reivindico para essa grande ordenança de Deus, o batismo do crente, que ele deve ter o exame das Escrituras! Eu sustento que a nenhum deles senão crentes podem ser imersos e que todos os crentes têm o dever de serem imersos. Se eu estiver errado, muito bem – não acreditem em mim. Mas se eu estiver certo, obedeçam à Palavra com reverência! Eu não terei nenhum erro, mesmo em cima de um ponto que alguns homens pensam ser sem importância, pois um grão de verdade é um diamante e um grão de erro pode ser de consequência grave para nós – para nosso prejuízo e dor. Eu sustento, então, que ninguém senão os crentes têm direito à Ceia do Senhor. Eu sustento que é errado dar a Ceia do Senhor de forma indiscriminada a todos e que ninguém além dos cristãos tem o direito quer às doutrinas, aos benefícios, ou às ordenanças da Casa de Deus. Se estas coisas não são assim, com-denem-me como vocês quiserem! Mas se a Bíblia está comigo, sua condenação é inútil.

E agora eu lhes exijo dos que agora estão presentes que leiam suas Bíblias para uma coisa – leiam as suas Bíblias para saberem o que a Bíblia diz sobre vocês. E alguns de vocês, quando você virarem as folhas, encontrarão que a Bíblia diz: “Você está no fel da amargura e nos laços da iniquidade”. Se isso assusta você, vire a outra página e leia este versículo – “Vem a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. E quando você tiver lido isso, volte-se para outra e leia: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por meio de Jesus Cristo nosso Senhor.” E vos peço, não guardem suas Bíblias ainda que seu pó te condene, mas abra-a, dobre os joelhos, busquem o Espírito de ensino Divino e virem essas páginas com exame diligente – veja se você pode encontrar lá a salvação das vossas almas por nosso Senhor Jesus Cristo. Que a bênção de Deus repouse sobre vocês ao fazê-lo, por meio de Jesus Cristo. Amém. 

Fonte: SpurgeonGems.Org
Tradução: OEstandarteDeCristo.com

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Gloriosa Predestinação

Sermão Nº 1043, A Gloriosa Predestinação – Charles Haddon Spurgeon

Um Sermão pregado na manhã do Dia do Senhor, 24 de Março de 1872,
Por C. H. Spurgeon, No Metropolitan Tabernacle, Newington.
“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8:29)

Você deve ter notado que, neste capítulo, Paulo havia exposto uma profunda experiência espiritual interior. Ele tem escrito sobre o espírito de escravidão e o espírito de adoção, as fraquezas da carne e a ajuda do Espírito Santo. Ele escreve sobre a espera pela redenção do corpo e os gemidos que não podem ser proferidos. Era mais natural, portanto, que uma profunda experiência espiritual deveria levá-lo a uma percepção clara das Doutrinas da Graça, pois tal experiência é uma escola em que só as grandes verdades de Deus são efetivamente aprendidas. A falta de profundidade na vida interior representa a maior parte do erro doutrinário na Igreja.

 Som de convicção do pecado, profunda humilhação por causa dele e uma sensação de completa fraqueza e indignidade naturalmente conduzem a mente à crença nas Doutrinas da Graça enquanto superficialidade nessas questões deixa um homem contente com um credo superficial. Esses ensinamentos, que são comumente chamados de doutrinas Calvinistas são geralmente mais amados e melhor recebidos por aqueles que tiveram muitos conflitos da alma e por isso aprenderam a força da corrupção e da necessidade de Graça.

 Observe, também que Paulo neste capítulo esteva tratando dos sofrimentos do tempo presente e embora, por fé, ele fala deles como muito insignificantes em comparação com a glória a ser revelada – no entanto, sabemos que eles não eram desprezíveis no caso dele. Ele era um homem de muitas provações. Ele passou de uma tribulação para outra por causa de Cristo. Ele nadou por muitos mares de aflição para servir à Igreja. Não me admira, portanto, que em suas epístolas ele sempre discorre sobre as doutrinas da presciência, predestinação e amor eterno, porque estes são um rico tônico para um espírito desfalecido. Para estar animado em muitas coisas que de outra forma iria deprimi-lo, o Crente pode valer-se dos mistérios incomparáveis ​​da graça de Deus que são vinhos puros, bem purificados!

 Sustentado pela Graça distintiva um homem aprende a gloriar-se nas tribulações, e fortalecido no amor eletivo, ele desafia o ódio do mundo e as provações da vida. O sofrimento é o colégio da ortodoxia. Amiúde Jonas que agora rejeita as doutrinas da Graça de Deus só precisa ser colocado na barriga da baleia e ele vai gritar com o mais sólido defensor da Livre Graça – “Ao SENHOR pertence a salvação!” (Jonas 2:9 – ARA). Professores prósperos que não fazem nenhum negócio entre as ondas e vagas de Davi podem depositar um pequeno estoque pela ancoragem abençoada do propósito eterno e amor eterno, mas aqueles que estão arrojados com a tormenta e desconsolados são de outra mente. Deixe estas poucas sentenças bastarem para um prefácio. Eu não as proferi no espírito de controvérsia, mas o inverso.

 O nosso texto começa com a expressão “os que dantes conheceu também os predestinou”, e muitos sentidos foram dados para esta palavra, “dantes conheceu”, embora, neste caso, um louva-se além de qualquer outro. Alguns têm pensado que isso significa simplesmente que Deus predestinou homens cuja história futura de antemão conheceu. O texto diante de nós não pode ser assim entendido, porque o Senhor conhece o histórico de cada homem, anjo e diabo. Até agora, como mera presciência vai, cada homem é conhecido de antemão e ainda ninguém vai afirmar que todos os homens são predestinados a serem conforme à imagem do Senhor Jesus.

 Mas é ainda afirmado que o Senhor previu que exerceriam arrependimento, quem creriam em Jesus, e que perseverariam em uma vida coerente até o fim. Isto é facilmente concedido, mas um leitor deve usar lentes de aumento muito poderosas antes que ele seja capaz de descobrir o sentido no texto! Ao olhar atentamente para a minha Bíblia, novamente, eu não percebo tal declaração. Onde estão as palavras que você adicionou “os que dantes conheceu arrepender-se, crer e perseverar na graça?” Eu não as encontro tanto na versão em Inglês ou no original grego. Se eu pudesse lê-los assim, a passagem certamente seria muito fácil e iria alterar grandemente as minhas opiniões doutrinárias! Mas, como eu não encontro essas palavras lá, implorando seu perdão eu não acredito nelas.

Todavia, [não importa quão] sábia e aconselhável uma interpolação humana possa ser, ela não tem autoridade conosco – nós nos curvamos à Sagrada Escritura, e não para o que os lustrosos teólogos podem optar por colocar em cima dela. Nenhum indício é dado no texto de virtude prevista mais do que do pecado previsto, e, portanto, somos levados a encontrar um outro significado para a palavra. Nós achamos que a palavra “conhecer” é frequentemente usada nas Escrituras, não apenas para “conhecimento”, mas também para favor, amor e complacência. Nosso Senhor Jesus Cristo dirá, no julgamento, concernente a determinadas pessoas: “Eu nunca vos conheci” [Mateus 7:23], mas em um sentido Ele os conhecia, pois Ele conhece cada homem! Ele conhece os maus, assim como os justos. Mas há o significado é: “Nunca vos conheci em tal respeito como a sentir qualquer complacência em você ou qualquer favor para você”. Veja também João 10: 14, 15 e 2 Timóteo 2:19. Em Romanos 11:2, lemos: “Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu”, onde o sentido, evidentemente, tem a ideia de primeiro-amor, e é por isso deve ser entendido aqui. Aqueles a quem o Senhor olhou com favor como Ele os previu, Ele predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho. Eles são, como Paulo coloca em sua carta aos Efésios: “predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” [Efésios 1:11].

 Estou ansioso não para demorar sobre assuntos controversos, mas para alcançar o tema do meu sermão desta manhã. Aqui temos na conformidade do texto a Cristo falado como o objetivo da predestinação. Temos, por outro, a predestinação como a força impulsora por que esta conformidade deve ser alcançada. E nós temos, em terceiro lugar, o primogênito diante de nós como o fim último das predestinações e da conformidade: “a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” [Romanos 8: 29].

I. Observe então, com cuidado, que NOSSA CONFORMIDADE A CRISTO É O OBJETO SAGRADO DA PREDESTINAÇÃO. A predestinação em si mesma não vou agora sondar. As coisas mais profundas devem ser deixadas com Deus. Penso que foi Bispo Hall, que uma vez disse: “Dou graças a Deus eu não sou de Seus conselhos, mas eu sou da Sua corte”. Se eu não consigo entender, eu não vou questionar, porque não sou Seu conselheiro: mas eu vou adorar e obedecer: porque eu sou, por Sua Graça, Seu servo.
Ora, hoje, vendo que estamos aqui a ensinar o objetivo de Sua predestinação, será o nosso negócio ao trabalho isto: bendizer a Deus que Ele criou tal objeto antes dEle: e oramos para que sejamos participantes no mesmo. Aqui está o caso. O homem foi originalmente criado à imagem de Deus, mas por causa do pecado tem desfigurado essa imagem e agora somos nós que nascemos neste mundo somos, não na imagem celestial de Deus, mas na imagem terrena do Adão caído. “Nós trouxemos”, diz o Apóstolo, na primeira Epístola aos Coríntios, “a imagem do terreno”.

 O Senhor, em infinita Graça, decidiu que uma multidão a qual nenhum homem não pode contar, chamada aqui, “Muitos irmãos”, [estes] devem ser restaurados em sua imagem na forma particular em que o Seu Filho Eterno exibe. Para isso Jesus Cristo veio ao mundo e nasceu à nossa imagem, para que, através de Sua graça, possamos ter sua imagem. Ele se tornou um participante das nossas fraquezas e enfermidades para que possamos ser participantes da natureza divina em toda a sua excelência e pureza. Portanto, a única coisa a que o Senhor está trabalhando em nós através do Seu Espírito, tanto pela Providência quanto pela Graça, é a semelhança do Senhor do Céu. Ele está cada vez mais transformando o escolhido – para remover sua contaminação do pecado e moldá-lo segundo o modelo perfeito de Seu Filho, Jesus Cristo – o segundo Adão, que é o primogênito entre os “muitos irmãos” [Veja 1 Coríntios 15:45].

 Agora, observe que esta conformidade com Cristo encontra-se em várias coisas. Em primeiro lugar, devemos ser conformados a Ele como a nossa natureza. Qual era a natureza de Cristo, então, como Divino? Não devemos nos intrometer nisto, mas sabemos que Ele era, na verdade, da natureza de Deus “Gerado, não criado”, diz o Credo de Atanásio, e ele diz que, na verdade, também, “de uma só substância com o Pai”. Agora, nós também, ainda que em nossa conversão somos novas criaturas, somos também descritos como sendo “gerou de novo para uma viva esperança” [1 Pedro 1:3]. Pois ser gerado é algo mais do que ser feito – este é um trabalho mais pessoal de Deus – e o que é gerado está de achegada afinidade Àquele do que aquele que apenas é criado. Assim como Cristo foi, como o Unigênito do Pai, muito acima de meras criaturas, assim também o ser gerado de Deus, no nosso caso, significa muito mais do que até mesmo a primeira e perfeita criação poderia implicar.

Segundo a humanidade nosso bendito Senhor, quando Ele veio a este mundo, passou por um parto que era um tipo notável do nosso segundo nascimento. Ele nasceu para este mundo em um lugar muito humilde, em meio a bois e na manjedoura. Mas Ele carecia nem de canções de anjos, e nem da adoração das hostes celestiais! Mesmo assim, nós, também, nascemos do Espírito, sem a observação humana – homens deste mundo não viam Glória, qualquer que seja, em nossa regeneração, pois não foi realizada por rituais místicos ou com pompa sacerdotal. O Espírito de Deus nos encontrou em nossa humilhação, e vivificou-nos sem ostentação exterior. No entanto, nesse mesmo momento, em que os olhos humanos não viram nada, os olhos seráficos contemplaram maravilhas da graça – e anjos no céu se regozijaram por um pecador que se arrependeu, cantando mais uma vez – “glória a Deus nas alturas!”.

Quando nosso Senhor nasceu, alguns espíritos escolhidos saudaram o Seu nascimento. Uma Ana e um Simeão estavam prontos para tomar a criança recém-nascida em seus braços e bendizer a Deus por ela. E da mesma forma, havia alguns que saudaram nosso novo nascimento com muita gratidão. Amigos e simpatizantes que assistiram à nossa salvação se alegraram quando viram em nós a verdadeira vida celestial, e de bom grado eles nos levaram para os braços da edificação dos crentes! Talvez, também, havia alguém que tinha as dores de parto, até que Cristo foi formado em nós a esperança da glória, e quão feliz foi que o Espírito nos fez ver que nascemos de Deus! Como é que o nosso pai espiritual ponderou cada palavra gentil que pronunciamos em agradecimento a Deus pelos bons sinais da graça, que poderiam ser encontrados em nossa conversação!

Então, também, um pior do que Herodes procurou matar-nos. Satanás estava ansioso que a criança recém-nascida da Graça devesse ser condenada à morte, e, portanto, enviou ferozes tentações para nos matar. Mas o Senhor encontrou um abrigo para a nosso vida espiritual infantil e preservou a criancinha viva. Em nós a viva e incorruptível Semente habitou e cresceu. Como muitos de vocês que nasceram de novo foram conformes à imagem de Cristo na questão de seu nascimento, e agora vocês são participantes de Sua Natureza. Não é possível para nós sermos Divinos, mas está escrito que somos feitos “participantes da natureza divina” [2 Pedro 1:4]. Nós não podemos ser exatamente como Deus é, contudo, assim como trouxemos a imagem do terreno assim traremos também a imagem do celestial, o que quer aquela imagem possa ser.

O novo nascimento, como certamente nós ficamos com a imagem de Cristo como o nosso primeiro nascimento nos marcou com uma semelhança com os nossos pais segundo a carne. Nosso primeiro nascimento nos deu a humanidade – nosso segundo nascimento nos aliançou com a Divindade. À medida que fomos concebidos em pecado, no primeiro, e formados em iniquidade, no entanto, na regeneração nosso novo homem se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem dAquele que nos criou. Ele que santifica e os que são santificados, vêm todos de um mesmo – por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos. Além disso, essa conformidade com Cristo encontra-se em relacionamento assim como na natureza. Nosso Senhor é o Filho do Altíssimo – o Filho de Deus! E, na verdade, Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é.

Jeová declarou que Ele será um Pai para nós e que nós seremos Seus filhos e Suas filhas. Tão certo como Jesus é um Filho, assim certamente somos nós, pois o mesmo Espírito dá testemunho de ambos, como está escrito: “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” [Gálatas 4:6]. Quando Jesus veio ao mundo como o Filho de Deus, Ele não ficou sem provas atestadas. Em sua primeira aparição pública, quando Ele veio para as águas do Batismo, foi assinalado por uma voz excelente que veio da glória, que dizia: “Este é meu Filho amado” e descendo o Espírito, como uma pomba, pousou sobre Ele.

Assim é também conosco. A voz de Deus na Palavra testemunhou a nós o amor de nosso Pai Celestial, e o Espírito Santo deu testemunho com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Quando pela primeira vez nós ousamos a vir para a frente e dizer: “nós estamos do lado do Senhor”, alguns de nós tiveram símbolos sagrados de filiação que nunca foram esquecidos por nós. E muitas vezes, desde então, temos recebido selos renovados de nossa adoção do Grande Pai de nossos espíritos. “Aquele que crê no Filho tem em si o testemunho”, de modo que ele pode, com seus irmãos, dizer claramente: “sabemos que já passamos da morte para a vida” [1 João 3:14].

Deus nos deu a plena certeza e testemunho infalível, e em tudo isso nos alegramos. Nós acreditamos em Jesus, e está escrito: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” [João 1:12]. Nosso Senhor foi declarado ser o Filho de Deus pelas ações que ele realizou, tanto para com Deus e para com o homem. Como o Filho Serviu seu pai – você pode ver a natureza de Deus nEle – em sua profunda simpatia para com Deus e em Sua imitação exata de Deus. Tudo o que Deus teria feito sob as circunstâncias, Jesus fez. Você percebe de uma vez, por seus feitos, que sua natureza era divina. Suas obras deram testemunho dEle. Era sempre evidente que Ele agia para com Deus como um filho para com um pai.

Agora na proporção em que a determinação de Deus foi realizada em nós, agimos em relação a Deus como filhos para um pai amoroso. E enquanto os filhos das trevas falam de si próprios, e como seu pai, que é um mentiroso, falam a mentira – e como seu pai, que é um assassino, agem com ira e amargura – mesmo assim os filhos de Deus falam a verdade, pois Deus é verdade. E eles são cheios de amor, pois Deus é amor. E sua vida é luz, pois o seu Deus é luz. Eles sentem que eles devem agir, nas circunstâncias em que são colocados, como eles supõem que Jesus teria agido, que é o sempre bendito Filho do Pai.

Além disso, Cristo operou milagres de misericórdia para com os homens que provaram ser Ele o Filho de Deus. É verdade que podemos não operar milagres, mas nós podemos fazer obras que caracterizam os filhos de Deus. Nós não podemos partir o pão e multiplicá-lo. Podemos, no entanto, generosamente distribuir o que temos e assim, em alimentar os famintos, vamos provar que somos filhos de nosso Pai que está nos céus. Nós não podemos curar o doente com nosso toque, ainda podemos cuidar dos doentes e assim, em amor para com o sofrimento nós podemos provar que somos filhos do terno e sempre compassivo Deus. Mas o nosso Senhor nos disse que obras maiores do que as Suas próprias faremos porque Ele se foi para seu pai – e essas maiores obras nós fazemos. Nós podemos fazer milagres espirituais. Hoje, não podemos estar no túmulo do pecador morto, e dizer: “Lázaro, vem para fora”? E não tornou Deus muitas vezes os mortos a ressuscitá-los pela nossa palavra, pelo poder do Seu Espírito? Hoje, também, nós podemos pregar o Evangelho de Jesus Cristo, lançando-o sobre nós como se fosse a nossa capa, e aquele que toca a orla do mesmo, não deverá ele também não ser curado hoje, como quando Jesus estava entre os homens? Este dia, se não partimos peixes e pães de cevada, trazemos-lhe melhor comida! Este dia, se não podemos dar aos homens a abertura dos olhos e os ouvidos, ainda no ensino do Evangelho de Jesus, pelo poder do Espírito, o olho mental é clareado e ouvido da alma também é purgado – de modo que em cada filho de Deus, na proporção em que ele trabalha com o poder do Espírito para Cristo – as obras que ele faz dão testemunho de que ele é um filho de Deus! Seu zelo em fazê-las prova que ele tem o espírito de um filho de Deus. E o resultado dessas obras prova que Deus opera nele como Ele nunca vai fazer em qualquer senão Seus próprios filhos. Portanto, em relação, assim como na natureza, nós estamos conformes à imagem de Cristo!

Em terceiro lugar, devemos ser conformes à imagem de Cristo em nossa experiência. Esta é a parte do assunto a partir do qual o nosso espírito covarde muitas vezes recua, mas se fôssemos sábios, não seria assim. Qual foi a experiência de Cristo neste mundo? tal será nossa! Podemos resumir como se referindo a Deus, aos homens, ao Diabo, e para todos os males. Sua experiência no que diz respeito a Deus, o que foi isso? “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” [Hebreus 5:8]. Embora sem pecado, Ele não esteve sem sofrimento. O primogênito da família Divina esteve mais severamente castigado do que qualquer outro da casa. Ele esteve ferido de Deus e oprimido até que, como o clímax de tudo, Ele clamou Eloi, Eloi, lama Sabacthani? Oh, a amargura daquele grito – “Meu Deus, Deus Meu, por que me desamparaste?” Isto foi o Pai esmagando o Primogênito! E, se você e eu, irmãos e irmãs, devemos ser conformes à imagem do Primogênito, embora possamos esperar de Deus amor mui paternal, também podemos contar que Ele vai mostrar sua disciplina paterna. Se você estiver sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos! Mas, se vocês são verdadeiros filhos, como o Primogênito, a vara vai fazer você inteligente e às vezes você vai ter que dizer: “Deus Meu, Deus Meu, por que me abandonaste?” “Pois o Senhor ama, Ele corrige, e açoita a todo filho a quem recebe. Se vocês suportarem a correção, Deus vos tratará como filhos, pois que filho há a quem o pai não corrige?” Se estamos predestinados para sermos conformes à imagem de Seu Filho, o Senhor nos predestinou para muitas tribulações, e, através dela vamos herdar o Reino! Vejamos agora nossa querida Cabeça Pactual em Sua experiência em relação aos homens. “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” [João 1:11]. “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens” [Isaías 53:3]. Ele disse: “Afrontas quebrou meu coração, e eu estou cheio de tristeza” [Salmos 69: 20]. Agora, os irmãos, na própria proporção em que estamos conformes à imagem de Cristo, teremos de “Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério” [Hebreus 13:13]. O discípulo, se ele é um verdadeiro discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu Senhor. Se chamaram o dono da casa Belzebu, muito mais eles vão chamar os de Sua casa por algum título ainda mais infame se eles puderem inventar. Os santos de Deus não devem esperar coroas onde Cristo encontrou uma cruz! Eles não devem achar que andarão em triunfo por aquelas ruas, que viram o Salvador apressado para a morte de um malfeitor. Devemos sofrer com Ele, se quisermos ser glorificados com Ele. A Comunhão em Seus sofrimentos é necessária para a comunhão com Sua Glória.

Em seguida, considere a experiência de nosso Senhor no que diz respeito ao príncipe das potestades do ar. Satanás não era amigo de Cristo, mas encontrando-o no deserto, ele veio a ele com esse maldito “se”: “Se você é o Filho de Deus” [Lucas 4:3]. Com que ataque à Sua Filiação o demônio começou a batalha. “Se você é o Filho de Deus”. Você sabe como três vezes ele atacou-o com as tentações que são mais susceptíveis para poderem atrair a pobre humanidade, mas Jesus venceu todos elas. O arqui-inimigo, o velho dragão, sempre foi mordiscando o calcanhar do nosso grande Miguel, que para sempre esmagou sua cabeça. Estamos predestinados a sermos conforme a Cristo a esse respeito – a sutileza e crueldade da serpente nos atacarão, também – uma cabeça tentada envolve membros tentados.

Satanás deseja ter-nos e nos peneirar como trigo. Ele atacou o Pastor e ele nunca deixará de se preocupar com as ovelhas. Na medida em que somos da descendência da mulher, deve haver inimizade entre nós e a semente da serpente. E, como a todo o mal, toda a vida de nosso Senhor foi uma batalha perpétua. Ele estava lutando contra o mal em lugares altos e [contra o] mal em baixo – o mal entre os sacerdotes e mal entre as pessoas – o mal em um vestido de religioso, no farisaísmo e o mal vestido de filosofia entre os saduceus. Ele lutou em todos os lugares – Ele era o inimigo de tudo o que havia de errado, falso, egoísta, profano ou impuro. E você e eu devemos ser conformados com Cristo a este respeito. Devemos ser santos, inocentes, incontaminados e separado dos pecadores. Vós sois de Deus, filhinhos, e o mundo inteiro jaz no Maligno.

Em quarto lugar. Devemos ser conformes a Cristo Jesus como o Seu caráter. Tempo e habilidade igualmente nos deixam falar disso. Eu só oro para que o Espírito de Deus possa fazer nossas vidas falarem disto. Ele foi consagrado a Deus – por isso devemos ser. O zelo da Casa de Deus o consumiu – por isso deve nos consumir, também. Ele entrou na casa de Seu Pai – por isso devemos sempre estar ocupados. Em direção ao homem, Ele era todo amor – tornemo-nos sejamos o mesmo. Ele era gentil, amável e terno – como Ele foi, assim, devemos ser neste mundo. Ele não quebrou a cana quebrada, nem apagou o pavio que fumegava – nem nós deveríamos. No entanto, foi Ele severo na denúncia de todos os males – assim que devemos ser. Pureza, santidade, altruísmo – todas as virtudes devem brilhar em nós como elas brilhavam nEle. Ah, e bendito seja o Deus que elas irão, também, pela obra do Espírito!

Nosso texto fala não só do que deveríamos ser, mas o que havemos de ser, por que estamos predestinados a ser conformes à imagem do Filho de Deus! Meus irmãos e irmãs, este é um modelo glorioso! Eis que! Maravilho-me nele! E graças a Deus por isso! Você não deve conformar-se com o mais poderoso dos Apóstolos – um dia você vai ser mais puro que foram Paulo ou João, enquanto aqui em baixo! Vocês não deverão ser conformados com o mais sublime dos Profetas – serás como Mestre dos profetas! Você não deve se contentar com a sua própria concepção do que é belo e encantador – à concepção perfeita de Deus encarnado em Seu próprio Filho é que a que você certamente será trazido pela predestinação de Deus!

Apenas mais uma sentença sobre outro ponto. Estamos a ser conformes à imagem de seu Filho, em quinto lugar, quanto à nossa herança, pois Ele é herdeiro de todas as coisas, e porque somos menos herdeiros, uma vez que todas as coisas são nossas? Ele é herdeiro deste mundo. “Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares” [Salmos 8:6-8]. Nós não vemos, ainda, todas as coisas postas sob homem, mas vemos Jesus que fora feito um pouco menor que os anjos pelo sofrimento da morte, foi coroado de glória e honra! E na Pessoa de Jesus Cristo neste dia, nós, os homens feitos à Sua imagem, teremos domínio sobre todas as coisas, sendo todos feitos reis e sacerdotes para Deus – e em Cristo Jesus ordenados para reinar com Ele para todo o sempre! “Se nós somos filhos, somos logo herdeiros também” [Romanos 8:17], diz o Apóstolo. Portanto, tudo o que Cristo tem nós temos, e embora nós possamos ser muito pobres e desconhecidos, no entanto, tudo o que pertence a Cristo pertence a nós. “O melhor de toda a terra do Egito será vosso”, disse José a seus irmãos. E Jesus diz isso para todo o Seu povo: “Tudo é vosso, porque sois de Cristo, e Cristo é de Deus” [1 Coríntios 3:23].

Devo fechar este ponto – o tempo passa rápido demais esta manhã quando me estendi sobre este tema deleitoso -, observando que devemos ser conformados com Cristo na Sua Glória. Vamos pensar em nossos corpos, por que é um ponto cercado de consolo, uma vez que Ele transformará o nosso corpo abatido e torná-lo semelhante ao seu corpo glorioso! Nós somos como Adão, agora, na fraqueza e dor, e seremos em breve como ele na morte – retornarão ao solo de onde foram tirados. Mas hão de ressuscitar para uma vida melhor! E então vamos nos vestir em Glória e incorrupção à imagem do segundo Adão, o Senhor do Céu!

Conceba as belezas do Redentor ressuscitado! Deixe sua fé e sua imaginação operarem juntas para retratarem as glórias indizíveis do Emanuel, Deus conosco, como Ele está sentado à direita do Pai! Tal e tão brilhante deverão estar nossas glórias no dia da redenção do corpo! Vamos contemplar Sua glória! Vamos estar com Ele onde Ele está, e nós seremos, nós mesmos, gloriosos em Sua glória! Ele está exaltado? Você também deverá ser exaltado! Ele é o Rei? Você não deverá ser descoroado! Ele é um vencedor? Você também deve ter uma palma! Ele é cheio de alegria e regozijo? Assim, também, deve ser a sua alma cheia até a borda com delícias! Onde ele está, cada santo estará por longos tempos!
Desta maneira, em grande medida, o sagrado fim da predestinação.

II. Agora, observe que a PREDESTINAÇÃO É A FORÇA IMPULSORA PARA ESTA CONFORMIDADE. Esta Verdade de Deus se divide assim – É a vontade de Deus que nos conforma à imagem de Cristo, em vez de nossa própria vontade. É nossa vontade agora, mas era a vontade de Deus quando não era a nossa vontade, e isso só se tornou de acordo com a nossa vontade quando estas se converteram, porque a graça de Deus nos fez dispostos voluntariamente no dia do seu poder. Nós não podemos ser feitos como Cristo a contragosto – o consentimento da vontade é essencial para a semelhança de Cristo! Recusando-se a obediência seria desobediência. Naturalmente, nunca será para o bem sem Deus, mas Deus opera em nós o querer e o efetuar. Deus nos trata como homens responsáveis ​​e inteligentes, e não como pedra ou metal. Ele nos fez agentes livres e Ele nos trata como tal. Estamos dispostos agora para sermos conformados à imagem de Jesus. Sim, estamos mais do que dispostos – estamos ansiosos e desejosos por isso! Mas ainda assim a força motriz principal e primeira não estava em nossa vontade, mas em Sua vontade, e hoje a força imutável que é melhor para ser dependente não está em nossa inconstante, débil vontade -, mas na vontade imutável e onipotente de Deus. A força que está nos conformando a Cristo é a vontade de Deus na predestinação!

E assim, também, é antes uma obra de Deus do que nossa obra. Estamos a trabalhar com Deus na questão de nos tornarmos semelhantes a Cristo. Não devemos ser passivos como a madeira ou mármore – devemos estar sempre em oração, vigilante, fervorosos, diligentes, obedientes, sinceros e crendo – mas ainda assim a obra é de Deus. A santificação é a obra do Senhor em nós. “Tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras” [Isaías 26:12]. Desde o início, e agora, e até o fim: “Aquele que tem trabalhado em nos a mesma coisa é Deus, que também nos deu o penhor do Espírito”. Não há santidade em nós de nossa própria criação. Não há coisa boa em nós de nossa própria feitura. “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto” [Tiago 1:17]; “Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória” [Salmos 115:1].

Ainda assim, a verdade como é que somos agentes livres, mas o Senhor é o Oleiro nós somos o barro sobre a roda, e é Sua obra, e não a nossa, que nos torna semelhantes a Cristo. Se existe um contato do nosso dedo em qualquer parte sobre o recipiente, isso estraga, e não embeleza. “É só onde a mão de Deus esteve que o vaso começa a assumir a forma do modelo. Assim, Amados, toda a Glória deve ser a Deus não a nós. É uma grande honra para qualquer homem ser semelhantes a Cristo – Deus não tem a intenção de que seus filhos não devam ter nenhuma honra, pois Ele coloca honra sobre seu próprio povo. Mas, a verdadeira glória está com Ele, pois Ele nos fez não nós mesmos. Não podemos dizer, esta manhã, com o coração agradecido: “Pela graça de Deus sou o que eu sou?” E nós não sentimos que vamos colocar todas as nossas honras sejam elas quais forem, aos Seus queridos pés daquele que, de acordo com a Sua grande misericórdia, nos predestinou para sermos conformes à imagem de Seu Filho?

III. Agora eu devo ir para o terceiro ponto com brevidade. Ele docemente transparece que o FIM ÚLTIMO DE TUDO ISSO É CRISTO. “Predestinados para sermos conformes à imagem de seu Filho, para que Ele” – “Que ele” – Deus está sempre dirigindo em algo para Ele, Seu Filho bem-amado. Ele visa a sua própria glória na Glória de Seu Filho amado. Se Ele nos abençoa, o texto do último domingo [Sermão #1041, O Motivo da Misericórdia do Mestre - Isaías 48:9-11.] ainda é verdade, “Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque” [Isaías 48:11]. É por causa de um superior, um melhor do que nós – é “para que Ele seja o primogênito”.
Agora, se eu entender a passagem diante de nós, esta significa que: Em primeiro lugar, Deus nos predestina a ser como Jesus para que Seu Filho amado possa ser o primeiro de uma nova ordem de seres elevados acima de todas as outras criaturas, e mais próximos de Deus do que qualquer outras existências. Ele era o Senhor dos anjos, serafins e querubins que obedeciam seus decretos. Mas o Filho desejava estar na cabeça de uma raça de seres maiores mais próximos a Ele do que quaisquer espíritos existentes. Não havia nenhum parentesco entre o Senhor Jesus e os anjos, pois a qual dos anjos o Pai disse a qualquer momento, “Tu és meu Filho?” [Hebreus 1:5] Eles são, por natureza, servos, e Ele é o Filho – este é um grande distinção. O Filho Eterno desejou associação com os seres que deveriam ser filhos como ele era, no sentido de que Ele poderia estar em uma relação estreita como sendo para eles na natureza e filiação.

E o Pai, por isso, ordenou que uma semente de quem Ele escolheu que deveria ser conforme à imagem do Filho, que Seu Filho pudesse ser cabeça e ser o primeiro entre uma ordem de seres mais próximos de Deus do que qualquer outra. A serpente disse a Eva: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” [Gênesis 3:5]. Essa mentira teve nele um resíduo de verdade, pois pela Graça Soberana nos tornamos tal. Não houve criaturas obedientes do mundo desse tipo, conhecendo o bem e o mal, nos dias de glória do Éden. Os anjos do céu tinha conhecido bem, e somente o bem – e preservados pela Graça não caíram. O espírito maligno tinha caído, e ele conhecia o mal, mas ele tinha esquecido do bem e era incapaz de alguma vez escolhê-lo novamente. Ele agora está para sempre banido da esperança de restauração. Mas aqui estamos nós que conhecemos o bem e o mal! Nós compreendemos um, e o outro, também. E agora está gerada em nós uma natureza que ama a santidade e não pode pecar, porque é nascida de Deus – ficamos agentes livres, sim – nós somos mais livres do que nunca fomos. E ainda nesta vida, e na vida por vir, nosso caminho é como o dos justos que brilha mais e mais até o dia perfeito! Os anjos não conhecem o mal. Eles nunca tiveram que lutar com o mal conhecido e sentido interiormente. Eles ainda não experimentaram os caminhos do prazer pecaminoso. E, pela graça que eles são transformados a partir deles, de modo com pleno propósito de coração eles se apegarão à santidade para sempre.

Jesus agora dirige uma corrida assediada, mas vitoriosa – extremamente tentado, mas capacitado a superar! Com júbilo e alegremente para sempre deverá ser o nosso prazer em fazer a vontade do Pai. Para sempre com Cristo, à nossa frente, seremos o mais próximos do Trono Eterno – o mais achegados dos servos, porque também filhos – os mais firmemente inclinados para o bem, porque uma vez conhecemos a amargura do mal! Mesmo que Cristo teve que beber o cálice de sofrimento pelo pecado, nós também tomamos um gole dele. Nós conhecemos o horror causado pela culpa e, portanto, no futuro seremos por toda a eternidade uma raça mais nobre, mais livre para servir, e servindo a Deus de certo modo mais nobre do que qualquer outra criatura no universo! Suponho que este é o significado do texto que o Senhor quer que Cristo seja o primeiro de uma ordem mais nobre de seres.

Mas, em segundo lugar, o objeto da graça é que pode haver algum no céu com quem Cristo pode manter uma conversa fraternal. Note-se a expressão, “muitos irmãos” – não que Ele seja o primogênito entre muitos, mas entre os “muitos irmãos”, que devem ser como Ele. Nosso bendito Senhor se deleita na comunhão – tal é a grandeza de Seu coração que Ele não estaria sozinho em Sua glória, mas teria associados em sua felicidade. Agora, eu falo com a respiração suspensa. Deus pode fazer todas as coisas, mas eu não vejo nenhuma maneira pela qual Ele poderia dar ao Seu Filho Unigênito seres que deveriam ser semelhante a Ele, exceto através dos processos que descobrimos na economia da graça.

Aqui estão os seres que conhecem o mal, e também conhecem o bem. Aqui estão os seres colocados sob obrigações infinitas por laços de amor e gratidão a escolher sempre o bem. Aqui estão os seres com uma natureza tão renovados que eles sempre devem ser seres santos – e esses seres podem comungar com o Deus encarnado mediante o sofrimento como os anjos não podem. Eles podem discutir sobre a pena de culpa como os anjos não podem – sobre coração em crise, conflitos, acusações e quebrantamento de espírito como os anjos não podem – e para eles o Senhor Jesus pode revelar a glória da santidade, a felicidade de vencer o pecado, e a doçura da benevolência, como só eles podem compreender!

Homens renovados são feitos companheiros aptos para o Filho de Deus! Ele deve festejar com tanto mais alegria, porque comerão o pão com Ele em Seu Reino! Ele se alegra quando Ele declara o nome do Senhor a Seus Irmãos! Ele se alegra em sua alegria, e nos alegraremos na sua alegria. Sem dúvida, no entanto, o texto significa que estes irão sempre amar e honrar o Senhor Jesus Cristo. Os filhos olham para o primogênito. No Oriente, o primogênito é o senhor e rei da casa. Nós amamos Jesus agora, e O estimaremos como o nosso Cabeça e Chefe. Como nós, quando uma vez chegarmos ao Céu, O amaremos e adoraremos como o nosso querido irmão mais velho com quem estaremos em termos de familiaridade mais próximos em obediência reverente! Como alegremente vamos servi-Lo! Como O adoraremos com entusiasmo! Não precisaremos ter nossas vozes feitas mais altas até que se tornem como trovão, ou como muitas águas, ou certamente não seremos capazes de louvá-Lo como gostaríamos? Se há trabalho a fazer para Ele em idades futuras, seremos os primeiros a nos oferecer para o serviço. Se há batalhas a serem travadas nos tempos vindouros com outras raças rebeldes. Se houver funcionários necessários para voar ao longo dos vastos domínios do infinito para levar mensagens de Jeová – que deve voar tão rapidamente como veremos quando uma vez nos sentiremos em seus átrios nós habitaremos não como meros servos, mas como membros da família real, participantes da natureza divina, mais próximos ao próprio Deus? Que felicidade saber que Ele, que é “Deus, verdadeiramente”. E senta-se no Trono Eterno, é também da mesma natureza com nós mesmos, de nossa parentela, que não se envergonha, mesmo em meio aos direitos de Glória, a chamar-nos irmãos! O irmãos, que honras são nossas!  Que tal herança está diante de nós! Quem entre nós iria mudar com Gabriel? Nós não teremos nenhuma necessidade de invejar os anjos, pois o que eles são, senão espíritos ministradores, servidores nos salões de nosso Pai? Somos filhos, e filhos de nenhuma ordem inferior! Não há filhos de um posto secundário como os filhos de Abraão nascidos de Quetura, ou como o filho da escrava, mas somos Isaques de Deus nascido segundo a promessa! Somos herdeiros de tudo o que Ele tem, uma semente amada do Senhor para sempre! Oh, que alegria deve encher nossos espíritos, nesta manhã, com a perspectiva que este texto revela, que assegura a predestinação!

Talvez o nosso pensamento mais amplo sobre o texto é este: Deus era tão bem satisfeito com o seu Filho, e via tais belezas Nele que Ele determinou multiplicar a Sua imagem: “Meu Amado”, Ele disse: “Tu serás o modelo pelo qual eu vou formar minhas mais nobres criaturas. Vou, por sua causa, tornar os homens capazes de conversar com você, e ligados a Ti por laços de amor, devem ser o próximo semelhante a Mim mesmo, em todas as coisas como você”. Eis que, a partir da cunha do Céu, peças de ouro de valor inestimável são enviadas, e cada um tem a imagem e a inscrição do Filho de Deus. O rosto de Jesus é mais agradável a Deus do que todos os mundos Seus olhos são mais brilhantes do que as estrelas! Sua voz é mais doce do que a felicidade – por isso, o Pai vai ter a beleza de Seu Filho refletida em 10.000 espelhos nos santos como Ele e Seus louvores cantados por milhares de vozes daqueles que O amam, porque Seu sangue os salvou.
O Pai sabia o quão feliz Seu Filho seria ao associar Seus escolhidos com Ele, pelas Suas antigas delícias com os filhos dos homens. Como o pastor ama as suas ovelhas, como um rei ama seus súditos, assim Jesus ama ter o Seu povo à sua volta. Mas ainda mais profundo, no entanto, é o mistério, uma vez que não é bom para o homem ficar sozinho. E quanto a esta causa que o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e eles são uma só carne – assim é com Cristo e Sua Igreja. Ele foi feito como ela para sua salvação, e agora ela é feita como Ele para Sua honra. De que maneira poderia o Pai dar maior honra em Seu Filho do que através da formação de uma raça semelhante a Ele que serão os muitos irmãos, entre os quais ele é o bem amado Primogênito?

Agora, Irmãos e Irmãs, dir-lhes-ei esta palavra e lhes enviarei para casa. Retenha o seu Modelo diante você! Você vê o que você está para tornar-se, portanto, coloque Cristo diante de seus olhos sempre. Você vê o que você está predestinado a ser – anele a isso! Olhe para isto todos os dias. Deus trabalha, e Ele trabalha em você para não dormir, senão para querer e efetuar segundo Sua própria boa vontade. Irmãos, lamentem-se em seus fracassos! Quando vocês verem algo em si mesmos que não é semelhante a Cristo, lamentem por causa disto, pois isso deve ser retirado. Há muitas escórias que devem ser consumidas. Você não pode mantê-las, pois a predestinação de Deus não vai deixar você reter alguma coisa sobre você que não está de acordo com a imagem de Cristo. Clamem veementemente ao Espírito Santo para continuar a Sua obra santificadora em vocês! Roguem a Ele para não estar ofendido e indignado, e, portanto, em qualquer medida detenha Sua mão. Clame: “Senhor, me derreta! Derrama-me como cera e ponha o seu selo sobre mim até que a imagem de Cristo esteja claramente lá”.

Acima de tudo, comunguem muito com Cristo. Comunhão é a fonte de conformidade. Viva com Cristo e em breve você vai crescer como Cristo. Eles disseram de Aquiles, o maior dos heróis gregos que eles quando era criança o alimentaram com medula de leão e isso o fez corajoso. Alimente-se de Cristo e serás como Cristo. Eles registram, por outro lado, do sedento de sangue Nero que ele tornou-se assim porque ele foi amamentado por uma mulher, de natureza bárbara, feroz. Se tomarmos nosso nutrimento do mundo, seremos mundanos -, mas se vivemos em Cristo e habitarmos nEle, nossa conformidade com Ele deve ser facilmente conseguida – e seremos reconhecidos como irmãos daquela família abençoada de que Jesus Cristo é o Primogênito.

Como eu gostaria que todo mundo aqui tivesse uma porção no texto! Eu lamento que alguns não tenham, pois aquele que não crê no Filho não tem a vida, e, portanto, não pode ter a conformidade com um Cristo vivo! Deus conceda a todos o crer em Cristo, agora e para sempre. Amém e amém.


Fonte: SpurgeonGems.Org  │ Título Original: “Glorious Predestination”
As citações bíblicas usadas nesta tradução foram retiradas da versão ACF - Tradução: William Teixeira - Revisão por Camila Rebeca Almeida - Fonte: Puritansermons.com Tradução: OEstandarteDeCristo.com

terça-feira, 15 de abril de 2014

A Livre Graça

Sermão Nº 233, A Livre Graça – Charles Haddon Spurgeon

Pregado na Manhã de Sabado, em 9 de Janeiro de 1859
Por Charles Haddon Spurgeon

“Não é por amor de vós que eu faço isto, diz o Senhor DEUS; notório vos seja; envergonhai-vos, e confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel.” (Ezequiel 36: 32)

Há dois pecados do homem que são formados nos ossos e que vêm continuamente à carne. Um deles é autodependência e o outro é a autoexaltação. É muito difícil, mesmo para o melhor dos homens, conter-se desde o primeiro erro. O mais santo dos cristãos e aqueles que entendem melhor o Evangelho de Cristo encontram em si uma inclinação constante de olhar para o poder da criatura – em vez de olhar para o poder de Deus e o poder de Deus, somente. Uma e outra vez a Sagrada Escritura tem nos lembrado do que nós nunca devemos esquecer – que a salvação é obra de Deus do começo ao fim – e não do homem, nem por homem algum. Mas assim é, este erro antigo – que devemos salvar a nós mesmos, ou que estamos a fazer alguma coisa em matéria de salvação – sempre se levanta e nos encontramos continuamente tentados por ele a nos afastarmos da simplicidade de nossa fé no poder do Senhor, nosso Deus. Por que, mesmo Abraão, ele mesmo, não estava livre do grande erro de confiar em sua própria força! Deus havia prometido a ele que iria dar-lhe um filho – Isaque, o filho da promessa. Abraão creu, mas por fim, cansado de esperar, ele adotou o recurso carnal de tomar para si mesmo Hagar para esposa e ele imaginava que Ismael iria certamente ser o cumprimento da promessa de Deus. Mas, em vez de Ismael ajudar a cumprir a promessa, ele trouxe tristeza ao coração de Abraão porque Deus não queria que Ismael habitasse com Isaque. “Lançai fora”, diz a Escritura, “a escrava e seu filho, porque o filho da escrava não será herdeiro com o filho da mulher livre”.
Agora, na questão da salvação, estamos aptos a pensar que Deus se demora muito tempo no cumprimento de Sua promessa e nos propomos a nós mesmos trabalhar para fazer alguma coisa e o que fazemos? Afundamo-nos mais profundamente na lama e acumulamos para nós mesmos um armazém de problemas e dissabores futuros! Não lemos que pesou o coração de Abraão por enviar Ismael embora? Ah, e muitos cristãos tem sido ofendidos por essas obras da Natureza, que eles realizaram com o projeto de ajudar o Deus da Graça! Oh, Amados, nós com muita frequência nos encontramos tentados a executar a tola tarefa de auxiliar a Onipotência e ensinar o Onisciente! Em vez de olhar para graça para nos santificar, encontramo-nos a adotar regras e princípios filosóficos que achamos que efetuarão a obra Divina. Mas nós a estragamos! Nós trazemos dor aos nossos próprios espíritos. Mas se, em vez disto, nós em toda a obra olharmos para o Deus da nossa salvação por ajuda, e força, e graça, e socorro, então o nosso trabalho irá proceder à nossa própria alegria e consolo e para a Glória de Deus! Esse erro, então, eu digo, está em nossos ossos e sempre vai morar conosco e, portanto, é que as palavras do texto são colocadas como um antídoto contra esse erro. É claramente afirmado em nosso texto que a salvação é de Deus. “Não é por amor de vós que eu faço isto”; Ele não diz nada sobre o que temos feito ou podemos fazer. Todos os precedentes e todos os versículos seguintes, falam do que Deus faz “Vou levá-lo de entre as nações”; “Então aspergirei água pura sobre vós”; “Vou dar-lhe um novo coração”; “Porei meu Espírito dentro de vocês”; É tudo de Deus – Portanto, mais uma vez recordamos à nossa memória esta Doutrina e desistamos de toda a dependência de nossa própria força e poder! O outro erro a que o homem está muito propenso é o de confiar em seu próprio mérito. Embora não haja justiça em qualquer homem, mas em cada homem há uma tendência a confiar em algum mérito imaginário. Estranho que isto deva ser assim, mas os caráteres mais reprováveis ainda têm alguma virtude, como eles imaginam, de que dependem!
Você vai encontrar o bêbado mais abandonado orgulhando-se de que ele não é um blasfemador. Você vai encontrar o bêbado blasfemador orgulhando-se de que pelo menos ele é honesto. Você vai encontrar homens sem nenhuma outra virtude no mundo exaltando o que eles imaginam ser uma virtude – o fato de que eles professam não ter nenhuma! Eles pensam ser extremamente excelentes, porque eles têm a honestidade, ou antes impudência suficiente para confessar que eles são totalmente vis! De alguma forma a mente humana se apega ao mérito humano. Ela sempre o reterá e quando você tira tudo em que você acha que ela poderia confiar, em menos de um momento ela forma algum outro motivo para a confiança fora de si mesma! A natureza humana no que diz respeito ao seu próprio mérito é como a aranha – que leva o seu suporte em suas próprias entranhas e parece como se fosse manter girando por toda a eternidade. Você pode puxar para baixo uma teia, mas ela logo faz outra. Você pode pegar o fio de um lugar e você vai encontrá-lo agarrado ao seu dedo e quando você procurar escová-lo para baixo com uma mão, você o encontrará agarrado à outra! É difícil se livrar dele. Ela está sempre pronta para tecer sua teia e vincular-se a algum terreno de falsa confiança.
É contra todo o mérito humano, que eu vou falar nesta manhã e eu sinto que vou ofender muita gente aqui. Estou prestes a pregar uma doutrina que é fel e vinagre para carne e sangue – que vai fazer moralistas justos rangerem seus dentes e fazer os outros irem embora e declarem que sou um Antinomiano e talvez dificilmente apto para viver! No entanto, essa consequência é uma que eu não devo lamentar muito se ligado a ela houver em outros corações uma rendição a esta gloriosa verdade de Deus e rendendo-se ao poder e Graça de Deus que nunca irá nos salvar, a não ser que estivermos preparados para deixá-lO ter toda a glória!
Em primeiro lugar, me esforçarei para expor como um todo a doutrina contida neste texto. No próximo lugar eu devo me esforçar para mostrar a sua força e veracidade. Em seguida, no terceiro lugar, buscarei do Espírito Santo de Deus para aplicar as lições úteis e práticas que devem ser tiradas a partir dele.
I. Vou tentar expor este texto. “Não é por amor de vós que eu faço isto, diz o Senhor Deus”. O motivo para a salvação da raça humana se encontra no seio de Deus e não no caráter ou condição do homem. Duas raças se revoltaram contra Deus – uma angelical, a outra humana. Quando uma parte desta raça angelical se revoltou contra o Altíssimo, a justiça rapidamente alcançou-os. Eles foram arrastados de suas cadeiras no céu estrelado e, doravante, eles estão reservados na escuridão até o grande dia da ira de Deus! Nenhuma misericórdia foi apresentada a eles, nenhum sacrifício jamais foi oferecido por eles. Eles estavam sem esperança e misericórdia, para sempre remetidos para o abismo de tormento eterno! A raça humana, muito inferior em ordem de inteligência, pecou tanto atrozmente quanto – de qualquer forma, se os pecados da humanidade que temos ouvido fossem colocados juntos e corretamente pesados, mal posso entender como até mesmo os pecados dos demônios poderiam ser muito mais negros do que os pecados da humanidade! No entanto, o Deus que em Sua Infinita Justiça passou sobre anjos e permitiu-lhes eternamente expiar seus crimes no fogo do Inferno, teve o prazer de olhar para baixo sobre o homem. Ali estava a eleição em grande escala! A eleição da natureza humana e a reprovação da natureza angélica caída! Qual foi a razão para isso? A razão estava na mente de Deus – uma razão inescrutável que não sabemos e mesmo que se soubéssemos, provavelmente não conseguiríamos entender. Tivesse eu e você sido postos a determinar a escolha de qual teria sido poupado, eu acho que é provável que teríamos escolhido que anjos caídos deveria ter sido salvos. Eles não são mais brilhantes? Será que eles não [possuem] a maior força mental? Se eles tivessem sido redimidos, será que não glorificariam a Deus mais, como nós julgamos, do que a salvação de vermes como nós?
Esses seres brilhantes – Lúcifer, filho da alva e essas estrelas que andava em seu curso – se tivessem sido lavados em Seu sangue redentor; se tivessem sido salvos pela Soberana Misericórdia, que canção teriam eles levantado ao Altíssimo e eterno Deus! Mas Deus, que faz o que Ele quer com o que é seu próprio e não dá conta dos seus assuntos; Ele que lida com as Suas criaturas como o oleiro lida com seu barro – não tomou sobre Si a natureza dos anjos, mas tomou sobre Si a descendência de Abraão e escolheu homens para serem os vasos de Sua misericórdia! Este fato se sabe, mas o que é a sua razão? Certamente não [está] no homem! “Não é por amor de vós que eu faço isto, diz o Senhor DEUS; notório vos seja; envergonhai-vos, e confundi-vos por causa dos vossos caminhos, ó casa de Israel”.
Aqui, muito poucos homens objetam. Observamos que, se estamos a falar da eleição dos homens e a não eleição de anjos caídos, não há uma objeção por um momento! Todo homem aprova o Calvinismo até que ele sinta que ele é o perdedor por ele. Mas quando ele começa a tocar seus próprios ossos e sua carne, então ele chuta contra isto. Venha, então, temos de ir mais longe! A única razão pela qual um homem é salvo e não outro não reside, em qualquer sentido, no homem salvo, mas no peito de Deus! A razão pela qual neste dia o Evangelho é pregado a você e não às nações distantes não é, por que, como uma raça, nós sejamos superiores aos pagãos! Não é porque mereçamos mais das mãos de Deus! Sua escolha da Grã-Bretanha, na eleição de privilégio, não é causada pela excelência da nação britânica, mas inteiramente por causa de Sua própria misericórdia e Seu próprio amor! Não há razão em nós pela qual nós devemos ter o Evangelho pregado a nós mais do que qualquer outra nação. Hoje alguns de nós receberam o Evangelho e foram transformados por ele – e tornaram-se os herdeiros da luz e da imortalidade – enquanto outros ainda são deixados para ser os herdeiros da ira! Mas não há nenhuma razão em nós porque nós deveríamos ter sido tomados e outros deixados –
“Não havia nada em nós para merecer estima
Ou dar deleite ao Criador.
Foi assim mesmo, Pai! Nós deveremos eternamente cantar,
Porque pareceu bem aos Teus olhos.”
E agora, vamos rever esta Doutrina extensamente. Somos ensinados nas Escrituras Sagradas que muito antes deste mundo ter sido criado, que Deus de antemão conheceu e previu todas as criaturas que Ele intentou formar. E, em seguida, foi ali preordenado que a raça humana cairia em pecado e mereceriam Sua ira; determinado em sua própria mente Soberana que uma imensa parcela da raça humana deveria ser Seus filhos e deveria ser levada para o céu. Quanto ao resto, deixou-os a seus próprios desertos – para semear vento e colher tempestade, para espalhar o crime e herdar punição. Agora, no grande decreto da eleição, a única razão pela qual Deus escolheu os vasos de misericórdia deve ter sido porque Ele o fez. Não havia nada em qualquer um deles que levou Deus a escolhê-los! Nós todos éramos iguais – todos perdidos, todos arruinados pela Queda – todos sem a menor reivindicação de Sua misericórdia. Todos, de fato, merecendo Sua maior vingança! Sua escolha de qualquer um e Sua escolha de todo o Seu povo é sem causa, na medida em que nada neles foi sua causa.  Era o efeito de Sua Soberana Vontade e de nada do que fizeram, poderiam fazer, ou até mesmo fariam! Porque assim diz o texto – “Não por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel!” Quanto ao fruto da nossa eleição, em devido tempo, Cristo veio a este mundo e comprou com o Seu sangue todos aqueles a quem o Pai escolheu. Agora vamos para a Cruz de Cristo! Traga esta doutrina com você e lembre-se que a única razão pela qual Cristo deu a Sua vida para ser um resgate por suas ovelhas foi porque Ele amava Seu povo – não havia absolutamente nada no Seu povo que o faria morrer por eles! Eu estava pensando como eu vim aqui esta manhã, se alguém deve imaginar que o amor de Deus por nós foi causado por alguma coisa em nós, seria como se um homem olhasse para um poço para encontrar os mananciais do mar, ou cavar um formigueiro para encontrar um Alpe! O amor de Deus é tão imenso, tão ilimitado e tão infinito que não se posso conceber por um momento que ele poderia ter sido causado por qualquer coisa em nós!
O pouco de bom que há em nós – o nada bom que há em nós – e não há quem, não poderia ter causado o amor ilimitado, sem fundo, sem margens, sem cume que Deus manifesta ao Seu povo! Fiquem ao pé da cruz, vocês sedendos-de-mérito, vocês que se deleitam em suas próprias obras – respondam a esta pergunta – Vocês pensam que o Senhor da Vida e Glória poderia ter sido trazido do Céu; foi feito como um homem e foi levado a morrer por qualquer mérito seu? Poderão estas veias sagradas serem aberta com qualquer faca menos aguda do que o Seu próprio Amor Infinito? Vocês concebem que seus pobres méritos, tal como eles são, podem ser tão eficazes quanto para pregar o Redentor no madeiro e fazê-lO dobrar seus ombros por baixo da enorme carga de culpa do mundo? Você não pode imaginar isto! A consequência é tão grande em comparação com o que você acha ser o caso, que a sua lógica falha de imediato.  Você pode conceber que um inseto coral eleva uma rocha por sua multiplicidade e por seus muitos anos de trabalho, mas você não pode conceber que todos os méritos acumulados da humanidade, se houvesse tais coisas, poderia ter trazido o Eterno do Trono de Sua Majestade e incliná-Lo à morte de cruz – isso é uma coisa tão claramente impossível a qualquer mente pensante como a impossibilidade pode ser! Não – da cruz vem o grito – “Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel”.
Após a morte de Cristo vem, no lugar seguinte, a obra do Espírito Santo. Aqueles a quem o Pai escolheu e a quem o Filho redimiu, em devido tempo, o Espírito Santo chama “das trevas para a maravilhosa luz”. Agora, o chamado do Espírito Santo é, sem qualquer respeito a qualquer mérito em nós. Se este dia o Espírito Santo deve chamar desta congregação cem homens e levá-los para fora de seu estado de pecado para um estado de retidão, você pode trazer esses cem homens e deixá-los marchar em revista – e se você pudesse ler seus corações, você seria obrigado a dizer – Eu não vejo nenhuma razão pela qual o Espírito de Deus deveria ter operado nestes! Não vejo nada de tudo o que poderia ter merecido tanta graça como esta – nada que pudesse ter causado as operações e moções do Espírito a trabalhar nestes homens “. Pois, olhe aqui – por natureza, é dito que os homens estão mortos no pecado.
Se o Espírito Santo vivifica, não pode ser por causa de qualquer poder nos homens mortos, ou qualquer mérito deles, pois eles estão mortos, corruptos e podres na sepultura de seu pecado! Se, então, o Espírito Santo diz: “Sai para fora e vive”, não é por causa de qualquer coisa nos ossos secos – deve ser por algum motivo, em Sua própria mente, mas não em nós. Portanto, saibam disso, irmãos e irmãs, para que todos estejamos em terreno nivalado! Nós não temos, nenhum de nós, qualquer coisa que pode nos recomendar a Deus. E se o Espírito escolhe operar em nossos corações para a salvação, Ele deve ser movido para fazê-lo por Seu próprio amor supremo, pois Ele não pode ser movido a fazê-lo por qualquer boa vontade, bom desejo, ou boa ação que habita em nós por natureza!
Para avançar um pouco mais – esta verdade de Deus, que é válida até o momento, será válida até o fim. O povo de Deus, depois de terem sido chamados pela graça, são preservados em Cristo Jesus – eles são “guardados pelo poder de Deus mediante a fé para a salvação”. Eles não têm permissão para pecar afastando-se da sua herança eterna, mas como surgem tentações que têm certa força com que encontrá-los – e como o pecado os escurece e eles são lavados novamente e novamente purificados. Mas obsevem, a razão pela qual Deus preserva Seu povo é a mesma que os fez o seu povo – Sua própria livre Graça Soberana! Se, meus irmãos e irmãs, vocês forem livrados na hora da tentação, façam uma pausa e lembrem-se que não foram entregues pelo seu próprio bem – aqui não era nada em você que mereceu a libertação! Se você tem sido alimentado e suprido em sua hora de necessidade, não é porque você tem sido um fiel servo de Deus, nem porque você tem sido um cristão fervoroso.
É simples e somente por causa da misericórdia de Deus! Ele não é movido por qualquer coisa que Ele faz por você por qualquer coisa que você faz para Ele – Seu motivo para o abençoar encontra-se total e completamente nas profundezas do seu próprio peito! Bendito seja Deus, o Seu povo deve ser conservado -
“Nem a morte, nem o inferno jamais removerão
Seus favoritos de seu peito!
No querido seio do Seu amor
Eles devem eternamente descansar.”
Mas por quê? Porque eles são santos? Porque eles são santificados? Porque eles servem a Deus com boas obras? Não, mas porque Ele, em Sua Graça Soberana, os amou, não ama e os amará até o fim!
E para concluir minha exposição deste texto. Isto deve manter-se válido no próprio Céu! O dia está chegando quando cada, filho lavado pelo sangue, comprado pelo sangue de Deus deverá andar nas ruas de ouro vestidos de branco. Nossas mãos em breve terão palmas. Nossos ouvidos devem ser deleitados com melodias celestes e os olhos cheios de visões arrebatadoras da Glória de Deus. Mas note, a única razão pela qual Deus deve nos levar para o céu será o seu próprio amor e não porque merecemos isso – temos de lutar a luta, mas não obtemos a vitória porque nós a combatemos! Devemos trabalhar, mas o salário no fim dos dias deve ser um salário pela graça e não uma dívida! Devemos honrar a Deus aqui, esperando a recompensa do galardão, mas que nenhuma recompensa será dada em um terreno legal porque merecemos, mas nos foi dada inteiramente porque Deus nos ama – e não por qualquer motivo que estava em nós! Quando você e eu e cada um de nós entrarmos no Céu, o nosso canto deve ser, “Não a nós, não a nós, mas ao teu nome seja toda a glória”. E isso deverá ser verdade! Isto não deve ser um mero exagero de gratidão. Deve ser verdade! Seremos obrigados a cantá-lo, porque não poderíamos cantar qualquer outra coisa. Devemos sentir que não fizemos nada e que não éramos nada, mas que Deus fez tudo – que não tínhamos nada em nós para ser o motivo para leva-lO a fazer isto -, mas que seu motivo estava em Si Próprio! Por isso a Ele será cada partícula de honra para todo o sempre.
Agora, isso, presumo, é o significado do texto. Desagradável é para a grande maioria, mesmo dos cristãos professos nesta era. Esta é uma doutrina que requer uma grande quantidade de sal, ou então poucas pessoas vão recebê-la. É muito desagradável para elas. No entanto, lá está: “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”. Sua Verdade nós temos que pregar e isso devemos proclamar. A salvação é “não de homens, nem por homem algum. Não da vontade da carne, nem do sangue”, nem de nascimento, mas da Soberana Vontade de Deus e de Deus somente!
II. E agora, em segundo lugar, eu irei ilustrar e reforçar este texto. Considere por um momento, o caráter do homem. Ela vai humilhar-nos e ele tenderá a confirmar esta verdade de Deus em nossas mentes. Deixe-me dar uma ilustração. Vou considerar o homem como um criminoso. Ele certamente é tal aos olhos de Deus e não vou difamá-lo. Suponha agora que algum grande criminoso é finalmente ultrapassado no seu pecado e preso em Newgate. Ele cometeu alta traição, assassinato, rebelião e cada maldade possível. Ele quebrou todas as leis do reino – cada uma delas! O clamor público está em toda parte – “Este homem deve morrer! As leis não podem ser mantidas a menos que ele seja feito um exemplo de seu rigor. Aquele que não tem a espada em vão desta vez deve deixar a espada provar o sangue. O homem deve morrer. Ele merece isso!” Você olha através de seu caráter – você não pode ver um solitário traço redentor.
Ele é um velho ofensor. Ele tem tanto tempo perseverado na sua iniquidade, que você é obrigado a dizer: “O caso é sem esperança para este homem. Seus crimes têm tal agravamento nós não podemos fazer um pedido de desculpas por ele, embora ainda devemos tentar! Nenhuma astúcia jesuítica, em si, poderia conceber qualquer pretensão de desculpa, ou qualquer esperança de um fundamento para este desgraçado abandonado. Deixe-o morrer! “Agora, se Sua Majestade a Rainha, tendo em suas mãos o poder Soberano de vida ou morte escolhe que este homem não irá morrer, mas que ele será poupado, você não vê tão claro como a luz do dia que a única razão que pode levá-la a poupar este homem deve ser o seu próprio amor, sua própria compaixão? Como eu já supunha que não há nada no caráter do homem que pode ser um pedido de misericórdia, mas que, pelo contrário, todo o seu caráter clama por vingança contra o seu pecado – quer queiramos ou não – esta é apenas a verdade de Deus concernente a nós! Este é apenas o nosso caráter e posição diante de Deus!
Ah, meu ouvinte, você pode girar sobre os calcanhares revoltado e ofendido! Mas há alguns aqui que acham que isto seja solenemente verdadeiro em suas próprias experiências e, portanto, eles vão beber na Doutrina, pois é a única maneira pela qual eles podem ser salvos. Meu ouvinte, talvez a sua consciência está lhe dizendo esta manhã que você pecou tão horrendamente que não há uma entrada para um raio solitário de esperança em sua pessoa. Você adicionou aos seus pecados este outro – de que você se rebelou contra o Altíssimo desenfreada e perversamente! Caso você não tenha cometido todos os pecados do calendário do crime, foi porque a Providência deteve sua mão, o seu coração tem sido negro o suficiente para tudo isto. Você sente a vileza de sua imaginação e seus desejos têm alcançado a consumação da culpa humana e você não poderia ir mais longe. Seus pecados prevaleceram contra você e passaram sobre sua cabeça. Agora, homem, a única base sobre a qual Deus pode salvá-lo é o Seu amor! Ele não pode salvá-lo, porque você merece, pois você não merece isso – não há desculpa que possa ser dada para o seu pecado! Não, você é, inescusável e a você sente isso. Oh, bendiga o Seu querido nome, que Ele concebeu desta maneira pela qual Ele pode salvá-lo sobre a base de Seu próprio amor Soberano e ilimitada Graça sem nada em você! Eu quero que você volte novamente para Newgate e a este criminoso. Supomos agora que este criminoso é visitado por Sua Majestade em pessoa. Ela vai até ele e diz-lhe: “Rebelde, traidor, assassino, eu tenho no meu coração compaixão por você. Você não merece isso, mas eu vim hoje para lhe dizer que se você se arrepender você terá misericórdia pelas minhas mãos”. Suponha que esse homem, se levante, deveria amaldiçoá-la – amaldiçoar este anjo de misericórdia para com o seu rosto; cuspir sobre ela e proferir blasfêmias, e maldições, e imprecações sobre sua cabeça? Ela se retira. Ela se vai.
Mas tão grande é sua compaixão que no dia seguinte ela envia um mensageiro – e dias, semanas e meses e anos ela envia continuamente mensageiros e estes vão para ele e dizem – “Se você se arrepender de suas transgressões, você terá misericórdia. Não é porque você merece, mas porque Sua Majestade é compassiva e sua alma graciosa deseja a sua salvação. Você vai se arrepender?” Suponha que este homem amaldiçoasse o mensageiro; tapasse os ouvidos contra a mensagem, cuspindo nele e dissesse que ele não se importa com consigo mesmo? Ou suponha um caso melhor – suponha que ele gira em seu lugar e diz: “Eu não me importo se estou enforcado ou não. Vou levar a minha oportunidade, juntamente com outras pessoas. Eu não tomar conhecimento de vocês”? E suponha que mais do que isso, levantando de seu assento, ele se entrega de novo em todos os crimes pelos quais ele já foi condenado e mergulha de cabeça de novo nos mesmos pecados que trouxeram seu pescoço para a corda da forca? Agora, se Sua Majestade poupasse um homem como esse, em que termos ela poderia fazê-lo? Você diz: “Pois ela não pode, a não ser que ela o faça isso por amor! Ela não pode por causa de qualquer mérito nele! Tal como animal este deve morrer!”
E agora o que você e eu somos por natureza, senão como este? E meu ouvinte não convertido, o que é isso, senão um retrato seu? O próprio Deus já não visitou sua consciência? Será que Ele não disse a você, “Pecador! Venha agora, vamos raciocinar juntos. Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata se tornarão como a lã”. E o que você fez? Tapou seu ouvido contra a voz da consciência – amaldiçoou e praguejou contra Deus, blasfemou contra o Seu santo nome, desprezou Sua Palavra e ralhou contra seus ministros. E hoje, mais uma vez, com lágrimas nos olhos, um servo de Deus veio para você e sua mensagem é “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo. Como eu vivo, diz o Senhor, não tenho prazer na morte do que morre, mas antes quero que ele se converta a mim e viver”. E o que você vai fazer? Por que, se deixados a si mesmos, vocês vão rir da mensagem – e desprezá-la! E vocês vão desprezar a Deus, novamente, como haviam feito anteriormente!  Você não vê, então, que, se Deus devesse salvá-lo, isto não pode ser por amor de vós? Deve ser de Seu próprio amor infinito. Não pode ser a partir de qualquer outro motivo, desde que você tenha rejeitado a Cristo, desprezado o Seu Evangelho, pisado o sangue de Jesus e recusam-se a serem salvos! Se Ele vos salva, deve ser por Livre Graça e Livre Graça sozinha.
Mas agora imagine um pouco mais sobre este criminoso em Newgate. Não contente com o haver adicionado pecado a pecado e tendo rejeitado a misericórdia para si, este desgraçado industriosamente emprega-se em dar a volta a todas as celas onde os outros estão confinados e endureceu seus corações, também, contra a misericórdia da rainha! Ele mal pode ver uma pessoa, que ele começa a manchar-lhe com a blasfêmia de seu próprio coração. Ele profere coisas prejudiciais contra a majestade que poupa a e se esforça para fazer os outros tão vis como a si mesmo! Agora, o que diz a Justiça? Se este homem não deve morrer por sua própria conta, então ele deve morrer para o bem dos outros! E se ele é poupado, não é tão simples como cabeça do grupo que ele não pode ser poupado por causa de qualquer motivo nele? Deve ser por causa da compaixão inconquistável da Soberana! E agora olhe aqui – não é esse o caso de alguns aqui presentes? Vocês não somente pecam, vocês mesmos, mas vocês levam outros ao pecado! Eu sei que esta foi uma das minhas pragas e tormentos, quando Deus me trouxe para Si mesmo, que eu tinha levado outros à tentação. Não existem homens aqui que ensinaram outros a jurar? Não estão aqui pais que ajudaram a destruir as almas de seus próprios filhos? Não existem alguns de vocês que são como a mortal árvore Upas? Você estica seus ramos e de cada folha cai veneno sobre aqueles que vêm sob a sua gama mortal! Não existem alguns aqui que têm seduzido os virtuosos; que enganaram aqueles que estavam aparentemente piedosos e que são, talvez, tão endurecidos que eles ainda gloriam-se nisto? Não contente com estar condenando a si mesmos, vocês estão buscando levar outros ao Poço também! Achando que não vos é suficiente estar em inimizade com Deus, vocês querem imitar Satanás, arrastando os outros com você! Ó meu ouvinte, não é este o seu caso? Seu coração não o confessa? E as lágrimas não descem em suas bochechas? Lembre-se, então, isso deve ser verdade – se Deus lhe salvar, isto será porque Ele o fará!
Eu só vou usar uma outra ilustração e então eu acho que deverá o texto ter sido feito suficientemente claro. Não há tanta diferença entre o preto e um tom mais escuro de preto como há entre o branco puro e o preto. Todos podem ver isso. Então, não há tanta diferença entre o homem e o Diabo como há entre Deus e o homem. Deus é a perfeição. Estamos preto com o pecado. O Diabo é apenas um tom mais escuro de preto. E grande como pode ser a diferença entre o nosso pecado, e o pecado de Satanás, mas não é tão grande como a diferença entre a perfeição de Deus e a imperfeição do homem. Agora, imagine por um minuto que em algum lugar na África deve haver uma tribo de demônios vivendo – e que você e eu tivéssemos em nosso poder salvar esses demônios de alguma ira ameaçadora que deve alcançá-los. Se você ou eu devêssemos ir lá e morrer para salvar aqueles demônios, o que poderia ser a nossa motivação? Pelo que sabemos do caráter de um demônio, o único motivo que poderia levar-nos fazer isso deve ser o amor. Não poderia ser qualquer outro. Deve ser simplesmente porque tivemos tais corações grandes que poderíamos até mesmo abraçar demônios dentro deles. Bem, agora, não há tanta diferença entre o homem e o Diabo como entre Deus e o homem. Se, então, o único motivo que poderia levar os homens a poupar um demônio, deve ser o amor do homem, não se segue com força irresistível que o único motivo que poderia levar Deus a salvar os homens deve ser o próprio amor de Deus. De qualquer forma, se isso não é convincente, o fato é indiscutível – “Não por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel” Deus nos vê abandonados, maldosos, iníquos e merecendo a sua ira. Se Ele nos salva, é por Seu infinito, insondável Amor que O leva a fazê-lo – [porém,] absolutamente nada em nós!

III. E agora, tendo assim pregado esta Doutrina e reforçado-a que, eu venho a uma APLICAÇÃO PRÁTICA muito solene. E aqui que Deus, o Espírito Santo, me ajude de laborar com os seus corações!
Em primeiro lugar, uma vez que esta Doutrina é verdade, como um humilde cristão deve ser! Se você é salvo, você não tinha nada a ver com isso – Deus o fez. Se você é salvo, você não merecia. É a misericórdia imerecida que você recebeu! Tenho, por vezes, sido muito feliz quando eu vi a gratidão de pessoas abandonadas para qualquer um que os tenha ajudado. Lembro-me de visitar uma casa de refúgio. Havia uma menina pobre lá que tinha caído em pecado há muito tempo e quando ela se viu gentilmente tratada e reconhecida pela sociedade e viu um ministro cristão desejoso de buscar o bem de sua alma, ele quebrou seu coração. Por que um homem de Deus se importa com ela? Ela era tão vil. Como pode ser que o cristão deve falar com ela? Ah, mas quanto mais deve esse sentimento elevar-se em nossos corações? Meu Deus! Me rebelei contra Ti e ainda Tu me amaste, indigno-me! Como pode ser? Eu não posso levantar-me de orgulho – Devo curvar diante de ti em palavras de gratidão! Lembrem-se, meus queridos irmãos e irmãs, que não só é a misericórdia que você e eu recebemos imerecidamente, mas foi sem ser solicitado ! É verdade que você orou, mas não até que a Livre Graça fizesse você orar. Você teria estado até hoje endurecido de coração, sem Deus e sem Cristo, não tivesse a Livre Graça de salvado. Você pode se orgulhar? Orgulhoso da misericórdia que, se posso usar o termo, foi forçado sobre você? – Orgulhoso da Graça que foi dado contra a sua vontade, até que a sua vontade foi mudada pela Graça Soberana? E pense novamente! Toda a misericórdia que você tem, uma vez recusou. Cristo ceou com você. Não seja Orgulhoso de seu companheiro! Lembre-se, houve um dia em que ele bateu na porta e você recusou – quando Ele veio até a porta e disse: “Minha cabeça está cheia de orvalho e meus cabelos das gotas da noite. Abra para mim, Minha Amada”. E você o barrou em sua face e não O deixou entrar! Não seja orgulhoso, então, do que você tem, quando você lembrar que você uma vez O rejeitou! Será que Deus abraça você em Seus braços de amor? Lembre-se, uma vez que você levantou sua mão de rebelião contra Ele! Está o seu nome escrito no Seu livro? Ah, houve um tempo em que, se tivesse estado em seu poder, você teria apagado as linhas sagradas que continham a sua própria salvação! Podemos, ousadamente, levantar nossas cabeças perversas com orgulho quando todas estas coisas deve fazer-nos pendurar a cabeça para baixo na mais profunda humildade? Essa é uma lição – vamos aprender outra.
Esta doutrina é verdadeira e, portanto, deve ser um assunto da maior gratidão. Ao meditar sobre este texto ontem, o efeito que teve em cima de mim foi um dos condutores à alegria. Oh, eu pensei, sobre qual outra condição eu poderia ter sido salvo? E eu olhei para trás, para meu estado passado. Vi-me piedosamente treinado e educado, mas me revoltei contra tudo isso. Vi lágrimas de uma mãe derramadas por mim em vão e admoestação do pai perdida em cima de mim e eu ainda encontrei-me salvo por Graça e eu só podia dizer: “Senhor, Ei te bendigo que é pela Graça, pois se tivesse sido por mérito Eu nunca teria sido salvo! Se Tu tivesses esperado até que houvesse algo de bom em mim, Tu terias esperado até que eu afundasse na perdição sem esperança do Inferno, pois nunca iria ter algo de bom no homem, a menos que Tu tivesses primeiro o colocado lá”. E então eu pensei imediatamente: “Ah, como eu poderia ir e pregar para o pobre pecador!” Ah, me deixe tentar, se eu não posso. Ó pecador, você diz que não se atreve a vir a Cristo, porque você não tem nada para lhe recomendar. Ele não precisa de nada para recomendar você! Ele não vai te salvar se você tem alguma coisa para lhe recomendar, pois Ele diz: “Não por sua causa que eu faço isto”. Vá para Cristo com brincos nas orelhas e joias em cima de você. Lave o rosto e exiba-se com ouro e prata e vá diante dele e diga: “Senhor, salva-me! Lavei-me e vesti-me – salva-me!” “Tire-o daqui! Não por amor de vós que eu vou fazer isso”. Vá a ele novamente e diga: “Senhor, eu coloquei uma corda em volta do pescoço e saco sobre os meus lombos – olha como eu estou arrependido! Olha o que eu sinto a minha necessidade! Agora salve-me! “Não”, ele diz: “Eu não iria salvá-lo por causa de suas vestes exibidas e agora não vou lhe poupar por causa de seus trapos! Eu vou te salvar não por algo sobre você. Se eu salvá-lo, isto vai ser por algo em meu coração, e não por qualquer coisa que você sente. Saia daqui!”
Mas, se hoje você for a Cristo e disser: “Senhor Jesus, não há nenhuma razão no mundo porque eu deveria ser salvo – há uma no Céu. Senhor, eu não posso instigar a qualquer alegação; eu mereço ser perdido, eu não tenho nenhuma desculpa para dar por todos os meus pecados, nenhum pedido de desculpas a oferecer. Senhor, eu mereço o inferno e não há nada em mim por que eu deveria ser salvo, pois se Tu me salvares eu deveria ser feito um cristão pobre, depois de tudo. Temo que minhas futuras obras não serão em homenagem a Ti – Eu gostaria que elas pudessem ser, mas Vossa Graça deve fazê-las boas, então eles ainda serão ruins! Mas, Senhor, embora eu não tenha nada para trazer e nada a dizer por mim mesmo, eu digo isso – Ouvi dizer que Tu vieste ao mundo para salvar os pecadores – Ó Senhor, salva-me! –
‘Eu sou o principal dos pecadores.’
Confesso que não sinto isso como eu deveria, eu não luto como devo. Eu não tenho nenhum arrependimento para me recomendar. Não, Senhor, eu não tenho fé para me recomendar, também, porque eu não acredito na sua promessa como devo. Mas oh, eu me agarro a este texto. Senhor, Tu disseste que não vais fazer isso por minha causa. Eu agradeço por ter dito isso! Tu não poderias fazer isso por mim, pois não tenho nenhuma razão pela qual Tu devesses. Senhor, eu reivindico sua promessa graciosa! “Tem misericórdia de mim, pecador”. Ah, vocês pessoas boas, esta Doutrina não combina com alguns de vocês! É muito humilhante, não é? Vocês que têm frequentado suas igrejas regularmente e estiveram em reuniões tão piedosamente, vocês que nunca quebraram o Sabath, ou nunca fizeram um juramento, ou algo errado – isso não combina com vocês! Você diz que fará muito bem pregar a prostitutas, e bêbados, e praguejadores, mas não irá servir para pessoas tão boas como nós somos.
Ah, bem, este é o vosso texto – “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento”. Vocês são “sãos” – vocês são – vocês “Não precisam de médico, mas os que estão doentes”. Siga o seu caminho! Cristo não veio para salvar tais como vocês são! Vocês pensam que podem salvar a si mesmos. Façam isso e pereçam ao fazê-lo! Mas eu sinto que o mesmo Evangelho que atenda uma prostituta me [atende] e a Graça Livre que salvou Saulo de Tarso deve me salvar, caso contrário eu nunca fui salvo”. Venham, vamos todos juntos! Todos nós somos culpados – alguns mais, outros menos – mas todos irremediavelmente culpados. Vamos juntos para o escabelo de Sua misericórdia e embora não ousamos olhar para cima, vamos ficar lá no pó e suspirar de novo, “Senhor tenha misericórdia de nós por quem Jesus morreu -
“Assim como eu sou, sem um fundamento,
Mas o Teu sangue foi derramado por mim!
E que Tu me ordenas a vir a Ti,
Ó Cordeiro de Deus, eu venho, eu venho!”
Pecadores, venham agora! Vinde, pois, rogo-vos. Rogo-vos, venham agora! Ó Espírito do Deus vivo, atraía-os agora! Que estas débeis e fracas palavras sejam o meio de atrair almas para Cristo! Você vai rejeitar o meu Mestre de novo? Você vai sair dessa casa endurecido mais uma vez? Você pode nunca mais ter sentimentos como estes que estão despertados em sua alma. Venham, agora, receber a Sua misericórdia! Agora dobre seus pescoços dispostas ao seu jugo! E então eu sei que você deve ir longe para provar seu amor fiel e, finalmente, cantar no céu a canção dos redimidos – “Àquele que nos amou e nos lavou de nossos pecados em Seu próprio sangue, a Ele seja a glória para sempre. Amém”. -
“Ó Grande Jesus eterno,
Alto e poderoso Príncipe da Paz!
Como as tuas maravilhas brilham resplandecentes,
Nas maravilhas de Sua Graça -
Teu rico Evangelho despreza condições,
Sopra salvação gratuita como o ar;
Apenas sopra misericórdia triunfante,
Culpa desconcertante e todo o desespero!
Ó a grandeza do Evangelho,
Como soa o sangue purificador;
Mostra o coração de um Salvador,
Mostra o terno coração de Deus!
Trata apenas de amor eterno,
Aumenta a graça todo-abundante,
Nada sabe, senão vida e perdão,
Redenção completa, paz sem fim!”

 Fonte: SpurgeonGems.Org -Título Original: “Free Grace” (Almeida Corrigida Fiel) Tradução: William Teixeira -Revisão por Camila Rebeca Almeida -  Ame o Senhor Jesus Cristo! – por Thomas Brooks - Fonte: Puritansermons.com Tradução: OEstandarteDeCristo.com