Nº 60
Sermão proferido na manhã de domingo, 6 de janeiro de 1856
Pelo Rev. C. H. Spurgeon
Na Capela de New Park Street, Southwark
“Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.”
Isaías 45:22
Há seis anos, neste mesmo dia, aproximadamente nesta mesma hora, eu estava “no fel da amargura e no laço da iniquidade”, mas, pela graça divina, já havia sido levado a sentir a amargura dessa escravidão e a clamar por causa da dureza dela. Buscando descanso e não encontrando nenhum, entrei na casa de Deus e sentei-me ali, com medo de olhar para cima, para que não fosse completamente cortado e para que a fúria de Sua ira não me consumisse.
O ministro subiu ao púlpito e, como eu fiz esta manhã, leu este texto: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.” Eu olhei naquele instante. A graça da fé me foi concedida no mesmo momento e agora penso que posso dizer com verdade:
“Desde que pela fé vi o rio
Que das Suas feridas flui,
O amor redentor tem sido meu tema
E o será até que eu morra.”
Nunca esquecerei aquele dia, enquanto a memória me restar, nem posso deixar de repetir este texto sempre que me lembro daquela hora em que pela primeira vez conheci o Senhor. Quão estranhamente gracioso! Quão maravilhosa e admiravelmente bondoso, que aquele que ouviu estas palavras há tão pouco tempo para o proveito de sua própria alma, agora se dirija a vocês esta manhã como seus ouvintes a partir do mesmo texto, na plena e confiante esperança de que algum pobre pecador dentro destas paredes possa ouvir as boas-novas da salvação para si mesmo também e possa hoje, neste sexto de janeiro, ser “convertido das trevas para a luz e do poder de Satanás para Deus”.
Se estivesse ao alcance da capacidade humana conceber um tempo em que Deus habitava sozinho, sem Suas criaturas, teríamos então uma das ideias mais grandiosas e estupendas de Deus. Houve uma época em que o sol ainda não havia corrido sua carreira, nem começado a lançar seus raios dourados através do espaço para alegrar a terra.
Houve uma era em que nenhuma estrela cintilava no firmamento, pois não havia um mar de azul no qual pudessem flutuar. Houve um tempo em que tudo o que agora contemplamos do grande universo de Deus ainda estava por nascer, adormecido na mente de Deus, ainda não criado e inexistente. No entanto, havia Deus, e Ele era “sobre todos, bendito eternamente”.
Embora nenhum serafim cantasse Seus louvores, embora nenhum querubim de asas poderosas voasse como relâmpago para cumprir Seus altos mandados, embora Ele estivesse sem sequito, Ele se assentava como rei em Seu trono, o Deus poderoso, para sempre adorado — o Supremo Temível, habitando em solene silêncio por Si mesmo na vasta imensidão, fazendo das nuvens plácidas Seu dossel, e a luz de Seu próprio rosto formando o resplendor de Sua glória. Deus era e Deus é. Desde o princípio Deus era Deus; antes que os mundos tivessem começo, Ele era “de eternidade a eternidade”.
Agora, quando Lhe aprouve criar Suas criaturas, não lhes parece quão infinitamente aquelas criaturas devem ter estado abaixo dEle? Se vocês são oleiros e moldam no torno um vaso, esse pedaço de barro arrogaria a si mesmo igualdade com vocês? Não; a que distância estará de vocês, porque vocês foram em parte seus criadores.
Assim, quando o Todo-Poderoso formou Suas criaturas, não foi consumada impudência que elas ousassem por um momento comparar-se com Ele? No entanto, aquele arqui-traidor, aquele líder dos rebeldes, Satanás, buscou subir ao alto trono de Deus, logo para descobrir que seu objetivo era demasiado alto, e o próprio inferno não era baixo o suficiente para escapar da vingança divina. Ele sabe que Deus é “Deus somente”.
Desde que o mundo foi criado, o homem tem imitado Satanás. A criatura de um dia, a efêmera de uma hora, tem buscado igualar-se ao Eterno. Por isso, tem sido sempre um dos objetivos do grande JEOVÁ ensinar à humanidade que Ele é Deus, e fora dEle não há nenhum outro. Esta é a lição que Ele tem ensinado ao mundo desde que este se afastou dEle; Ele tem se ocupado em derrubar os altos lugares, em exaltar os vales, em abater imaginações e olhares altivos, para que todo o mundo possa —
“Saber que o Senhor é Deus somente;
Ele pode criar e Ele pode destruir.”
Esta manhã tentaremos mostrar-lhes, em primeiro lugar, como Deus tem ensinado esta grande lição ao mundo — que Ele é Deus, e fora dEle não há nenhum outro. E depois, em segundo lugar, a maneira especial pela qual Ele pretende ensiná-la no assunto da salvação: “Olhai para mim e sede salvos; porque eu sou Deus, e não há outro.”
I. Em primeiro lugar, COMO DEUS TEM ENSINADO ESTA LIÇÃO À HUMANIDADE?
Respondemos que Ele a tem ensinado, antes de tudo, aos deuses falsos e aos idólatras que se prostraram diante deles. O homem, em sua maldade e pecado, erigiu um bloco de madeira e pedra para ser seu criador e se inclinou diante dele. Ele moldou para si mesmo de uma árvore formosa uma imagem feita à semelhança do homem mortal, ou dos peixes do mar, ou das coisas que se arrastam sobre a terra, e prostraram seu corpo e sua alma também diante dessa criatura de suas próprias mãos, chamando-a de Deus, enquanto ela não tinha olhos para ver, nem mãos para apalpar, nem ouvidos para ouvir!
Mas como Deus tem derramado desprezo sobre os deuses antigos dos pagãos. Onde estão eles agora? São sequer conhecidos? Onde estão aquelas falsas divindades diante das quais as multidões de Nínive se prostravam? Perguntem aos morcegos e às corujas de quem são companheiros, ou perguntem aos montes sob os quais estão enterrados, ou vão aonde o curioso ocioso passeia pelo museu; vejam-nos ali como curiosidades e sorriam ao pensar que os homens alguma vez se inclinaram diante de tais deuses.
E onde estão os deuses da Pérsia? Onde estão? Os fogos se apagaram e o adorador do fogo quase cessou na terra. Onde estão os deuses da Grécia — aqueles deuses adornados de poesia e cantados nos odes mais sublimes? Onde estão? Eles se foram. Quem fala deles agora, senão como coisas de outrora?
Júpiter — alguém ainda se inclina diante dele? E quem é que adora Saturno? Eles passaram e foram esquecidos. E onde estão os deuses de Roma? Jano ainda comanda o templo? Ou as virgens vestais ainda alimentam seus fogos perpétuos? Há alguém agora que se incline diante desses deuses? Não, eles perderam seus tronos.
E onde estão os deuses das ilhas do Mar do Sul — aqueles demônios sangrentos diante dos quais criaturas miseráveis prostravam seus corpos? Eles quase se extinguíram. Perguntem aos habitantes da China e da Polinésia onde estão os deuses diante dos quais se inclinavam. Perguntem, e o eco responde: perguntem, e perguntem de novo. Eles foram derrubados de seus tronos, lançados de seus pedestais, seus carros foram quebrados, seus cetros queimados no fogo, suas glórias se foram.
Deus obteve para Si mesmo a vitória sobre os deuses falsos e ensinou a seus adoradores que Ele é Deus, e que fora dEle não há nenhum outro. Ainda há deuses adorados ou ídolos diante dos quais as nações se curvam? Esperem só um pouco e os verão cair. O cruel Juggernaut, cujo carro ainda esmaga em seu movimento os tolos que se lançam diante dele, ainda será objeto de zombaria, e os ídolos mais notáveis, como Buda, Brama e Vixnu, ainda se curvarão até a terra, e os homens os pisarão como lama nas ruas. Porque Deus ensinará a todos os homens que Ele é Deus e que não há nenhum outro.
Notem, mais uma vez, como Deus tem ensinado esta verdade aos impérios. Impérios se levantaram e se tornaram os deuses da época. Seus reis e príncipes tomaram para si títulos elevados e foram adorados pela multidão. Mas perguntem aos impérios se há algum além de Deus. Não pensam que ouvem o solilóquio jactancioso de Babilônia: “Eu me assento como rainha e não sou viúva; não verei tristeza; sou deus, e não há outro além de mim”?
E não pensam agora, se caminharem sobre a arruinada Babilônia, que encontrarão algo além do espírito solene da Bíblia, em pé como um profeta grisalho de idade, dizendo-lhes que há um Deus e que fora dEle não há nenhum outro? Vão a Babilônia, coberta com a areia — a areia de suas próprias ruínas. Fiquem sobre os montes de Nínive e deixem que a voz se levante: “Há um Deus, e os impérios afundam diante dEle; há somente um potentado, e os príncipes e reis da terra com suas dinastias e tronos são abalados pelo pisar de Seu pé.”
Sente-se no templo da Grécia; notem ali que palavras orgulhosas Alexandre uma vez falou. Mas agora onde está ele e onde está seu império também? Sente-se nos arcos arruinados da ponte de Cartago, ou caminhem pelos teatros desolados de Roma, e ouvirão uma voz no vento selvagem em meio àquelas ruínas: “Eu sou Deus, e não há nenhum outro.”
“Ó cidade, tu te chamaste eterna; Eu te fiz derreter como o orvalho. Tu disseste: ‘Assento-me sobre sete colinas e durarei para sempre’. Eu te fiz desmoronar, e agora és um lugar miserável e desprezível, comparado com o que eras. Antes eras de pedra, te fizeste de mármore; Eu te fiz de pedra novamente e te abati.” Oh! como Deus tem ensinado às monarquias e aos impérios que se ergueram como novos reinos do céu que Ele é Deus, e que não há nenhum outro!
Mais uma vez, como Ele tem ensinado esta grande verdade aos monarcas! Há alguns que foram os mais orgulhosos e tiveram de aprendê-la de uma maneira mais dura que outros. Tomem, por exemplo, Nabucodonosor. Sua coroa está em sua cabeça, sua roupa de púrpura sobre seus ombros. Ele caminha pela orgulhosa Babilônia e diz: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?”
Vocês veem aquela criatura no campo ali? É um homem. “Um homem?”, dizem vocês; seu cabelo cresceu como penas de águia, e suas unhas como garras de ave. Anda de quatro e come erva como o boi. Foi expulso dentre os homens. Aquele é o monarca que disse: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?” E agora ele é restaurado ao palácio de Babilônia, para que possa “bendizer o Altíssimo, que é capaz de abater os que andam em soberba”.
Lembrem-se de outro monarca. Olhem para Herodes. Ele se assenta no meio de seu povo e fala. Ouviram o grito ímpio? “É a voz de Deus”, clamam, “e não a voz de homem.” O monarca orgulhoso não dá a Deus a glória. Ele afeta ser deus e parece abalar as esferas, imaginando-se divino. Há um verme que se arrasta para dentro de seu corpo, e ainda outro, e outro, e antes que aquele sol se ponha, ele é comido de vermes. Ah! monarca! pensaste ser um deus, e os vermes te comeram! Pensaste ser mais que homem, e o que és? Menos que homem, pois os vermes te consomem, e és presa da corrupção. Assim Deus humilha os soberbos, assim abate os poderosos.
Poderíamos dar-lhes exemplos da história moderna, mas a morte de um rei é suficiente para ensinar esta única lição, se os homens quisessem aprendê-la. Quando os reis morrem e em pompa fúnebre são levados à sepultura, somos ensinados a lição: “Eu sou Deus, e fora de mim não há nenhum outro.”
Quando ouvimos de revoluções e do abalo de impérios — quando vemos velhas dinastias tremerem e monarcas de cabelos grisalhos expulsos de seus tronos, então é que JEOVÁ parece pôr Seu pé sobre a terra e o mar e, com as mãos erguidas, clama: “Ouvi! habitantes da terra! Vocês não passam de gafanhotos. ‘Eu sou Deus, e fora de mim não há nenhum outro.’”
Mais uma vez, nosso Deus tem tido muito a fazer para ensinar esta lição aos sábios deste mundo, pois assim como a posição, a pompa e o poder se ergueram no lugar de Deus, assim também a sabedoria. E um dos maiores inimigos da Deidade tem sido sempre a sabedoria do homem. A sabedoria do homem não quer ver Deus. Professando-se sábios, os sábios se tornaram loucos.
Mas não notaram, ao ler a história, como Deus tem abatido o orgulho da sabedoria? Em eras passadas, Ele enviou mentes poderosas ao mundo, que elaboraram sistemas de filosofia. “Estes sistemas”, disseram eles, “durarão para sempre.” Seus discípulos os consideravam infalíveis e, por isso, escreveram seus ditos em pergaminho duradouro, dizendo: “Este livro durará para sempre; as gerações sucessivas de homens o lerão, e até o último homem este livro será transmitido como o epítome da sabedoria.” “Ah! mas”, disse Deus, “esse livro de vocês será visto como loucura antes que outro século tenha passado.”
E assim os pensamentos poderosos de Sócrates e a sabedoria de Sólon estão completamente esquecidos agora, e se pudéssemos ouvi-los falar, a mais tenra criança de nossa escola riria ao pensar que entende mais de filosofia do que eles. Mas quando o homem descobriu a vaidade de um sistema, seus olhos brilharam diante de outro.
Se Aristóteles não bastar, aqui está Bacon. Agora saberei tudo, e ele se põe a trabalhar e diz que esta nova filosofia há de durar para sempre. Ele assenta suas pedras com belas cores e pensa que cada verdade que empilha é uma verdade preciosa e imperecível. Mas, ai! vem outro século, e se descobre que é “madeira, feno e palha”. Surge uma nova seita de filósofos, que refuta seus predecessores.
Assim também temos sábios em nossos dias — sábios secularistas e semelhantes, que imaginam ter obtido a verdade; mas dentro de outros cinquenta anos — e notem esta palavra — estes cabelos não se pratearão de grisalho antes que o último daquela raça tenha perecido, e será considerado tolo aquele que alguma vez esteve ligado a tal raça.
Sistemas de incredulidade passam como uma gota de orvalho diante do sol, porque Deus diz: “Eu sou Deus, e fora de mim não há nenhum outro.” Esta Bíblia é a pedra que despedaçará a filosofia. Este é o poderoso aríete que despedaçará todos os sistemas de filosofia. Esta é a pedra que uma mulher ainda pode lançar sobre a cabeça de todo Abimeleque, e ele será completamente destruído. Ó Igreja de Deus! não temas; farás maravilhas. Os sábios serão confundidos, e tu saberás, e eles também, que Ele é Deus, e que fora dEle não há nenhum outro.
“Certamente”, diz alguém, “a igreja de Deus não precisa ser ensinada nisto.” Sim, respondemos, precisa. Porque de todos os seres, aqueles a quem Deus fez objetos de Sua graça são talvez os mais propensos a esquecer esta verdade cardinal: que Ele é Deus, e que fora dEle não há nenhum outro. Como a igreja em Canaã a esqueceu, quando se inclinou diante de outros deuses, e por isso Ele trouxe contra ela reis e príncipes poderosos e a afligiu severamente. Como Israel a esqueceu! e Ele os levou cativos para Babilônia. E o que Israel fez em Canaã e em Babilônia, isso fazemos agora.
Nós também, com demasiada frequência, esquecemos que Ele é Deus, e fora dEle não há nenhum outro. O cristão não sabe o que quero dizer quando lhe conto este grande fato? Porque não o fez ele mesmo? Em certas ocasiões a prosperidade veio sobre ele, ventos suaves sopraram seu barco exatamente para onde sua vontade selvagem desejava ir. E ele disse consigo mesmo: “Agora tenho paz, agora tenho felicidade, agora o objeto que desejava está ao meu alcance, agora direi: ‘Assenta-te, minha alma, e descansa. Come, bebe e alegra-te. Estas coisas te contentarão bem; faze delas teu deus; sê abençoado e feliz.’”
Mas não vimos nosso Deus quebrar o cálice na terra, derramar o vinho doce e, em seu lugar, enchê-lo de fel? E ao no-lo dar, disse: “Bebe, bebe. Pensaste encontrar um deus na terra, mas esvazia o cálice e conhece sua amargura.” Quando o bebemos, a bebida foi nauseante, e clamamos: “Ah! Deus, não beberei mais destas coisas. Tu és Deus e fora de ti não há nenhum outro.”
E ah! quantas vezes também planejamos esquemas para o futuro sem pedir permissão a Deus! Os homens disseram, como aqueles tolos mencionados por Tiago: “Faremos tais e tais coisas amanhã; compraremos e venderemos e teremos lucro”, quando não sabiam o que havia de ser no dia seguinte, porque muito antes que o amanhã viesse já não podiam comprar e vender; a morte os havia reclamado, e um pequeno espaço de terra continha todo o seu corpo.
Deus ensina Seu povo todos os dias, pela doença, pela aflição, pela depressão de ânimo, pelos abandonos de Deus, pela falta do Espírito por uma temporada, pela ausência das alegrias de Seu rosto, que Ele é Deus, e que fora dEle não há nenhum outro. E não devemos esquecer que há alguns servos especiais de Deus levantados para realizar grandes obras, que de maneira peculiar têm de aprender esta lição.
Que um homem, por exemplo, seja chamado para a grande obra de pregar o Evangelho. Ele é bem-sucedido. Deus o ajuda. Milhares esperam a seus pés e multidões pendem de seus lábios. Tão verdadeiramente quanto aquele homem é um homem, ele terá tendência a ser exaltado acima da medida, e olhará demais para si mesmo e de menos para seu Deus. Que falem os homens que sabem, e o que sabem que falem, e dirão: “É verdade, é muito verdade.”
Se Deus nos dá uma missão especial, geralmente começamos a tomar alguma honra e glória para nós mesmos. Mas, ao revisar os santos eminentes de Deus, nunca observaram como Deus os fez sentir que Ele era Deus, e fora dEle não havia nenhum outro? O pobre Paulo poderia ter pensado ser um deus e ter sido inchado acima da medida por causa da grandeza de sua revelação, se não houvesse um espinho na carne.
Mas Paulo podia sentir que não era um deus, porque tinha um espinho na carne, e deuses não poderiam ter espinhos na carne. Às vezes Deus ensina o ministro negando-lhe ajuda em ocasiões especiais. Subimos ao púlpito e dizemos: “Oh! oxalá eu tivesse um bom dia hoje!” Começamos a trabalhar. Temos sido igualmente fervorosos em oração e igualmente indefesos, mas é como um cavalo cego girando num moinho, ou como Sansão com Dalila. Sacudimos nossos membros vãos com grande surpresa, “fazemos voo fraco” e não ganhamos vitórias. Somos levados a ver que o Senhor é Deus, e que fora dEle não há nenhum outro.
Muito frequentemente Deus ensina isto ao ministro levando-o a ver sua própria natureza pecaminosa. Ele terá tal visão de seu próprio coração ímpio e abominável que sentirá, ao subir os degraus do púlpito, que não merece sequer sentar-se no banco, muito menos pregar a seus semelhantes. Embora sempre sintamos alegria na declaração da Palavra de Deus, conhecemos o que é cambalear nos degraus do púlpito sob o senso de que o chefe dos pecadores mal deveria ser permitido pregar a outros.
Ah! amados, não penso que será muito bem-sucedido como ministro aquele que não for levado às profundezas e à negrura de sua própria alma e feito a exclamar: “A mim, que sou o menor dos menores de todos os santos, foi dada esta graça de anunciar entre os gentios as riquezas inescrutáveis de Cristo.”
Há outro antídoto que Deus aplica no caso dos ministros. Se não lida com eles pessoalmente, levanta um hoste de inimigos para que se veja que Ele é Deus e Deus somente. Um estimado amigo me enviou ontem um valioso manuscrito antigo de um dos hinos de George Whitefield que foi cantado em Kennington Common. Era um hino esplêndido, completamente whitefieldiano de ponta a ponta. Mostrava que sua confiança estava inteiramente no Senhor e que Deus estava nele.
O quê! Um homem se sujeitará às calúnias da multidão, trabalhará e se esforçará dia após dia desnecessariamente, se porá de pé domingo após domingo e pregará o Evangelho, e terá seu nome difamado e caluniado, se não tiver a graça de Deus nele?
Quanto a mim, posso dizer que, se não fosse o amor de Cristo que me constrange, esta hora poderia ser a última em que pregaria, no que diz respeito à facilidade da coisa. “A necessidade me está imposta; e ai de mim se não anunciar o evangelho!” Mas aquela oposição, por meio da qual Deus leva Seus servos, os leva a ver de uma vez que Ele é Deus e que não há nenhum outro.
Se todos aplaudissem, se todos ficassem satisfeitos, pensaríamos ser Deus; mas quando assobiam e vaiam, voltamo-nos para nosso Deus e clamamos:
“Se em meu rosto, por Teu querido nome,
Vergonha e opróbrio houver,
Saudarei o opróbrio e acolherei a vergonha
Se Tu Te lembrares de mim.”
II. Isto nos leva à segunda parte de nosso discurso. A salvação é a maior obra de Deus e, por isso, em Sua maior obra, Ele especialmente nos ensina esta lição — Que Ele é Deus e que fora dEle não há nenhum outro. Nosso texto nos diz COMO ELE A ENSINA — Ele diz: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.”
Ele nos mostra que é Deus e que fora dEle não há nenhum outro de três maneiras. Primeiro, pela pessoa para a qual nos dirige: “Olhai para mim e sede salvos.” Segundo, pelo meio que nos diz para usarmos a fim de obter misericórdia: “Olhai”, simplesmente “Olhai.” E terceiro, pelas pessoas a quem Ele chama para “olhar”: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.”
1. Primeiro, para quem Deus nos diz que olhemos para a salvação? Oh! não abaixa o orgulho do homem quando ouvimos o Senhor dizer: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra”? Não é “Olhai para o vosso sacerdote e sede salvos”; se fosse, haveria outro deus, e fora dEle haveria alguém mais.
Não é “Olhai para vós mesmos”; se fosse, então haveria um ser que poderia arrogar alguma da louvor da salvação. Mas é “Olhai para mim.” Quão frequentemente vocês que estão vindo a Cristo olham para si mesmos. “Oh!”, dizem, “não me arrependo o suficiente.” Isso é olhar para si mesmo. “Não creio o suficiente.” Isso é olhar para si mesmo. “Sou demasiado indigno.” Isso é olhar para si mesmo. “Não consigo descobrir”, diz outro, “que tenho alguma justiça.” É bastante certo dizer que não têm nenhuma justiça, mas é bastante errado procurar alguma. É “Olhai para mim.”
Deus quer que desviem os olhos de si mesmos e olhem para Ele. A coisa mais difícil do mundo é desviar o olho de um homem de si mesmo. Enquanto viver, ele sempre terá uma predileção por voltar o olho para dentro e olhar para si mesmo, ao passo que Deus diz: “Olhai para mim.” Da cruz do Calvário, onde as mãos sangrentas de Jesus derramam misericórdia — do Getsêmani, onde os poros sangrentos do Salvador suam perdões, o clamor vem: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.” Do cume do Calvário, onde Jesus clama: “Está consumado”, ouço um grito: “Olhai e sede salvos.” Mas vem um grito vil de nossa alma: “Não, olhai para vós mesmos! Olhai para vós mesmos!”
Ah, meu ouvinte, olhe para si mesmo e será condenado. Isso certamente virá disso. Enquanto olhar para si mesmo não há esperança para você. Não é a consideração do que você é, mas a consideração do que Deus é, e do que Cristo é, que pode salvá-lo. É olhar de si mesmo para Jesus.
Oh! há homens que compreendem mal o Evangelho. Pensam que a justiça os qualifica para vir a Cristo, ao passo que o pecado é a única qualificação para um homem vir a Jesus. O bom e velho Crisp diz: “A justiça me impede de Cristo. Os sãos não precisam de médico, mas sim os doentes. O pecado me faz vir a Jesus quando o pecado é sentido, e ao vir a Cristo, quanto mais pecado tenho, mais razão tenho para esperar misericórdia.”
Davi disse, e foi uma coisa estranha também: “Tem misericórdia de mim, porque a minha iniquidade é grande.” Mas Davi, por que não disseste que era pequena? Porque Davi sabia que quanto maiores fossem seus pecados, melhor razão para pedir misericórdia. Quanto mais vil um homem for, mais ansiosamente o convido a crer em Jesus.
Um senso de pecado é tudo o que temos de procurar, como ministros. Pregamos a pecadores, e que saibamos que um homem toma o título de pecador para si, e então lhe dizemos: “Olhai para Cristo, e sereis salvos.” “Olhai”, isto é tudo o que Ele exige de vocês, e até isto Ele lhes dá. Se olharem para si mesmos estão condenados; são um vil miserável, cheio de nojo, corrupto e corrompendo outros.
Mas olhem aqui! veem aquele homem pendurado na cruz? Contemplam Sua cabeça agonizante inclinando-se mansamente sobre Seu peito? Veem aquela coroa de espinhos, causando gotas de sangue a escorrer por Suas faces? Veem Suas mãos perfuradas e rasgadas, e Seus pés benditos, sustentando o peso de Seu próprio corpo, quase partidos em dois pelos cruéis cravos? Pecador! ouves-O gritar: “Eloí, Eloí, lama sabactâni?” Ouves-O clamar: “Está consumado”? Marcas Sua cabeça pendendo na morte? Vês aquele lado trespassado pela lança, e o corpo tirado da cruz?
Oh! vinde aqui! Aquelas mãos foram pregadas por vós. Aqueles pés jorraram sangue por vós. Aquele lado foi aberto de par em par por vós, e se quereis saber como podeis achar misericórdia, ali está! “Olhai!” “Olhai para mim!”
Não olhem mais para Moisés. Não olhem mais para o Sinai. Vinde aqui e olhai para o Calvário, para a vítima do Calvário, e para o sepulcro de José. E olhai além, para o homem que perto do trono se assenta com Seu Pai, coroado de luz e imortalidade. “Olhai! pecador”, Ele diz, esta manhã, a vós, “Olhai para mim e sede salvos.” É desta maneira que Deus ensina que não há nenhum outro além dEle, porque nos faz olhar inteiramente para Ele e completamente para longe de nós mesmos.
2. Mas o segundo pensamento é o meio da salvação. É: “Olhai para mim e sede salvos.” Vocês muitas vezes observaram, tenho certeza, que muita gente gosta de um culto intrincado — uma religião complicada — uma que mal conseguem entender. Não suportam um culto tão simples como o nosso. Então precisam de um homem vestido de branco e um homem vestido de preto; depois precisam do que chamam de altar e de um presbitério. Depois de algum tempo isso não basta, e precisam de vasos de flores e velas. O clérigo então se torna um sacerdote, e precisa de uma vestimenta variegada com uma cruz nela. Assim continua; o que é simplesmente um prato se torna uma patena, e o que antes era um cálice se torna um cálice, e quanto mais complicadas as cerimônias, mais eles gostam. Gostam que seu ministro fique como um ser superior.
O mundo gosta de uma religião que não pode compreender! Mas alguma vez notaram quão gloriosamente simples é a Bíblia? Ela não admitirá nenhuma de suas tolices; fala claramente, e nada senão coisas claras. “Olhai!” Não há um homem não convertido que goste disto: “Olhai para Cristo e sede salvos.” Não; ele vem a Cristo como Naamã a Elias, e quando se diz: “Vai, lava-te no Jordão!”, responde: “Na verdade eu pensava que ele viria e poria a mão sobre o lugar e invocaria o nome do seu Deus; mas a ideia de me mandar lavar no Jordão, que coisa ridícula. Qualquer um poderia fazer isso!” Se o profeta lhe tivesse mandado fazer alguma grande coisa, não a teria feito? Ah! certamente teria.
E se, esta manhã, eu pudesse pregar que qualquer um que andasse daqui até Bath sem sapatos e meias, ou fizesse alguma coisa impossível, seria salvo, vocês partiriam amanhã de manhã antes do café. Se me levasse sete anos para descrever o caminho da salvação, tenho certeza de que todos ansiariam por ouvi-lo. Se somente um doutor erudito pudesse dizer o caminho para o céu, como seria corrido atrás dele! E se fosse em palavras difíceis, com alguns pedaços de latim e grego, seria ainda melhor. Mas é um Evangelho simples que temos de pregar. É somente: “Olhai!”
“Ah!”, dizem, “é esse o Evangelho? Não prestarei atenção a isso.” Mas por que Deus ordenou que fizessem uma coisa tão simples? Justamente para abater o orgulho de vocês e mostrar-lhes que Ele é Deus, e que fora dEle não há nenhum outro. Oh! notem quão simples é o caminho da salvação. É: “Olhai, olhai, olhai!” — Quatro letras, e duas delas iguais! “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.” Alguns teólogos querem uma semana para lhes dizer o que devem fazer para serem salvos, mas Deus, o Espírito Santo, só precisa de quatro letras para fazê-lo. “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.”
Quão simples é esse caminho da salvação! E oh! quão instantâneo! Leva-nos algum tempo para mover a mão, mas um olhar não requer um momento. Assim um pecador crê num instante, e no momento em que o pecador crê e confia em seu Deus crucificado para o perdão, imediatamente recebe a salvação plena por meio de Seu sangue. Pode haver alguém que entrou aqui esta manhã injustificado em sua consciência, que sairá justificado antes que outros.
Pode haver alguns aqui, pecadores imundos num momento, perdoados no seguinte. É feito num instante. “Olhai! Olhai! Olhai!” E quão universal é! Porque onde quer que eu esteja, por mais longe que esteja, só diz: “Olhai!” Não diz que eu devo ver; só diz: “Olhai!” Se olharmos para uma coisa no escuro não a podemos ver, mas fizemos o que nos foi mandado. Assim, se um pecador apenas olhar para Jesus, Ele o salvará, porque Jesus no escuro é tão bom quanto Jesus na luz, e Jesus, quando não o podem ver, é tão bom quanto Jesus quando podem. É somente “olhai!”
“Ah!”, diz alguém, “tenho tentado ver Jesus este ano, mas não O tenho visto.” Não diz vejam-no, mas “Olhai para ele”! E diz que os que olharam foram iluminados. Se houver um obstáculo diante de vocês, e olharem apenas na direção certa, é suficiente. “Olhai para mim!” Não é tanto ver Cristo quanto olhar para Ele. A vontade para Cristo, o desejo por Cristo, o anseio por Cristo, a confiança em Cristo, o depender de Cristo, é o que se precisa! “Olhai! Olhai! Olhai!” Ah! se o homem mordido pela serpente tivesse voltado seus olhos cegos para a serpente de bronze, embora não a tivesse visto, ainda assim teria a vida restaurada. É o olhar, não o ver, que salva o pecador.
Dizemos de novo: quão isto humilha o homem! Há um cavalheiro que diz: “Bem, se fosse mil libras que me salvassem, eu não pensaria nada nisso.” Mas o ouro e a prata de vocês estão enferrujados; não prestam para nada. “Então devo ser salvo exatamente como a minha criada Bete?” Sim, exatamente da mesma forma; não há outro caminho de salvação para você. Isso é para mostrar ao homem que JEOVÁ é Deus, e que fora dEle não há nenhum outro.
O homem sábio diz: “Se fosse resolver o problema mais maravilhoso, ou solucionar o maior mistério, eu o teria feito. Não posso ter algum Evangelho misterioso? Não posso crer em alguma religião misteriosa?” Não, é: “Olhai!” “O quê! devo ser salvo exatamente como aquele menino da Escola de Trapos que não sabe ler as letras?” Sim, deve, ou não será salvo de forma alguma.
Outro diz: “Tenho sido muito moral e reto; tenho observado todas as leis da terra, e se houver qualquer outra coisa a fazer, farei. Comerei somente peixe nas sextas-feiras e guardarei todos os jejuns da igreja, se isso me salvar.” Não, senhor, isso não o salvará; suas boas obras não prestam para nada. “O quê! devo ser salvo da mesma maneira que uma prostituta ou um bêbado?” Sim, senhor, há somente um caminho de salvação para todos.
“Ele encerrou a todos na incredulidade, para usar de misericórdia para com todos.” Ele pronunciou uma sentença de condenação sobre todos, para que a graça livre de Deus viesse sobre muitos para a salvação. “Olhai! Olhai! Olhai!” Este é o método simples da salvação. “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.”
Mas finalmente, notem como Deus cortou o orgulho do homem e exaltou a Si mesmo pelas pessoas a quem chamou para olhar. “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.” Quando o judeu ouviu Isaías dizer isso, “Ah!”, exclamou, “devias ter dito: Olhai para mim, ó Jerusalém, e sede salvos. Isso teria sido certo. Mas aqueles cães gentios, devem eles olhar e ser salvos?” “Sim”, diz Deus, “mostrarei a vocês, judeus, que embora lhes tenha dado muitos privilégios, exaltarei outros acima de vocês. Posso fazer o que quiser com o que é Meu.”
Agora, quem são os confins da terra? Por que, há agora nações pagãs pobres que estão a poucos graus de distância dos brutos, incivilizadas e sem instrução. Mas se eu pudesse ir e pisar o deserto e encontrar o bosquímano em seu kraal, ou ir aos Mares do Sul e encontrar um canibal, diria ao canibal ou ao bosquímano: “Olhai para Jesus e sede salvos, vós, todos os confins da terra.”
Eles são alguns dos “confins da terra”, e o Evangelho é enviado tanto a eles quanto aos gregos polidos, aos romanos refinados ou aos britânicos educados. Mas penso que “os confins da terra” implicam aqueles que foram o mais longe possível de Cristo. Digo, bêbado, isso significa você! Você tem cambaleado para trás, até chegar exatamente aos confins da terra. Você quase teve delirium tremens. Não pode estar muito pior. Não há um homem vivo pior do que você. Há? Ah! mas Deus, a fim de humilhar o seu orgulho, diz a você: “Olhai para mim e sede salvos.”
Há outra que tem vivido uma vida de infâmia e pecado, até se arruinar, e até Satanás parece varre-la pela porta dos fundos. Mas Deus diz: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.”
Penso ver alguém tremendo aqui e dizendo: “Ah! eu não tenho sido um destes, senhor, mas tenho sido algo pior, porque tenho frequentado a casa de Deus e tenho sufocado convicções e adiado todos os pensamentos de Jesus, e agora penso que Ele nunca terá misericórdia de mim.” Você é um deles. “Confins da terra!” Enquanto eu encontrar alguém que se sinta assim, posso dizer-lhes que são “os confins da terra.”
“Mas”, diz outro, “sou tão peculiar; se eu não sentisse como sinto, estaria tudo muito bem. Mas sinto que o meu caso é um caso peculiar.” Isso está certo; eles são um povo peculiar. Você servirá. Mas outro diz: “Não há ninguém no mundo como eu. Não penso que se encontrará um ser debaixo do sol que tenha tido tantas chamadas e as tenha posto todas de lado, e tantos pecados sobre a cabeça. Além disso, tenho culpa que não gostaria de confessar a nenhuma criatura viva.” Outro dos “confins da terra” outra vez.
Portanto, tudo o que tenho a fazer é clamar no nome do Mestre: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra; porque eu sou Deus e não há outro.” Mas você diz que o pecado não o deixa olhar. Eu lhe digo: o pecado será removido no momento em que você olhar.
“Mas não ouso. Ele me condenará. Tenho medo de olhar.” Ele o condenará mais se você não olhar. Tema, então, e olhe, mas não deixe que o seu temor o impeça de olhar. “Mas Ele me lançará fora.” Experimente-O. “Mas não posso vê-Lo.” Eu lhe digo: não é ver, mas olhar. “Mas meus olhos estão tão fixos na terra, tão terrenos, tão mundanos.” Ah! mas, pobre alma, Ele dá poder para olhar e viver. Ele diz: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra.”
Tomem isto, queridos amigos, como texto de Ano Novo, tanto vocês que amam o Senhor quanto vocês que estão olhando pela primeira vez. Cristão! em todas as suas tribulações durante este ano, olhe para Deus e seja salvo. Em todas as suas provações e aflições, olhe para Cristo e ache livramento. Em toda a sua agonia, pobre alma, em todo o seu arrependimento por sua culpa, olhe para Cristo e ache perdão. Neste ano, lembrem-se de pôr os olhos para o céu e o coração também para o céu.
Lembrem-se neste dia de atar em torno de si uma cadeia de ouro e pôr um elo dela no grampo no céu. Olhem para Cristo; não temam. Não há tropeço quando um homem anda com os olhos erguidos para Jesus. Aquele que olhou para as estrelas caiu no fosso, mas aquele que olha para Cristo anda em segurança. Mantenham os olhos erguidos o ano inteiro. “Olhai para ele e sede salvos”, e lembrem-se de que “Ele é Deus e fora dEle não há nenhum outro.”
E você, pobre trêmulo, que diz? Começará o ano olhando para Ele? Você sabe quão pecador é esta manhã, sabe quão imundo é, e no entanto é possível que antes de abrir a porta do banco e chegar ao corredor, você esteja tão justificado quanto os apóstolos diante do trono de Deus. É possível que antes que o seu pé pise a soleira da sua porta, você tenha perdido o fardo que estava nas suas costas, e irá pelo caminho cantando: “Estou perdoado, estou perdoado. Sou um milagre da graça. Este dia é o meu aniversário espiritual.”
Oh! que assim seja para muitos de vocês, para que por fim eu possa dizer: “Eis-me aqui e os filhos que me deste.” Ouça isto, pecador convencido! “Este pobre clamou, e o SENHOR o livrou de todas as suas angústias.” Oh! provai e vede que o Senhor é bom! Agora creiam nEle. Agora lancem a sua alma culpada sobre a Sua justiça. Agora mergulhem a sua alma negra no banho do Seu sangue. Agora ponham a sua alma nua à porta do guarda-roupa da Sua justiça. Agora assentam a sua alma faminta no banquete da fartura!
Agora “olhai!” Quão simples parece! E no entanto é a coisa mais difícil do mundo fazer os homens fazerem. Eles nunca o farão, até que a graça constrangedora os faça. No entanto, ali está: “Olhai!” Vão embora com esse pensamento. “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os confins da terra; porque eu sou Deus, e não há outro.”
Extraído de The Metropolitan Tabernacle Pulpit – Coleção C. H. Spurgeon. Foram feitas apenas as alterações necessárias, como correção de erros ortográficos, alguns usos de pontuação, capitalização de pronomes da Divindade e atualização mínima de algumas palavras arcaicas. O conteúdo é integral. Recursos adicionais baseados na Bíblia estão disponíveis em www.spurgeongems.org.
