Escola Bíblica Conhecedores da verdade - O objetivo deste blog e levar você a conhecer a verdade que liberta de todo o Engano. Nesses últimos tempos, muito se tem ouvido falar do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, porém de maneira distorcida e muitas vezes pervertida, com heresias disfarçada etc. “ ...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8.32
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sábado, 17 de setembro de 2016
O Batismo: um sepultamento
nº 1627, Entregue na manhã do dia do Senhor, 30 de outubro de 1881, por
Charles Haddon Spurgeon, No Tabernáculo Metropolitano, Newington – Londres
“Ou não sabeis que
todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De
sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo
foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também
em novidade de vida..” (Romanos 6:3-4)
Que não se entre em controvérsia neste texto acerca do
batismo, por mais que sobre ele alguns tenham levantado questões sobre o
batismo infantil e adulto, imersão ou aspersão. Se qualquer pessoa puder
interpretar de maneira consistente e conclusiva este texto sem considerar que a
imersão é o genuíno batismo cristão, eu realmente gostaria de ver como o faz.
Eu mesmo sou bem incapaz de realizar tal feito, e não imagino como fazê-lo. Eu
me contento em aceitar o ponto de vista que o batismo significa um sepultamento
dos crentes nas águas em nome do Senhor, e assim eu irei interpretar o texto.
Se alguém tem outra perspectiva, deveria ao menos se
interessar em saber qual o significado que damos ao rito do batismo, e espero
que eles não discordem do sentido espiritual apenas por diferirem no sinal
externo. Afinal, o emblema visível não é
o assunto proeminente no texto. Que Deus
o Espírito Santo nos ajude a chegar ao ensino real.
Eu não entendo que Paulo esteja dizendo que pessoas
impróprias como os incrédulos, hipócritas, e enganadores que são batizados o sejam
na morte de nosso Senhor. Ele diz “todos nós que”, colocando-se com o resto dos
filhos de Deus. Ele pretende dizer que estes são os que tem direito ao batismo,
e que a ele vem com seus corações num estado correto. Sobre tais pessoas, Paulo
diz, “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos
batizados na sua morte?” Ele nem mesmo pretende dizer que todos aqueles que
foram batizados por direito tiveram completo entendimento do seu significado
espiritual; pois, se o tivessem, não haveria necessidade da pergunta: “Ou não
sabeis?” Parece que havia alguns batizados que não sabiam realmente o
significado de seu próprio batismo. Eles tinham fé, e uma quantidade de
conhecimento suficiente para torná-los dignos recebedores do batismo, porém não
haviam sido corretamente instruídos na doutrina do batismo; talvez só estivesse
enxergando no batismo o aspecto da lavagem, mas ainda não discerniram a
característica do enterro.
Eu irei além, ao questionar se algum de nós conhece de
maneira plena o significado das ordenanças que Cristo instituiu. Até agora
somos como crianças brincando na praia em relação às coisas espirituais,
enquanto o oceano está diante de nós. O melhor que podemos fazer é entrar no
mar só até a altura dos joelhos, como fazem nossos filhos. Poucos de nós
estamos aprendendo a nadar; e quando aprendemos, só nadamos até onde ainda
podemos pisar os pés em segurança. Quem de nós jamais perdeu de vista a praia e
nadou no Atlântico do amor divino, onde a verdade profunda está realmente no
fundo, e o infinito é o que se vê em redor?
Oh, que Deus nos ensine diariamente daquilo que já sabemos
em parte, e que a verdade que vimos de forma embaçada venha a nós de uma forma
mais clara, até vermos tudo como na presença da total luz do sol. Isso só pode
ocorrer se nosso caráter se tornar mais claro e puro; pois vemos de acordo com
o que somos; e tal qual é o nosso olho assim também é como vemos. O puro de
olhos só pode ver um Deus Santo e Puro. Seremos como Jesus quando o virmos como
Ele é (I João 3:2), e certamente não o veremos como Ele é até sermos como Ele.
Nas coisas celestiais nós O vemos tanto quanto nós O temos em nós mesmos.
Aquele que comeu a carne e o sangue de Cristo espiritualmente é o homem que
pode vê-lO na santa ceia, e aquele que foi batizado em Cristo vê Cristo no
batismo. Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância (Mateus
25:29).
O batismo anuncia a morte, sepultamento e a ressurreição de
Cristo, e também nossa comunhão com Ele. Seu ensino tem dois pontos. Primeiro,
pensem na união representativa com Cristo, de tal forma que, quando nosso
Senhor foi morto e enterrado, foi para nosso próprio benefício, e desta forma
fomos enterrados com Ele. Isso nos ensina do batismo na medida em que declara
abertamente uma crença. Declaramos através do batismo que cremos na morte e
Jesus, e desejamos comungar de todo Seu mérito.
Mas há outro assunto tão importante quanto este: trata-se da
realização da nossa união com Cristo, que é demonstrada por meio do batismo,
não tanto como uma doutrina da nossa confissão, mas como uma experiência nossa.
Há um tipo de morte, de sepultamento, de ressurreição, e de viver em Cristo que
deve se apresentar em todos nós que realmente somos membros do corpo de Cristo.
I Primeiramente, então, eu gostaria que
você pensasse em NOSSA UNIÃO REPRESENTATIVA COM CRISTO tal qual é estabelecida
no batismo como uma verdade a ser crida. Nosso Senhor Jesus é o substituto do
Seu povo, e quando Ele morreu foi para o bem desse povo e em seu lugar. A
grande doutrina da nossa justificação depende disso, que Cristo tomou nossos
pecados, ficou em nosso lugar, e como nosso procurador sofreu, e sangrou, e
morreu, para apresentar em nosso lugar um sacrifício pelo pecado. Nós devemos
nos lembrar dEle, não como uma pessoa privada, mas como nosso representante.
Nós somos enterrados com Ele no batismo até a morte para mostrar que O
aceitamos como sendo para nós morto e enterrado.
O Batismo como um enterro com Cristo significa, primeiro,
aceitar a morte e sepultamento de Cristo como sendo para nós. Vamos fazer isso
agora mesmo com todo o nosso coração. Que outra esperança temos? Quando nosso
Divino Senhor desceu das alturas da glória e tomou sobre si a nossa humanidade,
Ele se tornou um comigo e com você; e, tendo sido achado em forma humana
(Filipenses 2:7), ao Pai agradou colocar o pecado sobre Ele, mesmo os seus
pecados e os meus (Isaías 53). Você não aceita essa verdade, e concorda que o
Senhor Jesus deve ser o sofredor da nossa culpa, e permanecer em pé em seu
lugar à vista de Deus? “Amém! Amém!” digam todos vocês.
Ele subiu ao madeiro carregado com toda essa culpa, e lá Ele
sofreu em nosso lugar e legalmente foi penalizado como nós deveríamos sofrer.
Agradou ao Pai, ao invés de moer a nós, moê-lO. Ele O pôs para sofrer, fazendo
sua alma uma oferta pelo pecado. Não aceitamos gratos a Jesus como nosso
substituto? Oh amados, tendo sido batizados nas águas ou não, eu coloco essa
questão diante de vocês, ―Você aceita o Senhor Jesus como seu representante
substituto?‖ pois se não aceitam, vocês devem sofrer a própria culpa e carregar
seu próprio sofrimento, e estar de pé no seu próprio lugar diante do olhar da
justiça irada de Deus. Muitos de nós dizemos no mais profundo do coração –
“Minha alma se volta
para ver
O sofrimentos que tu suportaste,
Quando segurado na maldita árvore,
E espera que sua
culpa esteja lá”
Agora, sendo
sepultados com Cristo no batismo, nós selamos que a morte de Cristo foi em
nosso benefício, e que estávamos com Ele, e morremos nEle, e, como prova de
nossa fé, nós consentimos na tumba de água, e nos deixamos ser sepultados de
acordo com Seu mandamento. Esse é um fato de fé fundamental – Cristo morto e
sepultado por nós; em outras palavras, substituição, procuração, sacrifício
vicário. Sua morte é a base da nossa segurança: não somos batizados no Seu
exemplo, ou em Sua vida, mas em Sua morte. Aqui nós confessamos que toda a
nossa salvação depende da morte de Jesus, cuja morte nós aceitamos como tendo
acontecido por nossa conta.
Mas isso não é tudo;
pois se eu devo ser sepultado, não deve ser tanto porque eu aceito a morte
substitutiva de outro por mim e por isso eu mesmo estou morto. Batismo é um
reconhecimento de nossa própria morte em Cristo. Mas porque um homem vivo
deveria ser enterrado? Porque ele deveria ser enterrado porque outro morreu em
seu benefício? Meu sepultamento com Cristo não significa somente que Ele morreu
por mim, mas que eu morri nEle, de tal forma que minha morte com Ele precisa de
um enterro com Ele. Jesus morreu por nós porque ele é um conosco (João 17:11,
21). O Senhor Jesus Cristo não tomou sobre si os pecados do Seu povo por uma
decisão arbitrária de Deus; mas era totalmente natural e próprio que Ele
deveria tomar os pecados do Seu povo, pois eles são Seu povo, e Ele é sua
cabeça definitiva.
Era necessário Cristo
sofrer por esta razão – que Ele era o representante do Seu povo pela aliança.
Ele é a Cabeça do corpo, a Igreja; e se os membros pecaram, entende-se que a
Cabeça, ainda que não tenha pecado, deva sofrer as consequências das ações do
corpo. Assim como há um relacionamento natural entre Adão e aqueles que estão
em Adão, assim há também entre o segundo Adão e os que estão nEle (Romanos
5:12-21). Eu aceito o que o primeiro Adão fez em relação ao meu pecado.
Alguns
de vocês podem discordar disto, e com toda a dispensação da aliança, se
quiserem; mas como agradou a Deus colocar as coisas dessa forma, e eu sinto os
efeitos disso, eu não vejo uso algum para a minha discórdia com isso. Tal qual
aceito o pecado do pai Adão, e sinto que eu pequei com ele, assim também com
alegria intensa eu aceito a morte e sacrifício pela culpa de meu segundo Adão,
e me regozijo que nEle eu morri e ressuscitei. Eu vivi, eu morri, eu guardei a
lei, eu satisfiz a justiça através da aliança da Cabeça. Deixe-me ser enterrado
no batismo que eu mostrarei a todos em volta que eu creio que eu era um com meu
Senhor na morte e enterro pelo pecado.
Olhem para isso, Oh, filhos de Deus, e não temam. Essas são
grandes verdades, seguras e confortantes. Vocês estão entre as nuvens do
Atlântico agora, mas não tenham medo. Percebam o efeito santificador dessa
verdade. Suponha que um homem seja condenado à morte por causa de um grande
crime; suponha, aliás, que ele morreu por aquele crime, e agora, por alguma
obra maravilhosa de Deus, após ter sido morto ele foi vivificado de novo. Ele
está novamente entre os homens, como ressurreto dentre os mortos, e qual é o
estado de sua consciência quanto à sua ofensa? Ele irá cometer aquele crime de
novo? Um crime pelo qual ele morreu? Eu digo enfaticamente: Deus proíbe. Ele
certamente dirá: ― eu provei da amargura desse pecado, e eu fui miraculosamente
levantado da morte que me sobreveio, e revivi; agora eu odiarei aquilo que me
matou, e o abominarei com toda a minha alma.‖
Aquele que recebeu o
pagamento do pecado deve aprender como evitá-lo no futuro. Mas, você responde
que ―nós nunca morremos assim. Nunca fomos obrigados a pagar a dívida do nosso
pecado.‖ Correto. Mas aquilo que Cristo fez por você vem a ser a mesma coisa, e
o Senhor olha para isso como a mesma coisa. Você é então um com Jesus, de tal
forma que você deve considerar a morte dEle a sua morte, Seus sofrimentos como
o castigo que lhe traz a paz (Isaías 53: 5). Você morreu na morte de Jesus, e
agora por uma graça estranha e misteriosa você é resgatado do poço de corrupção
(Salmo 40:1-2) para uma vida nova. Como você poderia voltar novamente ao
pecado? Você viu o que Deus pensa do pecado: você percebe que Ele o abomina
totalmente; pois quando foi posto sobre Seu Filho Amado, Ele não O poupou, mas
O pôs em sofrimentos e O levou à morte. Pode você, depois disso, voltar-se
àquela coisa maldita que Deus odeia?
Certamente, o efeito dos grandes sofrimentos do Salvador
sobre seu espírito deve ser santificação. Como viveremos para o pecado, nós que
para ele morremos (Romanos 6:1-14)? Como podemos nós, que já passamos debaixo
da maldição (Gálatas 3:13-14), e suportamos sua pesada punição, tolerar seu
poder? Deveríamos voltar a esse mal assassino, vil, virulento, e abominável?
Não pode ser. A graça o proíbe. Deus não o queira.
Essa doutrina não é a conclusão de todo o assunto. O texto
nos descreve como enterrados, mas com a perspectiva de ressurreição. ―Fomos,
pois, sepultados com Ele na morte pelo batismo;‖ - com qual objetivo? - ―para
que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, assim também andemos nós em
novidade de vida.‖ Ser enterrado com Cristo! Para quê? Para que você permaneça
morto para sempre? Não, mas agora chegando onde Cristo está, você vá aonde
Cristo for. Segure-se nEle, então: Ele vai, então primeiro ao sepulcro, mas a
seguir para fora do sepulcro; pois quando a terceira manhã chegou Ele levantou.
Se você é de fato um com Cristo, você deve ser um com Ele e passar por tudo;
Você será um com Ele na morte, e um com Ele no enterro, e então você virá a ser
um com Ele em Sua ressurreição.
Sou agora um homem morto? Não, bendito seja o Seu nome, pois
está escrito que ―porque eu vivo, vós também vivereis‖ (João 14:19). Fato é que
eu estou morto em um sentido, “considerai-vos mortos”. Mas não estou em outro
pois “a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Colossenses
3:3). E como um homem estaria absolutamente morto se ele tem uma vida oculta?
Não; já que eu sou um com Cristo eu sou o que Cristo é: como Ele é um Cristo
vivente, eu sou espírito vivente. Que coisa gloriosa é ter voltado dos mortos,
porque Cristo nos deu vida. Nossa velha vida legal foi tirada de nós pela
sentença da lei, e a lei nos vê como mortos (Romanos 7:1-6); mas agora
recebemos uma nova vida, uma vida fora da morte, vida-ressurreição em Cristo
Jesus. A vida do cristão é a vida de Cristo. Não é nossa a vida da primeira
criação, mas da nova criação a partir dos mortos. Agora, pois, andamos nós em
novidade de vida (Romanos 6:4), frutificando para a santificação (Romanos
6:22), e justiça, e alegria pelo Espírito de Deus. A vida na carne é para nós
um obstáculo; nossa vida está no Seu Espírito. No melhor e mais elevado
sentido, nossa vida é espiritual e celestial. Isso também é doutrina que deve
ser guardada muito firmemente.
Eu quero que vocês vejam a força disso; pois eu estou
buscando resultados práticos nesta manhã. Se Deus deu a você e a mim uma vida
inteiramente nova em Cristo, como pode essa vida ser desperdiçada da mesma
forma que a vida velha? Há o espiritual que quer viver como carnal? Como podem
vocês que eram os servos do pecado, que foram libertos pelo sangue precioso,
voltar à velha escravidão (Gálatas 5:1)? Quando vocês estavam na vida do
primeiro Adão, vocês viviam em pecado, e o amavam; mas agora vocês foram mortos
e enterrados, e feitos andar em novidade de vida: como pode ser que vocês
estejam voltando aos rudimentos do mundo de onde o Senhor vos tirou? Se vocês
vivem em pecado, vocês serão falsos na sua profissão de fé; pois vocês
professarão estarem vivos para Deus (Romanos 6:11)?Se vocês andam na
concupiscência, vocês vão pisar as doutrinas benditas da Palavra de Deus, pois
elas levam à santidade e pureza. Você faria o cristianismo ser apenas uma
palavra e um provérbio se, depois de tudo, vocês que saíram da morte espiritual
exibissem uma conduta em nada melhor que a vida do homem comum, e um pouco
superior à vida que você mesmo levava.
Visto que muitos de vocês que foram batizados disseram ao
mundo ―estamos mortos para o mundo, e fomos trazidos para uma nova vida‖.
Nossos desejos carnais estão dessa forma vistos como mortos, pois agora vivemos
numa ordem de vida totalmente nova. O Espírito Santo nos deu uma nova natureza,
e por mais que estejamos no mundo, não somos dele, mas somos feitos novo homem,
―criados em Cristo Jesus‖ (Efésios 2:10). Essa é a doutrina que pregamos a todo
homem, que Cristo morreu e ressuscitou, e que Seu povo morreu e ressuscitou
nEle. Dessa doutrina cresce a morte para o pecado e vida para Deus, e desejamos
por cada ação e cada momento de nossas vidas ensiná-la a todos que nos vêem.
Não é esta uma preciosa doutrina? Oh, se vocês de fato são
um com Cristo, deveria o mundo achar vocês se poluindo? Deveriam os membros de
uma Cabeça generosa, graciosa, invejar e serem gananciosos? Deveriam os membros
de uma Cabeça gloriosa, pura e perfeita, ser depredados com as concupiscências
da carne e com as vaidades de uma vida em vão? Se os crentes são de fato
identificados com Cristo de forma tal que eles são Seu tudo, não deveriam eles
ser santos eles mesmos? Se nós vivemos em virtude pela nossa união com Seu
corpo, como podemos viver como vivem os gentios? Como pode ser que tantos
crentes professos exibem uma vida meramente mundana, vivendo para negócios e
prazer, mas não para Deus, em Deus, ou com Deus? Eles dão uma pitada de
religião numa vida mundana, e esperam cristianizá-la. Mas não conseguirão. Eu
sou chamado a viver como Cristo viveria em minhas circunstâncias; escondido em
meu quarto ou no púlpito público, eu sou chamado a ser o que Cristo seria no
mesmo caso. Eu sou chamado a provar aos homens que aquela união com Cristo não
é ficção, nem sentimento fanático: mas que somos movidos pelos mesmos
princípios e agimos pelos mesmos motivos.
Batismo é então de fato um credo, e vocês podem lê-lo nestas
palavras: ―unidos com Ele na semelhança da Sua morte, certamente, o seremos
também na semelhança da Sua ressurreição.‖
II Mas, em segundo lugar, UMA UNIÃO REAL
COM CRISTO também acontece no batismo, isso é mais uma questão de experiência
que de doutrina.
Primeiro, há morte, então, uma questão de experiência atual
do crente verdadeiro. ―Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos
batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?‖ Deve ser contrário a
todas as leis enterrar aqueles que ainda estão vivos. Enquanto não morrerem, o
homem não pode ter o direito de ser enterrado. Muito bem, então, o cristão está
morto, - morto, primeiro, para o domínio do pecado. Toda vez que o pecado lhe
chamava, antes, ele respondia, ―aqui estou eu, pois você me chamou.‖ O pecado
mandava em seus membros, e se o pecado dizia, ―faça isso,‖ ele o faria, como o
soldado obediente ao seu centurião; pois o pecado mandava em todas as partes da
sua natureza, e exercia sobre ele uma tirania suprema.
A graça mudou tudo isso. Quando nos convertemos nos tornamos
mortos para o domínio do pecado. Se o pecado nos chama agora, nos recusamos a
ir, pois estamos mortos. Se o pecado nos dá um comando nós não o obedecemos,
pois estamos mortos para a sua autoridade. O pecado vem a nós hoje – oh, que
ele não o faça – e acha em nós a velha corrupção que está crucificada, mas
ainda não morta; mas não tem domínio sobre nossa verdadeira vida. Bendito seja
Deus, o pecado não pode reinar sobre nós, por mais que possa nos assediar e nos
trazer mal. ―Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais
debaixo da lei, e sim da graça.‖ Nós pecamos, mas sem permissão. Com que
tristeza nós olhamos para as nossas transgressões! Quão sinceramente nós nos
empenhamos em evitá- las! O pecado tenta manter seu poder usurpado sobre nós;
mas não o reconhecemos como soberano. O mal entra em nós como um intruso ou
estranho, e trabalha em triste confusão, mas não habita em nós sobre um trono;
é alguém de fora, e rejeitado, e não mais honrado e um prazer. Estamos mortos
para o reino do poder do pecado.
O crente, se espiritualmente sepultado com Cristo, está
morto para o desejo de tal poder. ―O quê!‖ diz você, ―não têm os homens
piedosos desejos de pecado?‖ De fato, eles têm. A velha natureza que há neles
deseja o pecado; mas o homem verdadeiro, o ego real, deseja ser purgado de
qualquer espécie ou traço de mal. A lei que opera em seus membros corre para o
pecado, mas a vida no coração constrange à santidade (Romanos 7:14-23). Eu
posso falar honestamente, por mim mesmo, que meu desejo mais profundo de minha
alma é viver uma vida perfeita. Se eu pudesse ter meu melhor desejo realizado,
eu nunca pecaria de novo; e, apesar disso, eu consinto com o pecado de tal
forma que me torno responsável quando transgrido, meu eu mais interior abunda
de iniquidade.
O pecado é meu fardo, não meu prazer; minha miséria, não meu
deleite; pensando nisso eu clamo, ―desventurado homem que sou! Quem me livrará
do corpo desta morte?‖ (Romanos 7:24). No centro do nosso coração nosso
espírito se inclina firmemente para o que é bom, e verdadeiro, e celestial, de
tal forma que o homem real tem prazer na lei de Deus, e busca de todo coração o
que é bom. A verdadeira tendência atual do desejo e vontade de nossa alma não é
para o pecado, e o apóstolo não nos ensinou mera fantasia quando disse, ―Porque
aquele que está morto está livre do pecado‖ (Romanos 6:7).
Além disso, em segundo lugar estamos como que mortos à busca
intensa e aos objetivos de uma vida ímpia e pecaminosa. Irmãos, há entre vocês
alguém que professa ser servo de Deus vivendo para si mesmo? Então vocês não
são servos de Deus; pois aquele que realmente nasceu de novo vive para Deus: o
objetivo de sua vida é a glória de Deus e o bem aos seus semelhantes. Esse é o
prêmio colocado à frente do homem movido por Deus, e para isso ele corre.
“Eu não corro para isso‖, diz um. Bem, então você não
chegará ao destino desejado. Se você corre atrás dos prazeres do mundo e suas
riquezas, você talvez alcance o prêmio de que está atrás, mas você não pode
conquistar o ―prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus‖ (Filipenses
3:14). Eu espero que muitos de nós possamos dizer honestamente que estamos
agora mortos para qualquer objetivo na vida, exceto a glória de Deus em Cristo
Jesus. Estamos no mundo, e temos que viver como outros homens vivem, levando
para frente nosso negócio regular; mas tudo isso está subordinado, e não nos
agarramos nisso; nossos alvos estão além de algo mutável. O vôo de nossa alma,
como o da águia, está acima destas nuvens: como aquele pássaro do sol recebe
luz nas rochas, que mesmo descendo às planícies, ainda assim seu prazer é
planar buscando a luz, indo acima das nuvens negras de tempestade, e olhando
para todas as coisas terrenas como inferiores.
Semelhantemente nossa vida que
nos foi dada graciosamente segue em frente e acima; não somos do mundo, e as
questões do mundo não são aquelas em que nós gastamos a maioria das nossas
forças.
Novamente, estamos mortos nesse sentido, que estamos mortos
para a orientação do pecado. A concupiscência da carne guia um homem para todos
os lados. Ele determina seu curso pela pergunta, ―o que é mais prazeroso? O que
me dará mais gratificação imediata?‖ O caminho dos ímpios é traçado pela mão do
desejo egoísta: mas vocês que são verdadeiros cristãos têm outro guia, vocês
são liderados pelo Espírito em um caminho direito. Você pergunta, ―o que é bom
e o que é aceitável aos olhos do Altíssimo?‖ Sua oração diária é ―Senhor,
mostra-me o que queres que eu faça‖. Vocês estão vivos para o ensino do
Espírito, que os conduzirá a toda a verdade (João 16:13; I João 2:27); mas
vocês estão surdos, sim, mortos para os dogmas da sabedoria carnal, às
oposições da filosofia, aos erros da orgulhosa sabedoria dos homens. Guias
cegos que caem (Mateus 15:14) com suas vítimas na vala são evitados por vocês,
que escolheram o caminho do Senhor. Que abençoado estado de coração é este! Eu
creio, meus irmãos, que já o percebemos de todo! Conhecemos a voz do pastor, e
não seguiremos o estranho (João 10:4-5). Um é o vosso professor, e submetemos
nosso entendimento à sua instrução infalível.
Nosso texto deve ter
tido um significado fortíssimo entre os romanos do tempo de Paulo, pois eles
estavam mergulhados em todas as formas de vícios odiosos. Pegue um romano normal
daquele período, e você o verá como um homem acostumado a gastar grande parte
de seu tempo no anfiteatro, embrutecido pelas visões brutais de shows
sangrentos, nos quais gladiadores se matavam para divertir uma multidão de
férias. Ensinados em tal escola, o romano era cruel o quanto se pode ser, e
além disso feroz na satisfação de suas paixões. Um homem depravado não o era
considerado totalmente degradado; não somente nobres e imperadores eram
monstros do vício, mas os professores públicos eram impuros. Quando aqueles que
eram considerados como morais eram corruptos, você pode imaginar como eram os
imorais. ―Divirta-se; siga atrás dos prazeres da carne‖, essa era a regra da
época.
O cristianismo introduziu um novo elemento. Veja um romano
convertido pela graça de Deus! Que mudança há nele! Seu vizinho lhe diz, ―você
não estava no anfiteatro esta manhã. Como pôde perder a visão dos cem alemães
que arrancaram as entranhas uns dos outros?‖ ―Não‖, ele diz, ―eu não estava lá;
eu não suportaria estar lá. Estou completamente morto pra isso. Se você me
forçasse a estar lá, eu teria de fechar meus olhos, pois não poderia olhar para
assassinato ser cometido por esporte!‖. O cristão não se acomodava em locais de
licenciosidade; ele estava realmente morto para tamanha imundície. A moda e os
costumes da época eram tais que os cristãos não conseguiriam consentir com
eles, e assim eles se tornaram mortos para a sociedade. Não é que os cristãos
não iam atrás do pecado público, mas eles falavam dele com horror, e suas vidas
o repreendiam. Coisas que as multidões consideravam com alegria, e falavam
exaltando-as, não davam prazer ao seguidor de Jesus, pois ele estava morto para
tais males. Essa é a nossa confissão solene quando decidimos nos batizar.
Falamos, por atos que são mais audíveis que palavras, que estamos mortos para
aquelas coisas em que os pecadores se deleitam, e queremos ser assim
considerados.
O pensamento seguinte em batismo é enterro. Primeiro vem a
morte, e então se segue o enterro. Agora, o que é enterro, irmãos? Enterro é,
antes de tudo, o selo da morte; é o certificado de perda. ―Está tal homem
morto?‖ diz você. Outro responde, ―porque, meu caro? Ele foi enterrado há um
ano‖. Há exemplos de pessoas enterradas vivas, e eu temo que isso aconteça com
triste frequência no batismo, mas não é natural, e de forma alguma a regra. Eu
temo que muitos tenham sido enterrados vivos no batismo, e tenham
posteriormente se levantado e saído da sepultura como estavam. Mas se o enterro
é verdadeiro, é uma prova da morte. Se eu consigo dizer com verdade, ―Eu fui
enterrado com Cristo trinta anos atrás‖, eu certamente estou morto.
Certamente pensou
assim o mundo, pois não pouco depois do meu enterro com Jesus eu comecei a
pregar o Seu nome, e pelo tempo que o mundo me teve há muito como perdido, e
disse, ―ele fede‖ eles começaram a dizer toda sorte de mal contra o pregador;
mas quanto mais eu cheirava mal em suas narinas mais eu gostava de fazê-lo,
pois tanto mais certo eu estava morto para o mundo. É bom para o cristão ser
ofensivo aos homens rebeldes. Vejo como nosso Mestre fedia na estima dos ímpios
quando clamavam ―crucifica-o! Crucifica-o!‖ por mais que nenhuma corrupção
poderia chegar perto de seu corpo santo, ainda assim seu caráter perfeito não
era saboreado por aquela geração perversa. Deve haver, portanto, em nós a morte
para o mundo, e alguns dos efeitos da morte, ou nosso batismo é vão. Tanto
quanto o sepultamento é a prova da morte, então nosso enterro com Cristo é o
selo de nossa mortificação para o mundo.
Mas o enterro é, a seguir, a manifestação da morte. Enquanto
o homem está vivo, os que passam não sabem que ele está morto; mas quando
acontece o funeral, e ele é levado pelas ruas, todos sabem que ele está morto.
É isso que o batismo deve ser. A morte do crente para o pecado é inicialmente
um segredo, mas por uma confissão aberta ele leva todos os homens a saber que
ele está morto com Cristo. Batismo é o rito funeral pela qual a morte para o
pecado é abertamente estabelecida diante de todos os homens.
O sepultamento é também a separação da morte. O homem morto
não está mais em sua casa, mas é colocado à parte como um que parou de ser
contado entre os vivos. Um corpo não é uma companhia bem-vinda. Mesmo o objeto
mais amado depois de um tempo não pode ser tolerado quando a morte fez seu
trabalho sobre ele. Mesmo Abraão, que ficou por tanto tempo unido a sua amada
Sara, é ouvido dizendo, ―sepulte o morto de diante da minha face‖ (Gênesis
23:1-4). Tal é o crente quando sua morte para o mundo é totalmente conhecida:
ele é má companhia na opinião dos mundanos, e eles o vêm como o
estraga-prazeres. O verdadeiro santo é colocado em separado na mesma classe que
Cristo, de acordo com Sua palavra, ―Se me perseguiram a mim, também perseguirão
a vós‖ (João 15:20). O santo é colocado fora do arraial (Hebreus 13:13) na
mesma cova que seu Senhor; pois assim como Ele foi, assim somos nós também
neste mundo. Ele está sepultado pelo mundo naquele único cemitério de fé, se
assim o devo chamar, onde todos os que estão em Cristo estão juntamente mortos
para o mundo, com o epitáfio para todos eles, ―Porque já estais mortos, e a
vossa vida está escondida com Cristo em Deus‖ (Colossensses 3:3).
E a cova é o lugar – eu não sei de onde tirar uma palavra
disso – de acomodação da morte; pois quando um homem é morto e enterrado você
jamais espera vê-lo voltando para casa novamente: tanto quanto este mundo está
informado, morte e enterro são irreversíveis. Eles me dizem que espíritos andam
pela terra, e todos nós vimos no jornal ―A verdade sobre fantasmas‖, mas eu
tenho minhas dúvidas neste assunto. Nas questões espirituais, entretanto, eu
temo que alguns não estejam muito sepultados com Cristo, mas andam entre as
tumbas. Me entristece muito que seja assim. O homem em Cristo não pode andar
como fantasma, pois ele está vivo em outro lugar; ele recebeu um novo ser e,
portanto, ele não pode aparecer entre os falsos mortos a seu redor. Veja o que
nosso capítulo fala sobre o Senhor: ―sabendo que, havendo Cristo ressuscitado
dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele. Pois, quanto
a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para
Deus.‖ (Romanos 6:9-10). Se de fato fomos vivificados das obras mortas nós
jamais devemos voltar-nos a elas. Eu posso até pecar, mas o pecado não pode ter
domínio sobre mim; eu posso ser um transgressor e ir longe do meu Deus, mas
jamais eu poderia voltar à velha morte novamente. Quando a graça do meu Senhor
me tomou, e me enterrou, ele forjou em minha alma a convicção que dali em
diante e para sempre eu era para o mundo um homem morto.
Eu estou verdadeiramente grato em não ter comprometido isso,
mas ter ido direto para fora.
Eu desembainhei a espada, e lancei fora a bainha
(Efésios 6:17; recomendo a leitura de ―A espada do Espírito‖). Digam ao mundo
que é melhor eles não tentarem nos buscar de volta, pois estamos tão estragados
para ele como se estivéssemos mortos. Tudo que poderiam ter de nós seriam
nossas carcaças. Digam ao mundo para não nos tentar mais, pois nossos corações
estão mudados. O pecado pode encantar o homem velho, homem dependurado na cruz,
e ele deve até virar o seu olho luxuriante naquela direção, mas ele não pode
seguir seu relance, pois ele não pode descer da cruz: O Senhor teve o cuidado
de malhar bastante, e Ele pregou suas mãos e pés firmemente, de tal forma que a
carne crucificada permanecerá no lugar de sofrimento e morte. Sendo isso também
verdade, a genuína vida que está em nós não pode morrer, pois nasceu de Deus;
nem pode habitar em tumbas, pois seu chamado é à pureza e alegria e liberdade;
e a esse chamado se rende.
Nós chegamos até a morte e o sepultamento; mas o batismo, de
acordo com o texto, representa também a ressurreição: ―como Cristo ressuscitou
dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida‖
(Romanos 6:4). Agora, note que o homem que está morto em Cristo, e sepultado
com Cristo, é também levantado de entre os mortos em Cristo, e esse é um
trabalho especial sobre ele. Nenhum morto está ressuscitado, mas o nosso Senhor
mesmo é ―as primícias dos que dormem‖ (I Coríntios 15:20). Ele é o primogênito
dos mortos (Colossensses 1:18). Ressurreição foi uma obra especial no corpo de
Cristo pela qual Ele foi levantado, e aquela obra, que começou na cabeça, vai
continuar até todos os membros serem co-participantes, pois:
“Apesar de nossos
pecados exigirem Nossa carne se tornar pó; Ainda assim como Senhor nosso
Salvador se levantou, E assim farão todos os que o seguem”
Pois para nossa alma e espírito, a ressurreição começou em
nós. Não chegou a nossos corpos ainda, mas será dada a eles no dia determinado.
No presente um trabalho especial foi forjado sobre nós pelo qual fomos
levantados de entre os mortos. Irmãos, se vocês foram mortos e sepultados, e
ficaram deitados por uma noite, digamos, no Cemitério Onde se Acorda, e se uma
voz divina lhe chamou diretamente para fora da cova quando as estrelas
silenciosas brilhavam no céu aberto – se, digo eu, vocês se levantaram
definitivamente do monte verde de relva, que ser solitário deveria ser no vasto
cemitério na noite escura! Como você poderia sentar na vala e esperar pela
manhã! Essa é realmente a condição que diz respeito ao presente mundo mal. Você
foi uma vez igual a todos os pecadores ao seu redor, morto em pecado (Efésios
2:1), e dormindo a cova encomendada pelo mal. O Senhor pelo Seu poder chamou
você para fora de sua tumba, e agora você está vivo no meio dos mortos. Não
pode haver amizade aí para você: pois que comunhão pode haver entre os vivos e
os mortos? Os homens lá no cemitério que acabaram de ser chamados não achariam
ninguém no meio dos mortos com quem pudessem conversar, e não poderão achar
companhia neste mundo. Ali jaz uma caveira, mas ela não pode ver pelos buracos
dos olhos; nem tampouco há discurso vindo de sua boca cruel. Eu vejo uma massa
de ossos depositados no canto: o que vive olha para eles, mas eles não podem
ouvir ou falar. Imagine-se lá. Tudo que você poderia dizer aos ossos seria
perguntar, ―poderão viver estes ossos secos?‖ (Ezequiel 37:3). Você seria um
estrangeiro nessa casa de corrupção, e você desejaria sair o quanto antes de
lá. Essa é sua condição no mundo: Deus te levantou de entre os mortos, e da
companhia com a qual você tinha regularmente suas conversações.
Agora, eu clamo a
vocês, não volte e cave na terra, para abrir as covas e achar um amigo lá. Quem
tiraria a porta de um caixão e clamar, ―Venha, você deve beber comigo! Você
deve ir ao teatro comigo!‖ Não, nós abominamos a idéia de associarmo-nos com a
morte, e eu tremo ao ver um cristão professo tentar ter comunhão com homens
mundanos. ―Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não
toqueis nada imundo‖ (II Coríntios 6:17). Vocês sabem o que aconteceria a você
caso depois de ter sido levantado, e fosse forçado a sentar perto de um corpo
morto recentemente tirado da cova. Você clamaria, ―Eu não posso suportar isso;
não posso aguentar isso‖; você preferiria estar do lado oposto ao vento em
relação ao corpo horrendo. Assim também com o homem que está realmente vivo
para Deus: atos de injustiça, opressão, ou impureza ele não pode suportar; pois
a vida se opõe à corrupção.
Note que, assim como fomos levantados por um trabalho
especial de entre os mortos, esse levantar é pelo poder de Deus. Cristo foi
trazido novamente ―dos mortos pela glória do Pai.‖ O que isso significa? Porque
não disse, ―pelo poder do Pai‖? Ah, amados, glória é uma palavra maior; pois
todos os atributos de Deus são exibidos em toda a sua pompa solene na
ressurreição de Cristo de entre os mortos. Lá havia a fidelidade do Senhor; não
havia Ele declarado que o ressuscitaria dos mortos (Isaías 55:3), e que não
permitiria que o Seu Santo visse corrupção (Salmo 16:10)? Não foi o amor do Pai
visto nisso? Eu estou certo de que houve um deleite no coração de Deus ao
trazer de volta a vida ao corpo de Seu Filho amado. E assim, quando eu e você
somos tirados de nossa morte em pecados, não é meramente o poder de Deus, não é
meramente a sabedoria de Deus que é vista, é a ―glória do Pai‖.
Oh, pensar que cada filho de Deus que foi chamado foi chamado
pela ―glória do Pai‖. Exigiu não somente o Espírito Santo, a obra de Jesus e a
obra do Pai, mas a própria ―glória do Pai‖. Se a menor centelha de vida
espiritual tem de ser criada pela ―glória do Pai‖, qual será a glória daquela
vida quando chegar à perfeição plena, e quando formos como Cristo, e vê-lo como
Ele é (I João 3:2)! Oh amados, tenham em alta conta a nova vida que Deus lhes
deu. Pensem nela em lhes tornando mais ricos se vocês tivessem um mar de
pérolas, mais que se vocês tivessem descendido do mais elevado dos príncipes.
Há em você aquilo que requer todos os atributos de Deus para vir a existir. Ele
poderia fazer um mundo somente com poder, mas você deve ser levantado de entre
os mortos pela ―glória do Pai‖.
Note a seguir que
essa vida é algo inteiramente novo. Nós somos chamados a andar em ―novidade de
vida‖. A vida de um cristão é algo inteiramente diferente da vida de outros
homens, totalmente diferente da sua própria vida antes de sua conversão, e
quando as pessoas tentam falsificá-la, eles não conseguem.
Uma pessoa lhe escreve uma carta e quer que você acredite
que ele é um crente, mas dentro de uma meia-dúzia de sentenças aparece uma
linha que trai o impostor. O hipócrita copiou suas expressões de maneira
ordenada, mas não totalmente. Há uma guilda entre nós, e o mundo olha-nos de
fora por um pouco, e aqui e ali eles tomam alguns de nossos símbolos; mas há um
símbolo privado, que eles nunca conseguirão imitar, e assim em certo ponto eles
se quebram. Um homem sem Deus pode orar tanto quanto um cristão, ler tanto a
Bíblia quanto um cristão, e mesmo ir além de nós no exterior; mas há um segredo
que ele não sabe e não consegue falsificar. A vida divina é uma novidade tão
grande que o irregenerado não tem uma cópia com que trabalhar. Em todo cristão
ela é tão nova como se ele fosse o primeiro cristão. Ainda que em todos haja a
imagem e a inscrição de Cristo, ainda há uma borda branqueada ou algo da prata
verdadeira que esses falsificadores não podem conseguir. É algo novo, uma
história, algo fresco de Deus.
E, por último, essa vida é algo ativo. Eu já desejei que
Paulo não tivesse sido tão rápido enquanto o lia. Seu estilo viaja em botas de
sete léguas. Ele não escreve como um homem qualquer. Eu realmente gostaria de
dizer a ele que se ele tivesse escrito este texto na ordem apropriada, deveria
ser, ―Como Cristo foi levantado de entre os mortos pela glória do Pai, assim
também devemos ser levantados‖. Mas veja; Paulo pulou tanto assunto enquanto
falamos: ele chegou a ―andemos‖. O andar inclui a vida, que o simboliza, e
Paulo pensa tão rápido quando o Espírito de Deus está sobre ele que ele passou
direto da causa para o efeito. Tão logo recebemos a nova vida nos tornamos
ativos: não sentamos e dizemos, ―Eu recebi uma nova vida: quão grato eu devo
estar. Eu vou na quietude usufruir disso‖. Oh, queridos, não. Nós temos de
fazer algo diretamente enquanto estamos vivos, e começamos a andar, e assim o
Senhor mantém-nos durante toda a nossa vida em Sua obra; ele não nos permite
ficar sentados contentes com o mero fato de vivermos, nem permite que gastemos
nosso tempo examinando se vivemos ou não; mas nos dá uma batalha para lutar, e
a seguir outra; Ele nos dá Sua casa para construir, Sua fazenda para arar, Seus
filhos para cuidar, e Suas ovelhas para alimentar.
Às vezes temos tempos de ferozes lutas com nosso próprio
espírito, e tememos que o pecado e Satanás irão enfim prevalecer, até que nossa
vida será dificilmente reconhecida, mas é sempre reconhecida pelos atos. A vida
que é dada àqueles que estavam mortos, com Cristo, é uma vida enérgica, forte,
que está sempre ocupada para Cristo, e, se pudesse, moveria céus e terra para
sujeitar todas as coisas àquele que é sua Cabeça.
Essa vida Paulo nos diz que não tem fim. Uma vez recebida,
nunca sairá de você. ―havendo Cristo ressuscitado dos mortos já não morre; a
morte não mais terá domínio sobre ele‖. É também uma vida que não está mais
debaixo do pecado ou da lei. Cristo veio sob a lei enquanto estava aqui
(Gálatas 4:4), e teve os nossos pecados sobre si (Isaías 53:6), e assim morreu;
mas depois que Ele ressuscitou não havia mais pecado sobre Ele. Em Sua
ressurreição tanto o pecador quanto o Fiador estão livres. O que Cristo teve de
fazer depois de ressuscitar? Carregar mais pecados (Hebreus 7:27)? Não, mas
simplesmente viver para Deus. É aí onde eu e você estamos. Não temos pecados
mais para carregar; está tudo sobre Cristo. O que temos de fazer? Toda vez que
tivermos uma dor de cabeça, ou nos sentirmos enfermos, clamaremos, ―essa é a
punição pelo meu pecado?‖ Nada disso. Nossa punição foi plenamente satisfeita,
pois recebemos a sentença capital, e estamos mortos: nossa nova vida deve ser
para Deus.
“Tudo o que resta
para mim É somente amor e canção, E esperar a vinda dos anjos Para me levar aos
céus.”
Eu tenho agora que servi-lO e ter prazer nEle, e usar o
poder que Ele me deu para chamar outros dos mortos, ―desperta, ó tu que dormes,
e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará‖ (Efésios 5:14). Eu não
vou voltar à cova da morte espiritual nem ao meu caixão de pecado; mas pela
graça divina eu vou continuar a crer em Jesus, e ir de força em força, não
debaixo da lei, não temendo o inferno, nem esperando merecer o céu, mas como
uma nova criatura (II Coríntios 5:17), amando por ter sido amado primeiro (I
João 4:19), vivendo para Cristo pois Cristo vive em mim (Gálatas 2:19-20),
ardentemente esperando a glória que será revelada (Romanos 8:18) em virtude da
minha união com Cristo.
Pobre pecador, você não sabe nada sobre essa morte e
sepultamento, e nunca saberá até que você tenha o poder de ser chamado filho de
Deus (I João 1:12), que Ele dá a todos os que crêem no Seu nome. Creia no Seu
nome, e será todo seu. Amém e amém.
FONTE:
http://www.spurgeongems.org/vols25-27/chs1627.pdf Traduzido do inglês, do
original ―Baptism – a Burial‖, Adaptação de The C. H. Spurgeon Collection, Ages
Software, 1.800.297.4307 Todo direito de tradução protegido por lei
internacional de domínio público Sermão nº 1627—Volume 27 do Metropolitan
Tabernacle Pulpit
A Bíblia: A Revelação de Deus
Tendo visto agora que a
existência de Deus é um fato estabelecido, um fato mais certo que qualquer
conclusão de um arrazoamento formal, porque é o fundamento necessário de toda a
razão, passamos à consideração de uma outra matéria. Há agora, e tem havido por
séculos, um livro peculiar neste mundo, chamado Bíblia, que professa ser a
revelação de Deus.
Os seus escritores falam nos
termos mais ousados de sua autoridade como interlocutores de Deus. Esta autoridade
tem sido admitida por milhões de habitantes da terra, tanto no passado como no presente.
Desejamos perguntar, portanto, se este livro é o que ele professa ser e o que
ele tem sido e se crê ser por uma multidão de gente, - uma revelação de Deus.
Se não é uma revelação de Deus, então os seus escritores ou foram enganados ou
foram enganadores maliciosos.
I.
É a Bíblia historicamente autentica?
Por esta pergunta queremos dizer:
É a Bíblia verossímil como um arquivo de fatos históricos? Há mais ou menos um
século críticos sustentaram ser a Bíblia inverossímil como história. Disseram que
os quatro reis mencionados em Gênesis 14:1 nunca existiram e que a vitória dos
reis do Ocidente contra os do Oriente, como descrita neste capítulo, nunca
ocorreu. Negaram que um povo tal como os hititas viveram algures. Sargon,
mencionado em Isaías 20:1 como rei da Assíria, foi considerado como uma
personagem mitológica. Mas como é agora? Podemos dizer hoje, após se fazerem
extensas investigações concernentes às nações antigas, que nem um só ponto da
Bíblia fica refutado. As confiadas negativas dos primeiros críticos tem-se
provado ousadias de ignorância. Prof. A. H. Sayce, um dos mais eminentes dos
arquiologistas, diz: "Desde a descoberta das tábuas de Tel el-Amarna até
agora, grandes coisas foram trazidas pela arqueologia e cada uma delas tem
estado em harmonia com a Bíblia, enquanto quase cada uma delas tem sido
mortífera contra as asserções dos críticos destruidores". Há um pouco mais
de uma década a United Press irradiou o testemunho de A. S. Yahuda,
primeiramente professor de História Bíblica na Universidade de Berlin e mais
tarde de linguagem semítica na Universidade de Madrid no sentido que "toda
a descoberta arqueológica da Palestina e Mesopotamia do período bíblico traz a
exatez histórica da Bíblia ".
II.
É a Bíblia revelação de Deus?
Estamos agora na consideração de
uma outra questão. Um livro historicamente correto podia ser de origem humana.
É isto verdade da Bíblia?
1. UMA PROBABILIDADE ANTECEDENTE.
Um pensamento cuidadoso, á parte da
questão se a Bíblia é a revelação de Deus, convencerá qualquer crente bem
intencionado na existência de Deus de que é altamente provável que Deus deu ao
homem uma revelação escrita explícita e duradoura da vontade divina. A
consciência do homem informa-o da existência da lei. Como foi bem dito: "A
consciência não estabelece uma lei, ela adverte da existência de uma lei."
(Diman, Theistic Argument). Quando o homem tem o senso comum de que está
procedendo mal, ele tem a indicação de que transgrediu alguma lei.
Quem mais, fora de Jeová, cuja
existência achamos ser um fato estabelecido, poderia ser o autor dessa lei? E
desde que o homem pensa intuitivamente de Deus como sendo bom, ele deve pensar do
propósito de Sua lei como sendo bom. Portanto, não podemos pensar desta lei
como sendo para o mero propósito de condenação. Deve ser que esta lei é para a
disciplina do homem em justiça. Devemos também concluir que Deus, sendo
mostrado ser sábio por Suas maravilhosas obras, usaria dos meios mais eficazes
para a execução do seu propósito por meio da lei. Isto argue por uma revelação
escrita, porque qualquer grau notável de obediência a uma lei justa é impossível
ao homem sem conhecimento dessa lei. A natureza e a razão são incertas demais, indistintas,
incompletas e insuficientes para o propósito.
Mais ainda, E. Y. Mullins diz:
"A mesma idéia de religião contém no seu âmago a idéia de revelação.
Nenhuma definição de religião que omite essa outra idéia pode permanecer à luz
dos fatos. Se o fiel fala a Deus e Deus fica para sempre silente ao fiel, temos
somente um ângulo da religião e a religião se torna uma casuística sem
sentido" (The Christian Religion in its DoctrinalExpression).
2. UMA PRESUNÇÃO RAZOÁVEL
"Se a Bíblia não é o que o
povo cristão do mundo pensa ser, então temos em nossas mãos o tremendo problema
de dar conta de sua crescida e crescente popularidade entre a grande maioria do
povo mais iluminado da terra e em face de quase toda a oposição
concebível" (Jonathan Rigdon, Science and Religion). Grandes esforços se
fizeram para destruir a Bíblia como nunca antes se produziram para a destruição
de qualquer outro livro. Seus inimigos tentaram persistentemente deter sua
influencia.
A crítica assaltou-a e o ridículo
escarneceu-a. A ciência e a filosofia foram invocadas para desacreditá-la. Á
astronomia, no descortinar das maravilhas celestes, pediram-se alguns fatos para
denegri-la e a geologia, nas suas buscas na terra foi importunada para
lançar-lhe suspeita." (J. M. Pendleton, Christian Doctrines). Contudo "Firme,
serena, imovível, a mesma
Ano após ano... Arde eternamente
na chama inapagável; Fulge na luz inextinguível". Whitaker
A Bíblia "levanta-se hoje
como uma fênix do fogo com um ar de mistura de dó e desdém pelos seus
adversários, tão ilesa como foram Sidraque, Misaque e Abdenego na fornalha de Nabucodonozor"
(Collet, All About the Bible).
Não é provável que qualquer
produção meramente humana pudesse triunfar sobre semelhante oposição como a que
se moveu contra a Bíblia.
3. PROVAS DE QUE A BÍBLIA É A REVELAÇÃO DE DEUS.
(1) As grandes
diferenças entre a Bíblia e os escritos dos homens evidenciam que ela não é uma
simples produção humana.
Estas diferenças são: -
A. Quanto ás suas profundezas e
alcances de sentido. "Há infinitas profundezas e alcances inexauríveis de
sentido na Escritura, cuja diferença é de todos os outros livros e que nos
compelem a crer que o seu autor deve ser divino" (Strong). Podemos apanhar
as produções dos homens e ajuntar tudo quanto eles têm a dizer numa só leitura.
Mas não assim com a Bíblia. Podemos le-la repetidamente e achar novos e mais profundos
sentidos. Vacilam nossas mentes ante sua profundeza de sentido.
B. Quanto ao seu poder, encanto,
atração e frescura perene. Os escritores bíblicos são incomparáveis no
"seu poder dramático", esse encanto divino e indefinível, esse
atrativo misterioso e sempre atual que neles achamos em toda a nossa vida como nas
cenas da natureza, um encanto sempre fresco. Depois de estarmos deliciados e
tocados por essas incomparáveis narrativas em nossa infância remota, elas ainda
revivem e afetam nossas ternas emoções mesmo no declínio grisalho. Deve haver,
certamente, algo sobre-humano na mesma humanidade dessas formas tão familiares
e tão singelas" (L. Gaussen, Theopneustia). E este mesmo autor sugere uma
comparação entre a história de José na Bíblia e a mesma história no Al-Korão.
Outro autor (Mornay) sugere uma comparação entre a história de Israel na Bíblia
e a mesma história em Flavio Joséfo. Diz ele que ao ler a história bíblica, os
homens "sentirão vibrar todos os seus corpos, mover seus corações,
sobrevindo-lhes num momento uma ternura de afeto, mais do que se todos os
oradores da Grécia e Roma lhes tivessem pregado as mesmas matérias por um dia
inteiro". Diz ele dos relatos de Joséfo, "que se deixarão mais frio e
menos emocionado do que quando os achou". Ajunta então: "Que, então,
se esta Escritura tem na sua humildade mais elevação, na sua simplicidade mais
profundeza, na sua ausência de todo esforço mais encantos, na sua rudeza mais
vigor e alvo do que podemos achar noutro lugar qualquer?"
C. Quanto a sua
incomparável concisão.
No livro do Gênesis temos uma
história que fala da criação da terra e de ela ser feita lugar adequado para
habitação do homem. Fala da criação do homem, animais, plantas e da sua colocação
na terra. Fala da apostasia do homem, do primeiro culto, do primeiro
assassínio, do dilúvio, da repopulação da terra, da dispersão dos homens, da
origem da presente diversidade de línguas, da fundação da nação judaica e do
desenvolvimento e das experiências dessa nação durante uns quinhentos anos;
tudo, todavia, contido em cinqüenta capítulos notavelmente breves. Comparai
agora com isto a história escrita por Joséfo. Tanto Moisés como Joséfo foram
judeus, ambos escreveram sobre os judeus, mas Joséfo ocupa mais espaço com a
história de sua própria vida do que Moisés consome no arquivo da história desde
a criação até ä morte de José. Tomai também os escritos dos evangelistas.
"Quem entre nós podia ter sido durante três anos e meio testemunha
constante, amigo apaixonadamente chegado, de um homem como Jesus Cristo; quem podia
ter podido escrever em dezesseis ou dezessete curtos capítulos,... a história
inteira dessa vida: - do Seu nascimento, o Seu ministério, dos Seus milagres,
das Suas pregações, dos Seus sofrimentos, de Sua morte, de Sua ressurreição, de
Sua ascensão aos céus? Quem entre nós teria julgado possível evitar de dizer
uma palavra sobre os primeiros trinta anos de uma semelhante vida? Quem entre
nós podia ter relatado tanto atos de bondade sem uma exclamação; tantos milagres
sem uma reflexão a respeito; tantos sublimes pensamentos sem uma ênfase; tantas
fraquezas sem pecado no seu Mestre e tantas fraquezas pecaminosas nos Seus
discípulos, sem nenhuma supressão; tantos casos de resistência, tanta
ignorância, tanta dureza de coração, sem a mais leve desculpa ou comento? É
assim que os homens escrevem história? E mais, quem entre nós podia ter sabido
como distinguir o que exigia ser dito por alto do que exigia sê-lo em minúcia?"
(Gaussen).
(2) A revelação de
coisas que o homem, deixado a si mesmo, jamais podia ter descoberto dá evidência
da origem sobre-humana da Bíblia.
Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica
Por: Thomas Paul Simmons
domingo, 11 de setembro de 2016
Comunhão com a Trindade.
- A comunhão com Deus é um
relacionamento no qual os crentes recebem amor da parte de todas as três
Pessoas da Triunidade e correspondem com amor.
John Owen insistia sempre que a doutrina da Triunidade é o alicerce da fé cristã,
e que, se a mesma cair, tudo mais desaba. A razão de tal insistência era que a
salvação cristã é uma salvação trinitariana, onde as atividades das três
Pessoas divinas, conforme elas desdobram juntas a salvação, refletem seu
relacionamento essencial e eterno na gloriosa vida da Deidade. A primeira
Pessoa, o Pai, é revelado como Aquele que tomou a iniciativa, escolheu um povo
para ser salvo e seu Filho para salvá-los; Deus, o Pai, também planejou um
caminho de salvação coerente com o seu caráter santo. A segunda Pessoa é
revelada como o Filho e como a Palavra em relação ao Pai, refletindo e
incorporando em Si mesmo a natureza e a mente de Deus, vindo do Pai para fazer
a sua vontade, ao morrer a fim de redimir os pecadores. A terceira Pessoa
procede das duas primeiras, como o agente executivo de ambas, transmitindo aos
escolhidos de Deus a salvação que o Filho obteve para eles. Todas essas três
Pessoas mostram-se ativas no cumprimento de um mesmo propósito de amor para com
homens que não merecem ser amados; todas as três concedem dons distintos,
dentre sua riqueza, ao povo escolhido, e todas as três, por isso mesmo, devem
ser distintamente reconhecidas por meio da fé, com a reação favorável da parte
dos crentes. Esse foi o tema de Owen em seu tratado intitulado Of Communion (A Respeito da Comunhão).
Consideremos antes de tudo ao Pai, dizia Owen. Seu
dom especial para nós pode ser descrito como uma atitude e exercício de amor
paternal: "gratuito, imerecido e eterno... Isso o Pai fixa peculiarmente
sobre os santos; isso eles devem observar nEle de forma imediata, para
receberem dEle, e para corresponderem a esse amor, pois nisso Ele se
deleita". Owen salientou que, no Novo Testamento, o amor é destacado como
a característica especial do Pai em seu relacionamento conosco (1 Jo 4.8; 2 Co
13.13; Jo 3.16; Rm 5.5).
Recebemos o amor do Pai por
intermédio da fé; em outras palavras, confiando e reconhecendo que Cristo veio
para nós, não por sua própria iniciativa, mas como um dom oferecido pelo nosso
amoroso Pai celestial.
É verdade que a fé não se prende de
modo imediato ao Pai, mas ao Filho. Este é "o caminho, a verdade e a vida;
ninguém vem ao Pai senão por" Ele (Jo 14.6). Mas isto é o que eu digo:
Quando, por meio e através de Cristo, temos acesso ao Pai, então... vemos o seu
amor, que Ele nos vota de modo peculiar, e então depositamos fé sobre esses
fatos. Portanto, afirmo que a nós cumpre examinar, crer, receber tudo da parte
do Pai; mas os resultados e frutos de tudo isso chegam até nós somente através
de Cristo. Embora não conheçamos a luz senão através dos raios de luz, é por
meio desses raios que vemos o sol, que é a fonte dos raios de luz. Embora
saciemos a sede na água do riacho, é ele que nos faz pensar na sua fonte. Jesus
Cristo, no que toca ao amor do Pai, é apenas o raio de luz, o riacho, onde
verdadeiramente achamos luz e refrigério; e através dEle somos conduzidos à
fonte, o próprio sol do amor eterno. Se ao menos os crentes se exercitassem
nisso, veriam que isso não é apenas um pequeno meio de aprimoramento
espiritual, em seu andar com Deus... A alma, por meio da fé em Cristo, é assim
conduzida... ao seio de Deus, a uma consoladora persuasão, à percepção
espiritual do amor dEle, para ali repousar e descansar...
Como deveríamos reagir diante do amor
do Pai? Por meio do amor recíproco. Ou, no dizer de Owen, "por meio de um
deleite e aquiescência peculiar no Pai, que se revelou de maneira eficaz como
Aquele que ama nossas almas". E, então, Owen passa a analisar esse amor
que devemos ao Pai e que consiste em quatro elementos — descanso, deleite,
reverência e obediência — todos eles em conjunto.
Em seguida, dizia ainda Owen, consideremos o Filho. Seu dom especial
para nós é a graça — o favor gratuito comunicado a nós, junto com todos os
benefícios espirituais que daí fluem. Toda graça acha-se no Filho e é recebida
quando recebemos a Ele.
Não existe homem que não tenha alguma
carência quanto às coisas de Deus, mas Cristo será para ele aquilo que ele
necessita... Está ele morto? Cristo é a vida. Está ele fraco? Cristo é tanto o
poder quanto a sabedoria de Deus. Tem ele sentimento de culpa sobre si? Cristo
é a justiça perfeita... Muitas pobres criaturas sentem suas carências, mas não
sabem onde está o remédio para elas. De fato, seja vida ou luz, seja poder ou
alegria, tudo está em Cristo.
Tudo isso, declarou Owen, estava na
mente de Paulo quando ele falou sobre "a graça do
Senhor Jesus Cristo" (2 Co 13.13), e também na mente de João, quando este escreveu: "Porque todos nós
temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça" (Jo 1.16). Ao expor
o sentido da graça de Cristo, Owen muito frisou o "relacionamento
conjugai" entre Cristo e o seu povo, tendo oferecido uma detalhada exegese
cristológica sobre Cantares 2.1-7 e 5, que examinaremos mais adiante.
A maneira de recebermos o amor de
Cristo é pela fé; ou seja, nesse caso, um consentimento livre e
inclinado a receber, abraçar e submeter-se ao Senhor Jesus, como seu marido,
Senhor e Salvador — a fim de permanecer com Ele, sujeitando a sua alma a Ele,
deixando-se governar por Ele para sempre... Quando a alma consente em aceitar
Cristo segundo as próprias condições dEle, para que Ele a salve à maneira dEle,
e então diz: "Senhor... agora estou disposta a receber-Te e ser salva
segundo teus termos — meramente através da graça; embora eu tenha andado de
acordo com minha própria mente, agora entrego-me a fim de ser guiada pelo
Espírito, pois em Ti tenho justiça e forças, em Ti sou justificada e me
glorio" — então ocorre a comunhão com Cristo... Que os crentes exercitem
abundantemente os seus corações nessas coisas. Essa é a excelente comunhão com
o Filho, Jesus Cristo. Recebamo-Lo em todas as suas excelências, à medida que
Ele revela-Se a nós; tenhamos sempre pensamentos de fé, preferindo-0 acima de
tudo, quando O comparamos a coisas amadas por nós (como por exemplo, o pecado,
o mundo e a justiça própria); consideremos estas coisas como perda e estéreo,
quando comparadas a Ele... Fazendo desse modo, nunca falharemos nessa questão
de um doce refrigério com Ele.
Como devemos corresponder ao afeto
conjugai e à lealdade de Cristo para conosco? Conservando a fidelidade para com
Ele, respondia Owen; ou seja, recusando-nos a confiar em outrem, senão nEle, no
tocante à nossa aceitação diante de Deus; apreciando o seu Santo Espírito, que
nos foi enviado para nosso eterno benefício; mantendo nossa adoração a Ele sem
nenhuma contaminação, de acordo com o padrão bíblico. Isso requer uma submissão
diária e deliberada a Ele, na qualidade de nosso gracioso Senhor. Devemos
regozijar-nos diariamente diante dEle, no conhecimento de sua perfeição como
Aquele que nos salva do pecado; dia a dia devemos levar à cruz os nossos
pecados e fraquezas, a fim de recebermos perdão ("essa é uma obra de todos
os dias; sem ela não sei como pode ser mantida a paz com Deus"); e, a cada
dia, devemos olhar para Cristo, esperando nEle, quanto ao suprimento de seu
Espírito para purificar nossos corações e para operar em nós a santificação. De
acordo com os Puritanos, a santidade não pode ser obtida sem o exercício da fé,
tal como também não pode ser aperfeiçoada sem nosso esforço em combater contra
o pecado. Owen asseverou que os santoscontemplam a Cristo como... o único
despenseiro do Espírito e de toda a graça da santificação... cabe a Ele
aspergir o sangue sobre as almas dos santos; cabe a Ele criar nos santos a
santidade pela qual anelam... Nesse estado, eles olham para Jesus; a fé fixa-se
sobre Ele, na expectativa que Ele lhes dê o Espírito, para todas essas
finalidades e propósitos; mesclando as promessas com a fé e, assim, tornando-os
verdadeiros participantes de toda essa graça. Essa é... a comunhão deles com
Cristo; essa é a vida de fé, no que concerne à graça e à santidade.
Bem-aventurada a alma exercitada nessas coisas.
Finalmente, afirmou Owen, consideremos o Espírito. Ele é chamado de
Consolador, e a consolação — ou seja, a força e o encorajamento do coração,
juntamente com o senso de segurança e com a alegria — é o dom especial que Ele
nos dá. Essa consolação é transmitida em e através do entendimento que Ele nos
dá acerca do amor de Deus em Cristo, assim como de nossa participação na divina
salvação (Jo 14.26,27; 16.14; Rm 5.5; 8.16). O ministério do Espírito, como
nosso Consolador, consiste em trazer-nos à memória as promessas de
Cristo, glorificar a Cristo em nossos corações, derramar sobre nós o amor de
Deus, testificar junto a nós no tocante ao nosso estado e à nossa condição
espiritual, selar-nos para o dia da redenção e ser o penhor de nossa herança,
ungindo-nos com... consolo, confirmando a nossa adoção e estando presente
conosco em nossas súplicas. Eis aqui a sabedoria da fé — descobrir o Consolador
e encontrar-se com Ele em todas essas coisas; não perder a doçura delas, por
jazer nas trevas no que concerne ao Autor delas, não ficar aquém quanto às
atitudes de reciprocidade que são requeridas de nós.
Como devemos corresponder à obra
consoladora do Espírito? Devemos cuidar em não entristecê-Lo por meio da
negligência ou do pecado (Ef 4.30); não abafá-Lo, mediante oposição ou entrave
à sua obra (1 Ts 5.19); não resistir a Ele, por meio da rejeição à sua Palavra
(At 7.51). Antes, devemos continuamente dar graças a Ele, orando a Ele para que
sua paz e bondade continuem. (Owen achava um precedente para tal oração ao
Espírito no texto de Apocalipse 1.4).
De acordo com Owen, esse deve ser o
padrão de nossa comunhão regular com as três Pessoas da Deidade, na meditação,
na oração e em uma vida corretamente ordenada. Convém que nos mantenhamos na
misericórdia e no ministério que cada Pessoa divina tem para conosco, reagindo
adequadamente a elas, com amor e submissão distinta a cada uma. Desse modo,
cumpre-nos manter uma comunhão abrangente com Deus.
Thomas Goodwin propôs um conceito similar, dando menor atenção à precisão verbal, mas
com maior exuberância e calor humano do que aquilo que James Moffat chamou de
"a poça barrenta e escura do raciocínio de Owen". Owen nos mostrou
que o companheirismo com o Deus triúno faz parte do dever cristão. Na citação
abaixo,Goodwin expõe diante de nós essa questão,
como parte do dom divino da certeza de salvação. A respeito de 1 João 1.3 e
João 14.17-23, escreveu Goodwin:
Há uma comunhão e um companheirismo
com todas as pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, no amor delas, particular e
distintamente... Cristo põe-nos a labutar por um conhecimento distinto e por
uma comunhão com todas as três Pessoas... não descansemos enquanto todas as
três Pessoas não nos manifestarem seu amor... Na segurança... a comunhão e o
diálogo de um crente é... algumas vezes com o Pai, outras com o Filho, e outras
com o Espírito Santo; algumas vezes o seu coração é impelido a considerar o
amor do Pai em escolher, então o amor do Filho em redimir, e, por fim, o amor
do Espírito Santo, que perscruta as coisas profundas de Deus, revelando-as a
nós, compartilhando de todas as nossas dores; e assim um homem passa
distintamente de uma testemunha para a outra, e afirmo que essa é a comunhão
que João queria que tivéssemos... E essa segurança não é proporcionada por meio
de argumentação ou dedução, mediante a qual cheguemos a inferir que se uma
dessas Pessoas me ama, então a outra também me ama; antes, é uma segurança
intuitiva, conforme posso expressá-la; e nunca devemos nos satisfazer enquanto
não a tivermos obtido, e enquanto as três Pessoas não se manifestam em nós, em
um mesmo nível, todas elas residindo em nós, como se estivéssemos sentados
entre elas, ao mesmo tempo em que todas manifestam seu amor para conosco...
essa é a suprema experiência que Cristo nos prometeu nesta vida [em seu último
sermão, João 14].
Owen não se expressou dessa forma.
Mas ele certamente concordaria com essas declarações de Goodwin.
J. I. Packer
sábado, 10 de setembro de 2016
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
A Existência de Deus
O fato da existência de Deus
é tanto o ponto de partida lógico como o escriturístico de um estudo sistemático
da doutrina da Bíblia. É o ponto de partida lógico porque o fato da existência
de Deus sotopõe-se a todas as outras doutrinas da Bíblia. Sem a existência de
Deus, todas as outras doutrinas da Bíblia seriam sem sentido. É o ponto de
partida escriturístico porque disso nos capacita o primeiro verso da Bíblia.
I. A existência de Deus está assumida na
Bíblia.
A Bíblia principia por
assumir e declarar a existência de Deus sem empreender prová-la. Isto é um fato
digno de nota. Ao comentá-lo, diz J. M. Pendleton em "Christian
Doctrines": "Moisés, sob inspiração divina, teve, sem dúvida, as
melhores boas razões para o curso adotado por Moisés; a saber: O autor crê que
isto é verdade e crê que há pelo menos três razões para o curso adotado por Moisés;
a saber:
1. ISRAEL, EM CUJO BENEFÍCIO
MOISÉS ESCREVEU PRIMARIAMENTE, JÁ CRIA EM DEUS
Daí, o propósito de Moisés,
que foi mais prático que teológico, não erigiu uma discussão de provas da
existência de Deus.
2. AS EVIDÊNCIAS DA
EXISTÊNCIA DE DEUS SÃO VISÍVEIS E VIGOROSAS
Assim, foi necessário, mesmo
para a raça humana como um todo, que um discurso prático tratasse das
evidências da existência de Deus. Mas o nosso estudo é teológico bem como
prático; logo, é-nos oportuno notar estas evidências visíveis e vigorosas. Elas
nos vêem da:
(1) Criação Inanimada
A. A matéria não é eterna e,
portanto deve ter sido criada. George McCready Price, autor de
"Fundamentals of Geology" e outros livros científicos, diz: "Os fatos
da radioatividade proíbem muito positivamente a eternidade passada da matéria.
Daí, a conclusão é silogística: a matéria deve ter-se originado ao mesmo tempo
no passado..." (Q. E. D., pág. 30). O Professor Edward Clodd diz que
"tudo aponta para uma duração finita da criação atual" (Story of
Creation, pág. 137). "Que a forma presente do universo não é eterna no
passado, mas começou a ser, atesta-nos não só a observação pessoal senão também
o testemunho da geologia" (A. H. Strong Sistematic Theology, pág. 40). B.
A matéria deve ter sido criada por outro processo que não os naturais; logo, a
evidência de um criador pessoal. Diz o Prof. Price.: "Há uma ambigüidade
de evidência. Tanto quanto a ciência moderna pode lançar luz sobre a questão,
deve ter havido uma criação real dos materiais de que se compõe o nosso mundo,
uma criação inteiramente diferente de qualquer processo agora em voga, tanto em
qualidade como em grau". (Q. E. D. pág. 25). A origem das coisas não se
pode computar sobre uma base naturalística. Buscando assim fazer, Darwin foi
obrigado a dizer: "Estou num lamaçal desesperado." Alguém podia falar
tanto de livros serem escritos pelas leis da soletração e da gramática como do
universo ser feito pela operação de mera lei. Assim está a Bíblia de inteiro
acordo com os achados da ciência moderna quando ela declara: "No princípio
Deus criou os céus e a terra." (Gênesis 1:1).
(2) Criação Animada
A. A Matéria viva não pode
provir da não-viva. Escrevendo no "London Times", disse Lord Kelvin:
"Há quarenta anos perguntei a Liebig, andando nalgum lugar pelo campo, se
ele acreditava que o capim e as flores que víamos ao nosso redor cresciam por
meras forças químicas". Ele respondeu: "Não mais do que eu podia crer
que um livro de botânica que as descrevesse pudesse crescer por meras forças
químicas". Numa preleção perante o Instituto Real de Londres, Tyndall
afirmou candidamente os resultados de oito meses de árduos experiências como
segue: "Do princípio ao fim do inquérito não há, como vistes, uma soma de
evidência a favor da doutrina de geração espontânea... Na mais baixa como na
mais elevada das criaturas organizadas o método da natureza é: que a vida será
o produto de vida antecedente". O Professor Conn diz: "Não há a mais
leve evidência de que a matéria viva possa surgir da matéria morta. A geração
espontânea está universalmente vencida" (Evolution of Today, pág. 26). E o
Sr. Huxley foi forçado a admitir: "A doutrina que a vida somente pode vir da
vida está vitoriosa em toda a linha" (The Other Side of Evolution, pág.
25).
B. Desde que a matéria não é eterna, a vida
física, que envolve a matéria viva, não pode ser eterna.
O fato de a matéria não ser
eterna proíbe a suposição que a vida física é o resultado de uma série infinita
de gerações. E desde que, como vimos, a matéria não pode provir da não-viva,
somos forçados a aceitar o fato de um criador pessoal, não-material.
(3) A Consciência Humana
Para fins práticos, a
consciência pode ser definida como a faculdade ou poder humano de aprovar ou
condenar suas ações numa base moral. O apóstolo Paulo, um dos maiores eruditos
do seu tempo, afirmou que os pagãos, que não tinham ouvido de Deus ou de Sua
lei, mostravam "a obra da lei escrita em seus corações, testificando
juntamente a sua consciência e seus pensamentos, ora acusando-se, ora
defendendo-se" (Romanos 2:15). Paulo assim afirmou de homens que não aprenderam
de um padrão moral autorizado e tinham um senso comum do direito e do errado. Eruditos
modernos nos dizem que os povos mais rudimentares da terra têm consciência. Não
se pode dizer, portanto, que o homem tem consciência por causa dos ensinos
morais que ele recebeu. Não se pode duvidar que a instrução moral aguça a
consciência e faz sua sensibilidade mais pungente; mas a presença da
consciência no pagão ignorante mostra que a educação moral não produz
consciência. A consciência, então, nos capacita da existência da lei. A
existência da lei implica a existência de um legislador; logo a consciência
humana atesta o fato da existência de Deus.
(4) Ordem, Desígnio e
Adaptação no Universo,
Ordem, desígnio e adaptação
permeiam o universo. "Desde que a ordem e a colocação útil permeiam
o universo, deve existir uma inteligência adequada para dirigir esta colocação
a fins úteis" (Strong, Systematic Theology, pág. 42). Vemos
ordem maravilhosa nos movimentos dos corpos celestes. Observamos desígnio
admirável no fato de o homem respirar ar, tira muito do oxigênio e
devolve o ar carregado de dióxido de carbono, que é inútil ao homem. As
plantas, por sua vez, tomam o dióxido de carbono, um alimento essencial
da planta, do ar, e deitam oxigênio. Temos admirável adaptação no ajuste do homem
para viver sobre a terra e no ajuste da terra para lugar de habitação do homem.
Tudo disto evidencia um criador inteligente. É o suficiente para convencer
a quaisquer cujas mentes não estão cegadas pelo preconceito. Alguém
podia crer do mesmo modo que é por acidente que os rios nos países
civilizados banham povoações e cidades como crer que a ordem, o desígnio
e a adaptação no universo são produtos de mero acaso.
(5) A Bíblia
A referência aqui não é ao
testemunho da Bíblia concernente à existência de Deus. É ilógico dar a autoridade
da Bíblia como prova da existência de Deus, porque a autoridade da Bíblia
implica a existência de Deus. Semelhante curso vale por perguntar a pergunta:
Mas referimos aqui a:
A. A natureza do conteúdo da
Bíblia
Bem falado foi que a Bíblia é
um livro tal que o homem não o podia ter escrito, se o quisesse, como não o
teria escrito, se pudesse. Ela revela verdades que o homem, deixado a si mesmo nunca
podia ter descoberto. Uma discussão mais ampla desta fato virá no próximo
capítulo. E, se o homem pudesse, porque escreveria ele um livro que o condena
como criatura pecaminosa, falida, rebelde, merecendo a ira de Deus? É da
natureza humana condenar-se assim a si mesma?
B. A profecia cumprida
O cumprimento minucioso de
dezenas de profecias do Velho Testamento está arquivado em oNovo Testamento, o
qual traz a evidência interna de uma história verossímil. O cumprimento da profecia
evidencia um ser supremo que inspirou a profecia.
C. A Vida de Jesus
Aceitando o testemunho do
Evangelho como possuindo as credenciais de uma históriaverossímil, vemos em
Jesus uma vida singular. Nem a hereditariedade, nem o ambiente, as duas forças
naturais na formação do caráter, podem dar conta de Sua vida. Assim temos
evidência de um ser divino que habitou Jesus.
D. A Ressurreição de Jesus
A ressurreição de Jesus, como
um fato sobrenatural e bem atestado mostra que Ele era divino. Temos assim
subsequente evidência de que há um ser divino. Prova da ressurreição de Jesus.
Depois de ouvir uma conversação num trem entre dois homens que discutiam a
possibilidade de ser enganado sobre a ressurreição de Jesus, W. E. Fendley, advogado
de Mississippi, escreveu um artigo que foi publicado no "Western
Recorder" de 9 de dezembro de 1920. Ele abordou a matéria como advogado e
deu as três seguintes razões para negar a plausibilidade da sugestão que o
corpo de Jesus foi roubado: (1) "Não era ocasião oportuna para roubar o
corpo". O fato que três festas judaicas ocorreram no tempo da crucificação
certifica que as ruas de Jerusalém estariam cheias de gente. Por essa razão o
Sr. Fendley diz que não era boa ocasião para roubar-se o corpo. (2) "Havia
cinco penalidades de morte ligadas ao roubo do corpo e nenhuma delas foi
imposta ou executada". As penalidades são dadas como sendo: primeira, por
permitir que o selo fosse rompido; segunda, por quebrar o selo; terceira, por
roubar o corpo; quarta, por permitir roubar o copo; quinta, por dormir quando
em
serviço.
(3) "Nego outra
vez o alegado sobre o fundamento de testemunho premeditado e não premeditado."
E então ele mostra como os soldados vieram do sepulcro e disseram que um anjo os
enxotará de lá e que, quando peitados pelos fariseus, disseram que o corpo de
Jesus fora roubado enquanto eles, soldados, dormiram. O Sr. Fendley prossegue
dando cinco pontos que se devem crer para crê-se neste relatório dos soldados,
que são: (1) "Devem crer que sessenta e quatro soldados romanos sob pena
de morte dormiram todos de uma vez". (2) "Devem aceitar o testemunho
dos dorminhocos". (3) "Devem crer que os discípulos, que estavam tão
medrosos, todos de uma vez se tornaram tremendamente ousados". (4)
"Outra vez, devem crer que os ladrões tiveram bastante tempo de dobrar as
roupas mortuárias e colocá-las aceiadamente de um lado". (5) "Também
devem crer que esses discípulos arriscariam suas vidas por um impostor defunto,
quando o não fizeram por Salvador vivo".
3. O FATO DA EXISTÊNCIA DE DEUS É ACEITO QUASE
UNIVERSALMENTE
Isto se dá como a terceira
razão que justifica o curso seguido por Moisés em assumir e declarar o fato da existência
de Deus sem oferecer quaisquer provas. Os raros que negam a existência de Deus
são insignificantes. "As tribos mais baixas tem consciência, temem a
morte, crêem em feiticeiras, propiciam ou afugentam maus destinos. Mesmo o
fetichista, que a uma pedra ou a uma árvore chama de um deus, mostra que já tem
a idéia de Deus" (Strong, Systematic Theology, pág. 31). "A
existência de Deus e a vida futura são em toda a parte reconhecidas na
África" (Livingstone).
Os homens sentem
instintivamente a existência de Deus. Por que, então, alguns a negam? É por causa
de falta de evidência? Não, é somente por não lhes agradar este sentimento. Ele
os perturba na sua vida pecaminosa. Portanto, conjuram argumentos que
erradiquem o pensamento de Deus de suas mentes. Todo ateu e agnóstico lutam,
principalmente para convencer-se. Quando eles apresentam os seus argumentos a
outrem, é em parte por um desejo de prová-los e em parte em defesa própria,
nunca por um sentimento que suas idéias podem ser de qualquer auxílio a outros.
Um ateu é um homem que, por
amor ao pecado, entremeteu-se na sua mente e a trouxe a uma condição de guerra
com o seu coração em que a mente assalta o coração e tenta arrebatar dele o sentimento
de Deus. O coração contra-ataca e compele a mente a reter o pensamento de Deus.
Neste prélio a mente,
portanto, está constantemente procurando argumentos para usar como munição. Ao
passo que descobre esses argumentos, desfere-os contra o coração com o mais
alto barulho possível. Isto é porque o ateu gosta de expor seu pensamento. Está
em guerra consigo mesmo e ela lhe dá confiança quando ele ouve seus canhões
roncarem. Há evidências, contudo, de que a mente do ateu nunca está
inteiramente vitoriosa sobre o seu coração. Hume disse a um amigo quando
andavam numa noite estrelada: "Adão, há um Deus". Shelley, que foi
excluído de Oxford por escrever um panfleto sobre a "Necessidade de
Ateísmo", deliciou-se em pensar de um belo espírito intelectual permeando
o universo. Voltaire, diz-se, orou numa tempestade alpina e, ao morrer, disse:
"Ó Deus - se houver um Deus – tem misericórdia de mim". Portanto,
pode-se concluir com Calvino: "Os que julgam retamente concordarão sempre
em que há um senso indelével de divindade gravado sobre as mentes dos homens."
Antes de passar adiante, presume-se bom notar as fontes desta crença quase
universal na existência de Deus. Há duas fontes desta crença; a saber:
(1) A Tradição.
Cronologicamente, nossa
crença em Deus vem da tradição. Recebemos nossas primeiras idéias de Deus de
nossos pais. Não há dúvida que isto tem sido verdade de cada sucessiva geração
desde o princípio. Mas não basta a tradição para dar conta da aceitação quase
universal do fato da existência de Deus. O fato que somente uns poucos repelem
esta aceitação (é duvidoso que alguém sempre a rejeite completamente) mostra
que há uma confirmação íntima na crença tradicional da existência de Deus. Isto
aponta-nos à segunda fonte desta crença, que é:
(2) Intuição.
Logicamente, nossa crença em
Deus vem da intuição. Intuição é a percepção imediata da verdade sem um
processo cônscio de arrazoamento. Um fato ou verdade assim percebidos chama-se
uma intuição. Intuições são "primeiras verdades", sem as quais séria
impossível todo pensamento refletivo. Nossas mentes são constituídas de tal
modo a envolverem estas "verdades primárias" logo que se apresentem
as devidas ocasiões.
A. Prova que a crença quase
universal em Deus procede logicamente da intuição e não de arrazoamento.
(a) A grande maior dos homens
nunca tentou arrazoar o fato da existência de Deus, nem são capazes de
semelhante arrazoamento, que servisse para lhes fortificar a crença na
existência de Deus.
(b) A energia da crença dos
homens na existência de Deus não existe em proporção ao desenvolvimento da
faculdade raciocinante, como seria o caso se essa crença fosse primariamente o
resultado de arrazoamento.
(c) A razão não pode demonstrar cabalmente o
fato da existência de Deus. Em todo o nosso arrazoamento sobre a existência de
Deus devemos começar com admissões intuitivas que não podemos demonstrar.
Assim, quando os homens aceitam o fato da existência de Deus, aceitam mais do
que a exata razão os levaria a aceitarem.
B. A existência de Deus como
"Verdade Primária".
(a) Definição. "Uma
verdade primária é um conhecimento que, conquanto desenvolvido em ocasiões de
observação e reflexão, delas não se deriva, - um conhecimento, pelo contrário,
que tem tal prioridade lógica que deve ser assumido ou suposto para se fazer
qualquer observação e reflexão possíveis. Semelhantes verdades não são,
portanto, reconhecidas como primeiras em ordem de tempo; algumas delas assentam
um tanto tarde no crescimento da mente; pela grande maioria dos homens elas
nunca são conscienciosamente formuladas, de modo algum. Contudo, elas
constituem a presunção necessária sobre a qual descansa todo outro
conhecimento, tendo a mente não só a capacidade inata de envolvê-las logo que
se apresentem as devidas ocasiões se não também o reconhecimento delas como
inevitável logo que a mente principia a dar a si mesma conta de seu próprio
conhecimento" (Strong, Systematic Theology, pág. 30).
(b) Prova. "Os processos
do pensamento reflexivo implicam que o universo está fundado na razão e é a
expressão dela" (Harris, Philosophic Basic of Theism). "A indução
descansa sobre a presunção, como ela exige para seu fundamento, que existe uma
divindade pessoal e pensante... Ela não tem sentido ou valía a menos que
assumamos estar o universo constituído de tal modo que pressuponha um
originador absoluto e incondicional de suas forças e leis... Analisamos os diversos
processos do conhecimento nos seus dados sotopostos e achamos que o dado que se
sotopõe a eles todos é o de uma inteligência auto-existente" (Porter,
Human Intellect). "A razão pensa em Deus como existente e ela não séria
razão se não pensasse em Deus como existente" (Dorner, Glaubenslehre). É
por esta razão que Deus disse na Sua Palavra: "Disse o tolo no seu coração:
Não há Deus" (Salmo 14:1). Só um tolo negará a existência de Deus. Alguns
tolos tais são educados; alguns sem letra, mas, não obstante, são tolos, porque
não tem conhecimento ou ao menos não reconhecem nem mesmo o princípio da
sabedoria, o temor do Senhor. Veja Provérbios 1:7.
II. A existência de Deus não
é demonstrável matematicamente, contudo, é mais certa do que qualquer conclusão
da razão.
1. A EXISTÊNCIA DE DEUS NÃO É DEMONSTRÁVEL
MATEMÁTICAMENTE.
"Nem pretendi que a
existência, ainda a deste Ser, pode ser demonstrada como demonstramos as verdades
abstratas da ciência" (Diman, Theistic Argument, pág. 363). Strong cita
Andrew Fuller como questionando "se a argumentação a favor da existência
de Deus não tem mais cépticos do que crentes"; e então acrescenta:
"Tanto quanto isto é verdade, devido é a uma saciedade de argumentos e à
noção exagerada do que se pode esperar deles" (Systematic Theology, pág.
40).
2. A EXISTÊNCIA DE DEUS, CONTUDO, É MAIS CERTA
DO QUE QUALQUER CONCLUSÃO DA RAZÃO.
Leia o estudante novamente as
citações dadas apara mostrar que a existência de Deus é uma "verdade
primária", uma verdade que está assumida por todos no processo da razão,
"O que nega a existência de Deus deve assumir, tacitamente, essa
existência no seu próprio argumento, por empregar processos lógicos cuja
validade descansa sobre o ato da existência de Deus" (Strong, Systematic
Theology, pág. 33). É uma verdade axiomática que aquilo que é o fundamento de
toda a razão é mais certo do que qualquer conclusão da razão. "Não podemos
provar que Deus é, mas podemos mostrar que, em face de qualquer conhecimento,
pensamento, razão do homem, deve o homem assumir que Deus é" (Strong,
Systematic Theology, pág. 34).
3. A EXISTÊNCIA DE DEUS NÃO É
O ÚNICO FATO QUE NÃO PODE SERDEMONSTRADO MATEMATICAMENTE.
Nenhum homem pode demonstrar
a existência do tempo, do espaço, ou a realidade da matéria por um processo
estritamente lógico. Não se pode demonstra nem a realidade de sua própria existência.
Não podemos provar absolutamente que não é alucinação tudo quanto vemos, ouvimos
e sentimos. Todavia, nós nos sentimos certos sobre essas coisas e pouca gente
alguma vez pensou em discuti-las. Quem o faz é considerado um energúmeno. O
mesmo séria sempre verdade do que questionasse a existência de Deus. Um
agnóstico ou um ateu, para serem coerentes, teriam, de assumir a mesma atitude
para com toda a verdade cientifica como a que assume para com a existência de
Deus; porque todos os ramos da ciência devem confiar nas intuições da mente
como o fundamento de toda a observação.
"A gente mais irrazoável
do mundo é aquela que no sentido estreito depende unicamente da razão"
(Strong). "A crença em Deus não é a conclusão de uma demonstração, mas a
solução de um problema" (Strong); e esse problema é o problema da origem
do universo. "O universo, como um grande fato, requer uma explanação
racional e ... e a explanação que se pode possivelmente dar é essa fornecida na
concepção de um tal Ser (como Deus). Nesta conclusão a razão descansa e
recusa-se a descansar em qualquer outra" (Diman, Theistic Argument).
"Chegamos a uma crença científica na existência de Deus tanto como a
qualquer outra verdade humana possível.
Assumímo-la como uma hipótese
absolutamente necessária para dar conta do fenômeno do universo; então
evidência de todos os cantos começa a convergir sobre ela, até que, no processo
do tempo, o senso comum da humanidade, cultivado e iluminado pelo conhecimento
sempre crescente, pronuncia-se sobre a validade da hipótese com uma voz
escassamente menos decidida e universal do que ele o faz no caso de nossas mais
elevadas convicções científicas" (Morell, Philosiphic Fragments). Logo,
podemos dizer: "Deus é o fato mais certo do conhecimento objetivo"
(Bowne, Metaphysics).
III. A existência de Deus,
portanto, pode ser tomada por concedida e proclamada ousadamente.
Os fatos precitados deveriam
fazer o pregador ousado na sua proclamação do fato da existência de Deus, não
temendo de proclamá-la confiadamente aos profanos. Estamos sobre terreno seguro
em proclamar esta verdade. Nenhum homem pode logradamente contrariar nossa
mensagem. Vezes há, talvez, quando o pregador no púlpito devera discutir as
evidências da existência de Deus; todavia, como uma coisa usual, ele deveria
assumi-la e declará-la como Moisés fez. E quando ele trata das evidências da
existência de Deus, não as sobrecarregue de modo a deixar a impressão que a
validade do fato da existência de Deus depende de uma rigorosa demonstração racional.
Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica
Por: Thomas Paul Simmons
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