Jonathan Edwards (1703-1758)
Encontramo-nos
numa situação em que Deus está de um lado e outra coisa do outro - e não
podemos ter os dois. Precisamos escolher. Nossas escolhas práticas nessas
situações mostram se amamos a Deus acima de tudo, ou não. "Recordar-te-ás
de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes
quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu
coração, se guardarias ou não os seus mandamentos" (Deut. 8:2).
Estes
testes são para nosso benefício, não o de Deus. Eleja sabe o que está em nossos
corações. Ele nos defronta com situações de teste de modo que nós possamos
saber o que está em nossos corações. Deus está nos educando, não a Si mesmo!
Reconhecendo que esse é o modo pelo qual Deus nos ensina sobre nossos corações,
damos prova que nossa prática é a verdadeira evidência de nossa sinceridade.
A
prática cristã conduz o novo nascimento para a perfeição. Tiago diz que a
obediência prática de Abraão aperfeiçoou sua fé. "Vês como a fé operava
juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se
consumou" (Tg. 2:22). João diz que nossa obediência aperfeiçoa nosso amor
por Deus: "Aquele que diz: eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos,
é mentiroso, e nele não está a verdade.
Aquele,
entretanto, que guarda a sua palavra, nele verdadeiramente tem sido
aperfeiçoado o amor de Deus" (I Jo. 2:4-5).
Assim,
a prática cristã aperfeiçoa fé e amor. São como uma semente. A semente não
chega à perfeição por ser plantada na terra. Nem por desenvolver raízes e
brotos, ou por sair do chão, nem por desenvolver folhas e botões. Entretanto,
quando produz frutos bons e maduros, chegou à perfeição - completou sua
natureza. O mesmo ocorre com fé e amor e todos os outros dons. Chegam à
perfeição em frutos bons e maduros da prática cristã. A prática, então, deve
ser a melhor evidência de que esses dons existem.
As
Escrituras dão mais ênfase à pratica do que a qualquer outra evidência de
salvação. Espero que isso esteja claro agora. Temos que nos manter nessa
ênfase. É perigoso dar importância a coisas que a Bíblia não endossa. Teremos
perdido nosso equilíbrio bíblico se dermos maior importância aos sentimentos e
experiências que não se expressem em obediência prática. Deus sabe o que é
melhor para nós, e tem salientado certas coisas porque precisam ser
salientadas. Se ignorarmos a ênfase clara, de Deus, na prática cristã, e
insistirmos em outras coisas como testes de sinceridade, estamos no caminho da
ilusão e hipocrisia.
As
Escrituras falam muito claramente sobre a prática cristã como o verdadeiro
teste de sinceridade. Não é como se isso fosse alguma doutrina obscura, somente
mencionada algumas vezes em passagens difíceis. Suponhamos que Deus desse uma
revelação nova hoje, e declarasse: "Conhecereis meus discípulos por isso,
sabereis que são da verdade por isso, sabereis que são Meus por isso" - e
então desse uma marca ou sinal especial. Não veríamos nisso um teste claro e
enfático de sinceridade e salvação? Bem, isto é o que tem ocorrido! Deus tem falado
dos céus - na Bíblia! Ele nos disse muitas e muitas vezes que a prática cristã
é a prova mais alta e melhor da fé verdadeira. Vejam como Cristo repete isso no
texto do capítulo 14 do Evangelho de João: "Se me amais, guardareis os
meus mandamentos" (v. 15). "Aquele que tem os meus mandamentos e os
guarda, esse é o que me ama" (v. 21). "Se alguém me ama, guardará a
minha palavra" (v. 23). "Quem não me ama, não guarda as minhas
palavras" (v. 24). E no capítulo 15: "Nisto é glorificado meu Pai, em
que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos" (v. 8).
"Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando" (v. 14). E
encontramos a mesma coisa em I João: "Ora, sabemos que o temos conhecido
por isto: se guardamos os seus mandamentos" (2:3). "Aquele,
entretanto, que guarda a sua palavra, nele verdadeiramente tem sido
aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele" (2:5).
"Não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade. E nisto
conheceremos que somos da verdade" (3:18-9). Acaso não está claro?