quinta-feira, 20 de março de 2014

A ANTIGÜIDADE DA BÍBLIA

Outros já trataram deste assunto de forma mui exaustiva, resultando disso que, no presente, é bastante abordar apenas de leve uns poucos pontos que contribuam de modo especial à síntese de toda a matéria. Além daqueles aspectos que já abordei, não é de pouco peso que desfruta a própria antigüidade da Escritura. Ora, por mais que os escritores gregos falem muitas coisas a respeito da teologia egípcia, contudo não subsiste nenhum registro de qualquer religião que não seja muito posterior à era de Moisés.
Nem está Moisés a inventar um novo Deus. Ao contrário, apenas menciona o que, transmitido pelos patriarcas, como que de mão em mão, no longo decurso dos tempos, haviam os israelitas recebido a respeito do Deus eterno. Pois, que outra coisa faz, senão reencaminhá-los ao pacto iniciado com Abraão [Gn 17.7]? Ora, se ele houvesse apresentado coisa inaudita, nenhuma aceitação haveria. Entretanto, teria sido um fato a todos conhecido e corriqueiro o livramento da servidão em que estavam sendo retidos, de sorte que, ao ouvir-lhe a menção, de pronto levantaria o
ânimo de todos. Ademais, não é menos provável que houvessem sido por ele instruídos quanto ao término dos quatrocentos anos [Gn 15.13; Ex 12.40; Gl 3.17].

Ora, se Moisés, que entretanto ele próprio supera por espaço tão grande de tempos a todos os outros escritores, reivindica a transmissão de seu ensino desde um começo tão remoto, é preciso considerar quanto a Sagrada Escritura sobressai em antigüidade entre todas as demais.

As Institutas de João Calvino