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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

O DEUS DA PAZ

Sermão nº 49

Volume 1 – The New Park Street Pulpit

Pregado na noite de sábado, 4 de novembro de 1855
Pelo Rev. C. H. Spurgeon
Na Capela de New Park Street, Southwark

“E o Deus da paz seja com todos vós. Amém.”
Romanos 15:33

Paulo, certa vez, aconselhou os romanos a se esforçarem. Três versículos antes do nosso texto, ele realmente lhes dá uma exortação para que se esforcem e, ainda assim, ora aqui para que o Deus da paz esteja com todos eles. Para que não pensem que ele era um homem de contendas, é preciso ler o versículo. Ele diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas orações a Deus por mim”.

Essa é uma santa luta, e esse tipo de luta é o que sempre desejamos ver na igreja: uma luta em oração, um cercar juntos o trono, um sitiar o propiciatório de Deus, um clamar a Deus até que realmente se torne uma luta conjunta em nossas orações. Há também outro tipo de esforço permitido na igreja: o de competir ardentemente pelos melhores dons — uma doce disputa sobre quem se destacará mais em amor, em dever e em fé.

Que Deus nos envie mais dessa espécie de luta em nossas igrejas: luta em oração, luta no cumprimento do dever. E, depois de mencionarmos essas lutas, percebemos que são tão pacíficas que voltamos à bênção do nosso texto: “E o Deus da paz seja com todos vós. Amém”.

Sem qualquer prefácio, consideraremos, em primeiro lugar, o título — “O Deus da paz” — e, em segundo lugar, a bênção: “O Deus da paz seja com todos vós. Amém”.

I. Em primeiro lugar, O TÍTULO

Marte, entre os pagãos, era chamado o deus da guerra. Jano era adorado em períodos de contenda e derramamento de sangue. Mas o nosso Deus, Jeová, se intitula não o Deus da guerra, mas o Deus da paz. Embora permita guerras neste mundo, às vezes para propósitos necessários e úteis; embora as supervisione e até se tenha chamado a si mesmo de Senhor poderoso em batalha, sua santa mente abomina o derramamento de sangue e a contenda. Seu Espírito gracioso não se deleita em ver os homens se matando uns aos outros. Ele é, enfaticamente, unicamente, inteiramente e sem reserva, “o Deus da paz”. A paz é o seu deleite. “Paz na terra e boa vontade para com os homens”. Paz no céu (para esse fim expulsou os anjos). Paz em todo o seu universo é o seu mais alto desejo e o seu maior prazer.

Se considerarmos Deus na Trindade de suas pessoas por alguns momentos, veremos que em cada uma — Pai, Filho e Espírito Santo — o título é adequado e correto: “o Deus da paz”.

Há Deus, o Pai Eterno. Ele é o Deus da paz, pois desde a eternidade planejou o grande pacto da paz, pelo qual traria os rebeldes para perto de si e faria dos estranhos e estrangeiros coerdeiros com os santos e coerdeiros com seu Filho Cristo Jesus. Ele é o Deus da paz, pois justifica e, com isso, implanta a paz na alma. Aceitou a Cristo e, como o Deus da paz, o trouxe de volta dentre os mortos. E ordenou a paz — paz eterna — com seus filhos, pelo sangue do pacto eterno. Ele é o Deus da paz.

Assim também é Jesus Cristo, a segunda pessoa, o Deus da paz, pois “ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e derrubou a parede de separação que estava no meio”. Ele faz a paz entre Deus e o homem. Seu sangue, aspergido sobre a ira ardente de Deus, a transformou em amor — ou, antes, aquilo que deveria ter se manifestado em ira, embora fosse amor desde sempre, pôde se revelar em benignidade por meio da maravilhosa mediação de Jesus Cristo.

E ele é o Deus da paz porque faz a paz na consciência e no coração. Quando diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos”, ele dá “descanso” e, com esse descanso, dá “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”, a qual guarda o nosso coração e a nossa mente. Além disso, é o Deus da paz na igreja, pois onde quer que Jesus Cristo habite, ele cria uma santa paz. Como no caso de Arão antigamente, o óleo derramado sobre a cabeça de Cristo escorre até as orlas de suas vestes e, por meio disso, ele dá paz — paz pelo fruto dos lábios e paz pelo fruto do coração — a todos os que amam Jesus Cristo com sinceridade.

Assim também o Espírito Santo é o Deus da paz. Antigamente ele trouxe a paz quando a matéria caótica estava em confusão: pelo esvoaçar de suas asas fez surgir a ordem onde antes só havia trevas e caos. Do mesmo modo, nas almas sombrias e caóticas, ele é o Deus da paz. Quando ventos dos montes do Sinai e rajadas do abismo varrem a alma angustiada — quando, vagueando em busca de descanso, nossa alma desfalece dentro de nós —, ele fala paz às nossas inquietações e dá repouso ao nosso espírito. Quando, pelos cuidados terrenos, somos sacudidos como a ave marinha, de cima para baixo, da base da onda até a crista da vaga, ele diz: “Aquieta-te, e silencia”. É ele quem, no dia do Senhor, leva o seu povo a um estado de serenidade e o convida a desfrutar

“Daquela santa calma, daquele doce repouso
Que só quem o sente pode conhecer”.

E ele será o Deus da paz quando, na última hora da vida, acalmar a corrente do Jordão, silenciar todos os uivos dos demônios, nos der paz com Deus por meio de Jesus Cristo e nos fizer aportar em segurança no céu. Bendita Trindade! De qualquer modo que te consideremos — como Pai, Filho ou Espírito Santo —, o teu nome continua três vezes bem merecido: o Deus da paz e o Deus do amor.

Entraremos agora no assunto e veremos em que sentido Deus é o Deus da paz. Observamos que ele é o Deus da paz porque criou originalmente a paz. É o Deus da paz porque é o restaurador dela, embora as guerras tenham irrompido por causa do pecado. É o Deus da paz porque preserva a paz depois de estabelecida. E é o Deus da paz porque, no fim, aperfeiçoará e consumará a paz entre todas as suas criaturas e ele mesmo. Assim ele é o Deus da paz.

1. Em primeiro lugar, ele é o Deus da paz PORQUE NÃO CRIOU NADA SENÃO PAZ

Voltemos, em nossa imaginação, ao tempo em que o majestoso Pai saiu de sua solidão e iniciou a obra da criação. Imaginemos o momento em que ele fala a palavra e a primeira matéria é formada. Antes daquele tempo não havia espaço, nem tempo, nem coisa alguma existente, senão ele mesmo. Ele fala, e é feito. Ele ordena, e fica firme. Contemplai-o espalhando de suas mãos poderosas estrelas tão numerosas quanto as faíscas de uma bigorna. Observai como, por sua palavra, os mundos são formados e os orbes pesados rolam por aquela imensidão que ele primeiro decretou para ser a sua morada. Erguei agora os olhos e contemplai essas grandes coisas que ele já criou. Que as asas da imaginação vos levem pela imensidão do espaço e pelo vasto abismo, e vede se podeis descobrir em algum lugar o menor sinal ou vestígio de guerra. Percorrei-o do norte ao sul, do oriente ao ocidente, e notai bem se não há uma harmonia universal, se tudo não é amável, puro e de boa fama. Vede se na grande harpa da natureza há uma só corda que, tocada pelo dedo do seu Criador, produza discordância. Vede se os tubos deste grande órgão que Deus fez não tocam todos em harmonia. Observai bem e notai: há baluartes formados para a guerra? Há lanças e espadas? Há clarins e trombetas? Deus criou algum material com o qual destruir as suas criaturas e assolar os seus reinos? Não. Tudo é pacífico acima, abaixo e ao redor. Tudo é paz; não há nada senão calma e quietude.

Observai quando ele faz os anjos. Ele fala — serafins alados voam pelo ar e querubins atravessam o espaço em asas de fogo. Ele fala, e multidões de anjos em suas diversas hierarquias são trazidos à existência, enquanto Jesus Cristo, como poderoso Príncipe dos anjos, é decretado como a sua Cabeça. Há agora, em algum desses anjos, o menor sinal de tristeza? Quando Deus os fez, fez algum deles para ser seu inimigo? Formou algum deles com a menor implacabilidade ou má vontade no peito? Perguntai às legiões resplandecentes, e elas vos dirão: “Não fomos feitos para a guerra, mas para a paz. Ele não nos formou espíritos de batalha, mas espíritos de amor, de alegria e de quietude”.

E se pecaram, ele não os fez para pecar. Eles o fizeram. Trouxeram a desgraça ao mundo por sua própria vontade. Deus não criou nenhuma guerra. O anjo mau a trouxe primeiro. Deixado ao seu livre-arbítrio, caiu. Os anjos eleitos, confirmados pela graça divina, permaneceram firmes. Mas Deus não foi o autor de nenhuma guerra ou contenda. Satanás concebeu a rebelião por si mesmo, mas Deus não teve parte nisso. Pode ser que, desde a eternidade, a tenha previsto e, em certo sentido, até a tenha ordenado para manifestar a sua justiça e a sua glória, e para mostrar a sua misericórdia e soberania na redenção do homem — mas Deus não teve nenhuma participação nela. O Eterno abomina a guerra. Não foi o autor dela. Satanás liderou a vanguarda; aquela estrela da manhã que cantava junto com os demais caiu por si mesma. Deus não foi o autor da sua confusão, mas o autor da ordem eterna e abençoada.

Olhai também para Deus na criação deste mundo. Entrai no jardim do Éden. Andai pelos seus bosques. Recostai-vos sob as suas árvores e comei dos seus frutos. Percorrei o mundo inteiro. Sentai-vos à beira-mar ou estendei-vos sobre a montanha. Vedes o menor sinal de guerra? Nada disso. Não há nada de tumulto e barulho, nenhuma preparação para a destruição. Vede Adão e Eva — os seus dias são um sol perpétuo, as suas noites são noites balsâmicas de doce repouso. Deus nada colocou no coração deles que pudesse perturbá-los. Não tem nenhuma má vontade para com eles; ao contrário, passeia com eles à tarde, sob as árvores, no fresco do dia. Condescende em conversar com as suas criaturas e ter comunhão com elas.

De modo algum ele é o autor da presente confusão deste mundo. Isso foi causado pelos nossos primeiros pais por meio da tentação do maligno. Deus não criou este mundo para a contenda. Quando o formou pela primeira vez, paz, paz, paz era a ordem universal do dia. Que venha o tempo em que a paz seja outra vez restaurada a esta grande terra e a tranquilidade a este mundo!

Não observais que Deus é o Deus da paz porque a criou originalmente? Quando pronunciou a sua criação “muito boa”, ela era inteiramente, sem a menor exceção, uma criação pacífica. Deus é o Deus da paz.

2. Em segundo lugar, ele é o Deus da paz porque a restaura

Nada mostra tanto que um homem é amante da paz quanto o fato de procurar fazer a paz entre outros. Ou quando outros o ofenderam, ele se esforça para fazer a paz entre si e eles. Se eu pudesse, em todos os tempos, manter a paz comigo mesmo e nunca provocar uma briga, seria considerado um espírito pacífico. Mas se outras pessoas escolhem brigar e discordar de mim, e eu desejo e me proponho deliberadamente a promover a reconciliação, então todos dizem que sou um homem de paz. “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”.

Deus é o grande pacificador e, assim, é de fato o Deus da paz. Quando Satanás caiu, houve guerra no céu. Deus fez a paz ali, pois feriu Satanás e o lançou, juntamente com todas as suas hostes rebeldes, no fogo eterno. Fez a paz pelo seu poder, pela sua força e pela sua majestade, pois o expulsou do céu e o lançou fora com a sua espada flamejante, para nunca mais poluir o solo sagrado da bem-aventurança e nunca mais pôr em perigo o Paraíso enganando os seus pares no céu. Assim fez a paz no céu pelo seu poder.

Mas quando o homem caiu, Deus fez a paz não pelo seu poder, mas pela sua misericórdia. O homem transgride. Pobre homem! Observai como Deus vai atrás dele para fazer a paz com ele! “Adão, onde estás?” Adão nunca disse: “Deus, onde estás?”. Mas Deus veio atrás de Adão e parecia dizer com voz de afeição e piedade: “Adão, pobre Adão, onde estás? Tornaste-te um deus? O espírito maligno disse que serias um deus — és? Onde estás agora, pobre Adão? Outrora estavas em santidade e perfeição; onde estás agora?”. E viu o trânsfuga Adão fugindo do seu Senhor, fugindo do grande Pacificador, para se esconder debaixo das árvores do jardim. De novo Deus chama: “Adão, onde estás?”. Mas ele diz: “Ouvi a tua voz no jardim e temi, porque estava nu, e escondi-me”. E Deus diz: “Quem te mostrou que estavas nu?”. Quão bondoso ele é! Podeis ver que ele é um Pacificador até então. Mas quando, depois de ter amaldiçoado a serpente e lançado a maldição obliquamente sobre a terra, ele vem falar com Adão, vê-lo como o Pacificador ainda mais. “Porei”, disse ele, “inimizade entre ti e a mulher, entre a tua semente e a semente dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Ali ele estava fazendo a paz pelo sangue da cruz. Não imagineis, porém, que aquela foi a primeira preparação de paz que Deus jamais fez. Aquela foi a primeira manifestação dela, mas ele vinha fazendo a paz desde toda a eternidade. Por meio do pacto que fez com Jesus Cristo desde toda a eternidade, o povo de Deus estava em paz com Deus. Embora Deus visse que o homem cairia, embora previsse que os seus eleitos, juntamente com os demais, se afastariam da retidão e se tornariam seus inimigos, ainda assim, muito antes da queda, ele firmou um pacto com Jesus, no qual Jesus estipulou que pagaria as dívidas de todo o seu povo, e o Pai, em favor deles, realmente e positivamente perdoou os seus pecados, justificou as suas pessoas, tirou a sua culpa, os absolveu, os aceitou e os recebeu em paz consigo. Embora isso só tenha sido revelado depois da queda e, para cada um de nós, só seja conhecido quando cremos, sempre houve paz entre Deus e os eleitos.

Devo contar-vos a história de um pobre pedreiro que sofreu um acidente e todos pensavam que ia morrer — e de fato morreu. Um clérigo lhe disse: “Meu pobre amigo, receio que vá morrer. Procure fazer a sua paz com Deus”. Com lágrimas nos olhos, ele olhou para o rosto do clérigo e disse: “Fazer a minha paz com Deus, senhor? Agradeço a Deus que ela foi feita por mim no pacto eterno por Jesus Cristo, muito antes de eu nascer”.

Assim, amados, foi. Houve uma paz, uma paz perfeita que Deus fez com o seu Filho. Jesus não foi apenas o nosso embaixador, mas foi a nossa paz. Não apenas o fazedor da paz, mas a nossa paz. E, como houve um Cristo antes de todos os mundos, houve paz antes de todos os mundos. Como sempre haverá um Cristo, sempre haverá paz entre Deus e todos os interessados no pacto.

Oh, se pudermos sentir que estamos no pacto, se soubermos que somos contados com a raça escolhida e comprados com o sangue redentor, então poderemos nos regozijar porque Deus tem sido para nós o Restaurador das brechas, o Construtor de cidades para se habitar, e nos deu a paz que uma vez perdemos. Ele é o Restaurador da paz.

3. Em terceiro lugar, ele é o Preservador da paz

Sempre que vejo paz no mundo, atribuo-a a Deus. E, se ela continua, sempre crerei que é porque Deus intervém para impedir a guerra. Tão combustíveis são os materiais de que é feito este grande mundo que estou sempre receoso de guerra. Não considero admirável que uma nação lute contra outra; considero muito mais admirável que não estejam todas em armas. De onde vêm as guerras e contendas? Não vêm das vossas concupiscências? Considerando quanta concupiscência há no mundo, bem poderíamos conceber que haveria mais guerras do que vemos. O pecado é a mãe das guerras e, lembrando-nos de quão abundante é o pecado, não devemos nos admirar se ele gera multidões delas. Podemos esperá-las. Se a vinda de Cristo está de fato se aproximando, então devemos esperar guerras e rumores de guerras por todas as nações da terra. Mas quando a paz é preservada, consideramos que é pela imediata interposição de Deus. Se, pois, desejamos a paz entre as nações, busquemo-la de Deus, que é o grande Pacificador.

Mas há uma paz interior que só Deus pode guardar. Estou em paz comigo mesmo, com o mundo e com o meu Criador? Oh! Se quero reter essa paz, só Deus pode preservá-la. Sei que há algumas pessoas que outrora desfrutaram da paz, mas agora não a possuem. Alguns de vós outrora tiveram confiança em Deus, mas podem tê-la perdido. Outrora vos consideráveis em um estado glorioso do qual agora pareceis ter um tanto se afastado. Amados, ninguém pode manter a paz no coração senão Deus, pois ele é o único que pode colocá-la ali. Algumas pessoas falam de dúvidas e temores e parecem pensar que são muito permissíveis. Ouvi alguns dizerem: “Bem, um marinheiro ao sol conhece o seu cálculo e pode dizer onde está; não tem dúvida. Mas se o sol se esconde, não pode dizer a sua longitude e latitude, e não sabe onde está”.

Essa, porém, não é uma descrição justa da fé. Querer sempre o sol é querer viver pela vista. Mas viver pela fé é dizer: “Não posso dizer a minha longitude e a minha latitude, mas sei que o Capitão está no leme e nele confiarei em toda parte”. Ainda assim, não podeis permanecer nesse estado pacífico de espírito a menos que tenhais Deus no navio para vos ajudar a sorrir para a tempestade. Podemos estar em paz às vezes, mas se Deus se afasta, como começamos a brigar conosco mesmos! Só Deus pode preservar a paz.

Backslider! Perdeste-a? Vai e busca-a de novo em Deus. Cristão! Está a tua paz perturbada? Vai a Deus, e ele pode dizer a cada dúvida: “Deita-te, dúvida”, e a cada temor: “Vai-te embora”. Ele pode falar a cada vento que possa soprar sobre a tua alma e dizer: “Aquieta-te, e silencia”, pois ele é o Deus da paz, visto que a preserva. Confia nele.

4. Em quarto lugar, Deus é o Deus da paz porque a aperfeiçoará e consumará no fim

Há guerra no mundo agora. Há um espírito maligno que anda de um lado para o outro, um ser inquieto, ávido, como um leão, para devorar, percorrendo lugares secos, buscando repouso e não o achando. E há homens enfeitiçados por esse espírito maligno que estão em guerra com Deus e em guerra uns com os outros. Mas está chegando o tempo — esperemos só um pouco mais — em que haverá paz na terra e paz em todos os domínios de Deus. Em poucos anos mais, esperamos uma paz duradoura e perpétua na terra. Talvez amanhã Jesus Cristo, o Filho de Deus, venha outra vez, sem oferta pelo pecado, para salvação. Não sabemos nem o dia nem a hora em que o Filho do homem virá, mas, em breve, ele descerá do céu com alarido e com o som de trombeta. Virá, mas não como veio outrora — um homem humilde e abatido — mas um monarca glorioso e exaltado. Então fará cessar as guerras. Daquele dia em diante e para sempre, pendurarão o leme inútil no alto e não estudarão mais a guerra. O leão se deitará com o cabrito e comerá palha como o boi. O basilisco e a serpente perderão os seus poderes nocivos. A criança desmamada guiará o leão e o leopardo, cada um pela barba, com as suas pequenas mãos.

O dia está chegando, e isso rapidamente, em que não se achará na terra um só homem que odeie o seu irmão, mas cada um achará no outro um irmão e um amigo. E poderemos dizer, como o velho poeta, mas em sentido mais amplo: “Não sei que haja um inglês vivo com quem eu esteja em desacordo sequer um mínimo mais do que o recém-nascido desta noite”. Todos estaremos unidos. As nacionalidades serão niveladas, porque transformadas em uma só, e o Senhor Jesus Cristo será Rei de toda a terra.

Depois desse tempo virá a consumação da paz, quando o último grande dia tiver passado e os justos tiverem sido separados dos ímpios, quando a monstruosa batalha do Armagedom tiver sido travada e vencida, quando todos os justos tiverem sido reunidos no céu e os perdidos lançados no inferno. Onde haverá lugar para a batalha então? Olhai para os inimigos, esmagados e mutilados no abismo, uivando perpetuamente, vítimas da vingança de Deus. Não há temor de guerra da parte deles. Ali está o próprio Satanás, abatido, esmagado, ferido, morto. Sua cabeça está quebrada. Ali ele jaz despojado — um rei sem a sua coroa. Não pode haver temor de guerra da parte dele. E olhai para os anjos que outrora estavam sob a sua supremacia — podem eles se levantar? Não. Contorcem-se em torturas e mordem as suas cadeias de ferro em miséria. Não têm poder para erguer uma lança contra o Deus do céu. E olhai para o homem pecador, condenado pelo seu pecado a habitar com esses seres caídos — poderá ele outra vez provocar o seu Criador? Blasfemará outra vez? Poderá se opor ao Evangelho? Não; encarcerado em masmorras de ferro candente, ali está, um espírito abjeto e arruinado. Dez mil vezes dez mil pecadores perdidos e perecidos estão ali. Mas, ainda que todos se unissem em solene liga e pacto para romper os laços da morte e quebrar as leis da justiça, Aquele que habita nos céus se riria deles, o Senhor zombaria deles. A paz está consumada porque o inimigo está esmagado.

Então olhai para cima. Não há temor de guerra da parte daqueles espíritos resplandecentes. Os anjos não podem mais cair; o seu período de provação passou para sempre; um segundo Satanás nunca mais arrastará consigo a terça parte das estrelas do céu. Nenhum anjo vacilará mais, e os espíritos resgatados, comprados pelo sangue e lavados na fonte do sangue de Jesus, nunca mais cairão. A paz universal chegou; o ramo de oliveira sobreviveu ao louro; a espada está embainhada; as bandeiras estão enroladas; as manchas de sangue foram lavadas do mundo. Outra vez ele se move em sua órbita e canta como as suas estrelas irmãs, mas o cântico único é paz, pois o Deus que o fez é o Deus da paz.

II. Agora chegamos à BÊNÇÃO

“O Deus da paz seja com todos vós”. Não vou dirigir-me a vós acerca daquela paz interior que repousa no coração. Tenho certeza de que desejo acima de todas as coisas que sempre desfruteis de paz com a vossa consciência e estejais em paz com Deus. Que sempre saibais que tendes o sangue de Jesus para alegar, que tendes a sua justiça para vos cobrir, que tendes a sua expiação para satisfazer por vós, e que não há nada que possa vos ferir. Mas desejo dirigir-me a vós como igreja e exortar-vos à paz.

Primeiro, lembro-vos de que há grande necessidade de orar essa oração por todos vós, porque há inimigos da paz sempre espreitando em todas as sociedades. Petrarca diz que há cinco grandes inimigos da paz: avareza, ambição, inveja, ira e orgulho. Alterá-los-ei um pouco, mas usarei o mesmo número. Em vez de avareza, começarei pelo erro.

Um dos maiores meios de destruir a paz é o erro. O erro na doutrina leva às consequências mais lamentáveis quanto à paz da igreja. Tenho notado que as maiores brigas têm ocorrido entre os que são mais errôneos na doutrina. Embora admita que alguns chamados calvinistas sejam o grupo mais briguento que se possa respirar, esta é a razão: embora tenham a parte principal da verdade, muitos deles estão omitindo algo importante e, por isso, Deus os castiga porque são alguns dos seus melhores filhos. Pode ser um sinal de vida o fato de serem tão zelosos pela verdade que se matam uns aos outros para obtê-la, mas eu desejaria que deixassem de lado as suas brigas, pois isso é uma desgraça para a nossa religião. Se tivessem mais paz, poderia esperar melhor pelo progresso da verdade. Todos me dizem: “Olha ali para os teus irmãos! Nunca vi um grupo de assassinos assim na vida. Nunca vi uma igreja onde têm o Evangelho em que não estejam sempre brigando”. Bem, isso se aproxima da verdade, e tenho vergonha de confessá-lo. Oro a Deus, porém, para que envie um pouco mais de paz onde enviou o Evangelho. Há, no entanto, contendas entre os nossos oponentes que não vemos. O bispo usa a sua mão forte e o povo não ousa discordar. O pastor tem tal poder e autoridade que o esmagamento da sua mão blindada é suficiente para abafar tudo, porque não há liberdade. Ora, eu preferiria ter uma briga na igreja a ter todos os membros adormecidos. Preferiria que caíssem em erros a que se sentassem na indiferença. Nunca se espera que igrejas mortas tenham contendas, mas onde há um pouco de vida, se há erro — ele sempre gera contenda. Qual é a denominação mais litigiosa existente agora? Ninguém teria dificuldade em apontar para os nossos excelentes amigos, os metodistas wesleyanos, pois neste momento estão brigando e encontrando defeitos uns nos outros, dividindo-se em inúmeras seções e formando igrejas reformadas, e assim por diante. Qual é a causa disso? Porque estão no caminho errado de todo quanto à governança da igreja e quanto a algumas outras coisas. João Wesley era um bom homem para fazer igrejas, ouso dizer. Mas não entendeu o que a igreja deveria ser nestes dias. Poderia servir para cem anos atrás, mas amarrou demais os seus pobres seguidores e agora estão tentando romper para a liberdade. Se tivessem estado certos desde o princípio, poderiam ter continuado e mil anos não teriam estragado o seu sistema. Ele serviria agora tanto quanto então. O erro é a raiz da amargura na igreja. Dai-nos sã doutrina, sã prática, sã governança eclesiástica, e vereis que o Deus da paz estará conosco. Meus irmãos, procurai arrancar o erro dos vossos próprios corações. Se algum de vós não crê realmente nas grandes doutrinas cardinais do Evangelho, peço-vos então, pelo bem da igreja, que a deixeis, pois queremos os que amam a verdade.

O próximo inimigo da paz é a ambição. “Diotrefes ama ter a preeminência”, e esse sujeito tem estragado muitas igrejas felizes. Um homem talvez não queira ser preeminente, mas teme que outro o seja, e assim quer derrubá-lo. Assim os irmãos estão encontrando defeitos — temem que tal um vá depressa demais e que tal outro vá depressa demais. O melhor caminho é tentar ir tão depressa quanto ele. De nada adianta encontrar defeitos porque alguns podem ter um pouco de preeminência. Afinal, o que é a preeminência? É a preeminência de um pequeno animalículo sobre outro. Olhai para uma gota d’água. Um desses pequenos seres é cinco vezes maior que o outro, mas nunca pensamos nisso. Ouso dizer que ele é muito grande e pensa: “Tenho a preeminência dentro da minha gota”. Mas não pensa que o povo de Park Street jamais fale dele. Assim vivemos nesta pequena gota do mundo, não muito maior, no conceito de Deus, do que uma gota no balde, e um de nós parece um pouco maior que o outro — um verme um pouco acima do seu companheiro verme. Mas oh, como ficamos grandes! E queremos ficar um pouco maiores, obter um pouco mais de proeminência, mas de que adianta? Pois quando ficamos grandíssimos, ainda seremos tão pequenos que um anjo não nos acharia se Deus não lhe dissesse onde estávamos. Quem jamais ouviu no céu qualquer coisa sobre imperadores e reis? Pequenos insetos minúsculos — Deus pode ver o animalículo, portanto pode nos ver —, mas se não tivesse um olho para ver o mais minúsculo, nunca nos descobriria. Oh, que nunca tenhamos ambição nesta igreja. A melhor ambição é: quem será o servo de todos? Os estranhos procuram ter domínio, mas os filhos procuram deixar que o pai tenha o domínio, e somente o pai.

O próximo inimigo da paz é a ira. Há alguns indivíduos no mundo que não conseguem deixar de ficar zangados muito depressa. Ficam de repente muito irados. Enquanto outros, que não são passionais, que demoram mais para se irar, são temíveis o bastante quando falam. Outros, que não ousam falar de todo, são ainda piores, pois chegam a cozinhar a sua ira.

“Nutrindo a sua ira para mantê-la quente”.

Entram num acesso de mau humor, discordando de todo mundo, resmungando eternamente. São como cães no rebanho — só latindo e não produzindo lã. Oh, essa ira detestável! Se entrar na igreja, a dividirá em pedaços. De algum modo não conseguimos deixar de nos irar às vezes. Oh, se pudéssemos entrar na igreja e deixar a nós mesmos para trás! Não há ninguém de quem eu gostaria mais de fugir do que de mim mesmo. Procurai, amados, refrear os vossos temperamentos e, quando não virdes exatamente com outro irmão, não penseis que seja necessário esmurrá-lo nos olhos para fazê-lo ver. Essa é a pior coisa do mundo a se fazer — ele não verá melhor por causa disso, pois —

“O homem convencido contra a sua vontade
Continua da mesma opinião”.

Depois, a inveja é outro mal temível. Um ministro, talvez, tem inveja de outro, porque uma igreja está cheia e a outra não. Como podem os professores concordar na escola dominical se houver qualquer inveja ali? Como podem os membros da igreja concordar se a inveja se infiltrar? Um membro pensa que outro é considerado mais do que merece. Por que, amados, todos vós sois considerados demais. Mas, afinal, não importa o que os homens pensem de vós; só importa o que Deus pensa de vós — e Deus pensa tanto de Pequena-Fé quanto de Grande-Coração. Pensa tanto da Sra. Desânimo quanto da própria Cristiana. Afastai, pois, esse “monstro de olhos verdes” e mantende-o à distância.

Outra vez, há o orgulho, que dá origem a má vontade e sangue ruim. Em vez de sermos afáveis uns com os outros e “condescendermos com os homens de baixa condição”, queremos que cada pontinho de respeito nos seja dado, que sejamos feitos senhores e mestres. Isso, tenho certeza, nunca pode existir em uma igreja pacífica.

Aqui, pois, estão os nossos cinco grandes inimigos. Gostaria de ver a execução de todos eles. Baní-los, transportá-los para sempre, enviá-los para entre leões e tigres — não queremos nenhum deles entre nós. Mas, embora fale assim, não é porque conceba que algum deles tenha se infiltrado completamente entre vós, mas porque desejaria mantê-los afastados. Sou o mais ciumento nesta questão. Estou sempre receoso da menor contenda e desejo que o Deus da paz esteja sempre conosco.

Agora deixai-me mostrar-vos brevemente a apropriação desta oração. De fato devemos ter paz entre nós. José disse aos seus irmãos quando estavam voltando para a casa de seu pai: “Não contendas pelo caminho”. Havia algo extremamente belo nessa exortação. “Não contendas pelo caminho”. Tendes todos um só pai. Sois de uma só família. Que os homens de duas nações discordem, mas vós sois da semente de Israel, sois de uma só tribo e nação. A vossa casa está em um só céu. “Não contendas pelo caminho”.

O caminho é áspero. Há inimigos para vos deter. Vede que, se fordes contender quando chegardes em casa, não contendas pelo caminho. Mantende-vos juntos. Apoiai-vos uns aos outros. Defendei o caráter uns dos outros. Manifestai afeição contínua, pois lembrai-vos de que precisareis dela toda. O mundo vos odeia porque não sois do mundo. Oh! Deveis cuidar para vos amardes uns aos outros. Estais todos indo para a mesma casa. Podeis discordar aqui e não vos falar uns com os outros, e até ter vergonha de vos sentardes à mesma mesa, mesmo na ceia, mas todos tereis de vos sentar juntos no céu. Portanto, não contendas pelo caminho.

Considerai, outra vez, as grandes misericórdias que todos tendes compartilhado juntos. Estais todos perdoados, estais todos aceitos, eleitos, justificados, santificados e adotados. Vede que não contendas quando tendes tantas misericórdias, quando Deus vos deu tanto. José encheu os vossos sacos, mas se pôs alguma coisa a mais no saco de Benjamim, não brigueis com Benjamim por causa disso, mas antes regozijai-vos porque os vossos sacos estão cheios. Todos tendes o suficiente, todos estais seguros, todos fostes despedidos com uma bênção e, portanto, digo mais uma vez: “Não contendas pelo caminho”.

Agora, queridos irmãos, há algo que eu possa pleitear convosco esta manhã para que sempre habiteis em paz e amor? Deus, felizmente, começou um abençoado avivamento entre nós e, sob os nossos meios, pela ajuda de Deus, esse avivamento se espalhará por todo o reino. Temos visto que “a palavra do Senhor é viva e eficaz”. Sabemos que não há nada que possa deter o progresso do seu reino e não há nada que possa impedir o vosso sucesso como igreja, senão isto. Se chegar o dia infeliz — que o dia seja amaldiçoado se vier — em que discordeis entre vós, haverá uma parada na construção da casa do Senhor imediatamente, quando os que carregam a colher de pedreiro e os que trazem as lanças não estiverem lado a lado — então a obra de Deus terá de demorar.

É triste pensar quanto a nossa gloriosa causa tem sido impedida pelas diferentes brigas entre os discípulos do Cordeiro. Temos nos amado uns aos outros, irmãos, até agora, de coração verdadeiro e ardentemente, e não temo que sempre o façamos. Ao mesmo tempo, sou ciumento por vós, para que não entre, por qualquer possibilidade, alguma raiz de amargura que vos perturbe. Lancemos esta manhã ao vosso redor os laços de um homem, unamo-nos com um cordão triplo que não se pode quebrar. Roguemos-vos que vos ameis uns aos outros. Roguemos-vos pelo vosso único Senhor, única fé, único batismo, que continueis como um. Peçamos-vos, pelo nosso grande sucesso, que a nossa unidade seja proporcional a ele. Lembrai-vos “quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!”. O diabo quer que discordeis, e nada o agradará mais do que caírdes em discórdia entre vós. Os moabitas e amonitas se matavam uns aos outros. Não façamos isso.

“Os que ao mesmo Deus obedecem
Devem em estrita concórdia habitar”.

São as contínuas brigas e ciúmes que têm trazido desgraça sobre o santo nome de Cristo. Ele tem sido ferido na casa dos seus amigos. As flechas que atiramos uns nos outros nos feriram mais do que todas as que jamais vieram do arco do diabo. Temos feito mais dano ao brasão de Cristo com as nossas contendas do que Satanás jamais pôde fazer. Rogo-vos, irmãos, amai-vos uns aos outros. Não sei como poderia suportar qualquer coisa semelhante à discórdia entre vós. Posso suportar o escárnio do mundo e o riso do incrédulo. Penso que poderia suportar o martírio, mas não poderia suportar ver-vos divididos. Rogo ao meu Deus e Senhor que me permita primeiro vestir a minha mortalha antes de jamais vestir uma veste de tristeza por causa das vossas divisões. Enquanto sinto que tenho o vosso amor e afeição, e que estais ligados uns aos outros, não me importo com os demônios no inferno, nem com os homens na terra. Temos sido e seremos onipotentes, por meio de Deus. E pela fé permaneceremos firmes uns com os outros e com a sua verdade. Que cada um resolva dentro de si: “Se houver contenda, não terei nada a ver com ela”. “O princípio da contenda é como a abertura de águas”, e eu não abrirei a torneira. Se cuidardes de não deixar entrar a primeira gota, eu me responsabilizo pela segunda. Irmãos, outra vez digo: pelo Evangelho, pela verdade, para que possamos rir dos nossos inimigos e nos regozijar com alegria indizível — amai-vos uns aos outros.

Embora eu não tenha pregado aos mundanos esta manhã, tenho vos pedido que pregueis a eles, pois quando vos amais uns aos outros, isso é um belo sermão para eles. Não há sermão como o que se pode ver com os próprios olhos.

Fui à Casa dos Órfãos na última quarta-feira, em Ashley Down, perto de Bristol, e vi aquela maravilha da fé — tive alguma conversa com aquele homem de mente celestial, o Sr. Müller. Nunca ouvi um sermão assim na vida como o que vi ali. Pediram-me para falar às meninas, mas eu disse: “Não conseguiria falar uma palavra pela vida”. Eu estivera chorando o tempo todo ao pensar em como Deus ouvira a oração daquele querido homem e em como todas aquelas trezentas crianças tinham sido alimentadas pelo meu Pai por meio da oração da fé. Tudo o que é necessário vem, sem assinaturas anuais, sem pedir nada, simplesmente da mão de Deus. Quando verifiquei que tudo o que eu ouvira era correto, fiquei como a rainha de Sabá e não me restou coração. Só pude ficar de pé e olhar para aquelas crianças e pensar: meu Pai celestial as alimentava, e não me alimentaria a mim e a toda a sua família? Falar a elas? Elas já tinham falado comigo o bastante, embora não tivessem dito uma palavra. Falar a elas? Considerei-me dez mil tolos por não crer melhor em Deus. Aqui estou eu — não consigo confiar nele dia a dia, mas este bom homem pode confiar nele por trezentas crianças. Quando não tem um seis pence na mão, nunca teme. “Conheço a Deus”, poderia dizer, “demais para duvidar dele. Digo ao meu Deus: ‘Tu sabes o que preciso hoje para sustentar estas crianças, e não tenho nada. A minha fé nunca vacila e o meu suprimento sempre vem’”.

Simplesmente pedindo a Deus desta maneira, ele arrecadou (creio) £17.000 para a construção de uma nova casa de órfãos. Quando considero isso — às vezes penso que experimentaremos o poder da fé aqui e veremos se não obteremos fundos suficientes para erguer um lugar que acomode o povo que se aglomera para ouvir a Palavra de Deus. Então poderemos ter um tabernáculo da fé, bem como uma casa de órfãos da fé. Deus nos envie isso, e a ele seja toda a glória. Amém.


Texto adaptado de The Metropolitan Tabernacle Pulpit – Coleção C. H. Spurgeon. Foram feitas apenas as alterações necessárias, como correção de erros ortográficos, pontuação, capitalização de pronomes divinos e mínima atualização de algumas palavras arcaicas. O conteúdo é integral.