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domingo, 15 de abril de 2018

A Bíblia não justifica a representação Iconoplástica


Certamente conheço muito bem este popular e vulgar refrão: As imagens são os livros dos iletrados. Isso foi dito por Gregório. Entretanto, de maneira muito diferente fala o Espírito de Deus, em cuja escola, se Gregório houvesse sido instruído nesta matéria, jamais haveria de ter assim falado.
Portanto, quando Jeremias [10.3] proclama que o lenho é o preceito da futilidade, quando Habacuque [2.18] ensina que a imagem fundida é a mestra da mentira, por certo que daqui se deve deduzir esta doutrina geral: que é ilusório e, mais ainda, loucura tudo quanto os homens têm aprendido das imagens acerca de Deus.
Se alguém objeta, dizendo que aqueles que abusavam das imagens para ímpia superstição eram repreendidos pelos profetas, sem dúvida o admito. Acrescento, porém, o que é notório a todos, que eles condenam plenamente o que os papistas assumem como infalível axioma: que as imagens fazem as vezes de livros. Pois os
profetas opõem as imagens ao Deus verdadeiro, como coisas contrárias e que jamais podem ser conciliadas.
Nestas porções que há pouco citei, afirmo-o, infere-se esta conclusão: uma vez que o Deus verdadeiro a quem os judeus adoravam é um e único, pervertida e enganosamente se inventam figuras visíveis para que representem a Deus e miseravelmente
iludidos se quedam todos os que daí buscam conhecimento.
Em conclusão, se assim não fosse o caso, ou, seja, que todo e qualquer conhecimento de Deus que se busca nas imagens é falaz e bastardo, os profetas não o haveriam condenado de forma tão generalizada. Ao menos sustento isto: quando ensinamos ser futilidade e engano o fato de que os homens tentem representar a Deus por meio de imagens, outra coisa não estamos fazendo senão referindo, palavra por palavra, o que os profetas transmitiram.

João Calvino