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domingo, 1 de abril de 2018

Perenidade da Bíblia


Acrescenta que há também outras mui excelentes razões pelas quais o consenso da Igreja não carece de seu peso. Pois, nem se deve julgar ser de importância mínima que, desde que a Escritura foi publicada, constantemente se lhe anuiu à obediência o querer de tantos séculos, e por mais que Satanás, com todo o mundo, a tenha
tentado, por meios perplexivos, seja oprimindo, seja destruindo, seja de todo refreando e obliterando da lembrança dos homens, entretanto sempre, como a palmeira, tem ela subido mais alto e persistido de forma inexpugnável. Se é fato que, em dias passados, quase não houve alguém de intelecto mais agudo, quer sofista, quer retórico, que não intentasse contra ela seus recursos, todos,
no entanto, nada conseguiram. À sua destruição se armou o poderio da terra inteira, e em fumaça se lhe dissiparam todas as arremetidas. Tão acerbamente acometida de todos os lados, como poderia ela haver resistido, a não ser que se arrimasse
não apenas em salvaguarda humana? Antes, deste próprio fato a Escritura mais se comprova haver provindo de Deus: que, batalhando contra ela todos os esforços humanos, entretanto até hoje não prevaleceram por seu próprio poder.
Aqui acrescenta ainda que a recebê-la e abraçá-la, concertou não apenas uma cidade, não apenas uma nação; ao contrário, quão ampla e vastamente se impele o orbe terrestre, por um santo acordo de variadas nações que, doutra sorte, nada tinham em comum entre si, a Escritura logrou sua autoridade. Ademais, como nos deve emocionar profundamente uma tal conjunção de espíritos tão diversos e em todas as coisas doutro modo discordantes entre si, quando transparece que ela não se alcançou senão por injunção celeste! Todavia, não de pouco peso se lhe acresce quando miramos a piedade dos que assim concordam, certamente não de todos, mas daqueles que, como luzeiros, o Senhor quis que sua Igreja refulgisse.

João Calvino