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domingo, 5 de agosto de 2018

A DUPLA RAZÃO QUE EMBASA AO SEXTO MANDAMENTO


Mas, a Escritura assinala dupla razão em que se assenta este mandamento: que o ser humano é não só a imagem de Deus, mas ainda nossa própria carne. Por isso, a não ser que apraza profanar a imagem de Deus, devemos considerá-lo sacrossanto; e a não ser que apraza despojar-nos de toda humanidade, devemos tratá-lo como nossa própria carne. A exortação que nesta matéria se há de derivar da redenção e da graça de Cristo será tratada em outro lugar. Quis o Senhor que se levem em consideração estes dois pontos implantados inerentemente no ser humano, os quais no-lo induzissem à preservação: que não só lhe reverenciemos a imagem nele impressa, mas também nele abracemos nossa própria carne. Logo, não se furtou necessariamente ao crime de homicídio aquele que simplesmente se conteve do derramamento de sangue. Se em ato perpetras algo que seja contrário ao bem-estar de outrem, se em tentativa o tramas, se em desejo e intenção o concebes, és tido por culpado de homicídio. Ademais, a não ser que, na medida de tua capacidade e oportunidade, te esforces por protegê-lo, estás também a transgredir a lei com esta desumanidade. Ora, se tanto se diligencia acerca da incolumidade do corpo, infiramos disso quanto de zelo e esforço se deve em relação ao bem-estar da alma, que é ainda muito mais importante diante do Senhor.

João Calvino