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domingo, 5 de agosto de 2018

A MALDIÇÃO IMPLÍCITA NA DESOBEDIÊNCIA AO QUINTO MANDAMENTO E QUALIFICAÇÃO DA OBEDIÊNCIA REQUERIDA


Ademais, enquanto o Senhor promete a bênção da presente vida aos filhos que tenham honrado aos pais com a consideração que convém, ao mesmo tempo acena que mui certamaldição defronta a todos os filhos contumazes e desobedientes. Para que isto não careça de execução, mediante sua lei pronuncia-os passíveis à sentença de morte e a respeito deles manda que se exerça punição. Se escapam ao juízo, ele próprio lhes provê o castigo, de qualquer modo que seja. Pois vemos quão grande número desta espécie de homens perece ou em combates ou em rixas; outros, porém, são afligidos de maneiras insólitas; quase todos são por prova de que esta ameaça não é vã. Se bem que há os que escapam até extrema velhice. Uma vez que, privados da bênção de Deus, nesta vida vegetam nada menosque miseravelmente e se reservam para maiores castigos no futuro, mui longe está de que se façam participantes da bênção prometida aos filhos piedosos. Mas, isto deve ser também assinalado de passagem: que se nos ordena obedecer-lhes somente no Senhor [Ef 6.1]. Nem equivale isto obscurecer o fundamento previamente lançado, pois eles têm autoridade sobre nós enquanto Deus os tiver estabelecido nela, comunicando-lhes uma parte da honra que lhe é devida. Portanto, a sujeição que para com eles é exibida deve ser um passo para que o Pai Supremo seja contemplado com essa honra. Portanto, se nos instigam à transgressão da lei, então, com justiça, não devem ser por nós tidos por pais, mas por estranhos, que nos estão tentando afastar da obediência do verdadeiro Pai. Assim se deve considerar em relação aos príncipes, aos senhores e a todo gênero de superiores nossos. Pois seria coisa indigna e fora de razão que sua autoridade seja exercida para rebaixar a alteza e majestade de Deus; já que, dependendo da autoridade divina deve guiar-nos e encaminhar-nos a ela.

João Calvino