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domingo, 5 de agosto de 2018

A VIDA CONJUGAL BEM COMO TODO NOSSO SER DEVE PAUTAR-SE PELO DECORO E PELO RECATO


Contudo, se os cônjuges reconhecem que sua união é abençoada pelo Senhor, então que se deixem admoestar a que ela não seja conspurcada por imoderada e dissoluta concupiscência. Porque, se a honorabilidade do matrimônio cobre a torpeza da incontinência, nem por isso deve ser-lhe, ademais, um incitamento. Portanto, não pensem os cônjuges que tudo lhes é lícito; ao contrário, tenha cada um sua esposa sobriamente e, por sua vez, a esposa o marido, assim agindo para que não admitam absolutamente nada indigno da honorabilidade e da moderação do matrimônio. Ora, assim convém que seja encaminhado ao comedimento e ao decoro o consórcio contraído no Senhor, para que a lascívia não se transborde ao extrema. Ambrósio estigmatizou esta sensualidade com uma sentença, na verdade grave, porém não imerecida, quando àquele que na relação conjugal não tem nenhuma preocupação de decoro ou honorabilidade chamou de adúltero para com a própria esposa. Finalmente, consideremos quem é o Legislador que aqui condena a fornicação. Evidentemente, aquele que, sendo nosso Senhor absoluto, exige, em virtude de seu título de Senhor, integridade de nossa alma, de nosso espírito e de nosso corpo.178 E assim,, enquanto proíbe a prática de fornicação, ao mesmo tempo veda o atentar contra a pudicícia alheia, seja pelo atavio lascivo do corpo, seja por gestos obscenos, seja por palavras impuras. Pois, um filósofo chamado Arquelau disse não sem razãoa um jovem vestido muitíssimo voluptuosa e sensualmente, que pouco importava em que parte do corpo mostrasse sua desonestidade. Eu aplico isso a Deus, que detesta toda impureza em qualquer parte, seja do corpo, seja da alma. E para que não haja dúvida, deves lembrar-te de que aqui é Deus quem está recomendando a pudicícia. Se o Senhor requer de nós a pudicícia, então ele condena tudo quanto lhe seja contrário. Conseqüentemente, se aspiras à obediência, então que não arda interiormente teu coração com cobiça depravada, nem os olhos te incitem a desejos corruptos, nem teu corpo seja ataviado ao ponto de despudoramento, nem, com palavras torpes, a mente seduza tua língua a pensamentos semelhantes, nem te inflame o apetite desenfreado com sua imoderação. Pois, todos os vícios desta espécie são como que nódoas pelas quais é conspurcada a pureza da castidade.

João Calvino