Entretanto, impõe-se-nosarrebatar-lhesdas mãos essas passagens que costumam
enganosa e indevidamente coligir da Escritura em abono da doutrina do purgatório.
“Quando”, dizem eles, “o Senhor assevera que o pecado contra o Espírito Santo
jamais será perdoado, nem neste mundo e nem no futuro [Mt 12.32: Mc 3.28, 29; Lc
12.10], ao mesmo tempo com isso indica haver no mundo futuro remissão de certos
pecados.” Com efeito, quem não perceberá que o Senhor aí está falando a respeito
da culpa do pecado? Ora, se é assim, que a passagem tem a ver com o purgatório, já que, segundo seu modo de ver aí o purgatório, se expia a pena dos pecados cuja
culpa não negam que foi perdoada na vida presente?
Contudo, para que não continuem ainda a vociferar contra nós, terão uma solução
mais clara. Como quisesse o Senhor cortar toda esperança de perdão a tão execrável
impiedade, não teve por bastante dizer que essa blasfêmia nunca haveria de
ser perdoada. Pela contrário, para ampliá-la ainda mais, usou uma distinção mediante
a qual abrangeu não só o juízo que nesta vida sente a consciência de cada um,
mas também aquele juízo final que será publicamente pronunciado na ressurreição.
Como se estivesse a dizer: “Guardai-vos de ser rebeldes contra Deus com uma malícia
deliberada; porque qualquer que deliberadamente se esforça por extinguir a luz
do Espírito Santo que lhe é oferecida, esse não alcançará o perdão, nem nesta vida,
que ordinariamente se concede aos pecadores para que se convertam, nem no último
dia, quando os anjos de Deus separarem os cordeiros dos cabritos e o reino dos
céus for purificado de todos os escândalos.115
Em seguida trazem a lume aquela parábola de Mateus: “Entra em acordo com
teu adversário, para que ele não te entregue, a qualquer tempo, ao juiz, o juiz ao
oficial, o oficial à prisão, donde não sairás até que pagues totalmente o último quadrante”
[Mt 5.25, 26]. Se nesta passagem o juiz representaDeus, o litigante o Diabo,
o oficial um anjo, a prisão o purgatório, concordarei de bom grado. Mas, na verdade,
se a ninguém escapa a evidência de que Cristo, para exortar aos seus, incisivamente,
à justa concórdia, quis aí mostrar a quantos perigos e males se arrojam os
que obstinadamente preferem tentar ao máximo o direito supremo, agindo por equanimidade
e boa vontade, pergunto: onde se achará o purgatório nesta passagem?
João Calvino
Escola Bíblica Conhecedores da verdade - O objetivo deste blog e levar você a conhecer a verdade que liberta de todo o Engano. Nesses últimos tempos, muito se tem ouvido falar do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, porém de maneira distorcida e muitas vezes pervertida, com heresias disfarçada etc. “ ...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8.32