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domingo, 12 de agosto de 2018

A BEM-AVENTURANÇA FUTURA DO JUSTO EM CONTRASTE COM A MISÉRIA DO ÍMPIO


Daí nascia aquela ponderação da qual os fiéis se serviam para consolo das misérias e remédio da resignação: “Um momento na indignação do Senhor; a vida em sua misericórdia” [Sl 30.5]. Como limitavam a um momento as aflições aqueles que eram afligidos por quase a vida inteira? Onde viam tão longa duração da divina benignidade, da qual mal provavam o mais leve gosto? Se porventura estivessem presos à terra, nada disso poderiam achar. Visto que contemplavam o céu, sabiam que os santos são atormentados pelo Senhor “com a cruz” por apenas um momento; que as misericórdias com que são cumulados são perpétuas. Por outro lado, anteviam a ruína, ruína eterna e que jamais haverá de findar-se, dos ímpios, os quais, como em um sonho, haveriam de ser felizes só por um dia. Donde estas palavras: “A memória do justo será em bênção, mas o nome dos ímpios apodrecerá” [Pv 10.7]; “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos santos” [Sl 116.15], “péssima é a morte dos pecadores” [Sl 34.21]. Igualmente, em Samuel: “O Senhor guardará os pés dos santos e os ímpios ficarão emudecidos nas trevas” [1Sm 2.9]. Palavras estas que deixam claro que aqueles haviam conhecido muito bem que, por mais variadamente que fossem os santos levados em volta, seu fim último, no entanto, seria a vida e a salvação; que a felicidade dos ímpios era uma senda amena pela qual, pouco a pouco, deslizavam à voragem da morte. Por isso, à morte destes chamavam “a destruição dos incircuncisos” [Ez 28.10; 31.18; 32.19-21], como daqueles a quem fossse cortada a esperança da ressurreição. Portanto, Davi não pôde cogitar de nenhuma imprecação mais grave do que esta: “Sejam apagados do livro da vida e com os justos não sejam arrolados” [Sl 69.28].

João Calvino