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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

O ANSEIO DOS PATRIARCAS PELA VIDA FUTURA À LUZ DE PALAVRAS DE JACÓ, BALAÃO E DAVI


Enfim, transparece claramente que por entre todos os afazeres da vida lhes foi posta diante dos olhos a bem-aventurança da vida futura. Pois, a que propósito, com tanto empenho, Jacó ambicionara a primogenitura e com tão grande risco a buscara, a qual lhe haveria de acarretar o exílio e quase a perda da herança; na verdade, nada de bom lhe haveria absolutamente de trazer, a não ser que tivesse os olhos voltados para uma bênção mais alta? Que este era seu sentimento, declarou-o nesta palavra que proferiu por entre seus derradeiros alentos: “Tua salvação esperarei, ó Senhor” [Gn 49.18]. Que salvação poderia ele ter esperado, quando percebia que estava a exalar a alma, a não ser que na morte visualizasse o começo de uma nova vida? E por que haveríamos de argüir acerca dos santos e filhos de Deus, se inclusive aquele que pretendia impugnar a verdade teve o mesmo sentimento e o compreendeu assim?207 Pois, que entendia Balaão, quando exclamava: “Morra a minha vida com a morte dos justos e que o fim me seja semelhante ao deles” [Nm 23.10], senão que sentia o que Davi mais tarde proclamou: “Preciosa é a morte dos santos à vista do Senhor [Sl 116.15]; péssima, porém, é a morte dos ímpios” [Sl 34.21]? Se o termo definitivo dos homens fosse a morte, certamente não haveria lugar para indicar diferença alguma entre a do justo e a do ímpio. No entanto, se lhes distingue pela sorte e condição diversas que lhes estão preparadas a um ao outro depois da morte.

João Calvino