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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

DA SIMILARIDADE DE ANTIGO E NOVO TESTAMENTOS

RAZÃO E PERSPECTIVA DA ABORDAGEM DESTA MATÉRIA

Das considerações precedentes já se pode claramente evidenciar que todos os homens, a quantos, desde o início do mundo, Deus tem agregado à sorte de seu povo, lhe foram aliados pela mesma lei e pelo vínculo da mesma doutrina que vigora entre nós. Contudo, visto que não de pouco interesse este ponto se estabeleça, como os paisforam coparticipantes conosco da mesma herança e esperaram a comum salvação pela graça do mesmo Mediador, anexarei, à guisa de apêndice, até onde nesta associação lhes era diferente a condição. Entretanto, embora os testemunhos que coletamos da lei e dos profetas para a comprovação disto deixem claro que no meio do povo de Deus nunca houve outra regra de religião e piedade, porque, no entanto, entre os escritoresfreqüentemente se discutem muitas coisas quanto à diferença de Antigo e Novo Testamentos, as quais ao leitor pouco afeito possam inspirar dificuldade, com razão destinaremos uma porção especial a melhor e mais precisamente discutir-se esta matéria. E, além do mais, o que já por si só era mui útil se converte numa necessidade pela importunação desse monstro chamado Serveto, e de alguns anabatistas exaltados, que não fazem caso algum do povo de Israel, não mais que se dá a uma vara de porcos, e pensam que nosso Senhor outra coisa não quis senão cevá-los na terra sem esperança alguma da imortalidade. Portanto, para que das mentes piedosas afastemos este erro pestífero, e também, ao mesmo tempo, para que arredemos todas as dificuldades que costumam brotar imediatamente, quando se ouve menção da diversidade entre Antigo e Novo Testamentos, examinemos, de passagem, o que têm de semelhante e o que têm de diferente o pacto que o Senhor firmou outrora com os israelitas antes da vinda de Cristo, e o que agora estabeleceu conosco, após haver-se ele manifestado.

João Calvino