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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A UNIDADE DOS DOIS TESTAMENTOS OU PACTOS


E, na verdade, ambos podem ser explicados com uma palavra. O pacto de todos os ancestrais em nada difere do nosso em substância e na própria realidade, o qual, em última instância é um e o mesmo. Varia-lhes, no entanto, a forma da dispensação. Entretanto, visto que de tão grande brevidade ninguém conseguiria segura compreensão desta matéria, faz-se necessário proceder a explicação mais extensa, se queremos alcançar algo de proveito. Contudo, em mostrando-lhes a similaridade, ou, antes, a unidade, viria a ser supérfluo tornar a referir no todo, um a um, pontos que já foram elucidados, bem como inoportuno imiscuir coisas que deverão ser ditas ainda, em outro lugar. Em três pontos, especialmente, se deve, porém, aqui insistir. Primeiro, sustentemos que a meta proposta aos judeus não foi opulência carnal e felicidade, a que supinamente aspirassem, mas, ao contrário, que foram eles adotados à esperança da imortalidade e que a realidade desta adoção lhes foi certificada, seja por divinas comunicações, seja pela lei, seja pelos profetas. Segundo, que o pacto mediante o qual foram coligados ao Senhor não se fundamenta em quaisquer méritos seus, mas unicamente na misericórdia de Deus, que os chamou. Terceiro, que eles não só tiveram, mas também conheceram a Cristo como o Mediador, através de quem tanto fossem unidos a Deus, quanto fossem eles possuidores de suas promessas. Destes pontos, o segundo, talvez porque não veio a ser ainda suficientemente claro, se demonstrará cabalmente no devido lugar. Pois, haveremos de confirmar com muitos e luminosos testemunhos dos profetas que tudo quanto de bem o Senhor já proporcionou e prometeu a seu povo, isso ele fez movido por sua mera bondade e complacência. O terceiro, já o demonstramos em vários lugares. E inclusive o primeiro, já tocamos de passagem.

João Calvino