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domingo, 5 de agosto de 2018

TODO PECADO, NA REALIDADE, É UM PECADO MORTAL


Prouvera que ponderassem na significação desta declaração de Cristo: “Aquele que tiver transgredido um destes mínimos mandamentos, e tiver assim ensinado aos homens, será tido por ninguém no reino dos céus” [Mt 5.19]. Não são, porventura, deste número, os que ousam assim atenuar a transgressão da lei, como se ela fosse digna de morte?
Com efeito, deveriam considerar não só o que se ordena, mas também quem é que o ordena, visto que nela a mínima transgressão da lei que ele estabeleceu é ferida sua autoridade. Porventura lhes é de pouca importância que a majestade de Deus seja violada em qualquer coisa? Ademais, se na lei expôs Deus sua vontade, desagrada-lhe tudo quanto é contrário à lei. Imaginarão, porventura, estar a tal ponto desarmada a ira de Deus que não advenha sem detença a punição de morte? Não foi obscuramente que ele mesmo asseverou, se tivessem em mente dar-lhe ouvidos à voz, antes que turvar sua clara verdade com suas insípidas sutilezas: “A alma que tiver pecado, essa morrerá” [Ez 18.4, 20]. De igual modo, o que citei há pouco: “O salário do pecado é a morte” [Rm 6.23]. Esses, porém, o que confessam ser pecado, já que não o podem negar, contendem, no entanto, não ser pecado mortal. Já que por tanto tempo têm mantido essa falsa opinião, pelo menos agora aprendam a cair em si. Pois se persistirem em delirar, que os filhos de Deus não lhes façam caso, e estejam certos de que é pecado mortal, porque equivale a rebeldia contra a vontade de Deus, o que necessariamente provoca a ira, pois é uma prevaricação da lei, contra a qual sem exceção alguma se pronunciou sentença de morte. Quanto aos pecados que os santos e os fiéis cometem, saibam que são veniais, não por sua natureza, mas porque pela misericórdia de Deus são perdoados.

João Calvino