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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A UNIDADE DOS TESTAMENTOS EM TERMOS DA SALVAÇÃO EM CRISTO E SUA MEDIAÇÃO


Segue-se, pela mesma razão, que o Antigo Testamento não só fora estabelecido na misericórdia gratuita de Deus, mas ainda fora firmado na intercessão de Cristo. Ora, também a pregação do evangelho outra coisa não declara, senão que, pela paterna indulgência de Deus, os pecadores seriam justificados, à parte de seu mérito. E toda sua suma se compreende em Cristo. Quem, portanto, ousou fazer os judeus carentes de Cristo, com quem ouvimos ter sido firmado o pacto do evangelho, cujo único fundamento é Cristo? Quem ousou tornar estranhos ao benefício da salvação gratuita aqueles a quem ouvimos ter sido ministrada a doutrina da justiça da fé?
E, para que não disputemos por demorado tempo acerca de coisa óbvia, temos a notável afirmação do Senhor: “Abraão exultou porque haveria de ver meu dia; viuo e se regozijou” [Jo 8.56]. E o que aí Cristo testifica a respeito de Abraão, o Apóstolo mostra ter sido universal entre o povo fiel, quando diz que Cristo subsiste ontem, hoje e para sempre [Hb 13.8]. Pois, ele não está falando aí simplesmente da eterna divindade de Cristo, mas de seu poder, que foi feito perpetuamente manifesto aos fiéis. Pelo que, tanto a bendita Virgem, quanto Zacarias, em seus cânticos [Lc 1.54, 55, 72, 73], dizem que a salvação revelada em Cristo foi o cumprimento das promessas que o Senhor fizera outrora a Abraão e aos patriarcas. Se, em manifestando a seu Cristo, o Senhor saldou o compromisso de seu antigo juramento, não se pode dizer que seu objetivo não esteve sempre em Cristo e na vida eterna.

João Calvino