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domingo, 5 de agosto de 2018

O PRÓXIMO É TODA E QUALQUER CRIATURA HUMANA


Já demonstramos que Cristo, na parábola do samaritano [Lc 10.29-37], sob o termo próximo inclui cada indivíduo, até o mais distanciado, não havendo razão para limitarmos o preceito do amor ao próximo às pessoas mais achegadas a nós. Não estou negando que quanto mais intimamente ligada nos é uma pessoa, tanto mais especialmente é nosso dever assisti-la. Pois assim impõe o princípio de humanidade: quanto mais íntimos são os laços de parentesco ou amizade que ligam as pessoas, tanto mais devem os homens ajudar-se entre si. E isto com nenhuma ofensa de Deus, por cuja providência somos, de certo modo, a isto compelidos. Afirmo, porém, que se deve abraçar com um só afeto de caridade a todo gênero humano, sem qualquer exceção, porquanto aqui não há nenhuma distinção de bárbaro ou grego, de digno ou indigno, de amigo ou inimigo, visto que devem ser considerados em Deus, não em si mesmos, consideração esta da qual, quando nos desviamos, não surpreende que nos emaranhemos em muitos erros. Conseqüentemente, se apraz manter a verdadeira linha do amar, devem-se voltar os olhos, em primeiro plano, não para o homem, cuja visão mais freqüentemente engendraria ódio que amor, mas para Deus, que manda que o amor que lhe deferimos seja difundido em relação a todos os seres humanos, de sorte que seja este o perpétuo fundamento: seja quem for o homem, deve ele, no entanto, ser amado, já que Deus é amado.


João Calvino