Ele trata magistralmente da mesma coisa também em Isaías: “Não ofereçais”,
diz ele, “sacrifício vão; o incenso é para mim abominação; minha alma odeia vossas
luas novas, e vossas solenidades se fizeram repugnantes; já estou cansado de as
suportar. Quando estendeis vossas mãos, escondo de vós meus olhos; e ainda que
multipliqueis vossas orações, não as ouvirei, porque vossas mãos estão cheias de
sangue. Lavai-vos, sede limpos, removei o mal de vossas cogitações” [Is 1.13-16].
Significa que o Senhor sente tanta náusea pela observância de sua Lei? Na realidade,
ele aqui não despreza a verdadeira e pura observância da lei, cujo princípio,
ensina ele por toda parte, é o sincero temor de seu nome. Uma vez prescindido esse
temor, tudo quanto lhe é oferecido não só será vaidade, mas também imundícia,
hediondez e abominação. Que agora os hipócritas se vão e, retendo oculta no coração sua depravação,
diligenciem por merecer a graça de Deus com suas boas obras! Com efeito, desse
modo haverão de o irritar ainda mais. “O sacrifício dos ímpios é abominável ao
Senhor, mas a oração dos retos é seu contentamento” [Pv 15.8]. Concluímos, pois,
sem qualquer dúvida, o que deve ser por demais corriqueiro àqueles que são medianamente
exercitado nas Escrituras, que mesmo as obras que são evidentes aos olhos
dos homens que ainda não são verdadeiramente santificados, mui longe estão de
constituir justiça diante do Senhor, o qual as considerará como pecado. E daí, com
muita verdade falaram aqueles que ensinaram que a graça de Deus não se concilia à
pessoa mediante obras; mas, ao contrário, as obras agradam a Deus quando a pessoa
antes acha favor à vista dele.
E cumpre observar-se religiosamente esta ordem à qual a Escritura nos conduz
pela mão. Moisés escreve que o Senhor atentou para Abel e para suas obras [Gn
4.4]. Vês como Moisés demonstra que Deus se fez propício aos homens antes de
contemplar suas obras? Por isso, para que as obras que procedem de nós sejam
por Deus benignamente recebidas, impõe-se que sejam precedidas pela purificação
do coração, uma vez que vigore sempre esta declaração de Jeremias, de que os olhos de Deus atentam para a verdade [Jr 5.3]. Com efeito, que somente a féé o que purifica
os corações dos homens, o Espírito Santo declarou pela boca de Pedro [At 15.9],
donde se evidencia que o primeiro fundamento consiste na fé verdadeira e viva.
João Calvino
Escola Bíblica Conhecedores da verdade - O objetivo deste blog e levar você a conhecer a verdade que liberta de todo o Engano. Nesses últimos tempos, muito se tem ouvido falar do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, porém de maneira distorcida e muitas vezes pervertida, com heresias disfarçada etc. “ ...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8.32