Os sofistas imaginam possuir uma evasiva sutil, os quais, da perversão da Escritura
e de sofismas fúteis, constroempara si passatempos e diversões, pois interpretam
essas obras como sendo aquelas que, à parte da graça de Cristo, apenas os
homens ainda não regenerados fazem segundo a letra e pelo impulso de seu livrearbítrio.
Negam, porém, que isso se refira às obras espirituais. E assim, segundo
eles, o homem é justificado tanto pela fé quanto pelas obras, só que não são obras propriamente suas; ao contrário, são graças de Cristo e frutos da regeneração. Pois
sustentam que Paulo falou assim não por outra razão, mas para convencer aos judeus,
fiados em suas próprias forças de que estultamente reivindicavam justiça para
si, quando somente o Espírito de Cristo no-la confere, não o esforço da própria ação
de nossa natureza.
Com efeito, não observam que na antítese de justiça da lei e justiça do evangelho,
que Paulo adiciona em outro lugar [Gl 3.11, 12], estão excluídas todas e quaisquer
obras, qualquer que seja o título com que sejam adornadas. Ora, ele ensina que
esta é a justiça da lei: que aquele que cumprir o que a lei ordena obtenha a salvação;
esta, porém, é a justiça da fé: se cremos que Cristo morreu e ressuscitou [Rm 10.5,
9]. Além disso, mais adiante veremos, em seu lugar, que estes benefícios de Cristo –
a santificação e a justiça – são diferentes. Donde se segue que, onde de fato se
atribui à fé o poder de justificar não entram em questão nem mesmo as obras espirituais.
Mais ainda, quanto Paulo diz que Abraão não teve de que se gloriar diante de
Deus, visto que ele não é justo segundo as obras, não limita isto a uma aparência ou
brilho de virtude, nem à pretensão que Abraão porventura nutrisse de seu livrearbítrio; pelo contrário, ainda que a vida do Patriarca fosse espiritual e quase
angélica, entretanto seus méritos provenientes das obras não são suficientes para
lhe granjear a justiça perante Deus.
João Calvino
Escola Bíblica Conhecedores da verdade - O objetivo deste blog e levar você a conhecer a verdade que liberta de todo o Engano. Nesses últimos tempos, muito se tem ouvido falar do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, porém de maneira distorcida e muitas vezes pervertida, com heresias disfarçada etc. “ ...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8.32