Examinemos agora quão verdadeiro seja aquilo que foi dito na definição: que a
justiça da fé é uma reconciliação com Deus que consta somente da remissão dos
pecados. Faz-se necessário volver sempre a este axioma: a ira de Deus paira sobre
todos por todo o tempo que continuam a ser pecadores. Isaías expressou isso admiravelmente,
nestas palavras: “Não é curta a mão da Senhor, que não possa salvar,
nem embotado seu ouvido, que não ouça, mas vossasiniqüidades fizeram separação
entre vós e vosso Deus, e vossos pecados ocultaram de vós sua face, para que ele
não vos ouça” [Is 59.1, 2].
Ouvimos que o pecado é uma divisão entre o homem e Deus, o rosto de Deus se
voltando contra o pecador. Nem pode ser de outra forma, já que é incompatível com
sua justiça manter ele qualquer relacionamento com o pecado. Donde ensina o Apóstolo
que o homem é inimigo de Deus, até que, através de Cristo, seja ele restaurado
à graça [Rm 5.8-10]. Portanto, aquele a quem o Senhor recebe à sua comunhão, a
esse diz-se que ele justifica, porquanto não pode recebê-lo à graça, nem uni-lo a si,
sem que torne justo o pecador. Acrescentamos que isso se faz mercê da remissãodos
pecados. Ora, se pelas obras são julgados aqueles a quem o Senhor reconciliou
consigo, eles serão ainda tidos realmente por pecadores, os quais, entretanto, precisam
ser livres e limpos do pecado.
E assim faz-se óbvio que aqueles a quem Deus abraça se tornem justos não de
outra maneira, mas porque são purificados quando suas manchas são removidas
pela remissão dos pecados. De sorte que se pode chamar tal justiça, em uma palavra,
remissão dos pecados.
João Calvino
Escola Bíblica Conhecedores da verdade - O objetivo deste blog e levar você a conhecer a verdade que liberta de todo o Engano. Nesses últimos tempos, muito se tem ouvido falar do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, porém de maneira distorcida e muitas vezes pervertida, com heresias disfarçada etc. “ ...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8.32