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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ É UMA RECONCILIAÇÃO COM DEUS QUE, ESSENCIALMENTE, CONSISTE NO PERDÃO DOS PECADOS

Examinemos agora quão verdadeiro seja aquilo que foi dito na definição: que a justiça da fé é uma reconciliação com Deus que consta somente da remissão dos pecados. Faz-se necessário volver sempre a este axioma: a ira de Deus paira sobre todos por todo o tempo que continuam a ser pecadores. Isaías expressou isso admiravelmente, nestas palavras: “Não é curta a mão da Senhor, que não possa salvar, nem embotado seu ouvido, que não ouça, mas vossasiniqüidades fizeram separação entre vós e vosso Deus, e vossos pecados ocultaram de vós sua face, para que ele não vos ouça” [Is 59.1, 2]. Ouvimos que o pecado é uma divisão entre o homem e Deus, o rosto de Deus se voltando contra o pecador. Nem pode ser de outra forma, já que é incompatível com sua justiça manter ele qualquer relacionamento com o pecado. Donde ensina o Apóstolo que o homem é inimigo de Deus, até que, através de Cristo, seja ele restaurado à graça [Rm 5.8-10]. Portanto, aquele a quem o Senhor recebe à sua comunhão, a esse diz-se que ele justifica, porquanto não pode recebê-lo à graça, nem uni-lo a si, sem que torne justo o pecador. Acrescentamos que isso se faz mercê da remissãodos pecados. Ora, se pelas obras são julgados aqueles a quem o Senhor reconciliou consigo, eles serão ainda tidos realmente por pecadores, os quais, entretanto, precisam ser livres e limpos do pecado. E assim faz-se óbvio que aqueles a quem Deus abraça se tornem justos não de outra maneira, mas porque são purificados quando suas manchas são removidas pela remissão dos pecados. De sorte que se pode chamar tal justiça, em uma palavra, remissão dos pecados.

João Calvino