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domingo, 9 de setembro de 2018

A VIDA É REPLETA DE ADVERSIDADES E TRIBULAÇÕES, AS QUAIS SUPORTAMOS FIRMADOS NA DIVINA CONSOLAÇÃO, INCLUSIVE GLORIFICANDO O SENHOR ATRAVÉS DELAS

Portanto, quando a Escritura nos consola profusamente com estas e injunções semelhantes, sejam as ignomínias, sejam as calamidades que suportamos na defesa da justiça, somos excessivamente ingratos, salvo se da mão do Senhor as recebemos de bom grado e com júbilo, principalmente quando esta espécie de cruz é própria especialmente própria dos fiéis, através da qual Cristo quer ser glorificado em nós, como também Pedro o ensina [1Pe 4.12-14]. Uma vez que para as naturezas honradas é mais amargo sofrer vilipêndio do que cem mortes, Paulo adverte especificamente que nos aguardam não só perseguições, mas ainda ultrajes, porquanto “esperamos no Deus vivo” [1Tm 4.10]. Assim, em outro lugar [2Co 6.8], ele nos manda andar em conformidade com seu exemplo: “por má e boa fama.” Com efeito, não se requer de nós essa alacridade que remova todo senso de amargura e dor; de outra sorte, não haveria na cruz nenhuma paciência dos santos a não ser que fossem não só atormentados pela dor, mas fossem ainda ralados por inquietude. Se na pobreza não houvesse nenhuma agrura, nenhum tormento nas enfermidades, nenhuma pungência na ignomínia, nenhum horror na morte, de que fortaleza ou moderação haveria de ser o tratá-las com indiferença? Quando, porém, cada uma dessas desolações por sua própria natureza atribule o ânimo de todos nós com o amargor que nos é ingênito, nisto se exibe a fortaleza do homem fiel: se for provado pelo senso de amargor deste gênero, por mais arduamente que padeça, resistindo, no entanto, valentemente, acaba vencedor; nisto se revela sua paciência: se for ferinamente espicaçado, contudo, se refreie pelo temor de Deus, para que não se precipite a algum ato imoderado próprio da jovialidade; se ferido de tristeza e pesar, descanse na consolação espiritual de Deus.

João Calvino