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domingo, 9 de setembro de 2018

LEVAR A CRUZ NOS TESTA A PACIENTE RESIGNAÇÃO E NOS ADESTRA PARA A CONFIANTE OBEDIÊNCIA

Ao afligir os seus, o Senhor tem também outro objetivo, a saber, testar-lhes a paciência e adestrá-los à obediência. Na verdade, não significa que possam renderlhe obediência, a não ser que ele mesmo lhes tenha outorgado, mas assim lhe agrada por evidências mui claras fazer comprovadas e iluminadas as graças que conferiu aos santos, para que não permaneçam ociosas, interiormente escondidas. Portanto, ao tornar manifesto o poder e a constância de suportar as adversidades com que dotou a seus servos, diz-se que ele lhes prova a paciência. Daí as afirmações de que Deus pôs Abraão à prova e que sua piedade lhe foi patenteada deste fato: que não recusou imolar o próprio filho, e filho único [Gn 22.1, 12]. Razão por que Pedro ensina que a fé nos é testada através das tribulações, não menos que provado é o ouro pelo fogo em uma fornalha [1Pe 1.7]. Contudo, quem não diga ser conveniente que o mui excelente dom da paciência, que o fiel recebeu de seu Deus, seja posto para uso, para que se torne certo e evidente? Pois não será de outro modo que os homens jamais o estimarão quanto merece. E se Deus tem justa razão para dar motivo e ocasião de exercitar as virtudes de que dotou os seus, a fim de que não permaneçam encantoados e se percam sem qualquer proveito, vemos que não sem motivo lhes envia as aflições, sem as quais a paciência deles seria de nenhum valor.137 Afirmo que, pela cruz, são também adestrados a obedecer, por isso que são também ensinados a viver, não conforme o próprio desejo, mas segundo a vontade de Deus. Obviamente, se todas as coisas lhes fosse derivadas conforme o próprio alvitre, não saberiam o que significa seguir a Deus. Com efeito, isso lembra provir de Sêneca um provérbio antigo, quando alguém fosse exortado a suportar as adversidades, que lhe fosse dito: Segue a Deus. Portanto, de fato os antigos então davam a entender, afinal, que um homem devia sujeitar-se verdadeiramente ao jugo de Deus quando ao seu azorrague oferecesse a mão e as costas. Pois se é absolutamente justo que em tudo nos provemos ser obedientes ao Pai celestial, certamente não há como refugar-se que nos acostumemos a render-lhe obediência de todos os modos.

João Calvino