Seja-nos este o principio: não exagerar o uso dos dons de Deus quando se tem
por meta que os mesmos foram criados e destinados a nós pelo próprio Criador,
visto que os criou para nosso beneficio, não para nosso detrimento. Por isso, ninguém
manterá caminho mais reto do que aquele que diligentemente visualizar esse
propósito.
Ora, se ponderarmos a que fim Deus criou os alimentos, verificaremos que ele
quis levar em conta não só a necessidade, mas também o deleite e gáudio; assim, na
indumentária, além da necessidade, foi seu propósito fomentar o decoro e a dignidade;
nas ervas, árvores e frutas, além dos variados usos, proporciona a beleza da
aparência e a suavidade do perfume. Ora, a não ser que isso fosse verdadeiro, o
Profeta não contaria entre as beneficências de Deus “o vinho que alegra o coração
do homem”, “o óleo lhe faz resplandecer o rosto” [Sl 104.15]; nem estariam as
Escrituras, a fim de enaltecer-lhe a benignidade, relembrando a cada passo que ele
deu aos homens todas as coisas desse gênero.
E as próprias qualidades naturais das coisas demonstram suficientemente a que
propósito e em que extensão é lícito desfrutarmos delas. Porventura o Senhor terá
dado às flores tão grande formosura que surgem espontaneamente aos alhos, tão
grande suavidade do olor que naturalmente se infiltrasse ao olfato, e será ilícito que
aqueles sejam afetados pela beleza, ou este pelo encanto do aroma? Ora, porventura Deus não terá assim distinguido as cores, que a umas fizesse mais aprazíveis que as
outras? Ou porventura Deus não terá atribuído ao ouro e à prata, ao marfim e ao
mármore um fascínio mercê do qual se tornassem preciosos acima de outros, quer
metais, quer pedras? Em suma, porventura Deus não nos terá feito muitas coisas
dignas de apreço à parte de seu uso necessário?
João Calvino
Escola Bíblica Conhecedores da verdade - O objetivo deste blog e levar você a conhecer a verdade que liberta de todo o Engano. Nesses últimos tempos, muito se tem ouvido falar do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, porém de maneira distorcida e muitas vezes pervertida, com heresias disfarçada etc. “ ...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8.32