Mas, por que me sirvo de testemunho mais obscuro? Paulo por toda parte nega
que às consciências seja deixada paz ou gozo tranqüilo, a não ser que tenham sido
persuadidas de que somos justificados pela fé. Donde procede, porém, esta certeza,
Paulo o declara ao mesmo tempo: de fato “quando o amor de Deus foi derramado
em nosso coração através do Espírito Santo” [Rm 5.5], como se estivesse dizendo
que nossas almas não podem tranqüilizar-se de outra maneira, a não ser que tenhamos
sido firmemente persuadidos de que agradamos a Deus. Donde também exclama
em outro lugar, em nome de todos os piedosos: “Quem nos separará do amor de
Deus que está em Cristo?” [Rm 8.35, 39], pois que tremeremos apavorados ante
cada mínima aura, até que tenhamos chegado a este porto; mas estaremos seguros
mesmo no negror da morte, sempre que Deus haverá de mostrar-se como o nosso
Pastor [Sl 23.1, 4].
Portanto, tantos quantos afirmam que somos justificados pela fé, porque, ao
sermos regenerados, vivendo espiritualmente somos justos, jamais degustaram a
doçura da graça para confiarem que Deus lhes será propício. Donde também se
segue que eles nada sabem da maneira correta de orar mais que os turcos e quaisquer
outras pessoas profanas. Pois Paulo o atesta não ser verdadeira fé senão aquela que
proclama e reitera esse dulcíssimo nome de Pai; ainda mais, a não ser que nossa
boca se abra e profira, em expontânea exclamação: Abba, Pai [Rm 8.15; Gl 4.6], o
que exprime ainda mais claramente em outro lugar: em Cristo temos ousadia e
acesso em confiança, mediante a fé nele [Ef 3.12]. Com efeito, isso não resulta do
dom da regeneração, porquanto, uma vez que nesta carne é sempre imperfeito, daí
em si contém infindas causas de nutrir dúvida. Por isso, faz-se necessário buscar
este remédio: que os fiéis se persuadam de que não devem esperar por outra direito
à herança do reino celeste, senão porque, enxertados no corpo de Cristo, são graciosamente
reputados justos. Ora, no que diz respeito à justificação, a fé é algo meramente
passivo, não trazendo coisa alguma nossa com o intuito de obter a graça de
Deus; pelo contrário, recebemos de Cristo o que nos falta.
João Calvino
Escola Bíblica Conhecedores da verdade - O objetivo deste blog e levar você a conhecer a verdade que liberta de todo o Engano. Nesses últimos tempos, muito se tem ouvido falar do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, porém de maneira distorcida e muitas vezes pervertida, com heresias disfarçada etc. “ ...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8.32