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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A JUSTIFICAÇÃO É UNICAMENTE PELA FÉ, SEM O CONCURSO DAS OBRAS, POR ISSO NOS ASSEGURA DO AMOR DE DEUS, NOS FACULTANDO PAZ DE CONSCIÊNCIA E CONFIANÇA NO CORAÇÃO

Mas, por que me sirvo de testemunho mais obscuro? Paulo por toda parte nega que às consciências seja deixada paz ou gozo tranqüilo, a não ser que tenham sido persuadidas de que somos justificados pela fé. Donde procede, porém, esta certeza, Paulo o declara ao mesmo tempo: de fato “quando o amor de Deus foi derramado em nosso coração através do Espírito Santo” [Rm 5.5], como se estivesse dizendo que nossas almas não podem tranqüilizar-se de outra maneira, a não ser que tenhamos sido firmemente persuadidos de que agradamos a Deus. Donde também exclama em outro lugar, em nome de todos os piedosos: “Quem nos separará do amor de Deus que está em Cristo?” [Rm 8.35, 39], pois que tremeremos apavorados ante cada mínima aura, até que tenhamos chegado a este porto; mas estaremos seguros mesmo no negror da morte, sempre que Deus haverá de mostrar-se como o nosso Pastor [Sl 23.1, 4]. Portanto, tantos quantos afirmam que somos justificados pela fé, porque, ao sermos regenerados, vivendo espiritualmente somos justos, jamais degustaram a doçura da graça para confiarem que Deus lhes será propício. Donde também se segue que eles nada sabem da maneira correta de orar mais que os turcos e quaisquer outras pessoas profanas. Pois Paulo o atesta não ser verdadeira fé senão aquela que proclama e reitera esse dulcíssimo nome de Pai; ainda mais, a não ser que nossa boca se abra e profira, em expontânea exclamação: Abba, Pai [Rm 8.15; Gl 4.6], o que exprime ainda mais claramente em outro lugar: em Cristo temos ousadia e acesso em confiança, mediante a fé nele [Ef 3.12]. Com efeito, isso não resulta do dom da regeneração, porquanto, uma vez que nesta carne é sempre imperfeito, daí em si contém infindas causas de nutrir dúvida. Por isso, faz-se necessário buscar este remédio: que os fiéis se persuadam de que não devem esperar por outra direito à herança do reino celeste, senão porque, enxertados no corpo de Cristo, são graciosamente reputados justos. Ora, no que diz respeito à justificação, a fé é algo meramente passivo, não trazendo coisa alguma nossa com o intuito de obter a graça de Deus; pelo contrário, recebemos de Cristo o que nos falta.

João Calvino