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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

O PLANO BÍBLICO DA VIDA CRISTÃ CONSTA DE DOIS PONTOS: O AMOR À JUSTIÇA OU SANTIDADE NO VIVER E A NORMA QUE NO-LO REGULE

Com efeito, sobretudo em dois pontos, se assenta esta instrução da Escritura de que estamos falando. O primeiro é que o amor da justiça, ao qual por natureza, de outra sorte, de modo nenhumsomos propensos, o outro nos é instilado e implantado na alma, para que nos seja prescrita uma norma que não nos deixe sair da trilha na pista da justiça. A Escritura, porém, tem muitas e ótimas expressões de exaltação da justiça, das quais muitas já assinalamos anteriormente, em diversos lugares, agora abordaremos algumas aqui, de forma sucinta. Com que melhor fundamento começa a Escritura que quando nos admoesta ser necessário que nos santifiquemos, porquanto “nosso Deus é santo” [Lv 19.2; 1Pe 1.15, 16]? Com efeito, quando estávamos espalhados à semelhança de ovelhas desgarradas e dispersadas pelos labirintos do mundo, ele nos tornou a congregar, para que a si nos agregasse. Quando ouvirmos menção de nossa união com Deus, lembremo-nos de que a santidade deve ser seu vínculo, não porque pelo mérito da santidade nos acheguemos à sua comunhão (quando antes é necessário que ele primeiro nos tome para que, banhados de sua santidade, sigamos para onde nos chamar), mas porque diz respeito especialmente à sua glória, não ter ele consórcio com a iniqüidade e a imundície. Por isso, a Escritura também ensina ser este o fim de nossa vocação, ao qual nos convém sempre mirar, caso queiramos responder ao Deus que nos chama. Pois, a que propósito se nos impunha ser arrancados da corrupção e poluição do mundo em que estávamos chafurdados, se nos permitimos revolver-nos nelas toda a vida? Ademais, ao mesmo tempo a Escritura também nos adverte que, para que sejamos contados entre o povo do Senhor, importa habitarmos a santa cidade de Jerusalém[Sl 122.2-9; Is 35.10], a qual, como ele a consagrou pessoalmente a si, é, portanto, contrário ao direito de ser ela profanada pela impureza dos que a habitam. Donde são estas palavras: deve haver um lugar no tabernáculo de Deus para aqueles que andam sem mácula e se esforçam em prol da justiça [Sl 15.1, 2; 24.3, 4] etc. Porquanto de modo algum fica bem que, à semelhança de um estábulo, seja saturado de imundícies o santuário em que ele habita.

João Calvino